Tem motorista competente. Mas tem também o ‘Bom Geral’!

Esse tipo de condutor se acha muito melhor que os outros, mas comete infrações em série e ainda reclama da 'indústria da multa'

motorista fazendo sinal shutterstock
Tem motorista que se acha superior aos outros... E só faz trapalhada (Foto: Shutterstock)
Por Boris Feldman
12 de março de 2022 08:03

Ainda bem esse tipo de motorista é exceção à regra, caso contrário, o trânsito seria ainda mais caótico.

Fumaça no asfalto

No carro manual, quanto mais apurado o sincronismo entre embreagem e acelerador, mais suave o motorista arranca, principalmente numa subida. Mas o “Bom Geral” vai muito além e não perde a oportunidade de revelar toda sua coordenação motora para derreter borracha do pneu e fazer muita fumaça com as rodas girando em falso no asfalto numa arrancada digna dos “Velozes e Furiosos”.

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Braço pendente

Motorista tem que manter as mãos ao volante. Ponto. Mas o “Bom Geral” desafia a segurança e a legislação pois tem certeza bastar-lhe uma delas para dominar a “máquina”. E a outra para o celular ou lata de refri (ou cerveja), quando não está dependurada fora da porta. E ainda correndo o risco de ferir (ou perder) o braço.

Você pega no volante do jeito certo? Eu explico a maneira correta!

Celular

Dane-se a lei. O “Bom Geral” está acima destas firulas burocráticas e insiste em ter o celular no ouvido sem sequer usar o “Hands Free”. Mesmo com o carro em movimento, além de conversar, ele chega a teclar mensagens, produzir áudios, receber e disparar e-mails.

Zigue-Zague

Existem regras de comportamento na estrada. Só para os outros. O “Bom Geral” não respeita nenhuma delas e não se perturba com os carros mais lentos (“Ahhh…como são lerdos e caretas estes motoristas”) e os ultrapassa seja lá como for. Sai “costurando” entre faixas e colocando todos em risco. Não se preocupa em permanecer na faixa da esquerda travando quem vem mais rápido. E quando insistem, faz gestos obscenos ou pisa fundo na tentativa de evitar a ultrapassagem.

“Acelerada inútil”

pe direito no acelerador close motor de carro

Num passado remoto, exigia-se habilidade do motorista ao reduzir as marchas na caixa de câmbio sem sincronizadores. Para não “arranhar”, era necessária uma acelerada entre as marchas, na passagem da alavanca pelo ponto-morto. O “Bom Geral” ouviu o galo cantar sem saber exatamente aonde e dá uma (ou duas…) acelerada mesmo ao passar da marcha mais forte para a mais fraca (2ª para 3ª, por exemplo). Totalmente desnecessário: só para aparecer, fazer barulho e gastar mais combustível.

“Saco de lixo”

Existe regulamentação do Contran para a intensidade de escurecimento (transmitância luminosa) das películas aplicadas nos vidros. Muitos motoristas a desrespeitam. Mas o “Bom Geral” vai além: ele coloca duas das mais escuras sobrepostas. Durante a dia, a visibilidade já fica bem prejudicada. À noite, mais ainda. À noite e com chuva, não se enxerga coisa alguma.

“Ronco”

Silencioso, abafador? Pra quê isso? Carro do “Bom Geral” dispensa essas “frescuras” e escapamento é quase direto. Ronco do motor é a melhor das sinfonias e são decibéis a vontade, sem nenhum respeito à lei e à sensibilidade auditiva dos demais cidadãos.

“Sonzaço”

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Discussão sobre som automotivo sempre foi polêmica

Por falar em decibéis, haja tímpanos para suportar os alto-falantes do poderoso som do “Bom Geral”, que compete em potência de áudio com o trio elétrico. Quanto mais fuleiro o carro, mais megawatts de música. Sempre da pior qualidade possível, naturalmente.

Acostamento

Estrada congestionada só é problema para os pobres mortais ao volante. O “Bom Geral” avança valentemente pelo acostamento. Ainda que contrariando a lei (a lei, ora a lei….) que proíbe esta invasão com o intuito de preservar esta faixa adicional para veículos oficiais de socorro como ambulância ou bombeiros. Afinal, se está congestionado, deve ter um acidente lá na frente.

