Fanboys automotivos: listamos os 5 grupos mais chatos da internet

Eles não perdem uma discussão nas redes sociais e lotam as caixas de comentários dos sites para defender certas marcas ou modelos

Por Alexandre Carneiro 01/11/20 às 08h30
encontro carros rebaixados
Veículos (Shutterstock)

Quem é muito radical em relação a determinado tema pode colecionar inimizades. Pontos de vista opostos frequentemente provocam discussões sobre política, religião e futebol. Porém, nem mesmo os assuntos mais corriqueiros, como o automóvel, escapam do fanatismo. Afinal, existem fanboys dispostos a defender com unhas e dentes suas marcas e modelos preferidos.

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Sabe aquela banda que tem músicas até legais, mas cujos fãs são tão extremados que acabam gerando antipatia? Então, a lógica de alguns fissurados em carros é mais ou menos essa: muitas vezes o produto que eles cultuam é bom, mas as qualidades são exageradamente amplificadas pelas vozes dos admiradores. Confira, no listão de hoje, os 5 tipos de fanboys mais chatos da internet.

1. “APzeiros”

motor ap 1 6 saveiro titan 2007
Motor Volkswagen AP é objeto de louvor para os fanboys

A linha de motores AP, da Volkswagen, é uma das mais bem-sucedidas já fabricadas no Brasil? Sem dúvida! O projeto entrou para a história da indústria automobilística? Claro que sim! Mas, para os fanboys – ou APzeiros, como são conhecidos – tudo isso  ainda é pouco. Na cabeça deles, nenhum outro propulsor sequer chega perto do AP, o melhor de seu gênero, disparado, já feito no mundo até hoje.

Nem adianta argumentar que o projeto ficou ultrapassado. Os motores AP, que nos anos 80 reinavam quase absolutos no país, já entregavam números de potência e torque medianos a partir da virada do século. Caso tivessem continuado em produção, teriam, hoje, baixíssimos índices de eficiência energética.

Isso, aliás, não é demérito algum. Afinal, todo projeto de engenharia torna-se ultrapassado em algum momento. É esse o ciclo natural, e inevitável, de qualquer produto industrial. Além do mais, mesmo antigo, o motor AP continua se destacando pela robustez e pela facilidade de manutenção. Só não diga aos fanboys que também existem outras boas opções no mercado.

2. “Opaleiros”

chevrolet opala s 1988
Opala saiu de linha há quase três décadas, mas alguns consumidores ainda estão de “luto”

Tudo o que foi dito a respeito dos APzeiros pode ser aplicado a outro grupo de fanboys: os Opaleiros. Para essas pessoas, o fato de a Chevrolet ter retirado o Opala de linha constitui um pecado mortal, um erro imperdoável, um ato nefasto! Viúvos e viúvas guardam luto até hoje pela morte do modelo que, sob a ótica deles, é o maior automóvel da história.

O Opala é um dos carros mais longevos do Brasil: foi produzido ininterruptamente de 1968 a 1992. O projeto sofreu várias atualizações, mas nunca foi inteiramente refeito. Isso decorre, por um lado, das boas qualidades técnicas, mas, por outro, do fato de o mercado nacional ter permanecido fechado às importações entre 1976 e 1990. Com apenas quatro grandes fabricantes instalados no país, faltava concorrência.

A velhice do Opala ficou evidente na década de 1990, quando vieram os importados e novas multinacionais instalaram-se por aqui. Não houve, pois, outra opção para a Chevrolet senão retirá-lo de linha. Alguns defeitos, como a falta de estabilidade em curvas e o alto consumo, já eram, então, bem evidentes. Mas isso, para os fanboys, pouco importa: eles sempre enxergarão apenas o luxo, o acabamento e o espaço interno do modelo.

