Fiat Uno: a história da “botinha ortopédica” mais querida do Brasil

"Nosso Fiat Uno já nasceu com personalidade própria: todas essas mudanças eram em prol das necessidades do público consumidor brasileiro"

Por Douglas Mendonça 22/07/21 às 09h42
fiat uno s de frente foto preta e branca
No Brasil, lançamento do Uno ocorreu em 1984 (Foto: Fiat | Divulgação )

Aqui no Brasil, a história do Uno iniciou-se em 1984, mais precisamente no mês de agosto, quando foi oficialmente lançado. Mas, na realidade, o simpático compacto da Fiat já tinha sua trajetória iniciada desde o final dos anos 70, quando a Lancia, uma das marcas do grupo Fiat, preparava um novo carro para sua linha que, na Europa, sempre foi a de modelos mais luxuosos e sofisticados.

Mas o destino deu o contra e não quis assim: em 1979, a Fiat assumiu o projeto, para ser o novo modelo de sua marca, que substituiria o valente 127, que aqui no Brasil ficou conhecido como 147. O pequeno Uno enfrentou problemas mesmo antes de nascer: ele era um carro barato demais para receber a sofisticada marca Lancia, mas também caro demais para compor a linha de populares da Fiat.

Assista ao comercial de lançamento do Fiat Uno no Brasil:

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Por isso, os técnicos italianos tiveram um grande trabalho em fazer do pequeno Fiat, que até então não tinha nome, um automóvel realmente popular e barato. Depois de muito esforço, ele foi lançado na Europa logo no começo de 1983, já com a marca Fiat e tendo todas as características que o identificavam como tal.

De onde vem seu nome Uno? Quando o projeto saiu da Lancia e foi para a Fiat, ele recebeu a sigla “Tipo 146” e, para simplificar sua identificação ainda em fase de desenvolvimento, os técnicos e relatórios internos falavam apenas o primeiro número do tal Tipo 146, que era “um”, ou Uno em italiano. Dessa forma, tanto aquele projeto foi apelidado de “Uno” que, no final, esse passou a ser o nome mundial adotado pelo carro finalizado.

Fiat Uno brasileiro: diferente do italiano

Aqui no Brasil, o Uno teve seu projeto modificado quando comparado ao carro original europeu, até porque as condições de nossas ruas e estradas exigiam suspensões mais robustas e maior altura em relação ao solo.

Por isso, o carro feito aqui utilizava a mesma plataforma mecânica do seu confiável e robusto antecessor 147, inclusive mantendo a suspensão traseira independente, feita através de um único feixe de molas transversal. Além disso, sua altura livre do solo era 1,5 cm maior que a do carro italiano, e o estepe ficava na dianteira, junto ao motor, o que resultava em um capô ligeiramente mais alto.

A vantagem principal era a de aumentar substancialmente a capacidade do porta-malas, porque aqui, no Brasil, ele era usado também por famílias inteiras, que precisavam de mais espaço para bagagens. Nosso Fiat Uno já nasceu com personalidade própria: todas essas mudanças eram em prol das necessidades do público consumidor brasileiro.

Versões e motorizações

No lançamento nacional, o Fiat Uno era oferecido com dois motores: um 1.050 de 52 cv para a configuração básica S (Super), e outro 1.3 de até 59 cv para a versão mais luxuosa CS (Comfort Super), ambos da família Fiasa.

fiat uno s bege 1985 de traseira
Versão S era a opção mais acessível da linha do Fiat Uno na década de 1980

Uma curiosidade interessante na sua estreia estava ligada à motorização: é preciso, primeiro, que se diga que a tributação automotiva vigente na época estava ligada a cilindrada do motor e, acreditem, motores de até 999 cm³ pagavam mais imposto (tanto federal quanto estadual) do que os carros que tivessem motores de 1.000 até 1.300 cm³. Bizarrices do nosso país.

Por conta disso, a Fiat, de maneira inteligente, transformou seu motor de 994 cm³ (que pagaria mais imposto) em 1.050 cm³, colocando pistões ligeiramente maiores. O 1.300 cm³ tinha, na realidade, 1.297 cm³, então também se enquadrava no pagamento de menos impostos, o que refletia em um preço mais competitivo para o consumidor final. Até nesse pequeno detalhe a Fiat pensou carinhosamente no lançamento do Uno brasileiro.

Ergonômico e espaçoso

E o carro inovava em vários outros aspectos. Na ergonomia, por exemplo, ele dava um show: o Uninho lembrava os atuais SUVs, pois não era preciso se abaixar muito, o que facilitava o entra e sai do carro, principalmente de pessoas idosas ou com problemas de locomoção.

