Por que tanta gente ainda insiste no Chevrolet Opala?

Veterano da General Motors nunca foi um primor de engenharia, com falhas nunca sanadas, mas hoje está muito pior

chevrolet opala 1969 cinza de frente
Chevrolet Opala só foi rei porque não tinha concorrentes (Fotos: GM | Divulgação)
Por AutoPapo
Publicado em 30/05/2024 às 09h03

O mercado de automóveis tem comportamentos que vão além da lógica. Há modelos que são condenados a “lasanhas” muitas vezes de forma injusta. Outros, por sua vez, são alçados aos píncaros da glória, mesmo sendo carros longe da perfeição. É o caso do Chevrolet Opala.

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O jurássico sedã da GM flutua numa espécie de Olimpo do mercado. Este que por sua vez não tem o menor pudor em cobrar preços exorbitantes. Os preços podem superar facilmente os R$ 150 mil.

chevrolet opala s 1988
Durante seus 24 anos de mercado, o Opala manteve a mesma carroceria

Se formos considerar a Fipe, que mensura os preços do Opala a partir de 1985, a cotação da tabela parte de R$ 9,3 mil. O valor mínimo encontrado nos classificados é de R$ 30 mil.

Opala se vende pela memória afetiva

Mas a memória afetiva, as lembranças de infância ajudam a vender o Opala como um carro fascinante. Mas o Chevrolet nunca foi tudo isso, pelo contrário. Ele era um carro de orçamento modesto derivado do Opel Rekord. O sedã estreou no Brasil em 1968, numa época em que a indústria automotiva brasileira ainda engatinhava.

A implementação do Opala foi algo tão absurdo que o ferramental da GM brasileira, na década de 1960, seguia o padrão de medidas imperial, enquanto que na alemã Opel tudo era calculado no sistema métrico. Assim, a montagem contava com ferramentas em polegadas e outras em milímetros. Até as oficinas precisavam contar com ferramentas com os dois sistemas de medidas.

chevrolet opala vermelho quatro portas de frente com cristo redentor ao fundo
O Opala colecionou problemas, mas que sempre foram deixados de lado pelo fator emocional

Além disso, para reduzir custos, a engenharia compartilhou peças móveis dos motores seis e quatro cilindros. O resultado foi que o 2500 tinha vibração excessiva devido a falta ajuste de balanço. O fluxo de alimentação também era problemático, principalmente no motor seis cilindros, que exigia aumentar a mistura no carburador. Isso sem falar nas constantes trincas da carroceria e até roda que se soltava.

Chevrolet Opala reinava sem concorrentes

Mas o Opala se tornou um sonho de consumo mesmo assim. Muito do sucesso se deve ao baixo sarrafo do mercado. Além disso, com o mercado fechado, o Opala se arrastou por 24 anos praticamente sem concorrência.

Basta analisar a “evolução” de seu conjunto mecânico. O conhecido motor seis cilindros 4.1 se manteve com os mesmo 140 cv por 22 anos. Por dentro, era um carro velho, com apliques que tentavam disfarçar o peso da idade.

A constatação de que o Opala era um carro defasado ficou nítida com a abertura do mercado, em 1990. A General Motors correu para tirar o veterano de linha e trazer o Omega numa tentativa de disputar em pé de igualdade com modelos importados.

Curiosamente, um Omega V6 de última safra, gira em torno dos R$ 70 mil. Um carro muito mais sofisticado e moderno, mas que concorreu com incontáveis modelos tão bons quanto. Assim, o Opala se tornou um marco apenas por não ter concorrentes, pois Ford Maverick e Dodge Darte (Charger) tiveram vida curta.

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16 Comentários
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Opslarock 3 de junho de 2024

Cara … O único problema do opala é a inveja de quem não tem um.

