Suzuki comemora 100 anos com motos especiais e título

Depois de um jejum de 20 anos, Suzuki vence o mundial de MotoGP em 2020 e celebra com motos que resgatam a própria história centenária

Por Teo Mascarenhas 03/02/21 às 08h31
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Joan Mir foi campeão pilotando Suzuki GSX-RR (foto Suzuki | Divulgação)

A marca japonesa de motocicletas Suzuki completou 100 anos em 2020. No mesmo ano, a fabricante venceu o Mundial de MotoGP com o piloto espanhol Joan Mir, nascido em Palma de Maiorca: o título foi decidido na penúltima etapa, em 15 de novembro de 2020, no circuito de Valencia, também na Espanha.

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A vitória na categoria máxima também coincide com os 60 anos de competições internacionais da marca, no Troféu TT, na Ilha de Man em 1960, e com os 35 anos do modelo esportivo GSX, ainda como GSX-R 750 em 1985, que deu nome ao protótipo GSX-RR 1000, campeão do mundo.

O triunfo ainda inspirou o lançamento da moto superesportiva GSX-R 1000R 100th Anniversary e dos modelos GSX-R1000R Legend Edition, réplicas dos primeiros campeões mundiais pela marca, com os pilotos Barry Sheene, Marco Lucchinelli, Franco Uncini, Kevin Schwantz, Kenny Roberts Jr e Joan Mir.

História da Suzuki

A Suzuki nasceu em Shizuoka, região de Hamamatsu, em 1909, com Michio Suzuki, que fundou a Suzuki Loom Works, fabricante de teares. Porém, o marco do centenário é de 15 de março de 1920, quando Michio Suzuki (1887 a 1982), transforma a empresa em Suzuki Loom Manufacturing Company, já pensando em produzir veículos.

Com o fim da Segunda Grande Guerra e o Japão carente de meios de transportes e locomoção, Michio Suzuki então mira a produção em duas rodas. A primeira bicicleta motorizada nasceu em 1952, batizada de Power Free, com motor do tipo dois tempos e 36 cm3.

Rapidamente a produção saltou para 6.000 unidades mensais em 1954, ano do lançamento da primeira motocicleta, então chamada Colleda, com motor de um cilindro do tipo quatro tempos, 90 cm3 e 4 cv. O nome da marca também foi alterado para Suzuki Motor Company, ganhando o símbolo “S” estilizado em 1958 por meio de concurso, quando as motos abandonaram o nome Colleda e adotaram oficialmente o batismo Suzuki.

De lá para cá o número de modelos se multiplicou e a marca se expandiu pelo mundo, incluindo o Brasil, onde está presente por meio da J.Toledo, com fábrica em Manaus (AM).

Homenagem ao passado

O protótipo GSX-RR, campeão do mundo com Joan Mir, obedece às especificações da categoria, determinadas pela FIM, Federação Internacional de Motociclismo. O motor de quatro cilindros em linha, DOHC (Double Overhead Camshaft, que significa Duplo Comando de Válvulas no Cabeçote), arrefecido a líquido com 1.000 cm3 entrega mais de 240 cv.

O quadro é em alumínio e os aros de 17 polegadas nas duas rodas. A distância entre eixos é de 1.457 mm. A suspensão dianteira é invertida e a traseira, mono. Ambas Ohlins. Os freios são de carbono e aço Brembo, a eletrônica Magneti Marelli e o peso 157 kg. A velocidade final, dependendo das retas do circuito e da relação do câmbio de seis marchas ultrapassa os 340 km/h.

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A decoração e as cores do protótipo GSX-RR foram inspiradas no modelo de competição RT 67 dos anos 1960, equipada com motor de dois cilindros de 125 cm3 e câmbio de 10 marchas que produzia 35 cv a 14.000 rpm.

Suzuki GSX-1000R no Brasil

No Brasil, a Suzuki comercializa o modelo superesportivo GSX-R 1000R, por R$ 94.800. O compacto motor, com 999,8 cm3, tem quatro cilindros em linha, arrefecimento líquido e um sistema variável de comando para as 16 válvulas em titânio; tudo desenvolvido nas pistas. A potência atinge 202 cv a 13.200 rpm, e o torque, 12,0 kgfm a 10.800.

suzuki 100 anos 7 suzuki gsx r 1000r 1000th annuversary sem a inscricao 100th anniversary e sem escape akrapovic

A eletrônica inclui o controle de medição inercial (IMU), que monitora os movimentos da moto, como inclinação lateral nas curvas, inclinação longitudinal nas acelerações e desacelerações. Com base nessas medições, a tecnologia ajusta três mapas de pilotagem, 10 níveis de controle de tração e o sistema de freios ABS de curvas, além dos sistemas de largada e de controle de rotações em baixas velocidades, que não deixa o motor desligar.

Os controles podem ser feitos pelo piloto, com a moto em movimento. Há ainda quick shift bidirecional, freios dianteiros com duplo disco de 320 mm de diâmetro, com pinças radiais de quatro pistões Brembo e freio traseiro com disco de 220 mm.

