[AVALIAÇÃO] Tiggo 3X é o quinto elemento da família de SUVs da Caoa Chery

Modelo utiliza a plataforma do Tiggo 2, mas traz um inédito motor 1.0 turbo flex e até controle de descida entre os equipamentos

Por Hairton Ponciano Voz 31/05/21 às 09h00
Especial para o AutoPapo
caoa chery tiggo 3x na pista teste 1
Novo SUV é feito no Brasil (Foto: Caoa Chery | Divulgação)

Até recentemente, controle de descida (capaz de gerenciar o veículo em declives sem intervenção do motorista) era um item disponível apenas em picapes médias e SUVs caros. Pois a tecnologia é uma das novidades do pequeno Tiggo 3X, o quinto elemento da prole de SUVs da Caoa Chery. Ele chega em duas versões Plus e Pro com preços promocionais de lançamento (com prazo indeterminado). Depois, sofreão aumento de R$ 6.000.

Versão Preço
Caoa Chery Tiggo 3X Plus R$ 94.990
Caoa Chery Tiggo 3X Pro R$ 99.990

Ele engrossa a família que começa com o Tiggo 2, passa pelo 5X, 7 e chega ao 8. Como o número deixa claro, ele preenche uma lacuna entre o Tiggo 2 e o 5X. Mas, como o numeral não esclarece, na prática ele é uma evolução do 2. Na China, onde estreou no final de 2020, o 3X é o substituto do 2. Aqui, no entanto, eles irão conviver – ao menos em um primeiro momento.

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Embora aproveite a base do Tiggo 2 (que por sua vez é um sucessor do antigo hatch Celer), o Tiggo 3X representa bem mais que uma reestilização. Para começar, além do controle de descida, o pequeno SUV estreia o motor 1.0 turbo flex de três cilindros e 102 cv (com etanol), que na avaliação mostrou que dá conta do recado. Com gasolina, a potência cai para 98 cv.

Do lado de fora, a maior novidade está na dianteira. A ampla grade do Tiggo 3X antecipa a nova identidade visual da marca, que com o tempo deverá se espalhar pelos outros integrantes da família Tiggo.

Além da grade, cravejada de pontos cromados na versão Pro, a mais cara (há ainda a básica, Plus), o Tiggo 3X exibe um conjunto óptico moderno, com luzes diurnas de LEDs na linha do capô e faróis também de LEDs no para-choque, como na Fiat Toro.

Capô e para-choque também são novos. Na traseira a mudança é mais sutil, mas o para-choque mudou, e ostenta duas saídas de escape falsas. Além disso, há uma faixa plástica escura unindo as lanternas, tendência verificada na maioria dos lançamentos. Por isso, quando vistos de lado e de traseira, os dois Tiggo menores são muito parecidos.

Quadro de instrumentos virtual e tela de 9″

A central multimídia com tela de 9″ é compatível com Apple CarPlay e Android Auto, e o quadro de instrumentos virtual tem mostrador de 7″ (3,5″ na versão básica).

Rodamos cerca de 120 km com a versão mais equipada, num percurso de ida e volta entre São José dos Campos e o distrito de São Francisco Xavier, numa rota sinuosa que corta a serra da Mantiqueira, no estado de São Paulo.

A rota do GPS no celular com sistema Android Auto foi espelhada no grande monitor do painel. Tudo ia bem, até que a tela do nada apagou. E do nada voltou a mostrar o caminho. Resumindo, foi uma sequência de apagões e retornos, na ida e na volta. Disseram que o problema era o cabo de conexão do celular.

O Tiggo 3X é econômico em USB. Há apenas uma porta, localizada na frente, e nenhuma atrás. Em tempos em que conectividade é tudo, uma entrada (ou saída) é pouco.

Ar-condicionado ‘manual’

Além do quadro de instrumentos virtual de 7″ colorido, entre os principais itens de série da versão Pro estão faróis de LEDs, bancos com imitação de couro, chave presencial, rebatimento elétricos de retrovisores, comando de climatização a distância, moldura cromada nas janelas, câmera traseira com guias de direção e iluminação de boas vindas projetada no chão, quando se abre a porta.

