O que é pior para a atmosfera: escapamento do carro ou da vaca?

As vacas entraram no páreo do efeito estufa. E seu gás (metano) pode representar perigo maior que o dos automóveis...

vaca emite gas metano ch4
Gás metano é hoje um dos grandes vilões causadores do efeito estufa (Foto: Shutterstock)
Por Boris Feldman
06 de novembro de 2021 07:30

Durante muitos anos o grande desafio enfrentado pela sociedade foi a redução das emissões do dióxido de carbono. O CO2 é produzido pela combustão de combustíveis fósseis como gasolina ou diesel. Queimadas, desmatamento e atividades industriais que envolvem aquecimento.

Na última reunião da ONU para Mudanças Climáticas (COP 26) na semana passada (em Glasgow, na Escócia), um outro gás entrou na berlinda, o metano (CH4). Em relação ao CO2, cerca de 20 vezes mais poderoso quando se trata de efeito estufa. Em compensação, tem passagem mais rápida na atmosfera (cerca de 10 anos) enquanto o dióxido de carbono permanece mais de um século. Assista ao vídeo e saiba mais:

VEJA TAMBÉM:

O metano tem origem nos vulcões, aterros sanitários (decomposição orgânica), pântanos e no processo de digestão dos ruminantes (bois, hipopótamos, touros, cabras, ovelhas, girafas, etc) e bactérias nas plantações de arroz.

Das emissões de CH4, a maior parte vem dos bovinos, que não são poucos: calcula-se que já tenham ultrapassado 1,5 bilhão de cabeças no mundo. São chamados ruminantes pelo processo digestivo do alimento que mastigam antes de chegar ao estômago, nos chamados rumens. Provocam gases expelidos pela boca ou pelas narinas. Mas também pelo “escapamento” (junto às fezes). E as pesquisas revelam que o metano teve um surpreendente e inexplicável crescimento nos últimos 10 anos.

Como reduzir as emissões?

Por incrível que pareça, mais da metade do metano tem origem nas “bufas” das vacas. Diversos estudos apontam para uma mudança na dieta (pasto) do rebanho como solução. Outros para uso de “máscaras” que captam e processam os gases.

Outra redução é a captura do metano gerado em aterros sanitários (“lixões”), colocando o gás a serviço da sociedade. É o biogás já usado em motores, assim como o GNV.

O CO2 perdeu um pouco a pose com a súbita invasão do metano em seus domínios, mas ainda é considerado o principal vilão da atmosfera. E o escapamento dos veículos não é – ao contrário do que apregoam os defensores do meio ambiente – sua maior fonte de emissões: transportes terrestres, marítimos e aéreos respondem por apenas 25% do total.

Alternativa ao petróleo

Mas, alternativas ao petróleo estão sendo desenvolvidas em todo o mundo. O etanol já é substituto da gasolina com emissão quase nula do CO2 (considerado do pé de cana ao escapamento), no Brasil. Outros países, como EUA e Índia, avançam nesta direção. O diesel já vem sendo substituído pelo óleo vegetal.

Também o hidrogênio pode substituir os derivados do petróleo. Ou como combustível, ou para alimentar as células (fuel-cell) que geram energia elétrica para movimentar o veículo. Mas seu custo de produção, armazenagem e distribuição ainda é quase proibitivo.

Mas, o vilão pode virar herói: pesquisas revelam a possibilidade de combinar o H2 (hidrogênio) ao CO2 (dióxido de carbono) para se obter metano (CH4) e movimentar veículos. Ou no processo de aquecimento industrial ou doméstico. Com resultado climaticamente neutro.

Carro elétrico é solução?

Uma das maiores diferenças entre híbrido comum e o plug-in está na autonomia da bateria

Sim e não. Em regiões onde a energia elétrica é gerada por usinas térmicas (a diesel ou carvão), ele simplesmente transfere o ponto de emissões de gases nocivos. Da cidade para o campo.

O mundo está migrando para o carro elétrico, mas ainda restam dúvidas e problemas a resolver. Ponto de recarga é um deles, principalmente para quem mora em apartamento. Nas estradas, os eletropostos são problemáticos pelo ainda demorado tempo de recarga. Uma coisa é esperar na fila da bomba. Outra é a da tomada…

O custo da energia elétrica é outra interrogação: o desembolso para recarregar na estrada é 50% maior que o doméstico. E quanto custará a energia elétrica para o consumidor final dentro de 15 anos?

Outra questão não menos importante é a capacidade de geração de energia elétrica do país. Numa entrevista recente com técnicos da usina de Itaipu, veio à tona que o número de carros elétricos que poderiam ser carregados hoje no país é de cerca de 180 mil. Como superar este limitador?

Uma solução “sopa no mel” para o elétrico no Brasil já está sendo desenvolvida por parcerias entre a Nissan e a Volkswagen com universidades paulistas. É o carro movido eletricamente sem bateria, por uma célula a combustível alimentada por hidrogênio extraído do etanol. À venda em todo o país.

Outra alternativa interessante – pioneira no mundo – é o híbrido flex do nosso Toyota Corolla. Que roda eletricamente ou à combustão, com etanol.

