Exeed: marca chinesa de carros premium vai repetir erro da Chery?

Divisão de luxo de marca chinesa causa surpresa ao se lançar sozinha no mercado brasileiro e desprezar parceria da Caoa

exeed txl azul lateral suv premium chines
Exeed produz versão de luxo de carros da Chery (Fotos: Exeed | Divulgação)
Por Boris Feldman
23 de julho de 2022 08:03

A Chery, uma das maiores fábricas de automóveis na China, cometeu diversos erros simultâneos ao estabelecer fábrica no Brasil. Começou errando ao selecionar sua linha de modelos a serem produzidos, pois imaginou que o brasileiro correria atrás de sedãs e hatches baratos.

Em segundo lugar, foi rigorosamente inábil ao decidir a localização da fábrica: na pior região possível, em Jacareí, no estado de São Paulo, pois seus funcionários eram filiados ao sindicato de São José dos Campos, talvez o mais complicado para qualquer tipo de negociação do país. A GM que o diga…

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Além disso, iniciou a produção sem uma bem estabelecida rede de concessionários e volume adequado de peças de reposição.

Caoa salvou a Chery

Quem a salvou do fracasso foi a Caoa, que se associou aos chineses, assumiu suas operações e colocou a marca no invejável patamar que hoje se encontra, entre as dez maiores do país. Mudou radicalmente a gama de produtos e investiu na preferência nacional, os SUVs e um ou outro sedã médio. E fechou há meses a fábrica de Jacareí, sem – obviamente – nenhuma perspectiva de reativá-la.

O “Dr. Caoa” (Carlos Alberto Oliveira Andrade, fundador da empresa) tinha uma razoável rede de revendas, extraordinário poder de marketing e conhecia como poucos o mercado brasileiro. Ele mesmo chegou a anunciar, em 2020, a vinda da marca premium da Chery, a Exeed, para nosso mercado, mas o processo foi interrompido pela pandemia.

Agora, uma misteriosa novidade: a Exeed – por meio de uma desconhecida gerente de imprensa na China – convida jornalistas para uma apresentação da marca on-line. A Caoa, consultada a respeito, diz não ter participado nem ter sido informada de qualquer movimentação em relação ao mercado brasileiro. Alguns carros da marca já foram vistos rodando em São Paulo. E, pelas redes sociais, a Exeed anuncia a chegada de alguns modelos. A tal entrevista coletiva online foi cancelada por “problemas técnicos”.

Chery vai repetir erro com a Exeed?

Será que a Chery pretende repetir com a Exeed a mesma aventura desastrosa de se lançar no mercado brasileiro desprezando o potencial da Caoa?

Talvez ela esteja mirando no exemplo de outras duas chinesas se instalando aqui: a Great Wall Motors (GWM) que comprou a fábrica de automóveis da Mercedes-Benz em Iracemápolis e a BYD que já opera no Brasil há cerca de cinco anos com plataformas de veículos pesados elétricos, baterias e células fotovoltaicas.

A Chery teria vários problemas pela frente: ela não é, como a GWM e BYD, especializada em veículos elétricos. Sua linha premium segue o mesmo conceito da Lexus, divisão de luxo da Toyota, ou a Infinity da Nissan, ou Acura, que é Honda. Ou seja, o Exeed seria um carro sofisticado, porém dividindo plataforma mecânica (e barateando custo) com a Chery.

exeed txl azul no asfalto
SUV da Exeed, como o TXL, compartilha mecânica com os da Chery

Desprezar a parceria com a Caoa exigiria a montagem de um rede independente de concessionárias, estoque de peças de reposição (que a Caoa já tem, em grande parte), formação de mecânicos e outros investimentos de difícil retorno para o baixo volume de unidades importadas. Além disso, existe um contrato entre Caoa e Chery que poderia dificultar ainda mais a solitária aventura da Exeed no Brasil.

Aguardemos os próximos capítulos desta misteriosa novela…

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18 Comentários
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Paulo 17 de agosto de 2022

E a pergunta que não quer calar.. Cadê meu Tiggo 8 PHEV, CAOA?
Compradores em desalento… 2 meses sendo enrolados.. pegaram a grana do sinal e nem mais uma palavra sobre a entrega do carro.. informações das característics mudam toda hora..
Vendedores dizendo que não tem nenhuma retorno da montadora
Agosto terminando…😡
Com o silencio vergonhoso CAOA Chery acaba abrindo espaço para todo tipo de informação louca.. até boato de entrada na linha vermelha da Receita Federal já está circulando..
Vergunhoso para uma empresa que quer aumentar seu market share.
Prêmio Comunicação do Ano para CAOA Chery 👏🤬

