Carro no frio exige alguns cuidados para evitar dor de cabeça

Com temperaturas mais baixas, o seu carango pode apresentar problemas específicos. Por isso é bom ficar atento a alguns cuidados especiais

Por AutoPapo 21/05/18 às 16h48
Com Bárbara Angelo

Quando o outono chega e as temperaturas começam a cair, é necessário tomar alguns cuidados com seu automóvel. O uso do carro no frio pode trazer algumas complicações para a rotina diária. Entretanto, não é nada que estas dicas espertas não possam contornar. Confira:

1. Carro não pega no frio: causa e como resolver

Muitos motoristas que preferem, geralmente, abastecer com etanol podem encontrar dificuldades no inverno. Um carro no frio, com este combustível, pode demorar para pegar pela manhã. Entretanto, nem tudo está perdido e pode não ser necessário mudar para a gasolina.

Por que carro com álcool tem dificuldade  para dar a partida no frio?

O que faz o motor funcionar ao dar partida são os vapores do combustível e não ele em estado líquido. No frio, o etanol não produz esses vapores em quantidade suficiente, por isso é necessário o sistema de partida a frio.

O sistema de partida a frio pode ser com tanquinho ou sem – hoje, a maioria dos carros novos abandonou o tanquinho.

Carro com tanquinho: o que fazer no frio?

tanquinho de partida a frio
Tanquinho de partida a frio: poucos carros novos ainda têm ele (Foto Chevrolet | Divulgação)

Se o carro tiver tanquinho, é preciso ter certeza de que ele está abastecido com gasolina, e que o combustível lá dentro ainda está em boas condições, e não ficou velho. No geral, depois de três ou quatro meses, a gasolina com perde sua validade, e já não funciona como deveria.

“Quando o carro não injeta o combustível do tanquinho na partida e ele fica lá sem ser usado, as frações mais leves da gasolina evaporam e vão embora. Aí, quando precisa, ela já não vai mais ser capaz de ajudar na partida”, explica o engenheiro Clayton Zabeu, da Comissão de Motores Ciclo Otto da SAE Brasil.

O que se recomenda é utiliza gasolina premium (Petrobras Podium, Shell V-Power Racing ou Ipiranga Octapro, por exemplo) que tem durabilidade maior: até seis meses. Também não é necessário encher o tanquinho todo: a quantidade usada em cada partida é pequena.

Também não é correto deixar o tanquinho vaziar, pois ele pode rachar, assim como as mangueiras. Alguns carros, para evitar o problema de envelhecimento, sempre injetam a gasolina, independentemente da necessidade.

Combustível 'Validade'
Gasolina comum e gasolina aditivada 3 meses
Gasolina premium 6 meses
Etanol prazo indeterminado

Quando o carro não tem tanquinho

Já se o veículo não tiver tanquinho, há menos que o motorista pode fazer para se safar da situação problemática. Da mesma forma que os carros com tanquinho, o sistema elétrico e de partida devem estar em boas condições. Nesse caso, serão até mais exigidos nos dias mais frios.

Os carros mais modernos, explica Zabeu, costumam ter sistemas de partida a frio que aquecem os bicos injetores para facilitar a vaporização do etanol. Esse aquecimento vai depender da energia elétrica. Os que tem injeção direta, nem aquecimento tem: a alta pressão do sistema já se encarrega da partida.

Coloque um pouco de gasolina junto com o etanol

Outra dica é de colocar um pouquinho de gasolina no tanque de combustível. Os carros flex foram feitos para andar com gasolina, etanol, ou qualquer mistura entre os dois.

Para dar um auxílio ao sistema de partida, o motorista pode colocar 5% de gasolina no tanque com etanol, explica o engenheiro. “Em um tanque com 50 litros, 2 litros de gasolina já resolveria”, indica o engenheiro Clayton Zabeu, da SAE.

2. A bateria tem mais chances de arriar

Um dos problemas que um carro pode apresentar quando está frio é a bateria arriada. Isso tem mais chances de acontecer porque deve ocorrer uma reação química dentro da bateria para que ela forneça energia. Com a temperatura mais baixa, é mais difícil que a reação se dê.

Além disso, o motor do carro também tem mais dificuldade para funcionar no frio. O óleo se torna mais viscoso e demora a circular pelo sistema. Da mesma forma, o combustível custa a se vaporizar para fazer funcionar o motor, e tudo isso exige mais de uma bateria que já está tendo dificuldades.

Assim, uma bateria mais desgastada vai funcionar no verão, mas pode pifar em dias mais frios.

O Boris Feldman fala sobre isso no vídeo: confira!

3. Ar-condicionado do carro deve ser ligado até no frio

Deixar de usar o ar-condicionado do carro no frio é o que a maioria de nós faz. Com um clima fresquinho lá fora, não necessidade deste equipamento que, além do mais, aumenta o consumo de combustível. Entretanto, o ar-condicionado não pode ser completamente abandonado durante todo o inverno.

A razão é por ele ser composto de diversas peças móveis, mangueiras e componentes que precisam de lubrificação. Se ele ficar parado por muito tempo, essas peças se danificam, pois não foram projetadas para a inanição – pode ocorrer o vazamento do gás do ar-condicionado.

Por isso, ligue o ar-condicionado de duas a três vezes por mês, por dois a três minutos.

4. Não precisa esquentar o carro

No passado, tínhamos o hábito de deixar o carro esquentar pela manhã. Especialmente com os veículos movidos a álcool, a prática evitava que o carango nos deixasse na mão no primeiro sinal. Assim, muitos acordavam, ligavam o carro e o deixavam funcionando enquanto tomavam o café.

Hoje, isso não existe mais. A central eletrônica já detecta qual é a temperatura ambiente e a do motor, e o prepara para funcionar nestas condições, modificando a mistura de ar e combustível. Isso vale para carros abastecidos com álcool ou gasolina (ou a mistura dos dois), no frio ou no calor.

Tirando isso, recomenda-se esperar apenas uns 30 segundos para que o óleo chegue às partes superiores do motor.

1 Comentário
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    Matheus 21 de maio de 2018

    Discordo do item 4, tenho um Siena 2012, com a alta da gasolina passei a usar o etanol. Mas se eu dou partida com o motor frio e não espero o motor esquentar, se não começa a arranhar a queima, o carro não desenvolve e, em algumas vezes, a luz da injeção começa a disparar e só para no momento em que desligo e ligo novamente o carro. Depois que o motor esquenta no primeiro indicador, aí não acontece mais. E na gasolina, mesmo com o motor frio, não tenho esses problemas.

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