3. Fanboys do câmbio Dualogic/GSR

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Câmbios automatizados de uma embreagem deixaram o mercado depois de apenas 12 anos

Já que existem fanboys de motor, não surpreende que alguns cultuem câmbios. Eles não são muitos, mas sempre se manifestam nas redes em defesa das transmissões automatizadas da Fiat. Batizado inicialmente de Dualogic, esse sistema chegou ao país em 2008. Em 2017, foi rebatizado de GSR (sigla de Gear Smart Ride) após a adoção de alguns aperfeiçoamentos. Recentemente, tal mecanismo deixou o mercado.

A transmissão automatizada de uma embreagem é, surpreendentemente, muito parecida com um sistema manual. A diferença é que as marchas são trocadas de modo autônomo, por um mecanismo de atuadores hidráulicos ou elétricos, ligado a uma central eletrônica.

Apesar de dispensar o motorista de cambiar as marchas, tal sistema automatizado é bem mais limitado que uma caixa automática propriamente dita. O maior problema é a falta de suavidade na operação: as trocas de marchas são frequentemente acompanhadas de trancos. Além disso, com o tempo, será necessário substituir alguns componentes, inclusive a embreagem.

Inicialmente, os automatizados apresentavam algumas vantagens, como peso reduzido e custo de produção mais baixo em relação a um câmbio automático convencional. Entretanto, a tecnologia, como sempre, avançou: surgiram os sistemas automatizados de dupla embreagem, muito mais rápidos e suaves; os próprios automáticos tornaram-se mais leves, eficientes e acessíveis.

Embora outros fabricantes, entre os quais Volkswagen, Renault e Chevrolet, tenham utilizado conjuntos semelhantes, os sistemas da Fiat são os que aparentam ter mais defensores. Os fanboys argumentam que o problema é o usuário, que não saberia usar corretamente a transmissão. O fato de os automatizados monoembreagem terem entrado em extinção no mundo inteiro é mero detalhe.

4. Fanboys do Toyota Etios

etios
Hatch e sedã da gama Etios não deslancharam no mercado

As notícias mais recentes sobre o Etios não são animadoras. A gama já saiu de linha na Ásia e terá o mesmo destino na América do Sul.  A Toyota desistiu de desenvolver uma nova geração porque consumidores do mundo todo criticaram o design e o interior despojado. O fabricante, então, investirá apenas na linha Yaris, que tem porte semelhante.

Pronto: foi o bastante para provocar uma choradeira entre os fanboys, que exaltam as qualidades mecânicas do hatch e do sedã. Grosso modo, os defensores descrevem o motor como “inquebrável”; na outra ponta, julgam que design e interior mais caprichados não passam de firulas.

Bem, cada qual com seu gosto, mas a questão é que, para a maioria, os atributos mecânicos não parecem bastar para justificar a compra de um Etios. Tanto que o hatch e o sedã vêm acumulando números de vendas discretos nos últimos anos. Talvez os fãs já devam ir se conformando, para não sofrerem demais quando a morte do modelo chegar, dentro de um ou dois anos.

5. Fanboys do Volkswagen up! TSI

VW up! 2020
Up! TSI tem bom desempenho, mas, ao contrário do que pensam os fanboys, não é esportivo

Primeiramente, vale destacar que o desempenho é, sim, uma das maiores qualidades do up! TSI. O motor 1.0 turbo com injeção direta rende 105 cv de potência com etanol e 101 cv com gasolina, além de 16,8 kgfm de torque com ambos os combustíveis. Os números podem até não encher os olhos, mas sobram para um hatch subcompacto de apenas 950 kg de peso.

Além de rápido, o up! TSI é econômico, tem bom acerto de suspensão e vem equipado com um câmbio manual de engates precisos. Os fanboys, porém, acham que o modelo é um autêntico esportivo. Os mais pretensiosos parecem até estar ao volante um Porsche. Nem ouse contar para eles que o modelo é um hatch de entrada com foco na eficiência energética, pois soará quase como ofensa pessoal.