Outra grande inovação estava na boa área envidraçada, que permitia uma ótima visualização de tudo ao redor. Além, é claro, dos comandos-satélite do painel, ao lado do volante, que permitiam acesso rápido e fácil para todos os comandos de faróis, limpadores de para-brisas, indicadores de direção, desembaçador de vidro etc. Era tudo comandado sem que o motorista tirasse sequer a mão do volante.

O acesso ao banco traseiro, por exemplo, era facilitado pelo banco dianteiro, que se deslocava todo para a frente, permitindo um bom vão para os ocupantes traseiros entrarem ou saírem. E outra sacada excelente: o Uno também foi pioneiro foi na abertura interna da tampa do porta-malas, feita por meio de uma pequena alavanca na lateral do banco do motorista (como vários modelos ainda mantém até hoje).

Para conciliar baixo consumo com o bom desempenho, todos as unidades já saíam de fábrica com um câmbio de 5 marchas, o que, para a época, era outro avanço. Todas essas soluções eram, então, inéditas, que levaram outros fabricantes a também tomar essa mesma direção.

Botinha ortopédica?

Alguns leitores devem estar se perguntando: “porque chamar o Uno de ‘Botinha Ortopédica?” É que, na época do lançamento, muitas pessoas começaram a associar suas linhas de design a uma bota ortopédica, daquelas que são usadas em caso de luxações ou quebras de ossos do pé, ou então em crianças, para corrigir as pisadas tortas.

As tais botinhas tinham lateral alta quando comparadas aos calçados normais, e, coincidentemente, o carrinho da Fiat apresentava janelas e teto mais altos que os de outros modelos da sua categoria. Até o final dos anos 80, esse apelido era bem comum.

fiat uno sx 2
Fiat Uno SX tinha motor 1.3 com carburador de corpo duplo

Em 1985, chegava a primeira novidade na linha Uno, que era a versão topo de linha SX (Sport eXperimental), que além do design diferenciado, que remetia à esportividade, tinha em seu motor 1.3 a adoção de um carburador de corpo duplo, passando a gerar 71 cv. Com esses cavalinhos a mais, o Uninho SX era mais vivo nas médias e altas rotações.

Fiat Uno 1.5R

E essa versão com aparência esportiva foi tão bem-vinda que a direção da Fiat resolveu fortalecê-la: em 1987, chegava ao nosso mercado o Uno 1.5R (Racing), substituto do SX, que trocou o velho 1.3 Fiasa pelo 1.5 da família Sevel, mais moderno e com 86 cv.

O Uno 1.5R também recebia uma relação de marchas mais encurtada, novo visual, com calotas exclusivas, faixas e adesivos decorativos, cintos de segurança vermelhos, rack de teto e por aí vai. Para a época era um esportivo, mas hoje certamente teria números de desempenho inferiores aos de populares 1.0.

Já com a família expandida com o sedã Premio, a perua Elba e a picape/furgão Fiorino, o Uno ganhava mais um integrante voltado para o trabalho: o Uno Furgão, que era destinado aos usuários que tinham menos carga para carregar. Ou seja, era uma opção menor à Fiorino furgão.

Ele era conhecido pela ausência de vidros traseiros (trocados por chapas de aço) e de bancos traseiros, que davam lugar a um espaço plano só para objetos. Seu motor era o mesmo 1.3 Fiasa das versões mais baratas, com carburador de corpo simples.

Fiat Uno Mille chega em 1990

Dois anos depois, em 1990, o Uno ganhava um dos maiores avanços da sua vida: a versão Mille, sobre a qual vamos falar mais para a frente. Antes disso, em fevereiro daquele ano, chega o Fiat Uno 4 portas: a carroceria era exclusiva da versão mais cara CSL (Comfort Super Luxe), que vinha da Argentina com a novidade do motor Sevel 1.6 de 84 cv com gasolina e 88 cv com álcool, que havia sido aumentado a partir do 1.5.

Agora, com as duas portas a mais, o popular da Fiat iniciava sua real carreira de sucesso, que vamos continuar contar em um próximo texto, nas próximas semanas.

