Sete anos: é quanto dura um bom compacto no Brasil

Dois automóveis de origem germânica, entre os melhores já produzidos aqui, tiveram vida igualmente breve no mercado

Por Boris Feldman 24/04/21 às 08h00
mercedes benz classe a
Produção do Classe A no Brasil durou somente até 2005 (foto: Mercedes-Benz | Divulgação)

A Mercedes-Benz decidiu produzir no Brasil o primeiro modelo compacto de sua história, o Classe A. Até então, seu de carro de menor comprimento era o Classe C.

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O Classe A foi lançado na Europa em 1997 a partir de um projeto inovador e que jogava por terra todos os conceitos mecânicos e estilísticos adotados pela marca. Foi o primeiro Mercedes compacto, monovolume e com tração dianteira. Para ter agilidade no trânsito e fácil de estacionar, seu comprimento era de apenas 3,60 metros, semelhante ao de um Fiat 147.

Para compensar seu reduzido comprimento, sua altura foi elevada, possibilitando os passageiros do banco traseiro esticarem as pernas. Outro conceito revolucionário foi de direcionar o conjunto motor e caixa para baixo do carro no caso de um impacto frontal, evitando invadir a cabine dos passageiros.

Entretanto, meses depois de seu lançamento, capotou no “Teste do Alce” realizado pela revista sueca “Mundo Tecnológico”, exatamente por ser elevado. A fábrica recolheu os carros já vendidos, refez a suspensão e introduziu o controle eletrônico de estabilidade (ESP).

Fracasso do compacto da Mercedes no Brasil

Dois anos depois, em junho de 1999, o Classe A inaugurou a fábrica de Juiz de Fora (MG), a primeira de automóveis Mercedes fora da Alemanha. Seu lançamento foi precedido de uma longa e inédita campanha publicitária com o tema “Você de Mercedes”.

A planta mineira foi concebida para produzir 70 mil unidades anuais, mas não chegou a este número sequer na produção acumulada (63 mil exemplares) até 2005. Foi considerado durante muitos anos como o mais moderno automóvel do nosso mercado, pois oferecia toda a sofisticação e segurança dos Mercedes de segmentos superiores.

O fracasso do carro teve algumas explicações. A primeira, o estilo decepcionante, nada que lembrasse a imagem dos belos sedãs, marca registrada da Mercedes. Era, ao contrário, um monovolume, ou um hatch de quatro portas.

Em segundo lugar, pelo seu grande percentual de componentes importados e o dólar ter pulado de R$ 1,10 para R$ 1,90 em janeiro de 1999, o que tornou impossível manter os R$ 27 mil imaginados para seu lançamento. Ele chegou tabelado por R$ 33 mil, e só não foi ainda mais caro pois a fábrica decidiu assumir um prejuízo de cerca de 10% de seu valor.

O terceiro golpe a nocautear o Classe A no Brasil foi a reação negativa do mercado a um compacto, porém super sofisticado em termos de equipamentos de segurança e conforto. Não passava pela cabeça do brasileiro pagar tanto por um carro menor que um Fiat 147.

A produção do Classe A foi minguando até que se decidiu encerrar sua linha de montagem em agosto de 2005, sete anos após o início da fabricação em fevereiro de 1999.

Duas histórias coincidentes

Exatamente quinze anos após a Mercedes ter iniciado a produção do Classe A em Juiz de Fora (fevereiro de 1999), a Volkswagen começou, em fevereiro de 2014, a produção do up! no Brasil. O modelo europeu foi lançado em 2011 com projeto do designer brasileiro Marco Antonio Pavone. A VW cometia o mesmo engano da Mercedes ao trazer um modelo que definitivamente não caiu no gosto do brasileiro.

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O up! saiu de linha no mês passado (foto: Volkswagen | Divulgação)

O up! tem exatamente os mesmos 3,60 metros de comprimento que o Classe A. E sua produção durou os mesmos sete anos, pois foi desativada no mês passado, em março de 2021.

O fracasso do sub-compacto da Volkswagen segue a mesma linha de raciocínio do Classe A, a começar do estilo, com linhas simples e racionais, um projeto mais preocupado com a funcionalidade. E também se esquecendo, assim como a Mercedes, de que “beleza põe mesa”.

Assim como o Classe A, o VW up! foi também considerado o mais moderno sub-compacto brasileiro. O primeiro a receber cinco estrelas no crash-test e oferecer inúmeros dispositivos de segurança ativa e passiva. Direção assistida eletricamente. Motor 1.0 de três cilindros, turbinado, comando duplo, injeção direta e 105 cv conferia ao carro um desempenho excepcional e o menor consumo do nosso mercado. O pequeno VW dava um show de tecnologia, segurança, e conforto em seus concorrentes, Uno, Mobi e Kwid.

Entretanto, assim como o Classe A, seu preço não era competitivo (R$ 60 mil) e suas vendas jamais deslancharam. E o tiro de misericórdia foi disparado pois o VW up! não tinha a plataforma MQB utilizada hoje por todos os modelos compactos e médios do Grupo VW.

SOBRE
10 Comentários
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Rodrigo MARTINIANO 27 de abril de 2021

> Duas histórias coincidentes (pelo editor, Boris Feldman) <
Exatamente quinze anos após a Mercedes ter iniciado a produção do Classe A em Juiz de Fora (fevereiro de 1999), a Volkswagen começou, em fevereiro de 2014, a produção do up! no Brasil. O modelo europeu foi lançado em 2011 com projeto do designer brasileiro Marco Antônio Pavone. A VW cometia o mesmo engano da Mercedes ao trazer um modelo que definitivamente não caiu no gosto do brasileiro.

