Carro chinês? De jeito nenhum!

A globalização dificulta determinar a origem de um carro. Mas sobe a régua do padrão de qualidade das novas marcas

Por Boris Feldman 23/05/20 às 09h00

Fui comentar nesta semana sobre carro chinês e não imaginava estar mexendo em tamanho vespeiro. Na avalanche de comentários, os mais enfáticos diziam que não o compram de jeito nenhum, outros que rodam com ele há dois ou três anos sem nenhum problema, os afoitos que compraram os primeiros a chegar e quebraram a cara e os que vão encará-lo, mas preferem esperar um pouquinho mais. (*)

Quer ver o que eu falei sobre carro chinês? Veja o vídeo!

Toda novidade gera mesmo reação. Não é só o automóvel, mas também algumas de suas tecnologias. Recentemente, por exemplo, assistimos no Brasil a ascensão e queda do câmbio automatizado.

Em poucos meses, quase todas as fábricas o adotaram (Dualogic/GSR, Easytronic, I-Motion, Easy’R). Em poucos meses, todas o abandonaram e partiram para o automático convencional.

O carro chinês desembarcou por aqui sujeito a chuvas e trovoadas. Teve teste da revista “Quatro Rodas” em que o pedal de freio de um deles não suportou a pressão e entortou.

Comigo mesmo teve outro que não adiantava soltar o pedal da embreagem:  ela continuava engatada e o carro não saía do lugar. Mas isso já tem 10 anos.

Poucos recordam que marcas coreanas também derraparam antes de oferecer um elevado padrão de qualidade. Num passado mais distante, também os japoneses passaram aperto.

Parcerias

A China adquiriu um extraordinário know-how com a presença crescente de grandes multinacionais estabelecendo fábricas em sociedade com o governo ou empresas locais.

Para abocanhar parte do maior mercado mundial de automóveis, com vendas beirando 30 milhões de unidades anuais. Fincaram lá sua bandeira importando, produzindo, exportando e desenvolvendo projetos globais.

Com tamanho volume de produção, as fábricas chinesas se habilitaram aos melhores fornecedores de componentes e nivelaram sua qualidade com as mais respeitadas do mundo

Várias chinesas já desembarcaram de mala e cuia no Brasil. Produzem automóveis em sociedade com brasileiros, caso dos grupos CAOA e Chery em Jacareí (SP), com qualidade controlada por dezenas de engenheiros e técnicos brasileiros.

Aliás, nem foi a estréia do paraibano Dr. Carlos Alberto de Oliveira Andrade (CAOA) como fabricante: já era franqueado da Hyundai em Anápolis (GO). Suas marcas asiáticas foram rigorosamente adequadas às condições brasileiras, além do sólido know-how do grupo em pós-venda adquirido com as operações de distribuição da Ford e importação da Renault.

Outra chinesa que se estabeleceu aqui foi a gigante BYD que produz no interior de São Paulo veículos elétricos pesados (ônibus e caminhões), vai fabricar vans, picapes e táxis e construir uma fábrica de baterias de lítio.

Outra importadora é a JAC, de Sergio Habib, que oferece uma completa linha de elétricos, entre SUVs, picapes e caminhões. E mais a Lifan, que monta veículos no Uruguai, a Geely que veio, sumiu, mas já anunciou sua volta, e a Shineray.

Ford e GM têm ‘chineses’

Chevrolet Onix: projeto chinês
Chevrolet Onix: projeto chinês (Foto: Alexandre Carneiro | AutoPapo)

E, se ainda faltava um aval mais relevante, ele chega ainda este ano com o utilitário esportivo Territory, importado pela Ford.

Se não é o produto pronto, é o projeto: o carro mais vendido do Brasil, Chevrolet Onix, teve sua nova geração desenhada pela subsidiária da GM na China. Além de suas versões hatch e sedã, já chegou também, derivado da mesma plataforma, o SUV Tracker.

VEJA TAMBÉM:

A globalização está impossibilitando identificar a exata origem de um automóvel: ele pode ser montado num país mas metade de seus componentes compor uma colcha de retalhos de diversas procedências.

Assim como um tênis Nike, o projeto pode ser norte-americano, mas fabricado em qualquer, ou em diversos países do mundo. E dezenas de exemplos semelhantes.

Resumo da ópera? O brasileiro pode reagir, mas não escapa de levar – mais dia menos dia- um chinês para casa. Mesmo sem saber…

(*) Fora os habituais ignorantes que me criticam ofensivamente, questionam minha postura e afirmam que sou agraciado com um “jabá” qualquer que seja o tema abordado ou minha opinião.

