Carro elétrico: prós e contras

Um fato é inegável: o pouquíssimo eficiente motor a combustão já deveria ser peça de museu há dezenas de ano

Por Boris Feldman 04/05/19 às 09h00
carro eletrico

Toda evolução gera resistência. No final do século XIX, o rei alemão Wilhelm II protestou e disse que seria provisória a substituição do cavalo pelo motor na carruagem. Com o carro elétrico não é diferente, mesmo que na Noruega, por exemplo, já seja mais vendido que o carro a combustão.

Kaiser Wilhelm II morreu há tempos, mas deixou sucessores: já se tentou provar – na Alemanha –  que o elétrico polui mais que o diesel.

A argumentação contra o elétrico mescla o emocional (apaixonados como eu) e o racional. Pode até demorar um pouco mais em países sem infraestrutura para recebê-lo. Mas virá, mais dia, menos dia…

Os prós do carro elétrico

1. Mais “limpo”

Não polui, mas a produção de energia elétrica nem sempre é das mais limpas.Quem o defende alega que, na pior das hipóteses, a poluição é deslocada dos centros urbanos para o campo.

2. Eficiente

Nem se compara a eficiência do elétrico (95%) com o motor a combustão (35%), que já deveria ter virado peça de museu há tempos.

3. Prático

Não tem o enorme espaço roubado por motor e transmissão, sobrando muito mais para passageiros e bagagem.

4. Manutenção

Motor elétrico não tem centenas de peças móveis nem troca de óleo, água, ou correias. Nem caixa de marchas, diferencial ou cardã. Tem uma única peça móvel. E não ferve…

5. Custo por km

Cerca de três vezes mais eficiente, reduz o custo do km rodado.

6. Desempenho

Torque total desde que se encosta o pé no acelerador. Pode ter tração integral sem o peso nem o espaço ocupados pelo eixo cardã dentro de um túnel: um motor no eixo dianteiro, outro no traseiro. E centro de gravidade lá em baixo pois as baterias ficam sob o assoalho.

7. Opções de fontes de energia

A corrente elétrica não necessita de pesadas baterias: pode ser gerada no próprio carro por uma célula a combustível, alimentada por hidrogênio ou outro combustível (liquido ou gasoso) do qual se extrai o H2. Ou ter geração limpa: eólica, solar, biomassa ou hidroelétrica.

Quer ter uma ideia de como é andar em um carro elétrico? Eu te mostro na Kombi do futuro!

Os contras do carro elétrico

1. Baterias

Estão em processo de desenvolvimento mas ainda pesadas, caras e de reciclagem complicada;

2. Emissões

O elétrico roda limpo, mas a produção de baterias e sua recarga podem gerar emissão de CO2. O que depende de como se gera energia elétrica no país: na China e na Alemanha, por exemplo, parte dela ainda vem de usinas de carvão.

3. Autonomia

Desde os primeiros elétricos, no início do século XX, este problema ainda não foi bem resolvido.

4. Recarga

Ao contrário do combustível líquido, baterias demandam horas para serem completamente recarregadas.

5. Pontos de recarga

Este é um dos complicadores: onde instalar o equipamento de carga rápida? E quem não tem garage em casa? E numa viagem, quando existirão suficientes pontos de recarga rápida na estrada?

6. Investimento inicial

O carro elétrico custa mais que o convencional pois as baterias ainda são muito caras.

7. “Fantasma”

Por maior que seja a autonomia (que já pulou de 100 para 400 km nos últimos dois anos), ainda não se afastou o fantasma de ficar na rua com as baterias arriadas. Exceção: elétricos com um motor a combustão para recarregá-las. Mas, tudo tem seu custo…

8. Opções

Ainda são poucos os fabricantes de carros elétricos e as opções para o consumidor.

Solução doméstica

Carro elétrico abastecido com etanol é desenvolvido pela Nissan
A Nissan desenvolve pesquisas desde 2016 para usar o etanol em conjunto com soluções de eletrificação

No Brasil, solução adequada seria do carro elétrico sem bateria. Uma célula de hidrogênio (fuel cell) produziria a eletricidade para os motores. O tanque seria abastecido com etanol de onde se extrairia o hidrogênio para a fuel cell.

Somos o único país no mundo que já tem uma rede de postos com bombas de etanol. E a Unicamp já desenvolve um projeto (parceria com a Nissan) para reduzir custo e peso do reformador, equipamento que extrai o H2 do etanol.

Foto Nissan | Divulgação

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16 Comentários
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Celestino 19 de julho de 2021

Até que o elétrico seja uma realidade real, fico com os movidos exclusivamente a gasolina e com os caminhões a Diesel.