• O up! saiu de linha no mês passado, março de 2021 •
► Percebam que ele passou por uma estilização bem elegante ◄

O up! tem exatamente os mesmos 3,60 metros de comprimento que o Classe A. E sua produção durou os mesmos sete anos, pois foi desativada no mês passado, em março de 2021.
. . . . .
Agora por minha conta, DIFICILMENTE SE FARÁ OUTRO CARRINHO BOM QUE NEM O up!
Atenciosamente,
Rodrigo MARTINIANO.
. . . . .

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Rodrigo MARTINIANO 29 de abril de 2021

CORREÇÃO:
► Percebam que ele passou por uma reestilização bem elegante ◄
A reestilização ocorreu nos modelos 2017-2018.
Rodrigo.

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Sir.Alves 25 de abril de 2021

Bicicleta com motor de cinquentinha nem precisa emplacar nem de autorizacao do detran sao muitas vezes mais em conta do que rodar de Uber por km rodado, vc passa o mes rodando todos os dias de boa e soh gasta 50,00… Uber demora muito pra chegar, cobram gorjeta alem do valor estabelecido, risco de contagio, pega engarrafamento e vc precisa manter um smart com internet em dia… A bicicleta motorizada fica a sua disposicao 24h por dia, cabe ate dentro do buzao se acabar o combustivel, nao paga taxas, e nao risco de levarem,… pois qual eh o ladrao em fuga que desejaria escapar numa peste com cinquenta cilindradas que solta a corrente com frequencia.’Kkkk

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. 25 de abril de 2021

Achei um pouco distante comparar o Classe A ao Up. O Classe A foi um carro de entrada a nível de importado aqui e como foi dito reprovado no teste do alce. Só o modelo mais raro daqui o A190 veio com a correção eletrônica e mesmo hoje em dia manter um desses não é para qualquer um. São carros com 20 anos de distância, a única relação foi o fato de serem 2 montadoras de origem alemã.

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Comentarista 24 de abril de 2021

⚠️ Nem compensa ter carro… Ter um carro custa muito caro dá trabalho preocupação e até estresse: combustível caro, IPVA caro, seguro caro, manutenção cara, financiamento caro, tem a depreciação do carro, gastos com estacionamento, trânsito estressante, multas, licenciamento, seguro obrigatório, pedágio, medo de assaltos, trabalho pra lavar, secar, limpar, passar aspirador, encerar, polir, calibrar os pneus toda semana. Preocupação com a manutenção, com a forma de dirigir para economizar combustível, medo de ser enganado pelo mecânico, a raiva com os motoristas barbeiros e com os motoqueiros estressados que buzinam e xingam por qualquer coisa se achando os donos da rua…  Ufa! Kkk. Melhor não ter carro. Viajar só de Uber é bem melhor mais econômico e sem neura. É outra vida.

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Renato 25 de abril de 2021

Concordo com o senhor em gênero, número e grau, mas mantenho um carro por gostar, é um sonho desde criança e por acreditar que se faz necessário em uma situação de emergência em plena madrugada por exemplo, mas realmentente pagamos um dos impostos mais altos do mundo só que sem ter os melhores carros do mundo. Apesar do alto preço o Up foi o melhor custo benefício no quesito valor x segurança. Torço para que o Polo venha na mesma proposta o menos caro possível.

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AHO 24 de abril de 2021

Fato é que as montadoras já perceberam que o carro compacto brasileiro só precisa durar 7 anos então para que fazer um carro compacto com qualidade construtiva superior para durar mais ? Classe A era um super compacto para sua época, UP, estrutura forte, 5 estrelas no teste de impacto, mas ambos ficaram caros, e o carro da concorrência, feito somente para vender, bonito e com multimídia, porém de projeto pobre, vende pois custa menos. É a triste realidade.

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Helena serafim 24 de abril de 2021

Tenho uma MB A 160 ano 2004 e não troco por nenhum outro carro popular da atualidade! O grande problema do brasileiro é querer trocar frequentemente seus veículos e não saber conservar, e não saber como economizar gasolina e equipamentos que tem vida curta no veículo isso propositalmente para movimentar mais as indústrias e construir mais e mais, construindo mais poluição para nosso maravilhoso planeta que fornece tudo que o homem precisa para sua sobrevivência, mas ele quer sempre mais! Sempre mais riqueza dos ricos sustentado pelos pobres! São poucos que sabem dirigir e conhece como funciona um veículo e quais os cuidados para trafegar nas estradas de baixa qualidade e administração no país! Eu comecei cedo pois sou curiosa em aprender como funciona as máquinas e qual a melhor forma de preservar. Trabalhei duro e trabalho para conseguir viver simples mas com dignidade, e claro ensinar o que aprendi sempre! Agradeço muito a meu pai e minha família que estão em outro plano me assistindo e me cuidando ! Saudações

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Roberto Souza 24 de abril de 2021

Brasileiro reclama que as fabricas não lançam produtos em dia com o primeiro mundo, mas quando isso acontece, os carros não vendem. A Renault é o maior exemplo: só deslanchou em vendas no país quando parou de trazer os legítimos franceses e começou a fabricar as carroças da Dacia.

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ROBERTO SOUZA 2 de maio de 2021

Diga-se de passagem “as carroças da Dacia” sempre foram melhores que Gol, Uno e Cia.

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