SOBRE
15 Comentários
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    Bob Philco 24 de maio de 2020

    Eita que a JAC tá pagando bem para robôs fazerem comentários

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    gerson 24 de maio de 2020

    Tenho um JAC T50 e amo de paixão. Excelente carro. Em casa temos Renegade e KICKS Todos tops de linha e o JAC T50 não deixa nada a desejar, aliás, pelo contrário, tem itens superiores aos citados que tenho na garagem. Já tive VW, FORD, GM, SUZUKI, Daewoo, Gurgel, FIAT, Honda, JEEP, Nissan, etc… e afirmo que o JAC é tão bom quanto, pelo menos no T50. Fui na China e fiquei impressionado como eles são TOPs!!! Vão engolir o Mundo fácil fácil… E o brasileiro realmente já anda de chinês sem saber, pois os PSEUDOS nacionais já usam tecnologia e peças chinesas, pesquisam dizem de 30 a 50% dos pretensos nacionais são chineses vestidos de brasileiros, então você já anda de meio chines! E, para terminar, para com o preconceito, pois atualmente os chineses é que olham torto pro Brasil… isso mesmo, a balança inverteu devido a incompetência nacional de administração, gestão e comportamento. Nesta corrida, estamos bem pra trás, infelizmente!

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    Francisco Carlos Marcelino Dias 23 de maio de 2020

    Tenho um JAC T5 2016 com todas as revisões feitas na ccs aqui de Curitiba ,ótimo preço de revisão ,manual já foi carimbado até os 350000 km a cada 70000 km é trocado pneus algumas peças de desgastes normais foram trocados essa semana está agendada a revisão de 360000 km não troco a marca por outras que já tive, essas tradicionais que motor tem que abrir e retificar a cada 100000 km nunca mais volto.

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    Leandro 23 de maio de 2020

    Possuí um J3 por 3 anos, de 2013 a 2016. Minha visão e experiência com o carro: muito bom! Não há, nenhuma montadoranada 100%! Vez ou outra, TODAS passam por recall.Este JAC tem Motor sensacional, econômico e potente! Na verdade, não tive nenhum problema com o carro. Comprei com 11 mil km e vendi com 30 mil para um conhecido que está com ele até hoje, com 70 mil km e o único defeito foi uma conexão do radiador que rachou e precisou ser trocada. Pode acreditar, o carro já não era ruim…hoje, melhorou!

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    ADRIANO OJEDA 23 de maio de 2020

    A única coisa duradoura da China é só o Corona Virus.

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      Leandro 23 de maio de 2020

      Claro que não!!! Saiba que por aqui a covid 19 vai durar muito mais do que lá.

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    Erandes 23 de maio de 2020

    Oque não adianta muitos não gostar de carro chinês se a maioria das peças e algumas tecnologias vem da China ninguém penssa nisso

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    sergio medeiros 23 de maio de 2020

    A falta de conhecimento faz com que muitos brasileiros façam comentários mal educados e até ofensivos por se julgarem experts no assunto. O texto do colunista é pertinente. Gostaria que abordasse questões que dizem respeito ao consumo, custo de manutenção, etc..

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    José Flavio 23 de maio de 2020

    Chinês para mim é o mesmo que carro Paraguaio. Nem pensar!

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      Daniel 27 de maio de 2020

      Ônix, Ford territory, novo Tracker, alguma carros da VW
      Todos chineses e muitos compraram e nem sabem disso

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    joe 23 de maio de 2020

    Unicos carros brasileiros que conheci foi Gurgel que ate o motor era dele totalmente brasileiro , e o dkv que depois a vw comprou

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    José Carlos 23 de maio de 2020

    A Lifan fechou a fábrica do Uruguai e não vende mais no Brasil, só faz a garantia dos carros que ainda tem cobertura. Tive um 530, achei bom, mas o pós venda era ruim. Quando soube que tinham ido embora, troquei por um 2008.

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    IVAN MEDEIROS DE VASCONCELLOS 23 de maio de 2020

    É isso ai Boris! Um pouco de cultura automotiva vai fazer bem… Parabéns pelo excelente artigo.

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    Oswaldo Walter Spat 23 de maio de 2020

    Tenho um Chery QQ há 5 anos, comprei usado e faço as seguintes observações : Motor e câmbio excelentes. Boa economia. A suspensão deixa a desejar. As buchas da suspensão dianteira são fracas. Já procurei por buchas de poliuretano e não encontrei. Outro ponto fraco são os pneus de fábrica. Muito pequenos paras as nossas valetas e lombadas. Troquei por outros de perfil um pouco mais altos e não raspa mais. Se esterçar até o fim, às vezes raspa por dentro do paralamas, mas é raro. É um bom carro para o dia a dia. O meu está agora com menos de 28.000 quilômetros. Comprei com 13.000 Km.

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      Leo 24 de maio de 2020

      Existem projetos e produtos ruins em todas as montadoras…
      Até a Mercedes fez o tal do classe A…
      Vão melhorando.
      Se me dissessem que eu teria em 2020 um Hyundai há 20 anos atrás eu iria morrer de rir…

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