Olhar feminino marca nova coluna de motos no AutoPapo

Desafio é trazer informações relevantes, de interesse e de serviço sobre o universo das duas rodas como estilo de vida

Por Juliana Dapieve 19/06/21 às 16h34
mulher como protagonista em campanha de motos bmw
Futurismo à la BMW: mulher como protagonista em campanha sinaliza maior presença delas no mundo das altas cilindradas em 2 rodas (BMW Motorrad | Divulgação)

Das mudanças da vida, guardo a lembrança daquelas que chegaram sem aviso prévio, jogando tudo pro alto. Já aconteceu algumas vezes e está sendo assim no meu retorno ao jornalismo. Num dia você finge que entende mil planilhas Excel e, no outro, seu editor liga e oficializa o convite para voltar aos textos. O assunto? Motos. Quem ousa dizer não?

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E já que este é nosso primeiro encontro, vou me apresentar: com trabalhos hoje voltados para o e-commerce e mídias digitais, sou também jornalista há 20 anos.

Há 5 anos, descobri o prazer que é subir na própria moto e sumir no mapa em busca de divertimento adulto – leia-se tomar sol, vento e chuva na viseira; se perder no caminho e descobrir coisa melhor; gastar o tempo em botequinhos no meio do nada; rir com amigas à beira da estrada inventando códigos secretos de comboio; acumular umas jaquetinhas de couro e mais um monte de etcéteras que revigoram a pele e oxigenam o cérebro.

Naturalmente que a presença feminina será constante neste espaço. Não é para menos: dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) registram 25,8 milhões de motoristas mulheres até março deste ano, o equivalente a 35% do total de Carteiras Nacionais de Habilitação (CNH) válidas no país. Entre elas, 6,8 milhões conduzem também motocicletas.

Nosso desafio será trazer informações relevantes, de interesse e de serviço, sobre o universo das motocicletas e seus personagens. Gente que como eu e você adora tudo que envolve esse estilo de vida. Para começar, desdobramos uma discussão que sempre aparece nas rodas de conversa: e aí, existe moto para mulher?

Basta de sexismo

Capaz de fazer Simone de Beauvoir revirar no túmulo, essa ainda é uma pergunta recorrente. Há uma tendência entre as pessoas, independentemente do gênero, de incorrer no pré-conceito que tem como base a “capacidade” dos outros – acontece muito quando se trata de mulheres pilotando motos.

Olhos arregalados, explicações evasivas e uma certa tendência em “empurrar” motos menores ou mais “fáceis” de pilotar são, ainda hoje, percebidos pelas mulheres no ato da compra de uma motocicleta.

Apesar disso, e regidos que somos pelas regras do mercado capitalista, números expressivos e que crescem a cada ano, não levaram a indústria a criar motos especificamente para o gênero feminino. Algo que soa como boa notícia, afinal, já basta o sexismo de nos associarem às scooters. Motocicletas continuam sendo duas rodas sob um eixo e um motor longitudinal. E ponto.

“Uma moto muito básica que você pode facilmente dominar em velocidade, frenagem e curvas ajuda a evitar fatores que induzem àquela ansiedade natural e necessária ao aprendizado. Isso pode impedir a progressão das habilidades”, acredita o psicoterapeuta Márcio Izidro, ele próprio adepto do off-road com sua Beta RR 2 tempos.

Segundo ele, é preciso, cada um a seu tempo, assumir gostos e vontades mesmo com medo das supermáquinas que o mercado tem à disposição. “O importante é não se limitar pela opinião alheia. Motos são máquinas divertidas que exigem atenção e técnica na pilotagem, seja por homem ou por mulher”.

moto bmw g 310 r tem boa aceiracao entre o publico feminino
Com boa aceitação entre o público feminino, a BMW G 310 R resultou em 14,3% das unidades faturadas em 2020 (Foto: BMW Motorrad | Divulgação)

Para além das scooters

Mas é fato que existem características em uma motocicleta que são mais parecidas com a anatomia e comportamento da mulher média, tornando sua operação muito mais divertida – e você precisa dominar a moto, não o contrário. E sim, sempre os dois pés no chão. Ajuste e conforto, tamanho e peso, manobrabilidade e desempenho, cuidado e manutenção. Pontos a serem levados em conta na hora de escolher uma moto.

O tempo vem alterando a forma como as marcas enxergam o potencial do público feminino. Tomadoras de decisão como proprietárias e muitas vezes como garupa, cada vez mais mulheres pavimentam suas decisões em segurança, estilo, cilindradas e principalmente torque. Yes, we can do it.