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Geraldo 31 de julho de 2022

Excelente comentário Jefferson Neu, Parabéns! Eu lei estes post de vários especialistas e nenhum realmente faz uma análise real, o mercado brasileiro de carro zero pode ser considerado nicho de mercado pois o volume de vendas é irrisório, qdo eu falo de vendas são vendas diretas para CPF – pessoa física, que sempre oscilou na casa dos 25 a 30 % dos veículos vendidos que hoje representa uns 400 mil ano, ou seja a galera da vida real não tem grana para comprar carro zero e ainda ficam fazendo SUVs caros, beberrões e ainda com estas porcarias de motor 3 cilindros turbo, lixo puro….o SUV não caiu na moda pois é o que as empresas querem volocar goela abaixo…e Salve Jacareí.

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Jeferson Neu 31 de julho de 2022

Bem lembrado. É só ver a fatia de vendas para locadoras face as vendas totais de cada montadora. Caso zero km está cada vez mais se tornando item de nicho de mercado. É preciso uma política automotiva e de renovação de frota, que venha acompanhada de incentivos em pesquisa e redução de tributos.

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Leandro 31 de julho de 2022

Complementando outro caso foi a Hyundai importados, desafiando a Caoa , simplesmente foi afundada no mercado sem mais carros atualizados de versão médio é de luxo e travando as vendas da HMB que só pode vender hb20 e Creta

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Ione 30 de julho de 2022

Aff, ninguém merece um comentário desse tamanho!

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Jeferson Nei 31 de julho de 2022

É só não ler Ione. Nem perca seu tempo. É por causa de pessoas como você, que não buscam se informar e adquirir conhecimento, que o Brasil está como está há muito tempo, apesar de nosso imenso potencial.

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Rafael Z. C. 28 de julho de 2022

Por favor, façam uma abordagem desse contrato com a Chery e Capa, para que nós consumidores possamos entender o que turvo é essas águas profundas que chama-se Exceed vs Caoa Chery. Muito obrigado, AutoPapo e a equipe pelas notícias e alertas.

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Ranulfo Oliveira 26 de julho de 2022

Estou a espera pra comprar Exeed lx mais se sair da Caoa desisto nada como ter uma fábrica Brasileira por trás mesmo que os carros sejam chineses

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Jeferson Neu 23 de julho de 2022

A Chery e posteriormente a Caoa Chery cometeram inúmeros erros de mercado, que resultaram em vendas muito abaixo do esperado. Os mais importantes:

A Chery ter apostado em hatches e sedãs compactos quando o mercado já indicava o crescimento dos SUV’s.

O baixíssimo conteúdo nacional de seus veículos, mesmo tendo em vista que o Brasil tem uma das melhores redes de fornecedores de autopeças do mundo. Inclusive, a Caoa Chery tinha uma cadeia praticamente completa de fornecedores (exceto semicondutores, que não tem fábricas no Brasil) em um raio de 200km da fábrica de Jacareí. No próprio entorno imediato da fábrica de Jacareí (menos de 10km), haviam fornecedores de grande relevância no mercado nacional, como a Gates (correias, mangueiras e tensionadores de correias), que tem toda a sua atividade fabril na América do Sul concentrada em Jacareí ou a Eaton (válvulas de admissão e escape), que tem unidade em São José dos Campos, com know-how suficiente para produzir qualquer tipo de válvula para motores, desde motores 1.0 até tratores e navios. Porém, a Caoa Chery preferia trazer quase tudo da China, até mesmo motores e transmissões. Bastou a elevação global dos custos de frete naval e de contêineres para inviabilizar a operação em Jacareí.

Por tabela, ao não desenvolver cadeia nacional de fornecedores, os custos se tornam mais elevados e a empresa tem problemas no atendimento de reposição de peças.

Isso para não falar de lançar e retirar veículos do mercado antes que os mesmos adquiram aderência de vendas.

No entanto, o Sr. Boris Feldman erra na análise de depreciar a escolha por Jacareí, apenas pela questão sindical. Até pelo fato de Sindicato não abrir e nem fechar fábrica, embora possam facilitar ou dificultar negociações.

Jacareí tem muitas vantagens:

É uma das cidades de melhor localização no Estado de São Paulo;

É um dos principais entroncamentos rodoviários do Estado de São Paulo, o que faz Jacareí ter fácil acesso para São Paulo, Rio de Janeiro, acesso direto aos Aeroportos de Guarulhos e Viracopos, assim como acesso facilitado aos Portos de Santos e São Sebastião.