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19 Comentários
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LUDNEI VIEGAS DE SOUZA 30 de julho de 2021

Excelente carro ,cresci dentro de um uno S 92 que minha mãe adquiriu depois de muito esforço,lembro-me que ele
vinha com uma faixa no vido traseiro com a frase:
UNO O CARRO DO ANO. Viajamos muito nele,carro guerreiro,cresci com o sonho de obter um,do mesmo modelo. Hoje consegui realizar o sonho de adquirir.
Hj tenho meu UNO 1.6R Mpi 94 vermelho (vinho ) Completaço,só alegria,e será um casamento, até que a morte me separe.rss

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Werllej Antônio Madeira 30 de julho de 2021

Prefiro carros assim de construção simples fácil de manter e barato e o famoso pau para toda obra hoje temos os carros de hoje que tiram o prazer de dirigir com controles de estabilidade câmbio automático e muitos mais claro que os sistemas de segurança são bons mais o resto da eletrônica embargada e que faz os carro de hoje cheio de frescura e aí temos uno carro simples que da prazer em dirigir um carro raiz um abraço e obrigado

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Paul Muadib 29 de julho de 2021

O SX além de motor melhor tinha aqueles acabamentos plásticos nos para-lamas, encontrados hoje em versões “tracking” de alguns modelos.

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Allan Pereira Guimaraes 29 de julho de 2021

Só tomar o devido cuidado pra não se contaminar com o linguajar “das ruas”: não existe frente alta e baixa, elas tem a mesma altura, só trocaram a grade, os faróis e os piscas por outros MAIS ESTREITOS. No Uno, inclusive, cairia até bem o apelido de “chinesinho”, que praticamente não tem a ver com o Gol…

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OSEAS SANDOVAL 25 de julho de 2021

Fiat uno Bom de mais carro guerreiro

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José Ailton Silveira Alves 25 de julho de 2021

Ja posuie 03 carros más o meu xodó foi meu fiat uno 2001 fire 4 portas lindo n sei pq vendie me arrependo até hoje.

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Robson Lage 23 de julho de 2021

O meu uno foi um sx yong,foi o melhor carro que tive, só gastava com combustível e óleo ,nem manutenção dava de tão bom que era,que saudade daquela época.

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Mauro Sergio Norberto dos Santos 23 de julho de 2021

Eu guardei e restaurei o último carro que meu saudoso pai teve, um Mille 91 que ele adquiriu em 1993, não vendo nem troco!

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Polvo 23 de julho de 2021

O Uno era um carro bem a frente do seu tempo, pelo menos aqui no Brasil. Tamanho compacto, mas com bom espaço interno, posição de dirigir muito boa, excelente visibilidade e econômico. A única coisa ruim desses primeiros modelos era o câmbio, muito duro. Tive um Mille 96 1.0 com injeção monoponto que era muito valente, saudades desse carrinho.

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José Eduardo bonani 23 de julho de 2021

Ele tem algo em comum com o Fiat panda? Eles são muito parecidos.

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Alexandre rodrigues 23 de julho de 2021

Uno um dos melhores carros popular já feito em questao tenho dois .

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FRANCISCO ALBERTO BAPTISTA 23 de julho de 2021

A informação que ele foi lançado com cambio só de 5 marchas não procede, os primeiros tinham apenas 4 marchas, principalmente os “S”, que se me lembro bem esse cambio ficou até 87, mas no final de 85 já haviam unidades com cambio de 5 marchas.

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Paul Muadib 29 de julho de 2021

Tivemos um S ’86 com 5 marchas.

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Ricardo Garlipp 23 de julho de 2021

Excelente projeto da Fiat. Até hoje pode-se dizer que ele foi o sucessor do Fusca, com todos os recursos da tecnologia da época. Pena que a Fiat não lançou aqui o Panda 4×4,teria sido um sucesso de vendas em um país com tantas estradas de terra.

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Leonardo sebalhos de quadros 23 de julho de 2021

Temos em casa um uno cs top 1989 desde 1992 e o meu xodo,este modelo e uma ediçao limitada e por ter cido do meu avo,meu pai mantenho ele na garagem e todo original
Meu geande e calente carrinho com seis 160 mil rodados e nunca feito i motor esta em otimo estado

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Ewerton 23 de julho de 2021

Tive um uno cs 84… vermelho Ferrari… era meu xodó…motor não tinha tanta força .. mas era o que se tinha a época… fui muito feliz com ele.

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Fernanda Sousa 22 de julho de 2021

Eu adoro minha uno fiat , n vendo do jeito nen um 😎✌

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Leandro 22 de julho de 2021

Saudade do meu Mille 91 preto, duas portas. 48 cavalos de muito prazer de dirigir na época. Hoje qualquer moto de média cilindrada tem mais potência. Mas fui feliz com o carrinho. Viajei boa parte do Brasil com ele, nunca me deixou na mão.

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ANTONIO CARLO DA ILVA 22 de julho de 2021

Eu tive um fiat uno Mille eu amei eu me arrepedoe de ter vendido eu fiquei 10anos o carro e maravilhoso eu a inda vou conseguir outro carro uno mulher

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