Pinóquio de Ouro 2017: Nissan Frontier e sua suspensão ‘fake’

Nissan força a barra e chama de multilink a suspensão traseira de sua nova picape. Mentira: seria, se as rodas fossem independentes

Por Boris Feldman 13/12/17 às 07h49
pinoqui de ouro

Fim de ano, época de premiações. São anunciados os vencedores de diversos concursos: o carro do ano, o escolhido, o preferido, o eleito e outras variações… Mas o AutoPapo prefere apontar a maior mentira do ano. Em 2017, quem fez jus ao (menos disputado) troféu, o Pinóquio de Ouro, foi a Nissan, que lançou uma nova geração da sua Frontier.

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A marca é especialista em picapes, o que levou a Mercedes-Benz a propor uma parceria. Como os alemães de Stuttgart não possuem know-how neste segmento, acertaram com os japoneses compartilhar o projeto e já apresentaram sua “variação sobre o tema”: a Classe X.

nissan frontier 2017 9
Nissan Frontier: a única do trio que emplacou

Como a Renault é parceira da Nissan, ela também terá a mesma picape, chamada pela francesa de Alaskan. As três serão produzidas na fábrica argentina da Aliança Renault-Nissan e, de lá, importadas para o Brasil.

Até iniciar sua produção pelos hermanos, a da Nissan vem sendo importada do México.

A Frontier é moderna, estilosa, tem bom acabamento, espaço interno e um belo projeto mecânico que contempla motores diesel e gasolina, tração simples e integral. Mas, qual é a mentira? A Nissan ter anunciado que a suspensão traseira da Frontier é do tipo multilink (de braços múltiplos).

Para se enquadrar neste conceito, ela tem, necessariamente, que ser independente. A movimentação da roda de um lado interfere o mínimo na outra e procura manter ambas perpendiculares ao piso.

Garante máxima aderência e estabilidade do veículo, sem prejuízo do conforto. Vários automóveis importados e esportivos oferecem esta suspensão. Alguns brasileiros como o Ford Focus e o VW Golf GTI também. Porém, o custo de produção é bem mais elevado.

Supensão da Nissan Frontier

A Frontier não tem nada disso, pois tem é um baita eixo rígido na traseira. Com uma ligeira sofisticação: é ligado ao chassis por braços múltiplos, o que levou a Nissan a se permitir chamar a suspensão de multilink.

A Mercedes, na picape Classe X, fica no meio do caminho: diz que o eixo traseiro é multilink, seja lá o que isso queira significar. Meia-verdade ou meia-mentira?

Pinóquio de Ouro 2017 do Boris Feldman Nissan Frontier
suspensão multilink x eixo rígido

A suspensão traseira desta nova picape (a mesma para as três marcas) é até bem elaborada e, em vez das molas semi-elípticas presentes na maioria de suas concorrentes, tem molas helicoidais, que resultam num bom comportamento dinâmico no asfalto e na terra. Mas, multilink ela não é.

Pinóquio de Ouro 2017 Boris Feldman Nissan Frontier
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4 Comentários
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Andrade 8 de dezembro de 2020

Engano de vocês. A suspensão é sim multilink, apenas não é independente.
A suspensão multilink não precisa ser independente, pois pode ser de eixo rígido e ainda ser fixada por multilinks.
Inúmeros artigos técnicos estrangeiros mostram isso, e outros veículos no exterior usam este conceito, e também o chamam de multilink de eixo rígido.
Acho que o “Pinóquio de Ouro” deveria ir para vocês.

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Renan 16 de janeiro de 2019

Acho que falta conhecimento técnico por falta dos redatores desse site. Dei uma breve navegada pelo site, e percebi o quão raso e superficial é passada as informações para os consumidores. Tanto no comparativo do Kicks x Captur, quanto dessa matéria a respeito do multilink. Vocês odeiam a Nissan? É sério?

Multilink, significa multibraço, nada tem a ver com a variação de torna-lá independente, pois ambas tem propostas diferentes. Frontier é um carro montado em um chassi rígido. Carros feitos em monobloco, como o FIAT TORO, OROCH e até mesmo o NEW CIVIC utilizam desta tecnologia independente, que é apropriado pro modelo de montagem.

AutoPapo
Felipe Boutros 17 de janeiro de 2019

Olá, Renan. Não odiamos nenhuma marca. Temos uma postura crítica com todas.
Sobre a suspensão, se as rodas não forem independentes é errado chamá-la de multilink.

Obrigado e abraço

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Andrade 8 de dezembro de 2020

Renan, você está certíssimo.
Inclusive o pedido de patente da “suspensão multilink independente” (é essa a patente, e não suspensão multilink apenas), destaca duas características da suspensão, o fato dela ser “independente”, e o fato dela ser “multilink”. Ou seja, o conceito de “multilink” é relativo ao sistema de fixação das rodas ao veículo (através de vários braços – várias ligações multi-links), e não ao conceito de suspensão independente.
O Auto Papo errou feio. Acho que se apressou na época com a informação sem ter tido o cuidado de fazer uma pesquisa técnica mais profunda.

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