Relembre 7 mentiras do setor automotivo

São muitas, mas o Boris selecionou sete mentiras aplicadas pelas fábricas para confundir o consumidor. Afinal, sete não é conta de mentiroso?

ilustra 7 mentiras capitais
Por Boris Feldman
12 de julho de 2018 09:30

Não faltam mentiras do setor automotivo circulando por aí, exigindo a esperteza do comprador, do motorista e às vezes, até do governo! Confira sete destas:

1. Bujão

Pode uma fábrica anunciar ABS em seu carro e explicar depois que as letras são iniciais de Abertura do Bujão Superior? Não é correto se utilizar de sigla já consagrada para identificar outro dispositivo, confundindo o consumidor. Mas foi o que fez a Hyundai, ao lançar o Creta no Brasil: anunciou que o SUV tem o sistema Stop&Go. Denominação há muitos anos vinculada ao sofisticado sistema eletrônico que mantém o carro à distância constante de outro que vai à sua frente, até mesmo parar automaticamente, graças a sensores e radares que assumem acelerador e freio. Atua com o carro em movimento e também quando o da frente para e torna a arrancar. No caso da Hyundai, é propaganda enganosa: Stop&Go no Creta não vai além do sistema que desliga e liga o motor quando o carro para, chamado universalmente de start/stop, presente até em compactos nacionais.

mentiras do setor automotivo
Foto | AutoPapo

2. Braços

Multilink (multibraço) é a denominação consagrada do sistema de suspensão independente com braços múltiplos para conectar a manga de eixo ao chassis do carro. Sofisticado, faz com que as rodas se mantenham em posição ideal nas mais variadas situações dinâmicas. Confere extrema estabilidade e, no Brasil, o Ford Focus, com esta suspensão na traseira, está entre os automóveis de melhor dirigibilidade do mercado. A Nissan, quando apresentou a atual geração de sua famosa picape Frontier, fez jus à fama: excelente mecânica, anda bem no asfalto e fora dele, cabine espaçosa, confortável e bem acabada. Não precisava, portanto, de anunciar suspensão traseira multilink, uma grande mentira, pois ela sequer é independente: um rígido eixo liga as rodas traseiras.

3. Alergia

Antes mesmo de construir sua fábrica no Brasil, a BMW decidiu “flexibilizar” alguns de seus motores. Assim, a Série 3, além de ganhar o motor “Active Flex”, foi dotada também do dispositivo start/stop que desliga e liga o motor nas paradas. A BMW só se “esqueceu” de avisar ao distinto público (e ao governo) que o sistema start/stop só operava com o tanque abastecido com gasolina. Tinha alergia ao álcool.

4. “Desempenho”

A mais disputada competição no Brasil é a Stock Car. Mas é também a maior mentira do automobilismo brasileiro, pois apesar dos diferentes emblemas na grade, os carros são exatamente idênticos e não contam com sequer um parafuso da marca insinuada pelo logotipo frontal. Mas a Peugeot, quando ganhou uma corrida no autódromo de Brasília, teve a cara-de-pau de anunciar que, “graças à resistência e desempenho do Peugeot 307 a marca foi vitoriosa na Stock Car”. Pode?

5. Cavalos

O grupo CAOA sossegou, depois de várias advertências e multas aplicadas pelo Conar e Ministério Público: a empresa, licenciada pela Hyundai para fabricar alguns de seus modelos em Anápolis (GO) e importar vários outros da Coreia do Sul, foi campeã da propaganda enganosa no Brasil. Entre outras, anunciou que seu “esportivo” Veloster tinha motor de 140 cv. O carro tinha o mesmo motor de 128 cv que o do HB20 produzido pela Hyundai em Piracicaba. E os doze cavalinhos faltantes? Só existiam nos modelos exportados para a Europa e EUA, com injeção direta de combustível. A CAOA chegou a afirmar que a maior potência era decorrente dos 25% de álcool misturados à gasolina brasileira. Foi uma das mentiras do setor automotivo que chegou ao governo!

6. Aditivos

Ninguém discute a importância dos aditivos na gasolina, que evitam a formação de depósitos no motor, prejudicando a combustão e reduzindo o desempenho. Mas, anunciar que a gasolina aditivada aumenta a performance é propaganda enganosa. A Shell V-Power Nitro+, por exemplo, tem mais octanas na Europa e pode eventualmente aumentar a potência do motor. Mas no Brasil tem o mesmo índice de octanagem que qualquer outra gasolina.

7. Água

Por que a ficha técnica do porta-malas de alguns automóveis declaram capacidade maior que a real? Porque o fabricante despreza o padrão VDA de medição (por blocos) e chegam a usar água, que entra em qualquer cantinho mas não reflete o volume efetivamente utilizável. No caso de SUVs e hatches, tem fábrica que vai até o teto e inclui o volume acima da tampa (“bagagito”), onde não se deve levar bagagem por questão de segurança. Bons exemplos desta distorção estão nos carros da PSA (Peugeot/Citroën) e Land Rover.