Do ponto de vista comercial, o up! não vingou. Considerado caro e despojado pelo público geral, as vendas nunca atingiram o patamar esperado pela Volkswagen. Assim como o Toyota Etios, ele sairá de linha dentro de alguns anos sem deixar sucessor. Como muitos fanboys têm modificado a mecânica de seus carros para extrair ainda mais desempenho, encontrar bons exemplares usados no futuro promete ser tarefa difícil.

Bônus

“Harleyros”

Harley-Davidson Low Rider S
Entusiastas das motos Harley-Davidson até parecem ser membros de uma seita

Ok, esses aqui não são fanboys de carros, e sim de motos. Mas eles merecem um lugar de honra no listão, pois são tão radicais quanto os demais. Para o grupo em questão, a Harley-Davidson está longe de ser simplesmente um fabricante de veículos. É quase uma seita, com direito a encontros periódicos com milhares de membros.

Ícone pop, a Harley-Davidson é tema de muitas manifestações culturais. As aparições no cinema, em especial, fizeram com que a marca fosse associada a um etilo de vida livre. Essa mística é a maior responsável por atrair compradores, interessados no visual custom das motocicletas e na tradição da empresa. Porém, se a ideia é fazer longas viagens de motocicleta, talvez seja melhor escolher produtos de outros fabricantes.

Cá entre nós, as motocicletas Harley-Davidson são bem limitadas tecnicamente. Os motores de dois cilindros em V desenvolvem pouca potência em relação à cilindrada, vibram demais e esquentam exageradamente as pernas dos ocupantes. Além disso, as motos não são estáveis em curvas. O fabricante já empreendeu tentativas de renovação, mas alega que muitos clientes rejeitam evoluções. Viu como essa turma é chata?

Fotos: Divulgação

26 Comentários
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    Rafaell Guimarães 22 de novembro de 2020

    Os fanboys da Halley Davidson são, de longe, os mais tóxicos, de modo que estão praticamente forçando a marca à falência! Não aceitam apenas as repaginações, como também consideram uma violação cultural fabricar ou vender seus modelos fora dos EUA, e a empresa se vê fadada a viver eternamente de subsídios estadunidenses.

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    Luiz Fernando Dalcin 4 de novembro de 2020

    Gostei da matéria. Dos comentários então, acabei concordando. Sou opaleiro. E saudosista mesmo. Nunca deveria ter saído de linha o Opala.

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    Lucas 4 de novembro de 2020

    VW lover e aquele estereótipo clássico de dono de Harley pseudo-machão asqueroso são os piores sem sombra de dúvida.

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      Rodrigo 4 de novembro de 2020

      E o que dizer daqueles que acham a Toyota melhor que MB, BMW, Porsche ou Ferrari??? Só rindo… e muito… não existe carro inquebrável, nem os “Top’s” de verdade, nem muito menos Toyota nehhh… Depois que inventaram aquele horrível projeto Indiano então…(ainda bem que em final de carreira)…

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    BRUNO FERREIRA ANASTACIO 4 de novembro de 2020

    Tá faltando os haters de carro francês… Outra seita, também!

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      Rodrigo 4 de novembro de 2020

      Esses são hilários, 90% ou mais nunca teve nenhum carro de origem francesa… e, provavelmente, são pilotos de teclado sem condições de adquirir um modelo atual… mas pra brasileiro tá na média, vai na onda, sem questionar, sem argumentações, bastando reclamar por reclamar. Simples assim.

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      Z_H 10 de novembro de 2020

      …bem lembrado…

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    Yan 3 de novembro de 2020

    Matéria lixo demais

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      Z_H 10 de novembro de 2020

      …a carapuça serviu, né?

