Aditivo para radiador: por que você deve usar?

Produto protege contra corrosão, permite lubrificação da bomba d´água e aumenta o ponto de ebulição do fluido, mas deve seguir especificações

radiador
Por Alexandre Carneiro
17 de outubro de 2018 18:05

Apesar de ter uso recomendado pelos fabricantes de veículos há décadas, o aditivo para radiador, que deve ser misturado à água do sistema de arrefecimento (ou sistema de refrigeração), ainda causa dúvidas. Muita gente sequer o utiliza, por desconfiar de seus efeitos ou por puro desconhecimento. Se esse é seu caso, é melhor dar uma chance ao produto: o aditivo para radiador cumpre papel importante no motor do carro.

Função do aditivo para radiador

Primeiramente, vale destacar que o aditivo para radiador reduz a temperatura de congelamento e eleva o ponto de ebulição da água. Assim, ela passa a ferver em temperatura mais alta. Além disso, o aditivo para radiador tem como função impedir que as galerias do motor sofram corrosão em decorrência do contato com a água.

Aditivo para radiador protege contra corrosão, permite lubrificação da bomba d´água e aumenta o ponto de ebulição do fluido, mas deve seguir especificações

Antônio Alexandre Ferreira Correia, engenheiro de produtos da Petrobras Distribuidora, explica que a água, mesmo tratada, tem cloro ou flúor, além de outros minerais. Esses elementos, quando entram em contato com as paredes metálicas do motor, sofrem reações químicas. O resultado é a formação de uma espécie de crosta ferruginosa, que dificulta a troca de calor entre o bloco e o fluido.

Outra finalidade do aditivo para radiador é lubrificar a bomba d’água do veículo. “A água é um bom refrigerante, mas um mau lubrificante”, diz Correia. Ao trabalhar por longos períodos sem lubrificação adequada, essa bomba costuma apresentar defeito e precisar de substituição. Se o fluido estiver contaminado por ferrugem, o desgaste é ainda maior.

Aditivo para radiador é especificado pelo fabricante do carro

O aditivo para radiador é um composto químico chamado de etilenoglicol, cuja base é o etileno. Porém, os produtos têm fórmulas e propriedades distintas. Há, por exemplo, os orgânicos e os inorgânicos, que também se subdividem. Saber qual aditivo para radiado é o mais adequado ao seu carro é simples: basta consultar o manual.

“O proprietário deve sempre seguir a recomendação do fabricante do veículo”, afirma o engenheiro da Petrobras. Isso porque o motor é projetado para funcionar com um aditivo para radiador que tem determinadas características. Se o motorista altera a especificação, o desempenho do sistema de refrigeração também muda.

O engenheiro Henrique Pereira, membro da Comissão Técnica de Motores Ciclo Otto da SAE Brasil, atenta para outra questão: “não se deve misturar produtos de marcas diferentes”, pondera. Ele adverte que, se o aditivo para radiador tiver baixa qualidade, poderá até mesmo propiciar a formação de resíduos nas galerias de arrefecimento.

Pereira recomenda o uso de produtos à base de etilenoglicol e considera-os suficientes para prevenir corrosão e assegurar bom funcionamento geral. Ele desaconselha a aplicação de aditivos adicionais, disponíveis no mercado. “Alguns fabricantes prometem benefícios a mais, porém dá pra desconfiar dessas promessas”, pontua. “Existem tanto produtos bons quanto ruins à venda”, sintetiza.

Correia também julga que os aditivos para radiador à base de etilenoglicol bastam para o motor. “De modo geral, o fluido já tem todas as propriedades necessárias. Ele explica que esses produtos evoluíram ao longo do tempo e são capazes de proporcionar todos os benefícios necessários.

‘Nunca usei! Posso colocar o aditivo para radiador agora?’

De acordo com Correia, proprietários que não utilizam o aditivo para radiador não devem temer problemas ao adotá-lo. “O etilenoglicol vai impedir que as impurezas aumentem”, declara. “Ele não tem poder de limpeza; sua função é proteger contra corrosão, permitir lubrificação e aumentar o ponto de ebulição”, ratifica. Desse modo, receios de que sujeira se solte e cause entupimento são infundados.

O especialista destaca que existem produtos próprios para limpeza, cuja utilização pode ser necessária caso haja muita ferrugem no sistema. Porém, eles são aplicados apenas para eliminar as impurezas e devem ser retirados na sequência. Após esse procedimento, o reservatório deve ser preenchido com etilenoglicol e água.

