[Avaliação] Ford Bronco é rústico por baixo e sofisticado por dentro

Novo SUV médio chega com preço de R$ 256,9 mil, motor turbo a gasolina, 4x4 e com a pretensão de encarar modelos de marcar premium

Por Hairton Ponciano Voz 20/05/21 às 10h00
Especial para o AutoPapo
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Ford Bronco: boa capacidade off-road (Foto: Ford | Divulgação)

Quem for procurar o significado de “bronco” no dicionário vai encontrar palavras pouco abonadoras, como tosco, áspero, rude, rústico, inculto… É uma coleção de impropérios que não faz jus ao Ford Bronco Sport.

O SUV da Ford, que está chegando do México por R$ 256,9 mil, suportou até alguns desaforos durante a avaliação em trecho off-road, mas mesmo assim manteve um certo verniz no trato pessoal. Na prática, ele é bronco por baixo e gentleman por dentro.

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O Bronco herda seu nome do antigo SUV que a Ford vendeu nos EUA entre 1966 e 1996. Em três décadas e cinco gerações, fez fama de carro que topa qualquer parada. Essa é a responsabilidade desta sexta geração.

Com 4,39 m de comprimento, o Ford Bronco é um SUV médio que vem para encarar principalmente o Jeep Compass, embora a marca do oval veja nele qualidades para escalar a montanha do mercado e disputar até com quem está lá no topo, caso dos SUVs da categoria premium, do quilate de Land Rover Discovery Sport, Audi Q3, BMW X1 e Mercedes GLC.

O Ford Bronco Sport chega em versão única, Wildtrak, de topo. A única opção de motor é o 2.0 turbo Ecoboost a gasolina. São 240 cv de potência e 38 mkgf de torque. O câmbio automático tem oito marchas. Assim, apesar de não oferecer opção a diesel, em termos de potência e torque ele supera o Jeep Compass movido a óleo.

O motor 2.0 a diesel do Compass tem 170 cv de potência e 35,7 kgfm de torque. Na versão mais cara, Trailhawk, o Jeep (que acaba de passar por uma leve reestilização e ganhou mais tecnologia) parte de R$ 224.304, mas com teto solar panorâmico (R$ 9.200) e o kit denominado High Tech (R$ 10.234), a conta sobe a R$ 245.702. Esse pacote traz itens como controle de cruzeiro adaptativo, sistema de manutenção em faixa, alerta de perigo de colisão frontal com frenagem automática, auxiliar de farol alto, etc.

Cavalo pronto para o coice

O Ford Bronco tem linhas retas que remetem aos ancestrais, mas com detalhes bem desenhados. A boa impressão começa na grade bem vertical. O nome do carro atravessa toda a dianteira, de farol a farol (full LED), em letras maiúsculas brancas. Vai impor respeito nas ruas. O tradicional logo azul oval nem está ali, e aparece apenas na traseira. É o tipo de coisa que só ocorre quando o carro tem vida própria, caso do Mustang.

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Curiosamente, os dois exibem seus cavalinhos. A diferença é que no esportivo ele está correndo, e no SUV, vejam vocês, está arredio e pronto para um coice! E não é que ele sabe ser violento quando quer?

Escondidos sob a bela carroceria do Ford Bronco há itens como tração 4×4, bloqueio eletrônico do diferencial traseiro e suspensão independente nas quatro rodas. São sete modos de condução, selecionáveis por meio de um controle giratório no console, batizado de G.O.A.T. A sigla representa as iniciais de “go over any type of terrain“. Em português, algo  como anda sobre qualquer tipo de terreno. Mas a graça está na formação da palavra goat, que significa cabrito, bode, animal reconhecido pela capacidade de andar em qualquer tipo de terreno.

As escolhas vão aparecendo na tela virtual colorida localizada entre os mostradores redondos do quadro de instrumentos. O modo normal fica azulado; o econômico, verde; o esportivo, um vermelho provocante; a seleção para terreno enlameado, um apropriado marrom. Tudo com respectivos desenhos.

Ford Bronco Sport é bom de asfalto

Nosso contato com o carro foi no Campo de Provas da Ford localizado em Tatuí, no interior de São Paulo. Trata-se de um grande complexo de pistas que foi poupado pela marca, após o fechamento de suas fábricas no Brasil.

