Carros usados em alta: alguns têm preços mais caros que similares 0 km

Queda no mercado de veículos novos, que sofre com desabastecimento e baixa demanda, explica esse fenômeno incomum

Por AutoPapo 10/03/21 às 08h40
venda de carros usados de locadora foto shutterstock
Consumidor migrou para os seminovos, o que provocou alta nos preços (Foto: Shutterstock)

As vendas de carros usados estão em alta. De acordo com a Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), em fevereiro o mercado cresceu 2,3% na comparação com janeiro. O movimento é inversamente proporcional ao do segmento de veículos novos, que encolheu 2,66% no mesmo período, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Isso causou um efeito incomum: alguns modelos seminovos valorizaram.

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É o que mostra um levantamento da Mobiauto, start-up do segmento automotivo: durante o primeiro bimestre deste ano, alguns veículos seminovos da linha 2021 ficaram até mais caros que seus similares zero-quilômetro. Confira os dados da pesquisa, feita com base nos anúncios online da empresa:

Veículo Preço do seminovo 2021 Preço do zero-quilômetro Valorização durante o primeiro bimestre (fonte: Mobiauto)
Fiat Strada Freedom CD 1.3 R$ 90.880 R$ 82.978 9,52%
Volkswagen T-Cross Highline 250 TSI R$ 132.553 R$ 129.402 2,44%
Volkswagen Nivus Highline 200 TSI R$ 112.473 R$ 112.257 0,19%

Sant Clair Castro Jr., CEO da Mobiauto, não tem dúvida de que o aquecimento do mercado de carros usados é consequência direta da queda das vendas dos zero-quilômetro. “É natural. Quando falta veículo novo para pronta entrega, o seminovo valoriza-se rapidamente,” conclui.

Crise beneficia mercado de carros usados

O empresário Flavio Maia, diretor comercial da loja AutoMaia Veículos, de Belo Horizonte (MG), também atribui esse cenário à retração do mercado de veículos novos. “O carro usado subiu e o zero despencou. Estão faltando produtos e as fábricas estão sendo obrigadas a dar férias coletivas”, avalia.

montagem de veiculo mobi na fabrica da fiat em betim
Fiat deu férias coletivas para 600 trabalhadores da fábrica de Betim (MG) (foto: Stellantis | Divulgação)

O mercado de carros zero-quilômetro sofre de escassez. De um lado, a crise provocou queda na demanda dos consumidores. Na outra ponta, a produção da indústria automobilística está comprometida pela falta de semicondutores. Esses componentes são, grosso modo, chips utilizados em diversos sistemas, como no controle de navegação em mecanismos de assistência ao motorista: um automóvel pode ter de 50 a até 150 desses chips.

Os semicondutores são empregados em diversos bens manufaturados: além de veículos, eles equipam, por exemplo, eletrodomésticos. O caso é que, em todo o planeta, a produção industrial sofre interrupções devido à crise sanitária. Consequentemente, o fornecimento desses chips também ficou irregular.

Panorama favorável aos seminovos

No Brasil, diversos fabricantes de veículos interromperam a produção devido à falta dos semicondutores. Fiat, Chevrolet e Honda já anunciaram, inclusive, férias coletivas para parte dos funcionários. Para Maia, a produção global do setor só deve retornar ao nível de 2019 a partir de 2022. “Em relação aos semicondutores, o lapso da oferta deve ser amenizado a partir, no mínimo, do segundo trimestre”, prevê.

Enquanto isso, o mercado de carros usados tende a continuar aquecido. Segundo a Fenauto, em fevereiro último, foram comercializados 1.188.275 veículos: em comparação ao mesmo mês do ano passado, tal número representa alta de 15,9%.

Comprou um carro usado e foi enganado? Faça valer seus direitos! Assista ao vídeo com as dicas do Boris Feldman!

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4 Comentários
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alexandro 16 de março de 2021

O caso do tcross é interessante, em março/2020 o 1.4 tsi modelo 2021, custa na fipe uns 119mil. O zero km é uns 130mil, e com todos opcionais chega ao total de 148mil !!!

No mobiauto o valor de 132mil deve ser provavelmente ao com opcionais.

Então quem tem o tcross 2021 1.4 tsi, se pagou 148mil, vai perder bastante na venda.

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alexandro 16 de março de 2021

*** em março de 2021

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Arnaldo Carvalho 10 de março de 2021

Senhores,

desculpem, lorota demais ou matéria paga pelos fabricantes.

AutoPapo
Alexandre Carneiro 10 de março de 2021

Caro Arnaldo,
Os dados da Mobiauto são públicos: você mesmo pode verificá-los junto a essa startup, se quiser.
No mais, difícil entender a sua lógica: os fabricantes pagaram por uma matéria que informa que eles enfrentam sérias dificuldades produtivas e já estão até dando férias coletivas para trabalhadores?

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