Mistura com água desmineralizada

O aditivo para radiador não é utilizado puro, e sim misturado à água. A proporção entre um e outro líquido a ser utilizada também é definida pelo fabricante do veículo, assim como o prazo de troca. Além disso, a água deve ser desmineralizada, ou seja, sem minerais em sua composição. “O motorista nunca deve utilizar água da bica”, avalia Correia.

Pereira também indica o uso de água desmineralizada ou, no mínimo, tratada, misturada ao etilenoglicol. Ele acrescenta que, eventualmente, pode ser preciso completar o nível do reservatório. Mas alerta que variações muito grandes ou constantes são sinal de vazamento. “Nos carros mais modernos, o fluido se mantém estável”, afirma.

Caso seja realmente constatado algum problema, o engenheiro da SAE Brasil aconselha a substituição de todo o fluido, formado pelo etilenoglicol e a água. Além disso, vale lembrar que o sistema funciona sob pressão e, por isso, o reservatório só deve ser destampado com o motor frio.

Foto Shutterstock | Reprodução

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9 Comentários
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AndréMolisani 9 de janeiro de 2022

achei uma das reportagens mais assertivas sobre o tema, faltou falar sobre a eletrólise ,o uso do aditivo e água desmineralizada não deixam acontecer este fenômeno químico ( que gera a cavitação), uma bomba d’agua com base de antimônio que as vezes fica toda cheia de buracos não é corrosão mas sim cavitação, nenhum aditivo tem poder de detergência (limpeza),é impressionante como vários mecânicos teimam em falar que o veiculo que nunca usou aditivo não pode usar porque vai dar problema no sistema de arrefecimento (falta conhecimento técnico), um selo que fura ou mangueira que estoura não tem nada haver com a presença do aditivo,mas sim porque já estavam comprometidos( até uma simples limpeza só trocando a água pode ocorrer um vazamento), o correto é verificar todas as mangueiras, se estão rígidas ou muita macias,e trocar as danificadas, como falo para meus clientes, “Quem não usa o aditivo correto uma hora a conta chega “. Não esqueçam dos blocos de alumínio e problemas no cabeçote.

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Farley A Souza 16 de agosto de 2021

Eu sempre segui a risca o que fala o manual do proprietário até me deparar com um fato. Comprei uma moto de alta cilindrada e voltou da revisão vazando o radiador. Levei numa oficina que conserta radiador e o dono disse que que a galeria (no meu caso) é fina e o aditivo de arrefecimento corrói e que não é para usar. Fiquei surpreso e entrando em contato com a concessionária, a mesma disse que isso ocorre porque o aditivo é corrosivo!
Novamente, fiquei surpreso em ouvir isso de uma autorizada e agora fica a dúvida se uso ou não o aditivo novamente ou apenas agua sem minerais.

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ARMANDO CARLOS DE JESUS 18 de maio de 2021

O problema maior é a qualidade da água e a análise físico-química dos Aditivos , que nunca mencionam. Os aditivos normalmente variam de 35% a 75 % de carga ativa e mais água. Quando o Aditivo não menciona ANTIFERVURA é sinal de que não tem o monoetilenogicol ou Glicóis. Não compre Aditivo somente por ter coloração. Leia a instrução e a sua composição química.

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gispvjrcpv 11 de fevereiro de 2020

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João Bosco Costa 19 de agosto de 2019

Olá,procurei informação sôbre radiador e fiquei satisfeito.Grato.

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Luiz carlos 18 de outubro de 2018

Bom dia , sou reparador auto motivo e técnico em eletrônica embarcada automotiva, sobre o fluido que está presente na maioria dos carros e excelente para o sistema de arrefecimento, mas um carro que nunca usou artigo, e colocarvele ,Depois de efetuado a limpeza do sistema de arrefecimento , FATALMENTE DEPOIS DE UM TEMPO RODANDO COM O CARRO , VAI RACHAR MANGUEIRAS E TAMBÉM FURAR OS SELOS DO MOTOR, discordo 100% com o autor do tema de quem nunca usou , possa usar o aditivo *

EDITADO

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Leonardo 5 de novembro de 2019

Caro Luiz, também achei extranho ele mencionar que não há problema algum usar o aditivo neste casos.

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Roger 23 de junho de 2021

Ora, SE RACHAR MANGUEIRAS E FURAR OS SELOS É SÓ TROCÁ-LOS, o que não pode é rodar sem o aditivo, mecânico que dá conselho para não utilizá-lo NÃO É MECÂNICO e sim PICARETA.

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Josué 17 de outubro de 2018

Excelente reportagem, vendo fluido de radiador e sei de sua importância… Viajo muito e todos os dias eu encontro carros com motor fervendo nas estradas…

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