O quadro em alumínio teve o peso reduzido. A suspensão dianteira é invertida Showa e a traseira, mono; ambas planamente ajustáveis. A iluminação é em LED, e o painel em tela LCD tem a luzinha shift-light (que indica o momento ideal para a troca das marchas), computador de bordo, indicador dos níveis de movimento, com o controle de tração, e ainda armazena os tempos de volta (em um track day, por exemplo).

O modelo, com edição limitada e grafismo em comemoração ao centenário da marca e à vitória do Mundial de MotoGP, conta com as mesmas características técnicas da moto de série, mas agrega o escape Akrapovic. Ambas têm pintura também inspirada no modelo RT 67 dos anos 1960, considerada uma das mais belas motos de competição da história da marca.

Suzuki Legends Edition

A Suzuki italiana também desenvolveu race réplicas, Legends Edition (ainda não confirmadas para o Brasil), com pinturas semelhantes às utilizadas pelos campeões mundiais de MotoGP pela marca, acrescidas de escape Akrapovic em fibra de carbono e rabeta estilizada, com preço de 22.500 Euros.

Barry Sheene

O primeiro campeão da principal categoria do mundial de motovelocidade foi o inglês Barry Sheene em 1976. A moto era o modelo RG 500, então equipada com motor do tipo dois tempos que começou a ser desenvolvida em 1974. Barry Sheene, filho de piloto, nascido em 1950 e falecido em 2002, corria pelo time Heron, importador inglês, com as cores vermelha e branca do patrocinador Texaco e uma faixa amarela e preta na decoração.

Em 1977, o piloto repetiu a dose, vencendo o mundial com a RG 500 aperfeiçoada. O esquema gráfico foi mantido, com poucas alterações, assim como o capacete do piloto com a figura do Pato Donald, que viraria sua marca registrada. Outra marca foi o numeral sete, mantido, apesar de ter direito ao número um, por ter vencido o mundial anterior.

Marco Lucchinelli

O segundo piloto a ser homenageado com a GSX-R 1000R Legend Edition é o italiano Marco Lucchinelli, campeão em 1981, com as cores da equipe Gallina, em azul com estrelas.

Nascido em 1954, venceu seis GPs, sendo cinco na temporada em que foi campeão. Porém, recebeu o apelido de Cavalo Louco, pelo estilo ousado de pilotagem. Hoje, ele é comentarista de competições.

Franco Uncini

O terceiro piloto a sagrar-se campeão mundial da classe 500 pela Suzuki foi Franco Uncini, em 1982. O italiano ainda hoje está envolvido em competições, como inspetor de segurança dos Grandes Prêmios.

A RG 500, ainda com motor dois tempos tinha decoração em azul predominante da Gallina Team e o numeral 13, normalmente rejeitado por superstição dos pilotos, mas adotado por Uncini.

Kevin Schwantz

O texano Kevin Schwantz, nascido em 1964, foi campeão mundial em 1993 com a Suzuki RGV 500, pintada com as cores branca e vermelha do patrocinador Lucky Strike e com seu numeral de sorte 34, que o modelo Legend Edition apresenta em destaque.

O piloto brasileiro Alexandre Barros foi seu companheiro de equipe, vencendo pela primeira vez um Grande Prêmio, na etapa da Espanha no mesmo ano. Kevin Schwantz foi incentivado pelos pais, que eram donos de loja de motos, competindo no motocross até 1983, quando passou para a motovelocidade.

Kenny Roberts Jr

Kenny Roberts Jr, filho do lendário piloto Kenny Roberts nasceu em 1975 na Califórnia e foi campeão mundial em 2000 com a Suzuki RGV 500. A pintura da Legend Edition recria a bandeira quadriculada em amarelo a azul, utilizada pela patrocinadora Telefónica Movistar e as rodas brancas da época.

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Kenny Roberts e Kenny Roberts Jr formam até hoje o único caso de pai e filho campeões mundiais da principal classe da motovelocidade.

Joan Mir

Depois de 20 anos, a Suzuki volta a vencer o mundial de MotoGP, com o piloto espanhol de 23 anos Joan Mir, em 2020. Dessa vez, com o novo regulamento, que substituiu os motores do tipo dois tempos, a partir de 2002, para os do tipo quatro tempos.

A GSX-R 1000R Legend Edition em homenagem a Joan Mir tem decoração semelhante à GSX-RR, com as cores Ecstar Suzuki, com azul predominante, porém, com detalhes em dourado celebrando a vitória. Dono de um estilo de pilotagem limpo e suave, Mir fez valer a regularidade para conquistar o mundial.

Fotos: Suzuki | Divulgação

Teo Mascarenhas

Especialista na cobertura do mercado de motocicletas e competições com mais de 30 anos de experiência.

Teo Mascarenhas
4 Comentários
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Reinaldo 5 de maio de 2021

Coisa linda.. mas valores proibitivos $$$

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Sir.Alves 5 de fevereiro de 2021

Como diria o ditado popular, belas maquinas, mas, maquinas de fazer viúvas.

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Alves 5 de fevereiro de 2021

Belas Maquinas… Pensando bem… Belas maquinas de fazer viuvas.

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Samuel Peixoto paim 3 de fevereiro de 2021

Bom motorrinolaringologista é para quem é fã e gasta parabéns para a marca mais é um veículo que eu só ando de carona mas jamais penso em telo

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