Últimos da espécie: 5 carros cujos segmentos devem ser extintos

Depois que esses veículos saírem de linha, mercado simplesmente ficará sem alternativas com características técnicas semelhantes

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Chevrolet Cruze Sport6 Premier (Chevrolet | Divulgação)
Por Alexandre Carneiro
01 de outubro de 2020 11:16

Existem automóveis únicos em seus segmentos: não enfrentam concorrentes capazes de oferecer características similares. Alguns desses carros têm público cativo e devem permanecer no mercado por um bom tempo, mas outros são espécies em extinção e, quando saírem de linha, não serão substituídos, ao menos de maneira direta, por outros modelos.

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O AutoPapo fez um listão com 5 veículos de categorias em extinção. Alguns segmentos, como o de hatches médios, já foi representativo, mas acabou engolido pelos SUVs. Outros, como o de multivans, nunca foram expressivos comercialmente. Seja como for, esses modelos são os últimos de seus gêneros, verdadeiros casos únicos no mercado de carros. Confira!

1. Chevrolet Cruze Sport6: último hatch médio

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Desde 2019, quando Focus e Golf saíram de linha, o Cruze Sport6 é o único hatch médio do mercado

O segmento de hatches médios já foi um dos mais importantes para a indústria automobilística. Porém, ao longo da última década, esses modelos foram perdendo cada vez mais participação no mercado de carros. Desde 2019, quando Ford Focus e Volkswagen Golf saíram de linha, resta apenas um produto na categoria: o Chevrolet Cruze Sport6.

Lançada no Brasil em 2016 e reestilizada no ano passado, a gama Cruze ainda é atual em termos de mecânica e projeto. Os preços entre R$ 105.290 e R$ 129.790 não são baixos, mas o sedã, cujos valores estão em igual patamar, mantém um razoável volume de aproximadamente 900 emplacamentos por mês. Já o hatch sequer aparece no ranking dos 50 veículos mais vendidos do país, divulgado pela Fenabrave.

Ademais, há a questão de que o Cruze não terá sucessor em nível global. O modelo é produzido na Argentina e, por lá, o fim da linha não é iminente; porém, quando isso ocorrer, não haverá nova geração. A Chevrolet ainda tem algumas opções para substituir o sedã, entre as quais o Monza chinês. Mas um novo hatch está descartado.

2. Chevrolet Spin: último monovolume

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Na próxima geração, Spin deixará de ser um monovolume e se tornará um crossover

Outro veículo da Chevrolet que pertence a um segmento fadado à extinção é o Spin. Trata-se do último monovolume que ainda habita o mercado nacional, ao menos numa faixa de preço mais acessível: é que a Kia comercializa o Grand Carnival, mas, nesse caso, o preço é de R$ 329.990.

Por sua vez, o Chevrolet Spin tem valores de tabela entre R$ 77.990 e R$ 101.750, que fazem dele o o carro de 7 lugares mais acessível do país. Esse é justamente um dos pilares mercadológicos do modelo, que mantém, em 2020, uma boa média de cerca de 1.300 unidades emplacadas por mês, segundo dados da Fenabrave.

Com bom desempenho mercadológico e sem concorrentes diretos, o Spin permanecerá como está por mais alguns anos. Porém, informações extraoficiais apontam que a futura geração não manterá o formato de monovolume: será um crossover, com elementos de estilo de SUV, com 7 lugares, baseado na plataforma GEM (a mesma dos novos Onix e Tracker).

3. Volkswagen Saveiro: último veículo de duas portas sem proposta esportiva

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Todas as picapes do mercado brasileiro têm opção de cabine dupla, mas Saveiro é a única que mantém duas portas

Houve uma época em que os carros de duas portas dominavam o mercado brasileiro. Porém, o jogo virou e eles estão quase extintos: até os compactos de entrada, atualmente, vêm sempre com quatro portas. Assim, com exceção de modelos esportivos, a única opção do mercado brasileiro com esse tipo de solução é a Volkswagen Saveiro Cabine Dupla.