A rigor, a “limpeza” do meio ambiente não terá solução única, mas diversificada pelo mundo. Cada região com uma solução doméstica mais adequada para atenuar as emissões do CO2 e do CH4.

Você sabia que o AutoPapo também está presente em suas redes sociais favoritas? Clique e confira:

TikTok YouTube Facebook Twitter

Ah, e se você é fã dos áudios do Boris, procure o AutoPapo nas principais plataformas de podcasts:

Spotify Spotify Google PodCast Google PodCasts Deezer Deezer Apple PodCast Apple PodCasts Amazon Music Amazon Music
SOBRE
23 Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Comentários com palavrões e ofensas não serão publicados. Se identificar algo que viole os termos de uso, denuncie.
Avatar
jayme antonio da costa 12 de novembro de 2021

Alguém fez algum estudo sobre a emissão de CO2 desde a produção das matérias primas, sua construção, consumo de combustível, digamos por 20 anos de uso, e descarte considerando-se o que pode ser reciclado de um carro com motor a combustão movido a etanol e outro elétrico, neste considerando-se o descarte das baterias.
Me parece que esses estudos chegaram a conclusão que o carro elétrico nesse ciclo de vida produz ligeiramente mais CO2 do que o movido a etanol!!!

Avatar
Rafael 11 de novembro de 2021

Ah pronto… Agora irão querer eletrificar os bovinos também. Carro eu até admito, mas se mexerem no meu churrasco eu começo uma guerra civil.

Avatar
Ricardo 11 de novembro de 2021

Vão querer por catalizador no gado

Avatar
CLÁUDIO CRUZ 11 de novembro de 2021

A Europa cismou de eletrificar os carros. Ok. De onde virá a eletricidade? Termoelétricas? Usinas nucleares? O passivo ambiental de ambas é monstruoso. Mas, não é só isso. E as baterias dos carros? Quando a vida útil das mesmas acabar, como se dará o descarte? Essas questões não são encaradas e respondidas… Mesma coisa acerca das florestas; reclamam de nós, que temos mais de 65% do território preservado. Enquanto isso, que reclama, tem menos de 30% de vegetação preservada. Vejo muita falsidade e hipocrisia…..

Avatar
Hélcio B Silva 12 de novembro de 2021

CLÁUDIO, a Europa foi ocupada numa época em que não havia preocupação ambiental. Desmataram muito sim, mas o que sobrou, é preservado atualmente. A responsabilidade deles pelo nosso desmatamento está no fato de que eles consomem nossa madeira e os produtos produzidos com esse desmatamento.

Avatar
Luis Santos 17 de novembro de 2021

Se a energia nuclear não tivesse sido demonizado, eis a resposta. O desenvolvimento da mesma faria com que tivéssemos hoje mais tecnologias no tocante ao descarte seguro da mesma.

Avatar
Hélcio B Silva 11 de novembro de 2021

Os maiores vilões somos nós, que usamos o carro para ir até a churrascaria comer o filé da vaca.

Avatar
Santiago 8 de novembro de 2021

Compensar a emissão de CO2, através do plantio de vegetais, é sempre positivo – o que também inclui pastagens pra gado, desde que estas Não impliquem na derrubada predatória de florestas.
Entretanto, na prática, as medidas de compensação do carbono não são capazes de absorver o metano, o qual permanece à solta na atmosfera. E aí é que temos um desafio adicional.

Avatar
Hélcio B Silva 11 de novembro de 2021

Santiago, plantar árvores é complicado no Brasil. Já plantei várias e poucas sobrevivem. Tem uma parada de ônibus na porta da minha garagem. Uma árvore que plantei em 1996, que hoje está mortalmente ferida (https://www.youtube.com/watch?v=Q1EbyUC_EKs&t=7s&ab_channel=HELCIOBSILVA) faz sombra e é ali, e não no ponto, que pessoas esperam pelo ônibus (por isso permito). Alguém colocou fogo nela. Plantei uma semente que colhi em Ubatuba e nasceu outra, (já preocupado com uma provável morte) mas ontem, a prefeitura fez uma poda e alguém jogou um tronco sobre a nova, que tinha 2 anos e aproximadamente 1 metro, quebrando-a. Tenho 69 anos de idade e fico triste que as árvores que planto morram antes de mim.

Avatar
Lucas Casara Teixeira 8 de novembro de 2021

Boa tarde
Se o biodiesel, o etanol e outros combustíveis são tratados como corretos por utilizarem o CO2 da atm para serem gerados, o mesmo se aplica ao metano dos bovinos, COM UM DETALHE: o manejo correto de pastagens proporciona acréscimo nós níveis de carbono do solo em função da constante morte e crescimento de raízes da pastagem sob estímulo do pastejo.
Não é sensato prejudicar a segurança alimentar da humanidade ao botar a culpa na vaca, sendo que ela não é culpada e sendo que é possível buscar alternativas de fontes de energia para a nossa locomoção, que não os combustíveis fósseis.
Abraços

