‘Carro ruim’ é que tem recall? Modelo mais chamado de 2020 custa R$ 1,2 milhão

Levantamento feito pelo aplicativo Papa Recall mostra que o Mercedes AMG G63 foi objeto de quatro campanhas - o maior número envolvendo um único modelo

Por AutoPapo 17/08/20 às 17h38

Pesquisa realizada pelo aplicativo Papa Recall, que alerta o motorista se o automóvel cadastrado tem defeito de fabricação, mostra que no primeiro semestre deste ano o Mercedes AMG G63, avaliado em R$ 1,2 milhão, segundo a tabela Fipe, esteve envolvido em quatro campanhas. O número de chamamentos é o maior compreendendo um único modelo.

Produzido desde os anos 1970, seus proprietários foram convocados para correção de defeitos em portas dianteiras, turbocompressor, módulo de travamento diferencial traseiro e trava de segurança infantil traseira.

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Mercedes AMG G 63 branco, modelo mais chamada pra recall do Brasil, em rodovia
Mercedes foi a montadora que mais realizou campanhas no primeiro semestre (Foto: Mercedes | Divulgação)

A Mercedes foi a montadora que mais realizou campanhas de recall no primeiro semestre, marcado pela pandemia e o isolamento social. A empresa alemã foi responsável por 6 do total de 34 chamamentos realizados por 18 montadoras e que envolveram 85 modelos únicos de carros de passeio e comercial leves.

O número de companhias que anunciaram recall em 2020 representa queda de 21% em relação a igual período do ano passado, enquanto o total de modelos foi 36% menor. As 18 empresas correspondem a 43% das montadoras constantes na base de dados do aplicativo, um índice que aponta para redução de 13% em referência ao mesmo semestre de 2019.

Os três primeiros lugares entre as que mais realizaram campanhas foram ocupados por quatro montadoras: Mercedes Benz, como mencionado, BMW (4), Porsche (4) e Fiat (3). Juntas, responderam por metade de todos os chamados.

O teto solar foi alvo de duas campanhas da Mercedes Benz. Uma envolveu o modelo A250 Vision 2018. A outra foi dirigida a modelos das linhas C, AMG, E, CLK e CLS.

Outros recalls da montadora tiveram o objetivo de corrigir eventuais defeitos nas portas dianteiras (AMG G 63 – 2018), turbocompressor (modelos AMG, E, S e G63), módulo de travamento do diferencial traseiro (AMG G 63 -2018 e 19) e trava de segurança infantil das portas traseiras (AMG G63).

Outras alemãs

As quatro campanhas de recall da BMW foram dirigidas à correção de defeitos em airbag do condutor (modelos 323, 328 e 330), no sistema Isofix (modelos X6), sistema de transmissão (M5 2019) e brake light (M6 Gran Coupé de 2013 a 2019).

Os chamamentos da Porsche buscam reparar problemas em luzes de alerta (911 Carrera 2019), sistema de combustível (Macan 2013 a 2018), risco de vazamento de combustível (Cayenne) e no sistema de transmissão (Cayenne e Cayenne Coupé 2019).

Na Fiat, foram identificados defeitos em coxins de absorção com risco de vazamento de combustível na Toro Diesel, nos sistemas de freios de todos os modelos do Mobi e no sistema de airbag e volante do Gran Siena Attractive 1.0 e 1.4.

“Os tipos de problemas detectados mostram a importância de estar com o recall em dia. É uma segurança para proprietário, familiares e terceiros”, afirma Vinícius Melo, CEO do Papa Recall. Ele destaca que airbag ainda segue como um dos principais motivadores das campanhas de recalls. “No primeiro semestre de 2020, esse dispositivo de segurança esteve presente em 8 convocações diante de um total 34 ações de recall, envolvendo 7 montadoras”, diz.

De acordo Melo, a Honda gerou dois recalls, sendo um para desativar e outro para substituir em definitivo a bolsa de ar do lado do motorista. Envolveu cerca de 35 mil unidades entre os modelos Civic, Accord, CR-V e Odyssey.

