As 10 trapalhadas mais habituais do motorista 

O motorista médio brasileiro é tão complicado ao volante que até mereceu ensaio do antropólogo Roberto da Matta

Por Boris Feldman 13/03/21 às 09h00
cruzamento engarrafado
Fechar cruzamento: um dos péssimos hábitos do motorista (Foto: Shutterstock)

1. Cruzamento

O trânsito está lento e o motorista apressado para seu compromisso. Ao chegar no cruzamento, o semáforo está passando do amarelo para o vermelho, mas ele não para. Aproveita o último segundo para se postar bem no meio da outra rua, bloqueando seu fluxo.

2. Na escola

O filho não anda de “Escolar” pois os pais não querem vê-lo dando voltas até chegar em casa. Vão então buscá-lo de carro, mas nem pensar em pedir que ande 50 metros do portão da escola. Tem que ser exatamente defronte, nem que tenham de parar em fila tripla ou quádrupla.

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3. ‘Só um minutinho’

Nenhuma vaga disponível na longa fila de carros estacionados. Ele encosta então em fila dupla. Ou bem defronte a uma garage. Sai do carro, tranca a porta e vai resolver seu problema.  “É só um minutinho…” e prende o outro que tentava sair da vaga ou da garage durante quase 30 minutos.

4. Buzina

Acionar prolongadamente a buzina sem nada que justifique, só para comemorar a vitória do time ou chamar alguém na casa ou apartamento, é infração de trânsito. E mais uma inestimável contribuição para dar nos nervos e irritar ainda mais outros motoristas.

Vício internacional: já cansei de presenciar, em outros países, motoristas que pressionam a buzina sem nenhum motivo.

5.  ‘É bem devagarinho’

Levar criança no banco dianteiro é irresponsabilidade menor, comparada com o absurdo do pai que o coloca no colo, entre ele e o volante. “Mas é devagarzinho, ele adora brincar de motorista”.

Como acidente só acontece com os outros (sic), nem imagina que pode acontecer um impacto e ele mesmo esmagar a criança contra o volante. Mesmo “devagarinho”…

6. Imagina!

Outra atitude impensada dos pais é acomodar crianças no porta-malas de perua, hatch ou SUV. É uma farra e as crianças se divertem até. Até que venha um carro atrás e acerte sua traseira.

Os pais irresponsáveis naturalmente nem imaginam que o projeto da traseira da carroceria (onde as crianças se divertem) prevê estruturas menos rígidas, de um material menos resistente, para que recuem no caso de um impacto traseiro. Como uma sanfona se fechando, absorvendo assim as forças do impacto e protegendo o habitáculo onde vão (ou deveriam estar) os passageiros.

Alertados para o perigo, pais costumam reagir com um “Imagina se vai acontecer isso conosco!”.

7. Engate-bola

engate bola traseira carro

Um desrespeito aos outros motoristas é o automóvel equipado com o famigerado engate-bola. Aquele aparente, atrás do para choque traseiro, pronto para:

  • rasgar a canela do pedestre que passa distraído e não percebe a “arma” engatilhada no seu caminho;
  • danificar a placa ou o para choque do carro estacionado atrás;
  • provocar um grave e irreparável desalinhamento no monobloco do próprio carro caso receba um impacto de outro automóvel, pois impede a ação de amortecimento do para choque.

Engate-bola é essencial para muitos, mas embutido no para choque. Ou fácil de desengatar caso não esteja em uso.

8. Quebra-mato

Felizmente essa aberração está sumindo das ruas. Uma trapizonga instalada no para-choque dianteiro, pronta para:

  • danificar os carros estacionados à frente;
  • prejudicar o sistema anti-impacto dianteiro do próprio carro;
  • agravar as lesões no pedestre atropelado pelo carro e verdadeiro tiro de misericórdia no caso de uma criança, fatalmente atingida na cabeça. Também chamada de “quebra & mata”.

9. Luzes traseiras

Maioria dos motoristas ignora que luz traseira de neblina só deve ser acionada, como o nome diz, durante nevoeiro, cerração ou chuva. Em noites enluaradas, ofuscam o motorista que vem atrás.

O mesmo com o pisca-alerta: só deve ser ligado ao parar no acostamento ou quase parando num congestionamento. Com o carro rodando, só serve para confundir os outros, que ficam sem saber se é seta direcional ou luz de freio ou tudo junto.

Comentei sobre isso neste vídeo. Confira:

10. ‘Mais igual’

O antropólogo Roberto da Matta tem uma explicação para o complicado comportamento do motorista brasileiro em seu livro “Fé em Deus e Pé na Tábua” (Editora Rocco). Ele diz que “o brasileiro normal dirige, em geral, com estilo agressivo. Temos impaciência em ficar ao lado do carro daquele sujeito que, para a gente, é um atrapalhador porque dirige devagar demais. Enquanto isso, ele olha para você e pensa ‘Aquele cara é um débil mental porque está querendo correr’. No nosso trânsito, vale a teoria de que são todos iguais perante a lei, mas ‘eu sou mais igual que os outros…’ e as ruas viram palco de disputas entre todos. Ônibus fecha automóvel, taxista é mais importante que particular, motoqueiro despreza o ciclista e este o pedestre”.

SOBRE
22 Comentários
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Marcelo 21 de março de 2021

Estou pra ver motoristas mais mal educados que os goianos…deveriam ser proibidos de dirigir

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Patrick Thomazine 21 de março de 2021

Sem contar o costume perigoso e egoísta de andar na faixa da esquerda, em rodovias de faixa dupla, a 60km/h e não dar passagem pra quem vem atrás, forçando uma ultrapassagem pela direita muita vezes.

