Audi A4 2021 tem retoques e mais tecnologia para enfrentar a dura concorrência

Comercializado em três versões: Prestige, Prestige Plus e Performance Black, modelo atualizado parte de R$ 229.990

Por Hairton Ponciano Voz 15/02/21 às 13h54
Especial para o AutoPapo
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Novo Audi A4 2021 (Foto: Audi | Divulgação)

Após receber uma reestilização de meia vida em meados de 2019 na Alemanha, o Audi A4 chega ao Brasil como linha 2021. Nas lojas desde o final do ano passado, o sedã passou por leves alterações visuais (que lhe deram aspecto mais esportivo) e ganhou algumas novas tecnologias. São três versões: Prestige (R$ 229.990), Prestige Plus (R$ 259.990) e Performance Black (R$ 304.990).

As duas primeiras têm motor 2.0 turbo FSI de 190 cv de potência e 32,6 kgfm de torque, com tração dianteira. No modelo mais caro, a potência do mesmo motor sobe para 249 cv e o torque vai a 37,7 kgfm. Nesse caso, a tração passa a ser integral (quattro). Nos três, o câmbio é automatizado de sete marchas e dupla embreagem.

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A sessão de rejuvenescimento incluiu grade maior, assim como as entradas de ar no novo para-choque. Os faróis podem vir com a tecnologia Matrix, que acende e apaga seletivamente blocos de LEDs para não ofuscar motoristas de outros carros. Mas o item é opcional, e somente da versão mais cara. Atrás, o para-choque também é novo, assim como as saídas de escape.

Com as alterações, o sedã acabou crescendo 3 cm no comprimento, que passou para 4,76 m. As demais medidas não foram alteradas, e o modelo mais vendido da Audi no mundo continua com 1,85 m de largura, 1,43 m de altura e 2,82 m de entre-eixos. As alterações dão sobrevida à geração lançada em 2016.

Por dentro, a maior mudança é a central multimídia com tela sensível ao toque de 10,1” (antes, 8,6”). Ela domina o centro do painel e concentra praticamente todos os comandos do veículo. O quadro de instrumentos também é virtual e tem tela de 12,1”. Outras novidades em termos de tecnologia são o carregamento de celular por indução (sem fio) e compatibilidade com celulares Android Auto e Apple CarPlay, também sem fio.

Interior do audi a4 2021 Perfomance Black

Bom desempenho, apesar da perda de potência

A Audi informa que as duas versões com motor de 190 cv aceleram de 0 a 100 km/h em 7,3 s e alcançam 240 km/h de máxima. Já a Performance Black baixa o tempo de aceleração para 5,8 s e chega a 250 km/h. Embora sejam números satisfatórios, são inferiores aos dos modelos vendidos na Europa. Como comparação, lá os modelos rendem respectivamente 204 e 265 cv (em vez de 190 e 249 cv).

Em ambos os casos, não há alteração no torque, mas a diferença aparece no tempo de aceleração até 100 km/h, que baixa de 7,3 para 7,1 s no modelo menos potente e de 5,8 para 5,5 s na versão mais forte. Segundo a Audi do Brasil, a diferença deve-se aos ajustes feitos para atender aos limites de emissões de poluentes.

Audi A4 2021 Prestige

Em termos de equipamentos, o A4 vem bem recheado, mas é o mínimo que se espera de um carro que parte de R$ 230 mil. Entre os principais itens de série, desde a versão básica há rodas de liga leve de 18 polegadas, câmera de ré, seis airbags, portas USB para o banco traseiro, sensores de obstáculos na frente e atrás, chave presencial com partida por botão e banco do motorista com ajustes elétricos. Além disso, há possibilidade de escolha entre cinco modos de condução, da mais econômica à mais esportiva.

Curiosamente, na versão mais barata o encosto do banco traseiro não é rebatível, impossibilitando o acesso ao porta-malas (460 litros) por dentro do carro. Isso só é possível a partir do A4 intermediário.

Também não há opção de couro natural para os bancos. Nessa versão, o revestimento é sintético. O único opcional é o teto solar (R$ 8.500).

Audi A4 2021 Prestige Plus

A versão intermediária, Prestige Plus, recebe adicionalmente, além do teto solar, controle de cruzeiro adaptativo (mantém a distância em relação ao carro da frente), sistema de manutenção em faixa (com correção de volante), bancos com desenho mais esportivo (e regulagem elétrica também do lado do passageiro) e ar-condicionado de três zonas. Os faróis passam a ser full leds (fachos alto e baixo), e as lanternas ganham o sistema de iluminação sequencial, que dão impressão de movimento. O opcional dessa versão é o head up display, que projeta informações do quadro de instrumentos no para-brisa, por R$ 7.500.

