Qual é a durabilidade do motor dos carros elétricos?

Resposta para essa pergunta ainda não é totalmente conhecida, mesmo por especialistas: consenso é que a vida útil é bem maior que a do similar a combustão

motor eletrico nissan leaf
Motor elétrico do Nissan Leaf (Nissan | Divulgação)
Por AutoPapo
26 de agosto de 2020 09:00

Engenheiros e especialistas são unânimes em afirmar que o motor dos carros elétricos tem vida muito bem maior que a dos similares a combustão. Afinal, ele não sofrem carbonização proveniente da querima do combustível, tampouco há pistões, bielas e outras peças desgastando-se por atrito.

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Primeiramente, vale destacar que o motor dos carros elétricos é muitíssimo mais simples que os tradicionais, a combustão interna. Ele têm, grosso modo, apenas uma peça móvel: um rotor, que gira dentro de um estator. Daí a durabilidade ser consideravelmente maior.

Além disso, tal tipo de propulsor praticamente não demanda manutenção. Afinal, não há óleo, velas, cabos de velas nem líquido de arrefecimento para serem trocados periodicamente.

Feitas todas essas considerações, é hora de retornar à pergunta inicial: mas qual seria exatamente a vida útil do motor dos carros elétricos? Quão mais durável ele é em relação ao propulsor a combustão? A resposta, acredite, é que a diferença é tão grande que ninguém sabe estimá-la ao certo, ao menos por enquanto.

Uma resposta mais precisa, porém, pode surgir nos próximos anos. É que a Faculdade de Tecnologia de Veículos da Universidade de Esslinger, nas proximidades de Stuttgart, na Alemanha, iniciou um estudo para determinar, com precisão, qual é a vida útil do motor dos carros elétricos.

motor do Nissan Leaf, um dos carros totalmente elétricos do mercado
Motor elétrico do Nissan Leaf

As pesquisas sobre esse assunto, orçadas em € 436.600 (valor que equivale a cerca de R$ 2,8 milhões) terão patrocínio de empresas do ramo automotivo, entre as quais BMW, Mercedes, Volkswagen, ZF e Bosch. A expectativa da instituição é anunciar os primeiros resultados dentro de três anos.

Por que o motor dos carros elétricos é tão durável?

Os acadêmicos já têm, de antemão, algumas informações. Teoricamente, uma das peças mais sujeitas a desgaste no motor dos carros elétricos é o magneto, que faz a conexão elétrica com o rotor. Nos projetos atuais, esse componente, que atua como imã, é feito à base de neodímio e demora cerca de 100 anos para perder 5% de sua capacidade.

Isso significa que, mesmo depois de 300 anos, um imã de neodímio ainda teria, em média, 85% de seu poder magnético. Outros componentes sujeitos a desgaste são os dois rolamentos aos quais o rotor está acoplado. Mesmo confeccionados em aço de alta resistência, esses componentes são considerados os menos duráveis do conjunto.

O caso é que tais peças podem ser substituídas. E esse serviço é considerado rápido, fácil e barato: o próprio motor a combustão necessita, eventualmente, de troca dos rolamentos das correias.

Embora sejam incipientes no Brasil, carros elétricos já circulam há mais de uma década na Europa. Por lá, a experiência prática parece comprovar a teoria, uma vez que são raríssimos os casos de problemas nos motores deles.

Baterias constituem ponto fraco dos elétricos

Na verdade, os problemas em relação à durabilidade dos carros elétricos não recaem sobre o motor, e sim sobre as baterias. Isso porque elas produzem corrente elétrica a partir de reações químicas e, assim, vão perdendo densidade energética com o passar do tempo.

Em média, os fabricantes determinam uma vida útil mínima de 10 anos ou 240 mil quilômetros para as baterias dos carros elétricos. Mas esse prazo pode ser bem maior, em função, principalmente, da quantidade de recargas. O caso é que, uma vez gastas, não há como consertar essas baterias: a única solução é a substituição.

Como o custo de troca das baterias é bem alto – não costuma sair por menos que R$ 15 mil -, muitos fabricantes têm investido no aumento da vida útil para, pelo menos, 20 anos ou um milhão de quilômetros. Outros apostam em carros elétricos livres de baterias, com energia fornecida por célula de hidrogênio, por exemplo.