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Marcelo 18 de março de 2021

Faz tempo que eu não achava uma coluna do Bóris legal! Mandou bem nessa!

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Sir.Alves 15 de março de 2021

As UPAs estao entupidas de motoqueiros acidentados, se nao engano, em media, 70% do atendimentos sao oriundos de motoqueiros acidentados.

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Sir.Alves 14 de março de 2021

O pior do transito sao os motoqueiros chamados carinhosamente de cachorros loucos, correm no corredor, passam sinal vermelho e quando nao atropelam pedestre ate na calcada… E as aquelas motos com escapamento barulhento( eles sao tao pobres que nao podem arrumar o escapamento??)… O transito se torna um lixo desse jeito…

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MARCIO 14 de março de 2021

Boris ao meu ver o maior prolema que temos no trânsito é o grande número de acidentes com vítimas causados pela condução veloz, irresponsável de motos entre os veículos maiores mais o desrespeito a legislação somados a complacência da fiscalização das autoridades. Motoboys são eficientes em se unir no asfalto para agredir quem consideram ter violado sua regra própria de condução e ética, mas os seus pares quando sobrevivem após hospitalizados, muitas vezes mutilados são por eles mesmo desprezados nas duas rodas de uma cadeira na calçada e faixas de pedestres.

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Fernando B 14 de março de 2021

Faltou citar tbm o curioso caso dos motoristas de binguelo pequeno. São aqueles que não andam, aí na hora que chega a linha tracejada e você vai ultrapassar, ele, misteriosamente, resolve acelerar freneticamente o carro para impedir sua ultrapassagem.

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boris 14 de março de 2021

Pois é Fernando. E estes procuram, como compensação, comprar automóveis com motores mais potentes possível….

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Gustavo G 15 de março de 2021

Tipo um dono de Sonata 2.4 que andava distraido ao celular ocupando duas faixas… botei meu clio 1.6 no lado e ele se assustou e começou a acelerar kkkk.
Como eu conhecia o carro dele e o meu (sabia que ambos tem o 0-100 igual, na casa dos 10s) fomos até 110 lado a lado numa avenida
Mané tranca-transito tomou canseira kkkkk
OBS: via vazia, sem perigo para ambos condutores

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Claudemir Lima 13 de março de 2021

Falta muita barbeiragem aí, como não ligar a seta, ou qua do liga esquece de desligar. Não saber usar rotatória, avançar preferencial e parar qua do tem a preferência interrompe o trânsito e é um perigo para os outros motoristas.

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LUIZ CARLOS DA SILVA 13 de março de 2021

certissimo

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CCN - SC 13 de março de 2021

Eu posso saber porque não publicaram meu comentário?
Não tinha nada que violasse as regras.
Obrigado.

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Leitor 13 de março de 2021

O pior são os motoqueiros mala que buzinam e às vezes xingam por qualquer coisa e se acham os donos das ruas e muitos com àquelas motos com escape aberto barulhentas que só irritam.

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luiz 13 de março de 2021

concordo plenamente, motoqueiro, se acham alto suficiente e donos das ruas , ultrapassam por qualquer lugar sem ter o minimo de espaço para faze-los. Além dos escapamentos todos abertos fazendo a maior barulheira, devem ser multados por isso , ninguem merece passar por esse descaso.

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JOSE PROENÇA 13 de março de 2021

Obrigado por tratar desse tema que tanto nos importuna.

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renato braga 13 de março de 2021

tem que falar e fazer video sobre esse monte de carro com farol alto, led, xenon, neblina, holofote, e tudo o mais que o mercado inventar. o carro vai explorado o fundo do oceano? ou andar na cidade onde já tem iluminação dos postes, das casas e ate da lua. … adora colocar o farol mais potente e tirar a visibilidade de motoristas e pedestres. !!!!!

parabens boris pelo auto papo

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LUIZ CARLOS DA SILVA 13 de março de 2021

Acho que vc. tem toda razao.

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Cristina Bravo 13 de março de 2021

Boris, seu texto é a realidade do dia a dia. Não há entendimento de respeito do maior veículo sobre o menor e, acima de tudo, respeito ao pedestre. Entendo a questão pela ausência de alteridade, o outro não importa. Vemos esse comportamento não só no trânsito, basta olhar a crise pandêmica que vivemos.

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Boris 14 de março de 2021

Pois é, Cristina. Não existe respeito a terceiros no Brasil. Não é somente no trânsito, você e o Da Matta estão certíssimos.

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joe 15 de março de 2021

Alteridade e autoridade
O rj é terra sem lei.
A PM diz q o trânsito é da guarda e esta…bem ,so existe na area nobre. E quem anda certo só se atrasa, pq os demônios deseducados sempre vencem.
Ah, eu ando de moto e tenho q aturar os multitarefas. Celular, radio, maquiagem, penteado…menos ditigir em linha reta.

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CRISTINA BRAVO 15 de março de 2021

Moro no Rio e sei bem o que você está relatando.

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CCN - SC 13 de março de 2021

Sabe nada o menino, hehe…
Aqui no Vale do Itajaí em Santa Catarina, é comum ligar a luz traseira de neblina no solzão do meio-dia… ver para crer.
Quanto ao pisca-alerta, entregadores de gás me disseram que foram orientados pela polícia deixá-los ligado, mesmo rodando. Não acredito, mas é assim que eles fazem.
Engate-bola é modinha daqueles que não sabem nada mas acham que tudo sabem.
Essa do ‘só um minutinho’ também é usado em vagas para idosos e deficientes. Se alguém reclamar, fica sujeito a levar bala nos cornos.
Ruim mesmo é o ‘na escola’. Pais desnaturados. Já amassaram meu carro por reclamar.

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