De série desde a versão básica, afora a central multimídia de 9″, há sensor de pressão dos pneus, controlador automático de velocidade, assistente de descida, auxiliar de partida em rampa, alerta de frenagem de emergência, vidros elétricos nas quatro portas com comando “um toque”, sensores de obstáculo traseiro, luzes diurnas de LEDs, rodas de liga aro 16″, sistema Isofix para fixação de cadeiras infantis, etc.

Dobradinha com motor 1.0 e câmbio CVT é inédita

Confesso que saí para o teste meio cismado, porque o SUV compacto estreia no Brasil a inédita combinação entre um pequeno motor 1.0 e câmbio automático CVT. E essa união nem sempre faz a força. Câmbios de relação continuamente variável costumam comprometer o desempenho, especialmente quando associados a motores de baixa cilindrada. Mas o modelo não desaponta – ao menos não totalmente.

Após uma leve titubeada nas saídas, o Tiggo 3X arranca com um certo ânimo, especialmente depois de 2 mil rpm. O atraso na resposta é o tempo de uma conversinha rápida entre entre motor e câmbio. O primeiro diz algo como: “Ó, o cara quer correr, está pisando no acelerador”. Ao que o segundo leva um tempinho para processar a informação, mexe lá na relação das polias e responde: “Pronto”.

Com a ressalva de que o diálogo se passa em mandarim. Motor e câmbio são importados da China, embora o desenvolvimento para funcionar com etanol e gasolina tenha sido feito no Brasil. A propósito, a Caoa Chery informa que os trabalhos de teste e desenvolvimento com o modelo duraram dois anos.

A pista simples que vai serpenteando a serra, com trânsito nos dois sentidos, foi um bom teste para o poder de retomada. Bastou pisar no acelerador para fazer ultrapassagens com segurança, mesmo sem retas longas à frente.

O curioso é que, apesar de ser um motor inteiramente novo, o 1.0 turbo é menos potente que o 1.5 aspirado de quatro cilindros do Tiggo 2 (115 cv). Os 102 cv, a propósito, ficam abaixo de propulsores com a mesma cilindrada da Volkswagen (128 cv), Chevrolet (116 cv) e Hyundai (120 cv).

Consumo do Tiggo 3X

Combustível Cidade Estrada
Etanol 7,8 km/l 8,5 km/l
Gasolina 11,2 km/l 12,2 km/l

No entanto, o torque, que é o que importa em retomadas de velocidade (e ultrapassagens), compensa. Contra os 14,9 mkgf a 2.700 rpm do 1.5, o 1.0 turbo entrega 17,1 mkgf a 2.000 rpm (16,8 mkgf com gasolina). Isso representa acréscimo de 15% na faixa de 2.500 rpm, incremento que sobe para 28% a 2.000 rpm, segundo a Caoa Chery.

Em termos de velocidade máxima, a montadora informa que o Tiggo 3X alcança 172 km/h, um pouco mais que os 167 km/h do Tiggo 2. A marca divulga aceleração de 0 a 100 km/h em 14,2 segundos, o que não é um número muito animador. O motor tem 12 válvulas e duplo comando variável.

São dois modos de condução, eco e esporte, que na prática alteram muito pouco o desempenho. Dependendo da escolha, a cor do painel de instrumentos muda de azul (modo econômico) para um vermelho berrante (esportivo).

Mas a coloração é um dos poucos sinais de alteração. Ou seja, o motorista mais vê do que sente a mudança. O modelo não oferece borboletas para trocas manuais no volante. No entanto, se quiser, o motorista pode fazer passagens na alavanca do console. O sistema simula nove marchas.

Suspensão alta privilegia conforto

A suspensão tem acerto que privilegia o conforto. Nas curvas, nota-se um certo balanço da carroceria, mas o comportamento é bom, ajudado pelos pneus largos de perfil baixo (205/55 R16). Visualmente, o pequeno SUV parece bem alto, embora oficialmente a altura em relação ao solo seja de 15,7 cm. Essa medida é feita no câmbio, que é a parte mais próxima do chão.