Antes de pensar nas vendas, há uma questão da decisão e processo de compra. Uma motocicleta BMW Motorrad geralmente é comprada em acordo com a família e temos as mulheres em mais de 50% das decisões feitas nos últimos anos.”

É o que diz Gabriela Cicone, responsável por Marketing e Produto da BMW Motorrad do Brasil. Com boa aceitação entre o público feminino, a BMW G 310 R resultou em 14,3% das unidades faturadas em 2020 pela montadora alemã.

Tanto a roadster quanto a nova trail urbana são produzidas na fábrica do grupo em Manaus (AM). Elas compartilham o mesmo motor monocilíndrico, de 313 cm³ capaz de entregar 34 cv de potência, a 9.200 rpm, e 28 Nm de torque, a 7.500 rpm. O bloco é refrigerado a água e conta com comando duplo de válvulas e injeção eletrônica de combustível. Seu design é inspirado na esportiva BMW S 1000 RR e ressaltado por uma frente baixa e uma traseira extremamente curta.

Freios ABS saem de fábrica como equipamento padrão. A geometria do modelo possibilita um centro de gravidade baixo e centralizado. “Este detalhe permite uma condução mais fácil e leve no dia a dia”, diz Gabriela.

engenheira ana tavares com sua moto bmw r 1250 gs adventure
Progressivamente em várias motos, a engenheira Ana Tavares migrou de uma Honda Twister 250 para a atual R 1250 GS Adventure (Foto: Juliana Dapiéve | Especial para o AutoPapo)

Versatilidade

Para a família GS, a BMW Motorrad desenvolveu um kit baixo para atender aos clientes latinos, não exclusivamente às mulheres. Disponível para os modelos F 750 GS, F 850 GS, F 850 GS ADV, R 1250 GS e R 1250 GS ADV, permite aos clientes de baixa estatura sentar-se com maior praticidade na motocicleta, proporcionando uma pilotagem mais segura e confortável.

Os preços da família partem iguais para quem pede o modelo padrão ou com kit baixo, que já vem de fábrica:  R$ 103.500 para R 1250 GS Premium; R$ 107.500 na versão 40 anos e R$ 117.500 para a R 1250 GS Adventure.

“Em 2006 tirei a carteira e comprei uma Honda Twister 250. Usava a moto em Viçosa (MG), onde eu era universitária. Me formei e vendi a moto. Em 2017 resolvi voltar a pilotar, só que motos de alta cilindrada. A primeira foi uma Harley 883, com a qual fiquei pouco mais de três meses. Depois dela veio a scout da Indian”, conta a engenheira civil Ana Paula Magalhães Tavares, 36.

Em 2018 ela migrou para uma GS 1200 Premium e realizou o sonho de ter uma big trail. “Por fim, em 2019 eu comprei a GS Adventure 1250. E essa é a moto na qual eu me encontrei. Me considero muito realizada com ela, e adquiri o kit baixo para adaptação do assento em relação ao solo, para facilitar as manobras”, conta Ana. Neste modelo, o assento fica de 87 a 85 cm do solo, com o kit de rebaixamento da suspensão, vai de 82 a 80 cm do solo.

Italianas

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Auto-ajuste do assento da Monster 1200S possibilita variação de 82 cm a 79,5 cm de altura do solo (Foto: Ducati | Divulgação)

Dentro do line up da italiana Ducati os modelos Scrambler e Monster também caíram na preferência feminina. A pegada visa potência, esportividade e exclusividade. É o que diz Maristela Ramos, porta-voz da Ducati do Brasil:

Esses modelos são os mais cotados pois têm a altura e encaixe perfeitos para pilotagem, o que agrada muito às mulheres. O modelo Monster 1200S, por exemplo, oferece auto-ajuste do banco.”

Com a adaptação, o assento varia de 82 cm a 79,5 cm de altura do solo. O resultado é um conjunto com 1.198 cc com 147 cv de potência a 9.250 rpm e 12,4 Kgf.m de torque, distribuídos em 185 kg.

Pergunte a si mesma

Poucas coisas na vida são tão pessoais quanto a escolha de uma moto. Desse modo, tenha em mente:

O que você planeja fazer com a motocicleta?

