[Comparativo] Peugeot 208 encara Honda Fit, Toyota Yaris e VW Polo

Nova geração do hatch francês chega ao mercado para brigar com compactos premium; mas será que ele aguenta o tranco?

Por Fernando Miragaya 17/09/20 às 08h58

O novo Peugeot 208 chegou ao Brasil com apelo forte no design e na tecnologia. Mas a missão do hatch da marca francesa é indigesta: pelo preço, vai disputar o chamado segmento de compactos premium com pesos pesados.

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Ao mesmo tempo, soube escolher parte dos seus inimigos. Em entrevista coletiva logo após o lançamento virtual, os executivos da Peugeot foram categóricos ao afirmar que o novo 208 briga especialmente com Honda Fit, Toyota Yaris e Volkswagen Polo.

Carros que têm pouco apelo no visual, mas que gozam de reputações boas no mercado – lembrando que o o Fit mudará de geração em 2021. Mas será que o 208 tem condições de peitar esse trio? Selecionamos versões entre R$ 75 mil e R$ 80 mil destes quatro modelos para ver onde cada um se sai melhor em quatro quesitos. Confira!

Compactos Premium Preços
Peugeot 208 Active 1.6 AT6 R$ 74.990
Honda Fit LX 1.5 AT: R$ 77.100
Toyota Yaris XL Plus 1.5 Connect Multidrive R$ 78.690
Volkswagen Polo Comfortline TSI AT R$ 77.790

Desempenho e consumo

O Peugeot 208 só é vendido, neste início, com o conhecido 1.6 16V aspirado, apesar de na Argentina, de onde é importado, sair de fábrica com um 1.2 turbo. O motor é apenas satisfatório para o trânsito da cidade e o câmbio automático de seis velocidades ganhou novo acerto das relações.

Porém, a caixa continua com uma imprecisão em giros médios, e entre a terceira e a quarta. As mudanças no câmbio são mais perceptíveis com o modo Sport acionado, que aumenta a faixa de rotações e estica mais as marchas.

No acerto dinâmico, a evolução do 208 é evidente – ele usa a nova plataforma modular do grupo PSA Peugeot Citroën. Carroceria tem ótima rigidez, o carro se mostra firme nas curvas e retas e a direção com assistência elétrica se mantém precisa, mesmo em velocidades mais altas na estrada.

O Fit, por sua vez, tem uma essência urbana, conservadora e confortável no rodar. É aquele carro para você não se cansar no trânsito, com um motor 1.5 de até 116 cv competente e um câmbio CVT bastante linear – e sem grandes empolgações.

A dirigibilidade do Fit também privilegia o conforto. Posição de dirigir correta e boa estabilidade nas curvas chamam a atenção no monovolume da marca japonesa. Só em altas velocidades é que a direção elétrica pede algumas correções.

Com motor menos potente entre os três, o Yaris surpreende no desempenho pelo baixo peso. O 1.5 16V de 110/105 cv proporciona até arrancadas interessantes, sem abrir mão do rodar suave. Beneficiado, e muito, pelo bom câmbio do tipo CVT com sete marchas simuladas herdado do antigo Corolla.

A carroceria que merecia melhor rigidez. Ao mesmo tempo, o compacto da Toyota se vale de um acerto mais suave do conjunto. Não chega, porém, a ser molenga em curvas e tem boa comunicação entre rodas e volante a maior parte do tempo.

O Polo é o que mais se destaca nesse quesito. O único entre os quatro com motor turbo, o TSI 1.0 de até 128 cv é muito bem disposto. Tem respostas prontas em baixos giros, retomadas certeiras e boas acelerações em quase toda e qualquer situação.

Também é um dos melhores acertos dinâmicos deste comparativo virtual, fruto da plataforma MQB. O carro tem pegada bastante firme, como um Volkswagen raiz pede, e aponta bem nas curvas e mostra uma direção bastante direta.