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GEORGE 1 de junho de 2024

O povo apaixonado não aguenta ouvir que seu objeto de desejo não é perfeito. Ele não entende que apesar dos defeitos a gente pode gostar? Não é segredo pra ninguém que os carros brasileiros até os anos 80 e inicio dos 90 eram carroças com motor. A verdade é que os carros lá fora sempre evoluíram em uma velocidade maior do que os nossos. A Kombi de 1997 era a mesma alemã de 1967, a F1000 que durou até 1992 era a mesma americana do inicio dos anos 60 e o nosso Fusquinha Itamar era bem inferior aos Fusquinhas a partir de 1965. No nosso mercado os consumidores sempre se contentaram com a má qualidade e os altos preços das carroças… Sou dono de um TL e não o vendo… Mas sei que ele não é um primor da engenharia, e tá tudo bem…

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Marcos 1 de junho de 2024

Fala mal porque nunca teve um! E esses carros de hoje , que são mais plástico do que lata. Os carros de hoje em dia, que a produção não dura mais do que 1 ano e olha lá.

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George 1 de junho de 2024

O fato de um produto por 25 anos sem evolução (o Opala apenas evoluiu na aparência) não significa que o produto é tão bom assim, só quer dizer que o consumidor aceita pagar o preço e se eu tô vendendo vou investir em melhorias pra quê?

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José Ibiapina de Oliveira 31 de maio de 2024

Eu tenho uma Caravan Diplomata ano 88 a 24 anos fiz o motor a três anos com mais de 400.000 km é impressionante que não dá manutenção

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Kleber 31 de maio de 2024

Opala é vida,só sabe quem têm.

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Germinaldo 31 de maio de 2024

Não e por acaso que a diplomata permaneceu por muito tempo sendo carro oficial da autoridades em Brasília .

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Ricardo Millei 31 de maio de 2024

Opala deixa muita saudades, tem seu valor eterno pelas características dos carros da época que foram esquecidos no tempo que sao conforto, espaço, potência, baixa manutenção, possibilidade de alterações e personalização ao gosto do dono, um ajuste caseiro no carro faz ele quase ir a 200cv, motor não quebra com 80 mil km…Falha de projeto e nessas coisas fabricadas atualmente que : mistura água no óleo de câmbio, racha o eixo traseiro, a direção sai na mão, acabou a bateria não funciona nada mais nem empurra….já opalao, só dar um tranquinho o 6 zao já chama gritando, fritando asfalto, coisa que os as bolhas de plástico com km de fios hoje em dia não chegam nem perto, já se parte no meio.

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Cristiano 31 de maio de 2024

A matéria só falou mal do opala, mas não relacionou os defeitos. Falou, Falou e não disse nada.

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jose de aalencar 1 de junho de 2024

parabens pelos dizeres esta com toda razao , problematicos são esses carros de hoje ….tudo descartavel…..

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adinaldo mundim 30 de maio de 2024

No Brasil, em 1968/9, qdo o opala foi lançado, só havia carros realmente jurássicos , todos da década de 50, como gordini, aerowillys, rural, Simca, camionetes Chevrolet e Ford… inclusive, a Ford não tinha nenhum carro, só pick up e caminhões… então “pra época”, o Opala era um carro muito moderno sim.

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Roberto 30 de maio de 2024

Como diria um certo presidente, E daí?

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José Gregorio Macedo Dutra 30 de maio de 2024

Opala é um ícone, o restante é comentário de quem pensa que entende do assunto.

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José Carlos 30 de maio de 2024

Nunca existiu ômega V6, somente houveram ômega motor 3.0 em linha alemão, o 2.4 4 cilindros do Monza e o 4.1cc 6 cilindros em linha do….Opala !!! que por sinal foi o melhor produzido…

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Oculto 30 de maio de 2024

O Omega australiano que veio para o Brasil tinha motor V6, e não teve omega nacional com com motor 2.4 mas sim 2.0 2.2 3.0 4.1

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Fernando 30 de maio de 2024

Tá sabendo, hein.

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