O Ford Bronco começou a mostrar seus dotes na pista asfaltada. Cá entre nós, é onde ele será mais visto, apesar de todo o aparato off-road. Colocamos no modo esportivo, apertamos o pedal e liberamos a cavalaria. O giro do motor sobe com facilidade e as respostas são imediatas. Uma piscadinha e o ponteiro do conta-giros está em 6.500 rpm. Não parece que estamos em um carro de 1.718 kg.

A julgar pelo soco no arranque, a impressão é de que a aceleração de 0 a 100 km/h em 8 segundos, divulgada pela marca, não está tão fora da realidade. O câmbio faz trocas rápidas tanto para cima como nas reduções, quando se pisa no freio, por exemplo. A sexta tem relação de 1:1. Dessa forma, a sétima e a oitava são sobremarchas (overdrive), voltadas à economia de combustível e redução de ruído. Tecnologias como frenagem automática, controlador de velocidade adaptativo e sistema de manutenção em faixa estão presentes.

Se não estivesse vendo tudo de cima, eu poderia julgar que não estava a bordo de um SUV. Isso porque nas curvas a carroceria mostrou pouca inclinação e o Bronco manteve-se dócil, sob controle. Sinal do bom acerto da suspensão, que cumpre bem a função dupla de garantir estabilidade sem abrir mão do conforto.

O sistema independente nas quatro rodas tem subchassi (que isola melhor a carroceria) e barras estabilizadoras na frente e atrás. Na dianteira o sistema MacPherson utiliza braços forjados de alumínio.

Da mesma forma, a direção elétrica mostrou precisão. O SUV obedece todas as vontades do motorista. O volante acomoda borboletas para trocas manuais do câmbio automático, mas na prática estão ali apenas para motoristas mais exigentes, porque a agilidade é tanta que a gente não sente falta de “chamar” uma marcha à força para acordar o motor.

Os freios (quatro discos, ventilados na frente) também mostraram aptidão suficiente para segurar o ímpeto do motor sem reclamação.

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Interior refinado tem som da Bang & Olufsen

A bordo, a sensação é boa. O isolamento acústico não deixa o mundo exterior (motor inclusive) importunar a paz que reina ali. A única leve intromissão é a do ruído dos pneus bem “borrachudos” (225/65 R17), de uso misto, mas nada que chegue a incomodar no asfalto.

O estilo da cabine é moderno e o acabamento agrada. O painel mescla revestimento de materiais diferentes, macio na parte superior, com boa textura e aparência. A tela da central multimídia de 8” (Sync 3) fica com a metade superior destacada do painel, numa espécie de “semiflutuação”.

Ela tem comandos intuitivos e responde bem aos toques. E, claro, há compatibilidade com Apple CarPlay e Android Auto, além de carregamento de celular sem fio. O SUV também vem com quatro portas USB, sendo duas do tipo “C”.

O equipamento de som da Bang & Olufsen é distribuído pelo carro por meio de dez alto-falantes, com ótima qualidade sonora. O ar-condicionado digital tem regulagem dupla e saída para o banco traseiro, e os diversos porta-objetos são emborrachados, o que impede que as coisas deixadas ali façam barulho e fiquem se movimentando.

Os bancos de couro são elegantes, com revestimento bicolor e apliques de suede na parte superior do encosto, que dá um aspecto de camurça e traz o desenho do cavalo indomável. Os ajustes são elétricos, e há teto solar do tipo panorâmico.

Tapete de borracha

Todo esse visual sofisticado contrasta com o piso de borracha, para facilitar a lavagem após incursões na terra, barro, areia, o que seja. O objetivo é não ter dó de sujar, porque a limpeza é fácil.

Graças ao entre-eixos de 2,67 m, o espaço para pernas é bom no banco traseiro. E também há boa área livre da cabeça ao teto. Há também uma tomada de 100 volts. O senão para quem vai atrás é que o ângulo de abertura das portas não é muito bom. Além disso, o vidro também não desce totalmente.

Ford Bronco ‘cabrito’ se revelou

Fora do asfalto, o Ford Bronco provou todos os seus dotes de cabrito. A boa altura do solo (22,3 cm) deixa para trás a maioria dos obstáculos. No nosso off-road confinado na pista de Tatuí, foram raríssimas as vezes em que o fundo do carro raspou em alguma parte mais alta de “facão”, aquelas partes centrais altas que ficam no meio do caminho.

Mesmo que isso aconteça, a engenharia da Ford garante que não há problema, porque o Bronco tem uma proteção de aço sob a carroceria.