Qual garagem?

Dentro dos conceitos de postura do “Bom Geral’, respeito aos demais está fora de cogitação. Ele encosta na frente da garagem de qualquer casa ou prédio, ou em fila dupla, tranca o carro e desaparece. Para ele, faixa de pedestre não passa de decoração asfáltica. E ainda atravanca todo o trânsito com uma “rápida paradinha” em local movimentado e sinalizado como parada proibida.

Depois, reclama do governo e protesta conta esta verdadeira “indústria da multa”.

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12 Comentários
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Renan Medeiros 15 de maio de 2022

E o farol e lanterna de neblina ligados dia e noite ?

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Ricardo Garlipp 16 de março de 2022

Excelente alerta para os bons motoristas quanto aos maus motoristas. O autor da reportagem esqueceu de 2 outras situações:
– O estacionamento em vaga preferencial sem ter esse direito
– O uso indiscriminado de farol alto à noite (tem motorista que não sabe pra que serve aquela luz azul quando acende no painel).
Abraço!

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Alexandre Fagundes Souto 16 de março de 2022

Vejo o pessoal reclamando da tal indústria da multa, inclusive por aqui.

Dirijo todos os dias, piloto motocicleta também e minha última multa foi em 1997.

Detesto dar dinheiro pra governo.

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Sir.Alves 16 de março de 2022

~Parabens amigo, mas onde moras?

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Alexandre Fagundes Souto 16 de março de 2022

Morei em SP por 40 anos, até 2012, depois mudei para a Paraíba. Eventualmente vou ao Recife. Em SP dirigi bastante (e pilotei ainda mais) tanto na cidade de SP quanto nas estradas. Sendo que em 1999 eu pegava Dutra pelo menos 3x por semana.

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Sir.Alves 14 de março de 2022

“Sonzaço” daqui da vizinhança, acabou depois que liguei 2 vezes pro 190… santo remédio. Vendeu até o carro pois já estava mal visto pela policia… Santo remédio pra estes vagabundos perturbadores sonoros.

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Nanael Soubaim 14 de março de 2022

Existe a indústria da multa e existe o idiota que lhe fornece matéria-prima de graça.

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Santiago 13 de março de 2022

Convenhamos que a “indústria da multa” existe sim, é real e bastante perversa. Porém ela não incomoda nem um pouco o “bom geral”, pois este se orgulha de cuspir nas Leis e de não pagar as multas que recebe – aliás ele se orgulha de não respeitar nada nem ninguém.
O verdadeiro problema tem um nome: Impunidade.
Aqui no Brasil os crimes de trânsito são considerados meras “infrações”. A Lei que manda a polícia prender, é a mesma Lei que manda a justiça soltar.
São brechas legais gravíssimas que precisam ser fechadas, e isso só pode ser feito lá no Congresso Nacional. Bem que certos prefeitos, tão “preocupados em salvar vidas no trânsito”, poderiam mobilizar as bancadas dos seus partidos em Brasília. Mas a vontade política pra isso….

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FELIPE 14 de março de 2022

Desde que o montante arrecadado com multas passou a ser uma significativa parcela do orçamento municipal, todos os prefeitos passaram a sentir responsáveis pela nossa segurança… tanto que até radar de 30km/h colocam… do jeito que a coisa vai, em alguns anos, teremos de descer do carro e empurrar, para passar em alguns radares sem sermos multados…

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Santiago 14 de março de 2022

Exatamente.
Sob a falsa alegação de “salvar vidas”, certos prefeitos transformaram os radares em verdadeiras arapucas de extorquir dinheiro – hipocritamente ignorando os verdadeiros algozes do trânsito (aqueles que não respeitam Lei alguma e rasgam as multas que recebem, contando com a impunidade().

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Fat Jack 12 de março de 2022

O “bom geral” é o que mais se vê nas ruas, nas periferias então? Pior!
É um desgosto guiar atualmente.

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Antonio Donizeti Martins 12 de março de 2022

A questão do respeito aos demais, não só no trânsito, tem a ver com a educação da pessoa.
Infelizmente ainda veremos por muito tempo esses “BONS GERAIS”.
Melhor ficar longe deles.

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