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    Irlan 2 de novembro de 2020

    Neste ano merece estar também no top 10 os fãs boys da Caoa Chery

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    Carlos Henrique Lopes 2 de novembro de 2020

    Apzeiros são um pé no saco mesmo !!!!!
    😜

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    Marcelo 2 de novembro de 2020

    Porra, a matéria começou coerente….mas depois…
    Fanboy do Etios? Pegaram os taxistas e o pessoal do UBER?
    Fanboy do Dualogic? Vcs só podem estar de brincadeira, este pessoal só pode fazer uso de remédio tarja preta
    Fanboy do Up….bom bem vou falar mais nada

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      Fernando B. 2 de novembro de 2020

      Também não entendi o Etios. Ainda mais numa lista sem os Mareeros (Marea) que acham que o carro é um suprassumo da indústria automobilística.

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      Leonardo 2 de novembro de 2020

      Poise tbm me assustei, pulei para Harley.
      Muito bom seu comentario

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    Ricardo Siade 1 de novembro de 2020

    Uma vez, olhando uma moto dessas, comentei com o proprietário: Bonita sua Harley.
    Parecendo ofendido, ele me corrigiu imediatamente: Harley não! Harley-Davidson.

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    Marcelo 1 de novembro de 2020

    Ué esqueceram a ferrari o mserati o bulgatt o aston a mercedes !!!!*

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    Bruno Vasconcelos 1 de novembro de 2020

    Os VWminions são os mais chatos: Falam da “prataforma modular” (coisa q toda plataforma deriva de uma outra, é pura jogada de marketing da VW e não faz diferença), dos “aços especiais” (coisa q todo carro usa hj em dia pela segurança e ta cheio de carros com 5 estrelas), do ” VW é um Audi com carroceria VW”… pqp, vai andar de Audi A3 depois pega um Polo, e se me disser que é mesma coisa, eu desisto: não tem sensibildiade e apuro dinâmico nenhum pra eu explicar, pode continuar na minionzada de VW, o alemão de pobre mais sem graça e patético, considero VW apenas um meio de transporte. “Confiabilidade mecânica da VW”, kkkkkkkkkk….. ta cheio de VWs nas oficinas de esquina fumando de tudo que é jeito, .

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    Fernando B 1 de novembro de 2020

    Mareeros (Marea) são mais chatos que os opaleiros. Os caras defendem um dos maiores abacaxis da história tupiniquim com unhas e dentes.

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    Fernando Miranda 1 de novembro de 2020

    Sobre a Harley você falou TUDO. conheco duas pessoas que saíram delas e foram pra BMW e não sabem
    Porque demoraram tanto. Harley faz motos bonitas. Nada mais. Desconfortaveis e ultrapassadas. Coisa pra fã de marca, mesmo.

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      Wilson 3 de novembro de 2020

      Perfeito! Acham que são o suprassumo do motociclismo mundial, sendo que pararam no tempo…

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    Waldir Prates 1 de novembro de 2020

    Olá! Faltou os Astrageiros!!!

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    Esfolado 1 de novembro de 2020

    Faltou o Cu adradinho, deus me livre destes aí

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    Marcos Castro 1 de novembro de 2020

    “Harleyros”, também conhecidos como “jaquetinha”, afinal, mesmo que não esteja de moto, o dono de Harley usa a jaquetinha, em casa, no trabalho, no enterro do chefe, no casamento do primo. Acham que é terno!

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    Guilherme 1 de novembro de 2020

    Desculpa, mas cadê os “Dodgeiros”? E os “Air cooler”?! E os defensores de “placa treta”?! Colocar o Etios na parada…. Affff

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      Marcos Castro 1 de novembro de 2020

      Guilherme, dono de Etios é uma desgraça sim. Se dono de Corolla é idoso, dono de Etios é centenário, carro de velho do carvalho. E chato.
      Faltou o Clube do Marea, o Povo da Saveiro rebaixada, o pessoal da fixa, o “som automotivo não é crime”. ahahaha tem vários.

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        Jorge Nicolau 1 de novembro de 2020

        Boa resposta.

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