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Marcius 10 de junho de 2021

As desvantagens não são apenas essas. É uma forçada de barra tentar extinguir o veículo a combustão. A frota está aí e o céu está azul. Se querem tanto carros elétricos tornem obrigatórios ônibus, carros de frotas e pequenos carros serem elétricos e deixem as maquinas que contruiram a história automobilística, tais como esportivos e pick ups, serem a combustão.

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Alex Lalas 26 de maio de 2021

Muito decepciona um país onde há muito potencial, porém muito pouco investimento em energias limpas e sustentáveis, as normas e infra-estrutura só beneficiam ao uso de energias fósseis que é dominada em sua totalidade por uma empresa pública, no fim das contas os políticos só estão pensando em seus bolsos (bolzos), que pena!

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Daiane Zanzarini 7 de fevereiro de 2021

E se inventarem um carro movido a energia solar? Talvez daria certo, claro que com algum tipo de armazenamento desta energia..pois o sol parece que cada dia chega mais perto….

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Saul David 4 de fevereiro de 2021

Se esqueceu da vida útil da bateria, que depois gera lixo em alta escala, e as quais tem alto custo,.imagine você a cada 5 anos investir mais 40.000,00 no seu carro elétrico trocando a bateria…

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Ellen 2 de dezembro de 2020

“Somos o único país no mundo…que vive atrasado em tudo” e ainda assim, vive querendo justificar seu atraso! Haja paciência com essas mentalidades tupiniquins!

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Edina Cabral 9 de julho de 2021

E um carro bem caro pra jogar fora com tantos pontos fracos um carro q gatinha ainda arrastando um fardo junto custo ponto de abastecimento bateria não tem muita aceitação e investimento carro e corre o risco ter uma peça futurista encostada na garagem e carro pra se pensar bastante pra se comprar aqui no Brasil este e o meu ver

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giancarlo Zanarotto 21 de novembro de 2020

Ouvi dizer que as baterias podem transformar o veiculo em um campo magnético e provocar leucemia, procede?

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Henrique 7 de fevereiro de 2021

Procede.
Assim como a terra é plana.
Assim como a vacina pra COVID-19 vai alterar nosso DNA e viraremos jacarés ou outros bichos esquisitos.

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giancarlo Zanarotto 21 de novembro de 2020

Diase

Pick-up diesel ou eletrica? Quantos anos demora para entrar os veiculos eletricos e será que são eficientes quanto os elétricos?

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giancarlo Zanarotto 21 de novembro de 2020

Pick-up diesel ou elétrica? Quantos anos demora para entrar os veiculos elétricos no Brasil? Será que os automóveis elétricos são eficientes quanto os automóveis elétricos?

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andre luiz de s pereira 27 de outubro de 2020

tenho um corolla hibrido e não me decepcionei com o carro , economico , limpo já que é flex e eletrico , chega a rodar 23 km por litro na estrada no modo eco, então não vejo o porque desta gritaria toda , a tecnologia vai chegar no seu tempo.

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Wellington França 7 de janeiro de 2020

Boa tarde colega Boris, estou prestes a trocar de carro e estou num dilema quanto a qual tecnologia adotar, ou seja o ainda tradicional motor a combustão (mesmo que tubo de ultima geração) ou elétrico ou ainda Hibrido. Pelo que pesquisei até agora no mercado estamos numa transição entre motores a combustão para as duas outras tecnologias citadas, entretanto pelo que pude apurar tanto para veículos elétricos como híbridos ambas as tecnologias estão em franca evolução, ou seja o que eu comprar hoje pode ser que seja um “mico” daqui a dois/três anos. Será que não vale a pena manter na linha do motor a combustão e aguardar mais um par de anos até que tais tecnologias se consolidem? Este é o meu dilema.

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Cesar Barbosa 10 de maio de 2019

Saudações! Sou engenheiro civil e sempre penso de onde virá o suprimento de energia elétrica para abastecer a nova tecnologia? E por fim, só um pensamento, que não é originalmente meu, mas ” uma tecnologia sempre morre no seu auge”. Terá o motor a combustão chegado ao topo?

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Giovani Albineli 10 de maio de 2019

Parabéns colega Boris. Sou engenheiro mecânico e defensor da eletricidade como energia. São poucos como nós com coragem para criticar os motores a combustão, ou melhor: geradores de calor (65%) que geram um minguado trabalho (35%) Um absurdo esta “coisa” ainda ter espaço no mundo atual onde alta tecnologia eletrônica se renova a cada 10 anos. Infelizmente somos oprimidos pelo sistema onde o grande poder (montadoras) , em conjunto com uma grande mídia e marketing violento mantém a população subjugada.

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Yuri Patrice 27 de outubro de 2020

Compensa converter pra elétrico ou comprar pronto ( financeiramente falando)?

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