Conforme a trilha ia mudando (alguns caminhos foram recém-abertos, exclusivamente para receber o Bronco), bastava mexer no comando para preparar o carro. Areia, barro, passagem de água, etc.

A Ford informa que a capacidade de submersão do Bronco é de 60 cm. Assim, passar num trecho alagado com cerca de 35 cm de água é refresco para ele.

Também não foi problema descer um pequeno trecho bem enlameado e subir rampas bem inclinadas. O Bronco tem 30,4º de ângulo de entrada e 33,1º de saída. São números praticamente idênticos aos do Compass Trailhawk, respectivamente 30,6º e 33,2º.

Desenvolvido para quem aprecia aventuras na natureza, o Bronco tem porta-malas bem versátil. Para começar, dá para abrir a tampa ou apenas o vidro traseiro. Não é exatamente uma novidade (o Hyundai Tucson já tinha o mesmo sistema), mas continua prático.

Além da base emborrachada, há uma prateleira móvel que permite a adaptação do bagageiro: pode-se dividir o espaço em dois andares ou então fazer a instalação na vertical, criando divisões para compras.

Ela também pode ser transformada em uma pequena mesa. Mais uma vez, não é uma grande novidade (o primeiro Honda CR-V vinha com um item semelhante), mas é prático. Afora tudo isso, o compartimento de 580 litros ainda oferece luz direcional e até um abridor de garrafas.

Outros ‘Broncos’na sequência

Oficialmente, a Ford não informa se haverá outras versões do Bronco Sport, mas dificilmente a linha ficará restrita à versão mais cara. Durante os poucos minutos do encontro virtual com a imprensa no dia do test drive, executivos da Ford limitaram-se a dizer que “neste momento, há apenas essa versão”.

A empresa decidiu fazer a estreia do Bronco pela versão Wildtrak porque há um público inicial ávido por novidades, os chamados early adopters.

São pessoas dispostas a pagar mais para estarem entre os primeiros compradores. Por isso, não se surpreendam se a Ford divulgar um comunicado poucos dias após o lançamento informando que o primeiro lote já foi todo vendido. Isso tem sido uma prática recorrente nos lançamentos, independentemente do preço do carro.

Passada a euforia inicial, é bem provável que cheguem opções mais acessíveis, caso de modelos equipados com motor 1.5 turbo Ecoboost, e sem tanta sofisticação tecnológica. Dessa forma, seria possível atender o público que não precisa de tantos recursos off-road.

Para esse comprador de perfil mais urbano, não faz sentido pagar tanto por um SUV cheio de itens off-road que nunca (ou quase nunca) serão utilizados, apesar de regiamente pagos. É a mesma razão pela qual não compensa comprar um Jeep Compass Trailhawk para andar apenas no asfalto.

Além da possibilidade do Ford Bronco Sport mais acessível, o Bronco mais radical, para concorrer com o Jeep Wrangler, também está nos planos da Ford, embora a empresa ainda não fale nada sobre o assunto “neste momento”.

Ford Bronco blindado

Por outro lado, a importadora anunciou uma parceria com a Leandrini para realizar a blindagem do Bronco sem comprometimento da garantia de fábrica (três anos). O serviço custa R$ 87.500 e de acordo com a Ford a blindagem resulta em acréscimo de cerca de 140 kg ao carro.

De acordo com a Ford, esse peso não deve alterar o desempenho de forma significativa. Mas, como em toda blindagem, o peso do reforço deve ser subtraído da carga útil. Assim, dos 441 kg que o Bronco Sport pode levar, o modelo blindado passa a ter disponíveis cerca de 300 kg entre pessoas e bagagem.

Fotos: Ford | Divulgação

3 Comentários
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Rafael 20 de maio de 2021

Pra mim é a traseira do Renegade e frente da Range Rover Evoque kkkkkk

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Diego 24 de maio de 2021

Não consigo nem imaginar como você chegou à essa conclusão. O Evoque tem a dianteiro com elementos horizontais bem finos, ao contrário do encontra do Bronco. Aliás, praticamente não há inclinação ali, se é que existe. E a traseira do Renegade tem lanternas quadradas, enquanto no Bronco as lanternas são verticais. O Bronco Sport lembra muito das características daquele fabricado na década de 60. Um design próprio e único, certamente. Assim como o Renegade, por exemplo.

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OpalaSemCaneco 20 de maio de 2021

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