  • Para que você vai usá-la? Será apenas para passeios de fim de semana? Talvez você planeje viagens de longa distância, ou uma aventura off-road? E normalmente você levará alguém na garupa? Qual é o seu estilo?
  • Estas são questões importantes pois suas preferências de estilo de condução irão definir ou restringir o tipo de motocicleta.

Você está disposta e é capaz de fazer manutenção?

  • Se for assim, você pode optar por alguns dos modelos vintage mais complexos ou mais antigos, que provavelmente exigirão mais “carinho”. Ou talvez você queira uma motocicleta de dois tempos que também requeira mais manutenção do que uma de quatro tempos. Entenda e pesquise.

A sua concessionária está perto e as peças estão facilmente disponíveis?

  • Se você decidir comprar um modelo mais exótico, digamos uma Aprilia ou MV Agusta, e a única concessionária ficar a cinco horas de onde você mora, isso pode gerar dificuldades quando você precisar de manutenção.
  • Considere também a disponibilidade de peças. Se as coisas quebrarem, quanto tempo a peça de reposição levará para chegar? Em alguns casos, esse período de espera pode custar um mês de viagem. Os fabricantes japoneses de motocicletas mais populares (Kawasaki, Yamaha, Honda, Suzuki) e suas peças são sempre fáceis de encontrar e prontamente estocadas.

Qual é a sua experiência e como você avalia o seu nível de confiança?

  • Se você ainda está nervosa sobre como lidar com a potência do acelerador, você vai querer um motor com menor HP (cavalos de força) e um com menor torque também.
  • A propósito, esqueça as cilindradas (cc) do motor como referência para potência e influência. É realmente a relação potência / peso. Os grandes motores de 1200 cc que você encontrará em motos pesadas não têm a potência dos modelos menores e leves. O poder tem tudo a ver com a entrega final à roda traseira.
  • Um motor com uma rotação mais suave (de potência) permitirá que você desenvolva confiança na sensação e operação da máquina.

Qual é o seu orçamento?

  • Frequentemente, isso limitará suas escolhas. E não se esqueça do seguro. Dependendo de onde você mora e das condições onde a moto ficará estacionada, o seguro pode estar fora do alcance do bem que você deseja comprar.

Usada ou nova?

  • Novamente, aí entra uma questão bem pessoal: é possível encontrar motos fabulosamente cuidadas – e usadas – na concessionária local. Mas, se você pode comprar aquela máquina dos sonhos zero km, vá em frente.

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13 Comentários
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Bete Albuquerque 5 de julho de 2021

Adorei a matéria Ju! Parabéns Ju!!!

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Ivanildo Santos de Araújo 24 de junho de 2021

Excelente matéria, seja bem vinda ao auto papo, sucesso sempre

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Joao Paulo 22 de junho de 2021

Muito sucesso pra vc. Ótima matéria.

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Rodrigo Carisio 22 de junho de 2021

Sensacional a matéria. Sucesso. 🌻

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Daniel Magalhães 22 de junho de 2021

Que matéria fantástica!! Essa visão e experiência e a quebra de paradigma da mulher sobre rodas e sensacional!!!!

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Luana 21 de junho de 2021

Muito bom ter uma mulher falando de moto pra gente. Parabéns à jornalista e ao autopapo!

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@espirito_de_harley_davidson 21 de junho de 2021

A presença feminina da Cenário Motociclístico de alta cilindrada marca para sempre e impõe uma mudança de paradigmas que a Harley sabiamente veio defendendo ao longo dos anos… ela retirou a mulher do papel de figurante e objeto de desejo para ocupar papel de protagonista e mulher com desejos.
Como tenho dito: Encontre um motivo… Mesmo que você não saiba exatamente onde vai chegar, mas encontre uma razão para sair do lugar…
Parabéns a esta maravilhosa matéria! Parabéns às mulheres pelo papel de protagonista assumido na Cena Motociclistica.

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Anna Luiza 21 de junho de 2021

Adorei as informações!

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Sonia 21 de junho de 2021

Muito legal a matéria! Ótimas dicas pra quem quer se aventurar nesse universo!

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Diana 20 de junho de 2021

Muito bom! Excelentes dados!

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Sérjão 20 de junho de 2021

Excelente texto, didático e compreensível para um universo enorme enorme de futuros motociclistas .

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FLAVIA PAVAN 20 de junho de 2021

Excelente texto. Cada pessoa irá se adaptar a moto que melhor atender aos seus objetivos. Sem essa de moto de mulher.

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Pamela 20 de junho de 2021

Matéria excelente!

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