Carro elétrico sem bateria?

Ministro Dante Albuquerque defendeu tese de que carro elétrico é o futuro. Mas, no Brasil, sem baterias. Como assim?

Por Boris Feldman 02/03/19 às 09h00
nissan e bio fuel cell prototype vehicle 05 source

A tese defendida na semana passada pelo Ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, no seminário sobre matriz energética veicular promovido pela ANP, foi de que automóvel elétrico é o futuro, mas não necessariamente movido a bateria. Poucos entenderam o que o ministro quis dizer quando se referiu a um carro elétrico sem baterias como solução adequada para o Brasil.

O fim do motor a combustão é previsível, por ser ineficiente, usar combustível (o fóssil) de duração finita e responsável por elevadas emissões de CO2.

Todo o desenvolvimento tecnológico aponta para o motor elétrico, mais eficiente e que não polui. Mas tem autonomia limitada, longo tempo de recarga e elevado custo de substituição.

Solução transitória entre ambos é o automóvel híbrido. Mas, apesar de já ter vendido mais de dez milhões de unidades, tem custo elevado com seus dois motores e só se viabiliza com subsídios do governo. Além disso, tem consumo reduzido, mas continua queimando combustível fóssil.

Solução

Existem contrapontos aos aspectos negativos dos híbridos e elétricos. Primeiro, que o elétrico não tem que necessariamente ser movido por baterias e há quem aposte na geração de energia elétrica no próprio automóvel, através da célula (ou pilha) a combustível, a fuel cell.

Mencionado pelo ministro Albuquerque, seu tanque pode ser abastecido com etanol (ou GNV) e dele ser extraído o hidrogênio que alimenta a célula. Esta produz a energia elétrica que aciona os motores. O resíduo da reação, que sai pela descarga, é água pura, potável.

Não se trata de imaginação ou sonho de cientista maluco: o carro abastecido com hidrogênio já é vendido em alguns mercados pela Toyota, Honda e Hyundai. O que falta é viabilizar o equipamento (chamado reformador) que extrai o hidrogênio do etanol (ou do GNV) para eliminar a fuel cell. Este já existe experimentalmente e foi desenvolvido pela Nissan. A barreira para sua industrialização é o custo mais elevado graças ao reformador.

Este carro da Nissan é o melhor dos mundos para o Brasil, pois está atrelado ao futuro por ser elétrico, mas sem as desvantagens das baterias nem a complexidade logística para se implantar uma rede de distribuição de hidrogênio.  Além disso, o quilômetro rodado custaria menos que a metade de um veículo dotado de um moderno motor a gasolina.

Carro elétrico da Nissan é abastecido com etanol
Protótipo da Nissan que gera eletricidade e é abastecido com etanol ou GNV: “carga” em posto comum (Foto Nissan | Divulgação)

Não é uma solução imediata, pois há barreiras a serem vencidas pelo carro com fuel cell e a tecnologia para que possa ser abastecido com etanol. Mas, vencidos esses obstáculos, o Brasil seria um dos únicos países do mundo pronto para adotá-lo, pois já tem uma eficiente e gigantesca rede de postos com bombas de álcool.

O ministro mencionou também uma outra solução tupiniquim, o híbrido que não queima só gasolina, mas etanol também. Desenvolvido pela Toyota, que já tem como carro-conceito, o Prius flex, que roda eletricamente e com motor a combustão que queima também etanol. Nada muito complicado, pois bastou adaptar o motor 1.8 a gasolina do Prius para flex. Uma tecnologia que a engenharia brasileira tira de letra.

A Toyota já confirmou para este ano o lançamento do primeiro automóvel híbrido flex do mundo, o novo Corolla. Será equipado com a mesma mecânica do Prius, porém com motor preparado para receber gasolina ou etanol.

No seminário da ANP, o presidente da UDOP (União dos Produtores de Bioenergia), Amaury Pekelman, destacou que o governo recém-empossado sinaliza para uma “matriz energética cada vez mais limpa e renovável. São passos e sinalizações muito importantes para o país, pois temos pela primeira vez, um horizonte previsível para nosso setor, através da consolidação do RenovaBio e suas metas, que vão alçar nosso segmento sucroenergético a novos patamares no médio e longo prazo”.

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8 Comentários
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João 10 de março de 2019

Por que falir os sucroalcoleiros? Gente tão sofrida, mãos calejadas….. o dó!

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Beto 10 de março de 2019

Primeiro lugar, gente, vamos estudar um pouco antes de tomar partido. O Etanol é um combustível infinitamente melhor que a gasolina, estudem e vejam, tem alguns pontos fracos mas os pontos fortes são superiores. Segundo, as leis referentes à produção e distribuição de Etanol, aliadas ao cartel pró-petróleo inviabilizam a adoção em larga escala e a micro produção de álcool, mesmo com os incentivos, o lobby da gasolina é perverso. Terceiro, o povo imagina que lá fora já tem carro voador né? Todos os carros alimentados com Célula de Hidrogênio são experimentais, desconheço um veículo em linha de produção, porque H2 é extremamente perigoso. Trabalho em indústria que usa H2 como combustível em Fornos e sei do poder que ele tem e da seriedade que deve ser tratado. Segurança, nossos carros estão melhorando, mas é certo que o brasileiro não teria condições de PAGAR pelo que pedem… Imagine que hoje os carros populares estão na faixa de 35 a 45 mil e já não são pra muitos, com ABS, EBD, Airbag, imagina pra quando iria com outras tecnologias? Ainda tem oficina que não se adaptou nem à injeção eletrônica…
O que está sendo discutido mundialmente são formas de armazenamento e recargas SEGURAS de hidrogênio, em formas líquidas ou até sólidas e que sejam energeticamente compensatórias, ou outras alternativas. No caso, essa iniciativa brasileira é muito louvável. Vamos parar de ser capacho, e só achar que bom é o que vem de fora e dar atenção às pesquisas feitas aqui dentro. O câmbio automático, por exemplo, foi inventado aqui, foi pra fora. Depois que o mundo todo já está usando há décadas, o brasileiro ainda tem resistência sobre o assunto…

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Carlos Vargas 9 de março de 2019

E uma vertente muito boa

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Paulo 8 de março de 2019

Sim, dá mesmo para acreditar, ai o álcool seria vendido a R$15,00 o litro, recheado de impostos.
Muita complicação….
O carro elétrico puro, embora a bateria, ainda é mais viável.

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Sérgio tito Lourenço 8 de março de 2019

Olá amigo gostei da tua resposta radical,mas diferente da gasolina qualquer um que tiver um sitio pode produzir álcool, é quase o mesmo pricesdo da cachaça

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Reinaldo Galo 20 de junho de 2019

É verdade, qualquer um pode produzir o Álcool, mas não pode vender ao consumidor final, pois se pudesse, o combustível no Brasil era 1/3 do preço e o agricultor iria ganhar dobrado. bastava ter um sítio, um mini alambique e um ponto de venda bom pra você odos, concorrência e dinheiro na mão.

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Leandro Santos 5 de março de 2019

O questionamento que fica jaz sobre o fato que muito embora a tecnologia híbrida possa representar um passo estratégico ao cenário econômico atual brasileiro, fomentando a já fomentada indústria sucroalcooleira, não contempla de fatos tácitos da frota brasileira, por exemplo o abismo de segurança veicular que divide o Brasil dos países onde tal tecnologia se faz pertinente e eficaz.

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Richard 4 de março de 2019

Kkkkkkkkk, é a cara do nosso governo, vamos colocar um carro elétrico, mas que gasta combustível!! A saída do nosso país é realmente o aeroporto.

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