Jacareí, assim como o Vale do Paraíba tem mão de obra qualificada e muitos centros de ensino. Além disso, o Vale do Paraíba como um todo é um dos principais centros industriais e de pesquisa no Brasil;

Jacareí tem a vantagem de ter uma aduana instalada no município;

É uma das cidades mais industrializadas do interior paulista, onde se faz desde meias até fuselagens e outros componentes estruturais para Embraer e Airbus. Jacareí é o maior Polo de produção de cerveja do Brasil, o maior polo de produção de vidro plano do Hemisfério Ocidental, o maior polo de produção de latas de alumínio da América do Sul, assim como a maior parte das instalações da Avibras, maior empresa bélica brasileira, ficam em Jacareí. Ambev, Heineken, Cebrace (Grupo Saint Gobain, que também tem outras operações na cidade), Gates, Suzano, BASF, Ball Corporation, Ardagh, Tarkett, etc… A lista de empresas de atuação global com unidades em Jacareí é grande.

Fora isso, a Chery recebeu muitos incentivos para se instalar em Jacareí, que na época tinha uma das melhores legislações de incentivos fiscais do Estado de São Paulo, tendo inclusive recebido não somente a doação do terreno, como até mesmo o reembolso dos custos com terraplanagem. Curiosamente, o mesmo terreno anteriormente oferecido para a Hyundai. A Hyundai só escolheu Piracicaba, após desistir de Jacareí, pois a prefeitura já época não criou uma lei de incentivos e recuou de compromissos já acordados com os coreanos. A questão sindical não havia pesado para o pessoal da Hyundai.

Antes de emitir uma opinião depreciativa sobre Jacareí, seria melhor conhecer Jacareí e o Vale do Paraíba, ao invés de emitir opinião atrás de uma escrivaninha.

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Josue 23 de julho de 2022

Cansei só de ver o tamanho do comentário. Se for falando mal de alguém, concordo com tudo o que escreveu…kkkkk

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Jeferson Neu 23 de julho de 2022

Por isso que o Brasil está a desgraça que está. Povo tem preguiça de ler.

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Diego 24 de julho de 2022

Nossa, apaixonante!!!

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Fernando Cesar 25 de julho de 2022

Obrigado por compartilhar o seu ponto de vista. Eu realmente não tinha essa visão da cidade de Jacarei. Abs

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Jeferson Neu 31 de julho de 2022

Grato

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Maicol 28 de julho de 2022

Sr errou feio em afirmar que sindicato não fecha Fábricas.
Nunca abre e nem vai abrir isso está corretíssimo, mas fecha e fechou muitas sim Sr.

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Marco Aurélio 28 de julho de 2022

Obrigado pelo seu comentário, quando li essa parte da matéria, não soube organizar em palavras o que passou pela minha cabeça, coisa que você fez com perfeição. Só gostaria de adicionar que a GM, citada na matéria como vítima do Sindicato de SJC, se instalou no município em 1959, então,quase seis décadas de história no meio que acabam com o argumento de que o Sindicato a prejudica, para além disso, os trabalhadores sabem muito bem o valor que têm e exigem que uma empresa multibilionária os recompense por toda essa história, além de SJC ter dado de tudo e mais um pouco à empresa.

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Jeferson Neu 31 de julho de 2022

Concordo que o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos é intransigente em muitos momentos. Porém, sindicato é um mal necessário. Se é ruim com eles, seria muito pior sem eles, pois quem sede sua mão de obra sempre é o lado fraco da relação patrão-empregado.

Quando se vê que tem empresas da base do Sindicato dos Metalúrgicos de SJC como GM, Eaton, Ericsson, Gates, Panasonic, Avibras, Parker, entre outras, com 40 anos ou mais de presença em São José dos Campos, Jacareí, e outras cidades vizinhas, o argumento do autor do post cai por terra.

Tem questões muito mais relevantes do que a atuação sindical, como logística de escoamento de produção, proximidade dos principais mercados consumidores, cadeia de fornecedores disponível, não de obra qualificada, incentivos fiscais…

A FCA (atual Stellantis), decidiu montar fábrica em Pernambuco não por causa de questões sindicais, mas pelos enormes incentivos fiscais e desonerações existentes no Regime Automotivo do Nordeste. A mesma coisa com a CAOA em Anápolis. Não atoa, o Dr. Caoa, quando ainda estava vivo, disse que se o Regime Automotivo do Centro-Oeste não fosse prorrogado, ele iria fechar a fábrica e levar a produção para outro local. Se tirar as isenções fiscais generosas, produzir em Pernambuco ou Goiás se torna praticamente inviável, seja por logística e seus custos, distância dos principais mercados, seja pela rede de fornecedores.

Como disse anteriormente, Sindicato não abre e nem fecha fábrica, mas pode facilitar ou dificultar negociações.

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Marco 28 de julho de 2022

Vc não sabe o que é um sindicato

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