Boris Feldman fala sobre o carro elétrico que, em vez de ser plugado na tomada, funciona com etanol. Assista ao vídeo:

Foto Nissan | Divulgação

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26 Comentários
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ENAX 14 de junho de 2021

Com célula de hidrogênio para que incluir um motor elétrico, não entendi… O próprio motor a hidrogênio movimenta o carro…

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Alexandre Rovarotto 4 de março de 2021

Caro Boris, quando é preciso substituir a bateria de um carro elétrico, como é feito o descarte da bateria? Porque dependendo do que é feito com ela, estamos deixando de poluir o ar ao adquirir um carro elétrico, mas poluindo a terra e a água dependendo da forma de descarte da bateria.

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Marcos Benassi 15 de dezembro de 2020

Pessoal do Autopapo, cairia bem o nome do jornalista que produziu o texto, está genérico. Fazer a transição para os carros elétricos baseando-a diretamente na célula de hidrogênio, fica difícil e caro. Mas a estratégia de um motor interno a combustão gerando energia elétrica para o motor principal, elétrico, já é usada. Parece, salvo engano, que, quando associada com a regeneração energia cinética do carro, traz vantagens em relação ao álcool utilizado diretamente no motor principal. Os colegas leitores são pessimistas em relação ao conjunto amplo de variáveis de um ecossistema de mobilidade baseado em eletricidade, mas lembro que eletricidade tem em tudo quanto é canto, complexidades de manutenção já existem para carros mais moderninhos – e são muitíssimo reduzidas nos carros elétricos – e que basta ter demanda para que algumas dessas coisas se ajustem com o tempo. Nosso governo anda meio confuso, não será ele a dar conta das complexidades envolvidas nisso, mas ele termina em breve.
(Curiosamente, o sistema do autopapo não quis aceitar esse comentário, dizendo que eu já disse alguma coisa semelhante em outro comentário. Vamos tentar de novo, talvez seja um problema de falta de inteligência artificial… ;-D )

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Marcos Benassi 15 de dezembro de 2020

Pessoal do Autopapo, cairia bem o nome do jornalista que produziu o texto, está genérico. Fazer a transição para os carros elétricos baseando-a diretamente na célula de hidrogênio, fica difícil e caro. Mas a estratégia de um motor interno a combustão gerando energia elétrica para o motor principal, elétrico, já é usada. Parece, salvo engano, que, quando associada com a regeneração energia cinética do carro, traz vantagens em relação ao álcool utilizado diretamente no motor principal. Os colegas leitores são pessimistas em relação ao conjunto amplo de variáveis de um ecossistema de mobilidade baseado em eletricidade, mas lembro que eletricidade tem em tudo quanto é canto, complexidades de manutenção já existem para carros mais moderninhos – e são muitíssimo reduzidas nos carros elétricos – e que basta ter demanda para que algumas dessas coisas se ajustem com o tempo. Nosso governo anda meio confuso, não será ele a dar conta das complexidades envolvidas nisso, mas ele termina em breve.

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Josué 4 de novembro de 2020

Fico imaginando o que vai acontecer no Brasil quando o carro elétrico for popularizado. Com certeza o governo vai equiparar os preços da energia elétrica com os combustíveis nos postos.

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mario 1 de setembro de 2020

quanto mais alternativas forem criadas e exploradas menor o preço do petrolio. só isso ja faz valer a pena e de tanto pesquisar va que um dia achem realmente um substituto a nivel de populaçao mundial.

