Tracker argentino entra em produção em julho, mas como fica no Brasil?

GM argentina se prepara para iniciar a fabricação do Chevrolet Tracker na unidade de Alvear, que recebeu aporte para ampliar capacidade de produção

Chevrolet Tracker Premier 2021 na cor azul de frente a 45º
Uma das razões da produção do Tracker na Argentina seria ampliar os volumes por lá para garantir margem para importar a nova Montana do Brasil (Foto: Alexandre Carneiro | AutoPapo)
Por Marcelo Jabulas
10 de junho de 2022 16:35

A General Motors passará a fabricar o Tracker na Argentina, a partir de julho. A afirmação veio durante encontro entre o presidente argentino, Alberto Fernandes e o dirigente da GM International, Shilpan Amin, que participaram de reuniões na IX Cúpula das Américas, em Los Angeles.

Segundo o executivo da GM, a produção na planta hermana faz parte de um plano de investimentos que injetou US$ 300 milhões (cerca de R$ 1,5 bilhão) na planta de Alvear.

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As instalações da GM tiveram sua capacidade de produção ampliada em cerca de 30%. Ela saltou de 80 mil para 115 mil unidades anuais.

Ainda segundo a fabricante, 80% da produção será destinada para exportação. Os principais destinos são Brasil e Colômbia.

Fim do Tracker no Brasil?

A produção do modelo na Argentina levantou dúvidas se o SUV deixaria de ser produzido no Brasil. Entramos em contato com a filial brasileira da GM, mas até a publicação da matéria, ela ainda não tinha se posicionado. No entanto, algumas fontes cravam que Tracker seguirá em linha em São Caetano do Sul, no ABC Paulista, mas nada de confirmação oficial.

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Chevrolet Tracker emplacou mais de 50 mil unidades em 2021 (Foto: Arquivo AutoPapo)

Mas uma possível transferência da produção faria sentido por dois fatores. São Caetano atualmente produz o monovolume Spin e também ficará a cargo da nova geração da Montana. A picape que chega para concorrer com a Toro, em 2023, já está em fase final de desenvolvimento.

Assim, a GM deverá priorizar a linha para a montagem da picape. Trata-se de um modelo que ela tem grandes expectativas para recuperar a participação perdida nos últimos dois anos, não só no Brasil, mas também no mercado latino.

Mas mesmo assim, seria possível produzir Spin, Tracker e Montana no ABC. A planta tem capacidade para mais de 300 mil unidades anuais. No ano passado o Tracker emplacou 50 mil unidades por aqui, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Já o Spin registrou 5,3 mil licenciamentos. Ou seja, o que não falta é espaço na linha de produção

Montana para os hermanos

Mas o motivo real é gerar volume na Argentina para poder exportar a Montana para lá. Isso porque as fabricantes argentinas foram beneficiadas pelo Plano de Promoção de Investimentos na Indústria Automotiva, que concedeu incentivos como taxa zero de exportação, redução do imposto de renda e recolhimento do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA), em troca de investimentos e geração de empregos.

Nova Chevrolet Montana vai chegar para brigar com Renault Oroch e Fiat Toro
Nova Montana é a grande aposta da GM para recuperar participação na América Latina (Foto: GM | Divulgação)

E uma das premissas desse acordo é que as marcas devem exportar mais do que importam. Assim, com 80% da produção do Tracker para os mercados latinos, ela não corria o risco de infringir uma das cláusulas do pacote.

No ano passado, a Renault argentina precisou suspender as importações do Kwid, justamente pelo grande volume de unidades do pequenino feito em São José dos Pinhais (PR) vendidos por lá. Ou seja, será uma mão lavando a outra. Os hermanos mandarão Tracker para cá e a GM brasileira enviará a Montana pra lá.

No entanto, resta saber se o Tracker seguirá ou não em linha por aqui. O SUV é o terceiro principal produto da GM no Brasil, ficando atrás apenas de Onix e Onix Plus. Só este ano, de janeiro a maio, foram licenciados 21.654 unidades do utilitário, segundo a Fenabrave.

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2 Comentários
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Lafayette 10 de junho de 2022

Deve ser a MO mais barata com a crise por lá que aumenta a margem por unidade vendida

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Eduardo Teixeira Kull 10 de junho de 2022

Ou seja, LIVRE MERCADO O CACETE!. De lá para cá, tudo bem, mas quando é o contrário, NEM PENSAR!

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