Fechamento de fábrica das Mercedes: Inovar-Auto criou falsa expectativa

"A segunda desistência da Mercedes-Benz de produzir automóveis no Brasil, além de já esperada, tem algumas explicações menos evidentes"

veiculo mercedes benz em producao na fabrica de iracemapolis sp
Instalações de Iracemápolis, concluídas em 2016, tinham capacidade para 20.000 unidades anuais (Mercedes-Benz | Divulgação)
Por Fernando Calmon
25 de dezembro de 2020 19:40

A notícia, obviamente, não é boa. Porém a segunda desistência da Mercedes-Benz de produzir automóveis no Brasil, além de já esperada, tem algumas explicações menos evidentes. Tudo começou em meados dos anos 1990, quando o País decidiu responder aos estímulos oferecidos pela Argentina para atrair novos fabricantes.

O Real estava muito valorizado em relação ao Dólar e, ainda assim, aqui se instalaram Renault, Toyota, Honda, Dodge, Mitsubishi, Audi (associada à VW) e Mercedes (a última, em abril de 1999). No entanto, a maxidesvalorização do real de cerca de 100%, no início de 1999, levou a indústria automobilística a sofrer redução drástica de vendas.

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Dodge foi a primeira a parar (2002), seguida pela Mercedes (2005) e Audi (2006). Dólar alto, custos elevados (a marca da estrela de três pontas construiu fábrica exclusiva e usava muitas peças importadas), além de dimensões acanhadas levaram ao fim prematuro do monovolume compacto Classe A. Mas a instalação, em Juiz de Fora (MG), ainda montou o Classe C para exportação e hoje produz cabines de caminhão.

A segunda onda de incentivos começou com o Inovar-Auto, em 2012. O governo federal prometeu isentar e devolver o chamado superIPI aos fabricantes que se comprometessem a produzir no Brasil pelo menos 20.000 unidades anuais.

BMW já tinha uma fábrica recém-inaugurada (2014) em Araquari (SC). Não acreditou na promessa e toca sua vida até hoje sem reclamar, além de liderar o mercado de modelos mais caros, chamados de premium, cujo conceito hoje me parece elástico demais.

Audi voltou a produzir (2015) em São José dos Pinhais (PR) e foi a que acumulou mais créditos (extraoficialmente, mais de R$ 200 milhões). Já com atividades fabris encerradas este ano, continua coberta de razão ao cobrar os créditos devidos. O governo reconhece, promete pagar e não cumpre.

Jaguar Land Rover inaugurou em 2016 uma fábrica pequena em Itatiaia (RJ). Publicamente não reclama de seus créditos, pois sempre se acautelou em relação a esse assunto.

A Mercedes-Benz construiu instalações novas, também em 2016, para 20.000 unidades anuais, em Iracemápolis (SP). A decisão de fechar a unidade deve-se a pelo menos três fatores: situação econômica do País e do mundo, vendas fracas aqui e decisão estratégica da matriz Daimler que acaba de alienar a fábrica Smart, na França, para enfrentar os elevados gastos de investimentos em novas tecnologias. O IPI não recuperado de R$ 70 milhões parece menos relevante, neste caso.

A Daimler, no entanto, decidiu construir em 2018 um grande campo de provas em Iracemápolis mesmo com os problemas à vista. E no ano passado anunciou que a Bosch entrou na sociedade com 50%, primeiro acordo desse tipo entre fábrica e fornecedor.

Por fim, o Brasil não está tão afastado assim do radar dos investimentos na indústria automobilística. Há fortes rumores de que a Hyundai desembolsará R$ 350 milhões até 2022 para iniciar fabricação de motores em Piracicaba (SP), onde produz o HB20, HB20S e Creta.

Alta Roda

APESAR deste ano muito difícil e do dólar nas alturas as vendas de veículos importados demonstram resiliência. Em razão dos estoques de modelos com o real menos desvalorizado no início de 2020, a participação (incluídos modelos argentinos) de janeiro a novembro foi de 10,5% do total contra 10,7% em 2019. Tudo indica que viagens internacionais, em razão da pandemia, foram substituídas por um zero-quilômetro na garagem.

PRINCIPAL executivo do Grupo VW, Herbert Diess, recebeu voto de confiança do Conselho de Administração em meio a decisões difíceis que as grandes corporações devem tomar daqui para frente para redirecionar a produção e investir em carros conectados. Quem subiu na hierarquia foi Thomas Schmall, ex-presidente da VW do Brasil. Será responsável na diretoria por nova área de tecnologia.

SÉRGIO HABIB, que comanda as operações JAC Motors no Brasil, foi o primeiro executivo a prever que as vendas totais de veículos em 2021 vão se igualar às de 2019 (em torno de 2,7 milhões de unidades) numa recuperação em “V”. A marca chinesa aqui acaba de renovar sua linha de SUVs T40 Plus, T50 Plus e T60 Plus com mudanças estilísticas, teto solar, multimídia de 10 pol. e seis airbags para os dois últimos. Tudo de série.

INSTITUTO RENAULT comemora 10 anos com a edição de um livro para reportar suas atividades sociais em comunidades em que atua. O foco é oferecer oportunidades e novos caminhos para indivíduos e grupos. As ações atingiram um universo de 775.000 pessoas direta ou indiretamente.

INICIATIVAS surgem para purificação de ambientes pequenos e fechados como o interior de automóveis. SterBox é uma caixa compacta que utiliza tecnologia ultravioleta-C gerada por LED para neutralizar vírus, fungos e bactérias, segundo a fabricante O2led. Ligado a uma porta USB a purificação exige o carro de vidros fechados, parado ou em movimento, mesmo com pessoas a bordo. Tempo: 30 minutos a duas horas.

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