Avatar
Tony Pacheco 11 de novembro de 2021

Sim, o gado bovino – se o houver um mínimo de sensatez na humanidade, o que é difícil – está com os dias contados como fonte de proteínas animais. Há dezenas de outras fontes de proteína animal que não ameaçam o equilíbrio climático, como os frutos do mar – dos peixes aos crustáceos -, os porcos, as galinhas, os patos, os carneiros, os cabritos e tantos outros. Só quem insiste no casal boi e vaca é quem tem algum interesse financeiro na continuação desta pecuária totalmente danosa não só ao meio ambiente. A carne bovina é altamente tóxica, com imensidão de gorduras venenosas para o aparelho circulatório humano. Há 30 anos não como carne bovina e não sinto a menor falta. Minha saúde tem agradecido e a saúde do planeta também. Se os governos querem nos matar por asfixia climática, cabe a nós não esperarmos governos e empresários do agronegócio: parar de comer carne bovina. Simples assim.

Avatar
Rafael 11 de novembro de 2021

Arrumem uma solução alternativa. Eu e milhões não abriremos mão de um belo churrasco regado a picanha, alcatra, fraldinha etc.

Avatar
Rafael 11 de novembro de 2021

Ok senhor da sensatez e detentor da verdade, mas arrume outra alternativa porque eu e milhões, provavelmente bilhões, não abriremos mão do nosso churrasco regado a picanha, alcatra e fraldinha (carnes bovinas).

Avatar
Luis Santos 17 de novembro de 2021

Quando a carne bovina custar R$ 100 o kg do acém vocês vão abrir mão sim…

Avatar
Sir.Alves 8 de novembro de 2021

Ouvi em algum momento que se todas as vacas do mundo coincidentemente peidassem mesmo tempo, nossa camada de ozônio acabaria na hora!… a chance de cair um mega meteoro é maior, então relaxem!… rsrsrs Pergunta:Um coletor de Metano no curral não ajudaria ou algo assim..?(pergunta aos eng agrônomos do canal)

Avatar
Hélcio B Silva 13 de novembro de 2021

Sabia que a camada de ozônio filtrava UV, mas meteoros, é novidade pra mim.

Avatar
Heli Nogueira 7 de novembro de 2021

O gaz metano produzido pelos bovinos é compensado pelas plantações de capim que os mesmos consomem, zerando a emissão. Da mesma forma que os carros a álcool zeram o CO2 do cano de descarga compensados pelo plantio de cana no campo. O etanol é a melhor solução.

Avatar
Tony Pacheco 18 de novembro de 2021

Olhe, com esta resposta, eu só tenho a agradecer: morri de rir. Meu dia estava triste. Não está mais…

Avatar
Santiago 7 de novembro de 2021

Mais de 1,5 bilhões de bovinos, num planeta com 7,5 bilhões de humanos, é mesmo preocupante. Temos aí um problema ligado a hábitos alimentares e de consumo, moldados principalmente por modismos e caprichos – lembrando que mais da metade dos 7,5 bilhões de humanos nem sabem o que é um bife.
Quanto ao tipo de propulsão veicular, os híbridos e e-powers movidos a combustíveis renováveis seriam um grande e já viável início.

Avatar
Rodolfo 7 de novembro de 2021

O Brasil devia ter trens transportando a maior parte das cargas por todas as regiões do país, isso sim iria tirar milhares de caminhões de circulação nas estradas… na Alemanha é assim…. trem pra todo lado.

Avatar
Tony Pacheco 18 de novembro de 2021

É, mas, no Brasil, o presidente Juscelino montou uma Comissão Mista Brasil-EUA (imposta por Washington) para desativar nossas ferrovias nos anos 1950. Tínhamos uma das 5 maiores malhas ferroviárias do planeta. Hoje só tem trem de carga, muito poucos, e todos na bitola errada, porque depois de Juscelino, a ditadura militar (também sob a generosa orientação dos EUA) acabou com o que restava da malha ferroviária. China e EUA, que são as duas maiores economias planetárias, têm malha ferroviária para tudo. Na China, inclusive, a primazia é passageiros, por que precisam integrar regiões distantes. Só que no Brasil, não. Aqui o interesse é desmantelar nossa economia e nossa soberania, então, ferrovias aqui são proibidas pelo nosso Grande Irmão do Norte. Temos que penar em ônibus e caminhões fumegantes a diesel e para deslocamentos maiores usar o mais nocivo meio de transporte e o mais caro do planeta: o avião. O Brasil é totalmente inviável. Eu já desisti.

Avatar
Jorge Bernardes Netto 6 de novembro de 2021

Boris, não e poluição que faz mal, efeito estufa, mudança climatica,o que faz e o causador, image 1 bilhão de humanos, acho q não precisaria produzir 100 milhões de automóveis ou 1 i tonelada de alimentos por ano, os humanos não entende o que e simbiose.

Avatar
Hélcio B Silva 13 de novembro de 2021

Se a poluição não fizesse mal, os escapamentos dos veículos jogariam os gases para dentro da cabine. Quem gera fumaça deveria respirá-la, e não os pobres pedestres que estão do lado de fora.

Avatar
Deixe um comentário