Lançada em 2014, a Saveiro Cabine Dupla seguia os passos da concorrente Strada, que a partir de 2009 passou a ser comercializada com esse tipo de carroceria, também com duas portas. Só que a arquirrival da Fiat ganhou uma exótica terceira porta já em 2013: isso sem falar na nova geração, lançada recentemente, que passou a adotar quatro.

O futuro da Saveiro é desconhecido: primeiramente, a Volkswagen vai lançar uma nova picape intermediária, com porte maior que o dela, mas menor que o da Amarok, baseada no SUV Tarok. Assim, nos próximos anos, a cabine dupla continuará com duas portas. Porém, mesmo se a picape permanecer em produção e for renovada, deverá abandonar tal solução.

Hoje, segundo a Fenabrave, a Saveiro mantém uma boa média de 2.300 emplacamentos mensais, mas os números não fazem distinção entre as duas configurações de cabine. Vale lembrar que a carroceria com cabine estendida saiu de linha em 2019. A Cabine Dupla é comercializada nas versões Robust, por R$ 73.490, e Cross, por R$ 93.590.

4. Fiat Doblò: última multivan

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Doblò é uma multivan: versátil, pode transportar passageiros ou carga

Os carros do tipo multivan nunca predominaram no mercado, mas o segmento já contou com modelos como Renault Kangoo e Citroën Berlingo. Nesses veículos, o que conta é a versatilidade para transportar passageiros ou carga, além do espaço interno generoso. Com a extinção dos concorrentes, o Fiat Doblò tornou-se o último representante da espécie.

Na Europa, o Doblò ganhou uma nova geração, mas a Fiat não tem intenção alguma de lançá-la por aqui. Ao que tudo indica, quando sair de linha (o que poderá ocorrer no ano que vem, devido à obrigatoriedade de controle de estabilidade a partir de 2022), o utilitário simplesmente ficará sem substituto.

Até lá, o Doblò segue à venda com uma gama enxuta: atualmente, a Fiat disponibiliza apenas as versões Essence, de 7 lugares, por R$ 101.690, e Cargo, do tipo furgão, por R$ 89.990. Presente no mercado brasileiro desde 2001, o veículo é um dos mais antigos fabricados no país.

5. Fiat Cronos: último carro equipado com câmbio automatizado de uma só embreagem

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Câmbio automatizado de uma embreagem equipa, hoje, só o Cronos Drive GSR

Tudo bem, não é exatamente o caso de dizer que o Fiat Cronos pertence a um segmento em extinção. Afinal, a categoria de sedãs compactos é muito representativa do ponto de vista comercial. Entretanto, a versão Drive 1.3 GSR, em particular, é a última de sua espécie: trata-se do único automóvel com câmbio automatizado de uma só embreagem ainda vendido no Brasil.

Cabe destacar que ainda existem carros com câmbio automatizado de dupla embreagem: esse sistema segue vivo, especialmente em modelos esportivos. Por outro lado, os similares de uma embreagem foram rejeitados pelos consumidores e, consequentemente, preteridos pela indústria. Volkswagen, Chevrolet e Renault já retiraram essa opção do catálogo.

A Fiat seguirá o mesmo caminho: no ano que vem, lançará um novo câmbio automático do tipo CVT para motores de baixa cilindrada e abandonará de vez o sistema automatizado. Enquanto o desenvolvimento não é concluído, o Cronos Drive 1.3 GSR prossegue à venda, com preço de R$ 66.690. As versões com motor 1.8 já trazem uma transmissão automática de seis marchas.

Fotos: Divulgação

2 Comentários
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JESSE O GUIMARAES 15 de novembro de 2020

Como só ando na estrada e em horário noturno, o câmbio automatizado aprovou. Vendi meu Stilo Dualogic 2008, com 110 mil km. e não tive nenhum problema. Gosto de limpador de vidros traseiros,portanto o Cronos não me servia, Comprei um Argo 2019, O km. Continuo pagando para ver. Estou fazendo 16 na estrada rodando entre 90 a 110. Consumo de carro manual.

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ONOFRE GONÇALVES JUNIOR 1 de outubro de 2020

Gostei da informações

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