Boris fala sobre o perigo do airbag Takata. Veja o vídeo

Montadoras e modelos envolvidos em recalls de airbags

  • BMW 323Ci, 323i, 328Ci, 328i e 330i;
  • Nissan Sentra, Frontier e Pathfinder;
  • Subaru Legacy, Outback, Impreza, WRX, STI e Forester;
  • Chevrolet Montana (2019);
  • Honda Civic, Accord, CR-V e Odyssey (desativar airbag do motorista);
  • Honda Civic, Accord, CR-V e Odyssey (substituir airbag do motorista);
  • Fiat Grand Siena Attractive 1.0 e 1.4; e
  • Volkswagen Fox, CrossFox, SpaceFox, Gol, Voyage, Polo e Polo Sedan.

O sistema de combustível também foi destaque de recalls no primeiro semestre ao envolver 8 convocações das seguintes montadoras e modelos:

  • Ford Ranger 2.2L diesel (2019 e 2020);
  • Caoa Chery Arrizo 5 1.5 turbo (2018 e 2019);
  • Fiat Toro Diesel (2018 a 2020);
  • Porsche Macan, Macan S, Macan GTS e Macan Turbo (2013 a 2018);
  • Audi TT RS Coupé 2.5, TT S Coupé 2.0 e TT S Roadster 2.0 (2015 a 2018);
  • Peugeot Expert (2017 a 2019);
  • Citroën Jumpy (2017 a 2019);
  • Porsche Cayenne Turbo, Cayenne Turbo S E-Hybrid; e
  • Cayenne Turbo Coupé e CayenneTurbo S E-Hybrid Coupé.

Alerta de recall no documento

A partir de agora, quando uma fabricante de automóveis confirmar uma falha relacionada à segurança em seus produtos, o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) entrará em contato com o atual proprietário do veículo utilizando os dados do Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavam).

As informações referentes às campanhas de recall não atendidas no prazo de um ano, a contar da data de sua comunicação, vão constar no Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV) – o documento do carro.

Como é que essa informação chagará ao Denatran? Os fornecedores de veículos deverão enviar a atualização referente ao atendimento ao recall ao Sistema Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavam) em até quinze dias após a realização do serviço.

Para que o consumidor consiga provar que levou o veículo para reparo, as marcas serão obrigadas a emitir e entregar ao consumidor o certificado de atendimento ao chamamento, contendo a identificação do recall, a indicação do local, data, horário e duração do atendimento, da medida adotada e a garantia dos serviços.

Se o documento se perder, ainda será possível realizar a reimpressão do comprovante de atendimento ao recall.

Resposta da Mercedes-Benz

A Mercedes-Benz Cars & Vans considera o recall uma questão de respeito ao consumidor.

Com o intuito de priorizar a segurança do cliente, quando existe qualquer suspeita de falha em algum item do automóvel com potencial de comprometer a segurança dos passageiros ou terceiros, a situação é investigada por um comitê técnico. Caso seja confirmada a mínima possibilidade de falha, é iniciado um processo de recall. Essa verificação não ocorre somente no Brasil: um alerta em qualquer país pode gerar um recall em todos os mercados, garantindo que os padrões de segurança da marca sejam cumpridos no mundo todo.

Em algumas ações específicas, o automóvel é convocado diretamente para a substituição do item afetado. No entanto, na maioria dos casos, os veículos são chamados para uma análise a fim de que seja verificado se é preciso realizar alguma intervenção. Dessa forma, o reparo só ocorre se for constatada a necessidade objetiva.

Na visão da marca, o aumento das campanhas se deve ao amadurecimento da indústria e da legislação brasileira, de forma que um recall não representa uma ação negativa à imagem da empresa. Ao contrário, demonstra a crescente preocupação dos fabricantes e dos seus fornecedores com a segurança do consumidor final. Além disso, leis mais rígidas também estão contribuindo para essa relação transparente entre as empresas e o público.

Com essa iniciativa, a Mercedes-Benz visa assegurar a máxima satisfação de seus clientes, garantindo a qualidade, a segurança e a confiabilidade dos veículos da marca.

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