Ar quente não funciona? ‘Gambiarra’ é possível causa do problema

Esquecido durante as demais estações do ano, aquecimento da cabine é muito útil no inverno; sem cuidados, sistema pode falhar quando acionado

Por Alexandre Carneiro 26/05/20 às 09h40

À medida que o inverno se aproxima e as temperaturas caem, um equipamento do carro que costuma ficar esquecido é então lembrado: o ar quente. Como tal recurso geralmente não é utilizado nas estações mais quentes do ano, pode surpreender o motorista e não funcionar justamente quando mais se precisa dele. Em especial nas regiões serranas do Sul e do Sudeste do país, a falta do aquecimento interno representa grande desconforto.

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Presente inclusive em veículos que não são esquipados com ar-condicionado, o sistema de ar quente tem concepção simples. Ele funciona aproveitando o calor gerado pelo próprio motor.

O assessor técnico do Grupo FCA (Fiat Chrysler Automobiles), Ricardo Dilser, explica funcionamento do sistema de ar quente do carro comparando-o aos antigos aquecedores domésticos. “É uma serpentina por onde passa a água quente do sistema de arrefecimento do motor, que aquece uma espécie de ‘caixinha’, hermeticamente fechada. O ar passa por ali, troca calor com essa serpentina, esquenta e vai, quentinho, para dentro do carro”, sintetiza.

Dilser ressalta que o ar exalado dentro do habitáculo não tem contato direto com o motor. É apenas aquecido pela tubulação do sistema de arrefecimento, mas vem de fora do veículo. Desse modo, não há qualquer risco de intoxicação para os ocupantes do carro.

Ar quente do carro precisa de manutenção?

A boa notícia é que, para evitar surpresas desagradáveis com o ar quente, basta seguir o plano de manutenção do veículo. É o que esclarece o engenheiro metalúrgico e mestre em materiais Marco Colosio, diretor da SAE Brasil: “o recomendado é que o líquido do sistema de arrefecimento (do motor) seja trocado periodicamente segundo as especificações do fabricante”. De acordo com ele, essa é a principal medida para evitar danos ao sistema.

Recomendações semelhantes são feitas por Ricardo Dilser, da FCA. “Manter o líquido de arrefecimento do radiador bem-cuidado também garante uma boa funcionalidade do sistema de ar quente, porque eles estão interligados”. Por isso, o assessor técnico reforça a necessidade de trocar tal fluido com a periodicidade recomendada pelo manual do veículo.

ar quente e ventilacao carros nao equipados com ar condicionado
Carros sem ar-condicionado podem ter controle de ar quente e frio, que exige certos cuidados

Caso o carro seja equipado com ar-condicionado, os cuidados são semelhantes independentemente do controle de temperatura utilizado pelos ocupantes. Isso inclui troca periódica do filtro de cabine e higienização dos dutos do sistema, seguindo o plano de manutenção também prescrito pelo manual do proprietário.

Os modelos que não são equipados com ar-condicionado, porém, não dispensam manutenção. Colosio destaca que a tubulação do sistema também precisa ser higienizada. “Os dutos de ventilação devem ser limpos pelo menos uma vez ao ano para retirar impurezas e evitar fungos e bactérias”, aconselha.

Nesses casos, geralmente não há filtro anti-pólen. Todavia, o especialista pondera que, em alguns carros, é possível instalá-lo, o que também implicará em necessidade de troca periódica.

Bypass na mangueira do fluido de arrefecimento não é ação recomendável

Mas e quando as manutenções estão em ordem mas o aquecimento simplesmente não funciona? Nesse caso, provavelmente o sistema de arrefecimento do veículo tem um bypass. Trata-se de um procedimento no qual é feito o isolamento de uma seção da mangueira que passa pelo radiador do ar quente. Geralmente, essa prática é realizada quando surge algum vazamento no circuito..

Colosio reprova essa ação. “Isso se tornou uma prática errada de alguns reparadores, porque o projeto de cada veículo calcula o tamanho do radiador, a pressão da bomba d’água, mangueiras e tubulações”, afirma. O engenheiro adverte que o bypass pode provocar problemas a longo prazo, como sobrecarga no raiador, na válvula termostática e na bomba. É que, como a pressão dentro do circuito fica maior, passa a ocorrer risco de vazamento.

Vale lembrar que, além de aquecer a cabine, o ar quente também é muito útil em dias chuvosos, para desembaçar o para-brisa. É verdade que o ar-condicionado também pode desempenhar essa função, mas com uma limitação: o ar frio direcionado contra o vidro pode causar condensação na face externa. É o efeito conhecido como embaçamento pelo lado de fora.

“O ar quente vai aquecer o vidro e vai tirar aquela capacidade da água de embaçá-lo, pois o para-brisa está frio”, pontua Dilser. Obviamente, se o sistema de arrefecimento do veículo tiver sido submetido a um bypass, essa função não funcionará. Por todos esses motivos, mesmo para quem não reside em regiões frias, é importante manter o sistema de aquecimento em boas condições.

Foto Shutterstock

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