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Lourival Pereira da Silva 1 de setembro de 2020

Comprar carros elétricos no nosso país onde tudo é “empurrado com a barriga”, sem nenhuma estrutura de recarga e manutenção, sem técnicos especializados na complexa eletrônica embarcada nos carros elétricos é “levar pedra pra cima do morro”, como dizia meu finado pai ante uma prática sem fundamento e estapafúrdia.
Ao contrario das afirmações de que o carro elétrico veio para ficar, eu não sou convicto. Vai ficar eu acredito: Na garagem, pifado ,sem peças de reposição provocando sérias dores de cabeças à muitos proprietários. Já pensou se queimar uma placa dos conversores de energia ou outro dispositivo de controle do veículo? Você não vai encontrar uma peça em qualquer loja de auto peças à exemplo de carro Flex. Teria que ficar à mercê da ganância e indolência das concessionárias.
Por essas e tantas dúvidas prefiro ficar com meu carro a combustão mesmo. Saudades do meu fusca, que qualquer mecânico semi alfabetizado conseguia reparar.

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Josué 4 de novembro de 2020

Concordo também pois as placas eletrônicas vão apresentar uma dor de cabeça para is proprietários desses veículos, mesmo para nim que sou um tecnico de eletrônica e obviamente vou tentar reparar se achar as pecas no mercado

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Cristiano Miranda 31 de agosto de 2020

O que deveria se fazer era diminuir os custos da troca da bateria e que fosse de rápida e fácil troca, podendo se fazer isso em qualquer oficina pé de porco de esquina.

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Francisco 31 de agosto de 2020

Misericórdia! Assassinaram a gramática, ela ressuscitou e fizeram novamente.

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Clebio 30 de agosto de 2020

Só especialistas nesses comentários,* até parece que os engenheiros não estudaram isso,as grandes industria paga caro pra um engenheiro pra ele ficar jogando videogame!

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Breno 25 de novembro de 2020

Sou tecnico de elevador, e os engenheiros nao sao deuses. Produzem placas sem observar diversas coisas, entre elas as condicoes climaticas de cada regiao. Pode ter certeza que o que mais vai ter é placa “congelando” travando por causa de calor excessivo.

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Adriano José Esteves 30 de agosto de 2020

Muito boa ideia de gerar hidrogênio a partir do etanol.
Mas o que fazer com o monóxido de carbono e o dióxido de carbono resultantes da extração do hidrogênio?
Essa tecnologia com esse fim ainda precisa ser aprimorada, ou os carros elétricos a “hidrogênio” irão poluir antes de serem abastecidos.

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Mauricio 29 de agosto de 2020

Fora a bateria e os rolamentos, provavelmente o verniz do enrolamento do rotor pode ser um ponto fraco… Com o passar dos anos, temperatura e vibração, o verniz pode quebrar ou desgastar e fechar curto…

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Valderlúcio Sousa 28 de agosto de 2020

Falamos tanto que nosso planeta está morrendo, que em breve nosso lar já não nos sustentará e nenhuma providência se toma quanto à isso!Sei que o homem tem desejo do desconhecido, mas a idéia de colonizar um planeta sem as condições adequadas que temos aqui, parece ser algo sul real e muiiiiiiiito caro! Então porque não investir em transportes elétricos, que não poluem, motores que não agridem o meio ambiente!

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adriano 21 de fevereiro de 2021

quem disse que n polui ? vc esta de veras enganada isso e a ilusão que querem vender , em resumo a quantidade de matérias pesados que vão ser jogado na natureza com o descarte de baterias supera muito a quantidade de poluição expelida por veículos a combustão

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Vital Alves 28 de maio de 2021

A Tesla fabricante dos carros elétricos que revolucionou a indústria automobilística, com os seus carros elétricos, em valor de mercado já superou as maiores fabricantes de carros com motor a combustão. Desenvolveu recentemente uma bateria para carros elétricos com a vida útil de uso de 3,5 milhões de km rodado. Assim como as baterias de lítio dos celulares, as baterias dos carros elétricos devem ser descartado de maneira que não poluem o meio ambiente. O Brasil como pais tropical tem um enorme potencial , na utilização das fontes de energias limpas como: eólica e painéis solares. Já superando as hidrelétricas que dependem em alguns casos dos níveis dos reservatórios em período de poucas chuvas. Com a necessidade de recorrer as termoelétricas movida a gás natural .