Audi A4 2021 Performance Black

A versão mais cara, Performance Black, como o nome sugere, vem com acabamento preto em detalhes internos (painel em “black piano” e teto) e externos (capa dos retrovisores preta). Além disso, os bancos têm revestimento de couro e Alcantara, espécie de camurça, de origem sintética. Há ainda assistente de estacionamento e o volante esportivo tem base achatada.

Uma curiosidade é que essa versão tem tanque maior que as demais: 58 litros, ante os 54 l das outras duas. Segundo a Audi, isso se deve ao consumo maior. Na lista de opcionais estão head up display (R$ 7.500), som da marca Bang & Olufsen (R$ 8.000), faróis full led Matrix (R$ 12.000) e o pacote de segurança chamado Assistance City, composto pelo sensor de colisão traseiro e assistente de mudança de faixa. Sai por R$ 8.000. Completa, a versão sai por R$ 340.490.

Andando, conforto e desempenho agradam

Pois foi no modelo mais caro que fizemos uma avaliação de cerca de 220 km em São Paulo, por um roteiro que mesclou cidade, estradas bem asfaltadas e trechos de pavimentação ruim. Embora o gerente de marketing de produto da Audi, Marcos Quaresma, estime que a versão mais cara será responsável por 30% das vendas do A4, a Audi escolheu colocar à disposição para o test drive apenas o modelo mais sofisticado.

O objetivo, comum em lançamentos, é causar a melhor impressão possível. A propósito, também de acordo com Quaresma, a versão mais barata deverá responder por apenas 10% das vendas, enquanto a intermediária deverá ser a líder, com 60% do total de clientes.

Na prática, o A4 2021 reafirmou as boas qualidades de sempre. O sedã, que utiliza a plataforma MLB (modular para motores longitudinais do grupo Volkswagen), roda suavemente e surpreende pelo baixo nível de ruídos. Mesmo que o motorista abuse da rotação do motor, na cabine o silêncio é absoluto. É possível conversar em tom natural em altas velocidades, sem nenhuma interferência.

Resposta do motor turbo

Basta pressionar o pedal que a reação do motor de 249 cv é imediata, principalmente se o motorista selecionar o modo esporte na alavanca do câmbio e no Audi Drive Select, no painel. Nesse caso, as trocas ficam mais rápidas e os ponteiros (do velocímetro e do conta-giros) ganham vida. O conjunto motor-câmbio praticamente ignora os 1.570 kg do sedã (sem contar o peso do motorista). Contribui para isso o bom torque de 32,6 kgfm, disponível a partir de 1.450 rpm.

A direção elétrica é precisa e há borboletas para trocas manuais. Da mesma forma, a suspensão cumpre muito bem seu trabalho. O sistema independente de cinco braços tanto na frente como atrás garante estabilidade e também mostrou alta dose de conforto, mesmo com as rodas de 18” e os pneus de perfil baixo (245/40). O conjunto absorveu imperfeições de piso sem transmitir solavancos ou pancadas para a cabine.

Os freios, com grandes discos aparentes, igualmente cumprem muito bem sua função. Mesmo em altas velocidades, basta uma leve pressão no pedal de pouco curso para a velocidade diminuir rapidamente. O sedã também conta com freio de estacionamento eletromecânico (com botão), além de permitir que o motorista tire o pé do pedal em paradas de semáforos, por exemplo.

Os passageiros também dispõem de conforto. Na frente, o banco direito conta com ajustes elétricos nessa versão mais cara. E atrás, graças ao bom entre-eixos, há espaço suficiente para pernas. O único senão é que o túnel central limita um pouco o conforto de um eventual quinto ocupante.

Aumento de vendas

Com as alterações do sedã, Marcos Quaresma prevê que este ano o A4 deverá registrar aumento de vendas. O executivo acha possível vender cerca de 1.000 unidades em 2021, o que representaria uma elevação substancial diante das 175 vendas registradas no ano passado, de acordo com números da Fenabrave.

De acordo com Quaresma, isso ocorreu porque no ano passado não houve importação do modelo. “Não tivemos linha 2020 (do A4)”, diz. Segundo ele, as unidades negociadas no ano passado ainda eram remanescentes da linha 2019.

Mesmo assim, o A4 deve ficar bem abaixo do líder do segmento, o BMW Série 3. O modelo teve 5.161 unidades emplacadas no ano passado, segundo a Fenabrave. O A4 concorre também com o Volvo S60 (792 unidades no período) e Mercedes Classe C (2.164 carros).

Fotos: Audi | Divulgação

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