Consumo com etanol Números do Inmetro
208 7,5 km/l (cidade) e 9,0 km/l (estrada)
Fit 8,3 km/l (cidade) e 9,9 km/l (estrada)
Yaris 8,8 km/l (cidade) e 10,0 km/l (estrada)
Polo 8,0 km/l (cidade) e 9,8 km/l (estrada)
Consumo com gasolina Números do Inmetro
208 10,9 km/l (cidade) e 13,1 km/l (estrada)
Fit 12,3 km/l (cidade) e 14,1 km/l (estrada)
Yaris 12,6 km/l (cidade) e 13,8 km/l (estrada)
Polo 11,6 km/l (cidade) e 14,1 km/l (estrada)
Modelo Classificação no quesito
208 4
Fit 3
Yaris 4
Polo 5

Conforto

Enquanto o segmento de compactos busca otimizar o espaço interno, o 208 cresceu no comprimento (8 cm a mais e agora são 4,05 m), mas conseguiu a façanha de continuar apertado no banco traseiro e perder 20 litros no porta-malas (265 litros atuais, o menor entre os rivais desta lista). Sim, no assento de trás joelhos e pernas ficam no limite e o local é mais indicado para apenas dois adultos.

O conceito do i-Cockpit é bacana, o volante pequeno com base e parte superior retas tem pegada excelente, mas nessa segunda geração do hatch da Peugeot a ideia ficou menos ergonômica. Motoristas com entre 1,70 m e 1,75 m de altura terão dificuldades para encontrar uma posição melhor de dirigir. É preciso pôr o banco todo para cima e raspar a cabeça no teto para que a direção não tape o quadro de instrumentos.

Já o acerto da suspensão do 208 agrada. Nas imperfeições normais do maltratado asfalto das cidades grandes, absorve bem os impactos. Ao mesmo tempo, na estrada, seja em curvas ou retas, entrega firmeza necessária.

O Fit é um monovolume e usa muito das referências das minivans do passado. O formato meio de bolha contribui para um ótimo aproveitamento da cabine. Ocupantes da frente gozam de bom espaço para pernas e ombros, enquanto o banco traseiro acomoda dois adultos e uma criança sem grandes apertos. O porta-malas leva 363 litros.

Motorista também tem uma posição bem resolvida para conduzir o Fit. O maior problema do Honda fica por conta da suspensão, que bate mais seca em buracos e reflete muito das irregularidades do piso, especialmente na frente e na direção.

Com o Yaris a vida a bordo é um dos destaques. Com 1,73 m de largura, o hatch da Toyota transporta bem dois adultos e uma criança atrás, enquanto motorista e carona têm certa folgas para joelhos. O porta-malas transporta 310 litros.

Na parte do acerto da suspensão, o Yaris mostra-se um carro bem ajeitado para a cidade, especialmente. O jogo é calibrado para filtrar bem a buraqueira e preservar a coluna dos ocupantes na maior parte do tempo.

O Polo perde em espaço interno para os rivais japas, mas supera o 208. No banco traseiro, não há tantas sobras para joelhos, mas é possível sobreviver com dignidade. A capacidade do porta-malas é de 300 litros.

O Volkswagen peca mais no acabamento interno, com abuso de plástico que aparenta má qualidade, e no isolamento acústico. Em compensação, a suspensão com acerto mais firme encontra um excelente meio-termo entre conforto e pegada mais “esportiva”.

Modelo Classificação no quesito
208 3
Fit 5
Yaris 4
Polo 3

Equipamentos

O novo 208 parece ter escaneado bem a lista de equipamentos dos rivais que elegeu. Esta versão de entrada Active sai de fábrica com quatro airbags, assistente à partida em rampas, além dos agora obrigatórios controles de estabilidade e tração.

Também recebe os triviais ar-condicionado (que é digital), direção elétrica, trio, computador de bordo, volante com ajustes de altura e de profundidade, controle de cruzeiro, chave tipo canivete com telecomando das portas e banco do motorista com regulagem de altura.

O multimídia é o mesmo do Citroën C4 Cactus, com tela de 7″, conexão com Apple CarPlay e Android Auto e duas entradas USB. Por fora, luzes diurnas de LEDs e rodas de liga leve com aros de 16 polegadas. Os itens mais bacanas, de condução semi-autônoma, além do painel configurável 3D e mais airbags, só nas versões mais caras, acima de R$ 89 mil.