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman
15 Comentários
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Mauro 1 de abril de 2019

Tenho uma BMW serie e o stpo&go funciona com álcool normalmente ,nao entendi

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Celso fernandes 1 de abril de 2019

Boris, bom dia poderia me esclarecer Sou pcd, qualsuv, seria uma melhor compra?

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Stefano crispim 13 de julho de 2018

E a troca do óleo. E três litros com filtro óleo, nos carros 1.0 a 1.8. 0u três litros e meio com filtro ?

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Julio Cesarr 12 de julho de 2018

A mentira da Chevrolet nos adesivos de troca de óleo sintético : trocar a cada 5 mil km. Isso só faz confundir o cliente e faz com que se perca a confiança na marca. No próprio manual a recomendação é para 10 mil no uso comum. Respeito e confiança é tudo neste ramo…

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Magno colombini 12 de julho de 2018

E por isso que não troco meu lindo e maravilhoso vectra 2001 2.2 8 por nada e o carro mais completo tem suspensão multilink retrovisor com desenbasador tem vidro com antismagamento, pedais que desmonta em um acidente pra não machucar as pernas do motorista e muito mais coisas que os carros novos não tem ok

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Galego 5 de agosto de 2018

Estamos falando de carro não carroça kkkk o mundial do palmeiras deve está dentro do porta-malas do seu Vectra

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Henrique Z De Melo 5 de agosto de 2018

Magno, na verdade os sedãs de luxo atuais tem tudo isso. A questão é o preço. Enquanto estes custam mais de 150 mil, seu Vectra pode ser encontrado por apenas 15 mil, dependendo do carro. Vai do bolso de cada um.

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Marcos 12 de julho de 2018

Item 1 desta matéria está errado, Stop and Go é sim um sistema que desliga o motor ao frear num farol por exemplo, quando o carro reduz a 0Km/h e religa ao acelerar. START/STOP é o acionamento no botão de ligar e desligar o veículo. Nada a ver esta explicação acima da matéria. Conheçam os carros europeus primeiro antes de sair falando essas coisas. Stop/Go tem nas Mercedes top há alguns anos já, Start/Stop nem se fala então, muito antes.

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Ivã 8 de novembro de 2018

Ele descreveu o sistema de ACC e disse que se chama Stop&Go. ACC é a sigla do Adaptive Cruise Control ou “controlador de velocidade ativo”, geralmente conhecido como “controlo de cruzeiro adaptativo”, que é a sua denominação mais coloquial. O ACC é um elemento de segurança que complementa o limitador de velocidade, embora mais moderno; para além de permitir ao motorista manter uma velocidade constante, também lhe confere a capacidade de regular ativa e inteligentemente o controlo de velocidade, adaptando-o às situações reais do trânsito.

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Rodolfo 12 de julho de 2018

Caro Boris, muito boa tarde!
…. Ótimo debate!
…. Lembrei de mais uma semi-mentira:
“Garantia por 3 anos”
…. Dependendo do motorista ele destrói o carro em menos de um ano, então seguramente ele se enquadrará no “mal uso” (maus hábitos de dirigir, uso de combustível adulterado/menor preço, etc), ele é um verdadeiro demolidor de carro… não à garantia que o cubra!
…. E ainda tem aquele caso de defeito de fábrica na peça e algumas Concessionárias não forem com a cara do freguês, então no caso dele será aplicado indevidamente o termo “mal uso”.
Um forte abraço,

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Cesar 12 de julho de 2018

Trocar a corrente por correia dentada sob o pretexto de reduzir o barulho. Traduzindo para o brasileirês baratear custo.

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Fabrício 31 de março de 2018

Sim, porém o Golf quando chegou no Brasil e importado da Alemana ele tinha a Multilink na traseira. Porém, quando começou a ser fábrica no Brasil. Trocou o sistema Multilink por um eixo de torção, segundo a mesma para “adequar o carro ao solo brasileiro”. No bom português, baratear o carro…
Se você pegar avaliações do carro quando chegou ao Brasil e depois que foi nacionalizado. Vai ver que mesmo mantendo quase tudo do modelo Europeu, o desempenho do carro mudou.

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Uil 31 de março de 2018

Na cultura popular, se fala que sete é conta de mentiroso

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Evandro Tavares 31 de março de 2018

Sete não é o número da mentira! Tirando isso boa matéria parabéns!

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Antônio 30 de março de 2018

E já que falou do Focus.. porque não dizer​que tal segurança e dirigibilidade do carro eh porque o mesmo eh feito sobre a plataforma do carro de melhor segurança e dirigibilidade chamado: volvo. Sim o Focus compartilhar a mesma plataforma.

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