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bruno vasconcelos 27 de agosto de 2020

Carro elétrico É CARÍSSIMO, só sobrevive com subsídios do Estado, inclusive países nórdicos querem acabar com as isenções desses elétricos, o que vai aumentar ainda mais os preços… Nunca vi uma tecnologia demorar TANTO pra pegar: Nos Estados Unidos, Japão, Canadá etc, a maioria ainda é a combustão, sinceramente, não acredito nesta tecnologia… nem vemos motos elétricas populares, que de lá carros mais caros… ninguém vai pagar num Mobi elétrico o preço de um Compass a combustão (e lembrem, carros elétricos já existem a 15 anos no minimo)… abs

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Mekaniko 27 de agosto de 2020

Acredito que calculando custo/benefício será mais em conta trocar de carro do que só a bateria…

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Volnei 27 de agosto de 2020

Meu amigo, já se informou sobre a história da lâmpada… Pois aí virá a obsolescência programada. Poderia durar x… Mas ficará apenas e só y. Indústria quer lucro e girar venda. Então vai estabelecer tempo curto de durabilidade podendo usar de sistema de códigos q só autorizada pode fazer manutenção. Fim dos mecânicos em geral.

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Lourival Pereira da Silva 26 de agosto de 2020

Se a bateria dura 10 anos de uso normal, e após, ainda proporciona muitos milhares de kms rodados, até se tornar incapacitada para ser usada no veículo, é um bom negócio adquirir o veículo elétrico. A troca por uma bateria nova séria mais em conta do que trocar o carro, como fazemos com um carro somente à combustão. Se, é claro, o proprietário não se interessar por um modelo mais recente. Pra quem usa o carro no cotidiano, no lar com a família, rodando por exemplo: 1.000 kms por mês, em 5 anos teríamos em torno aí de 50 a 60 mil kms rodados, tempo em que uma grande porcentagem de proprietários trocam de carro. Trocar a bateria por 15.000,00 reais seguramente é mais em conta do que voltar uns 70.000,00 em troca de um carro novo. Será? Não podemos deixar de levar em conta que: daqui a 5 anos as baterias serão mais eficientes, com desenvolvimento diferente, mais modernas e mais leves. Podemos ter surpresas ao tentar fazer a troca e não existir mais no mercado nossa bateria antiquada de 5 anos ou mais de uso.
Há também o fator do preço. Essa bateria poderá custar mais que o dobro após 5 anos e não os 15.000,00 reais atuais. Pra quem possui poder aquisitivo tais inconvenientes relatados aqui não serão problemas. Mas para nós que com muita ginástica e suor conseguimos adquirir um gol zero, é necessário pensar muito antes de embarcar numa canoa furada.

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Fabio 27 de agosto de 2020

Gostei dos pontos que vc levantou. Se a bateria dura tanto, seria realmente mais barato só trocar a bateria, do que o carro. E, levando-se em conta a evolução tecnológica, em 10 anos, a próxima bateria será mais econômica e com vida útil maior e custo menor ( tudo ao contrário do que manda o bom e lucrativo capitalismo).

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Fabio 26 de agosto de 2020

Ainda bem que a matéria abordou que o problema são as baterias. Algumas perguntas não respondidas. No manual desses carros elétricos vem a vida útil das baterias? Depois de acabar a vida útil, vão ser recolhidas pelas montadoras e enviadas pra Alemanha, Estados Unidos, Coreia do Sul ou China? Por quantos anos ficam poluindo no meio ambiente? O quanto se polui (produtos químicos que precisam para serem produzidos)? É mais ou menos como produzir papel reciclado. Utiliza-se muito mais química e se polui muito mais. E onde vai parar essa química?

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Adelson 26 de agosto de 2020

Bem colocado Fábio. Gostaria muito que as tuas perguntas fossem respondidas pelo pessoal que elaborou, editou e publicou essa matéria.

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Fernando Tadeu Monteiro 27 de agosto de 2020

Uma bateria poluindo a cada dez anos é sem dúvida nenhuma muito melhor que veículos a combustão poluindo todos os dias
Outro detalhe a bateria é totalmente reciclável

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daniel.dourado@gmail.com 27 de agosto de 2020

Baterias são 100% recicláveis. E depois que acaba a vida útil de uma bateria em um carro, outra alternativa além da reciclagem é usar em tarefas que demandam menos potência, como armazenagem de energia pra uma casa.

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