No Fit LX, a lista é quase a mesma, mas só há as duas bolsas frontais obrigatórias. ESP e assistente de rampas estão lá, assim como ar, trio e direção elétrica e os outros itens básicos oferecidos no 208. A central multimídia usa uma tela pequena de 5” e não espelha celulares.

O Yaris XL oferece ar automático, mas, assim como o Fit, só tem os airbags frontais obrigatórios e não tem DRL de LED. Segue a lógica com controles de estabilidade, de tração e de subidas, trio, direção elétrica, computador de bordo, controle de cruzeiro.

A linha 2021 estreou a central multimídia Toyota Play+, com tela de 7″, e conexão para smartphones e tablets Android e IOS. As rodas de alumínio usam aros de 15”.

O Polo Comfortline, assim como o novo rival da Peugeot, recebe quatro airbags. No restante do recheio de segurança e conforto, segue basicamente o padrão dos concorrentes deste comparativo virtual. De diferente mesmo, os faróis de neblina com conversão estática e o suporte para celular com entrada USB.

O sistema multimídia é o Composition Touch, com tela de 6” e conectividade Android Auto e Apple CarPlay. As rodas são de liga leve de 16 polegadas.

Modelo Classificação no quesito
208 4
Fit 2
Yaris 3
Polo 4

Manutenção

Seis primeiras revisões com preço fixo custo total
Peugeot 208 R$ 3.912,00
Honda Fit R$ 5.113,19
Toyota Yaris R$ 3.252,19
Volkswagen Polo R$ 4.936,64
Modelo Classificação no quesito
208 4
Fit 3
Yaris 5
Polo 3

Fotos: Divulgação

6 Comentários
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    Paulo 18 de setembro de 2020

    Bom dia, falando sobre consumo,Peugeot ganha, falando sobre espaço,Peugeot ganha, qualidade do plásticos Peugeot ganhar, design Beleza Peugeot Peugeot ganhar,dirigibilidade Peugeot ganhar. Preço Peugeot ganhar. Como carro de entrada, tem isto tudo. Tem compará lo, com os carros de entrada. Deixa a desejar um pouco no câmbio. Isto não é nada. Agora manutenção pesadas só vai acontecer depois de 5 anos. É se optar fazer fora da concessionária. O preço é igualmente a todos. Agora ir no loja por causa de garantia. Em todas lojas concessionárias vão tirá no mínimo um salário. Sempre for assim. Uma simples troca de filtros,óleo. Enfiam faça.. absurdo.

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    Gerarock 17 de setembro de 2020

    A Peugeot perdeu mais uma grande chance de se firmar no nosso mercado com um carro interessante e de potencial, errou no preço, no motor e espero que o consumidor brasileiro faça a sua parte e escolha o concorrente.

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    Pablo 17 de setembro de 2020

    Chega a ser hilário , alguém que conheça carros indicar para compra, um lançamento com motor cujo projeto tem 18 anos e se mostrou lento e beberrão. Em virtude do motor “velho” o 208 vai Micar , essa é a única verdade .

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    Fernando 17 de setembro de 2020

    Como tão forçando esse carro… todo dinheiro investido no uol poderia ter sido investido no próprio carro e deixar o mesmo fazer a propagando por si só… Comparativo de preço com o modelo de entrada com rivais mais “elaborados” pra dar a sensação de ser mais barato… mas não mencionaram o valor do top de linha. Motor com 20 anos e com o pior consumo, depreciação altíssima e tudo mais, só vai comprar quem não entende de carro ou não liga pra gastar dinheiro… É uma pena o modelo br ser assim pq eu achei o carro bonito.

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      Carlos 17 de setembro de 2020

      Blá blá blá, quanto mimimi. O polo/gol tem a mesma cara faz 15 anos, por dentro aquele painel secão, parece um gol bola de 30 anos atrás e manutenção cara. É muita raiva da Peugeot por nada, deixa ter concorrência, cada empresa faz o que considera melhor.

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        Fabricio 17 de setembro de 2020

        Bela resposta, concordo contigo…

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