De acordo com a Caoa Chery, o Tiggo 3X tem ângulo de entrada de 20,4º e de saída de 31º. As demais medidas são as mesmas do Tiggo 2: 4,2 m de comprimento, 1,76 m de largura, 1,57 m de altura e 2,55 m de comprimento.

Como é um modelo relativamente estreito, é fácil bater o cotovelo no apoio de braço da porta. Da mesma forma, em curvas para a direita feitas com um pouco mais de ímpeto, a perna tende a apoiar no revestimento da porta.

Atrás, há espaço para pernas e cabeça, ao menos para ocupantes de até 1,80 metro. O porta-malas acomoda 420 litros.

Em termos de segurança passiva, o Tiggo 3X oferece apenas os dois airbags frontais obrigatórios. Mas a Caoa informa que o controle de tração (que faz parte da segurança ativa do veículo) foi aprimorado.

O Tiggo 3X recebeu o sistema 9.3 da Bosch, mais atual, o mesmo do Tiggo 8. Segundo a empresa, ele emprega sensores de pressão digitais, tem motor mais rápido e é 34 vezes mais preciso. Há discos de freio nas quatro rodas.

Tiggo 3X vem para ficar entre os mais vendidos

De acordo com estimativas da Caoa Chery, o Tiggo 3X, que é produzido em Jacareí (SP) juntamente com o Tiggo 2, deverá ter vendas na faixa de 900 unidades por mês, já a partir de junho. Se a previsão se confirmar, ele poderá disputar com o Tiggo 5X a posição de mais vendido da família. Essa, aliás, tem sido a média de vendas do modelo intermediário. No acumulado do ano, até abril, o 5X soma 3.417 unidades.

Curiosamente, o segundo mais vendido é o Tiggo 8, o mais caro da família, que apesar do preço (a partir de R$ 179.990) tem conseguido emplacar uma média superior a 500 unidades mensais. Em abril, obteve 702 licenciamentos, e no ano tem 2.029 unidades vendidas.

O Tiggo 2 é o terceiro, com 1.425 licenciamentos no primeiro quadrimestre, pouco mais de 300 por mês. E o Tiggo 7 é o lanterna da família, com 795 unidades no ano, média pouco abaixo de 300 modelos vendidos por mês.

Entre o Tiggo 5X (a partir de R$ 121.990) e o 7 (que começa em R$ 134.990), aparentemente o comprador tem optado pelo modelo mais barato, já que ambos compartilham o mesmo conjunto mecânico. Os maiores da família (5X, 7 e 8) são montados em Anápolis, Goiás.

Fotos: Caoa Chery | Divulgação

4 Comentários
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André 20 de julho de 2021

Tenho um Tiggo 2 que está com 60.000 km rodados e um histórico de problema ZERO.
Estou propenso a trocar por um 3 versão Pro…
Quem deseja sofisticação sugiro Maserati, Mercedes e outras.
Pelo preço está dentro do esperado.

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Lucia 1 de julho de 2021

Achei o carro muito bom, com ótima tecnologia e lindo, me atende muito bem, e o valor está valendo, não existe perfeição para carros desse porte se eu quiser perfeição tenho que comprar um carro absurdamente caro.

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Francisco 8 de junho de 2021

O carro não tem alerta de cinto desafivelado para o passageiro. Isso é péssimo, tendo em vista a obrigatoriedade no Brasil. O ajuste do banco do motorista é quase ZERO, e com uso de um sistema arcaico, uma roda giratório. O revestimento dos bancos em couro é extremamente pobre. Parece que foi feito num fundo de quintal e ainda não tem o porta revista na traseira dos bancos da frente… até o tiggo 2 tem. Mas eu sei a artimanha empregada… fazem isso de propósito pra depois de um ano fabricar outro e aumentar o preço entre 20 e 40 por cento.

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Sir.Alves 3 de junho de 2021

A traseira deste carrinho não casa com a frente, parece um Citroen de frente e um popular capado pela traseira… sei lá, não curto esse carrinho, desculpem aos amantes dos chineses. #Passo.

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