Ford Corcel: 50 anos de histórias e ‘estórias’

Os 50 anos de história do Corcel tiveram várias "estórias", desde o espanto dos "hermanos" com seu motor até ser pilotado por Emerson Fittipaldi

Por Boris Feldman 05/07/18 às 21h15

Rodava na Argentina, na década de 90, o Ford Escort importado do Brasil. Com alguns anos de uso seu motor “abria o bico” e ia para a retífica. Abertos os primeiros, espanto geral: eram exatamente iguais aos motores do Renault R-12 fabricados pelos hermanos. Mas como – perguntavam – um Ford pode ter sob o capô um motor igual ao do nosso Renault?

ford corcel 1968
Ford Corcel 1968 (Ford | Divulgação)

Explicação simples: a Willys Overland desenvolvia no Brasil, em parceria com a Renault, um substituto para o Gordini, que se chamaria R-12 na França. A Ford comprou a Willys em 1967 e decidiu lançar o carro pois gostou do projeto que, aliás, estava quase pronto. Modificou a carroceria, manteve integralmente a mecânica e criou um nome de batismo derivado de cavalo, assim como o Mustang.

Nascia assim, no final de 1968, o Ford Corcel, produzido até 1986 e que se tornou o maior sucesso de vendas da marca no nosso mercado. Um Ford com mecânica Renault. Ao lançar aqui seu substituto, o Escort, a Ford manteve o motor só mudando sua denominação para “enganar” o mercado. Então, o carro exportado para a Argentina era um Ford de verdade, porém com motor Renault, herança do Corcel. Ou seja, o mesmo do R-12 produzido lá.

O Corcel teve, de 1968 a 1986, 1,4 milhão de unidades produzidas entre sedãs, cupês, peruas (Belina) e picape (Pampa). Primeiro carro com tração dianteira, com motor 1.4 (depois 1.6), foi também o pioneiro no Brasil com radiador selado. E ainda deu origem a dois modelos de luxo para substituir o Galaxie: o sedã Del Rey e a perua Scala. Claro que o brasileiro não perdoou e o luxo ganhou apelido de “corsário” (Corcel de otário). Teve uma única grande remodelação, no final de 1977, só com as carrocerias cupê e perua.

À época de seu lançamento, eram comuns as corridas com carros turismo, os mesmos que rodavam nas ruas com pequenas adaptações. Uma das mais famosas era disputada em Belo Horizonte, em volta do estádio do Mineirão. Em janeiro de 1970, os irmãos Fittipaldi se inscreveram com dois carros: Wilson com Pedro Vitor Delamare com o Super Fusca (nesta corrida com apenas um motor), Emerson e Boris Feldman num Ford Corcel preparado por Luiz Antonio Greco.

Boris Feldman (esq.) e Emerson Fittipaldi durante corrida em 1970 (Arquivo pessoal)
Boris Feldman (esq.) e Emerson Fittipaldi durante corrida em 1970 (Arquivo pessoal)
2 Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Comentários com palavrões e ofensas não serão publicados. Se identificar algo que viole os termos de uso, denuncie.
  • Avatar
    Francisco 23 de janeiro de 2019

    Muito legal. Sou fanzaço do Corcel. nesta foto do Boris com Emerson, acredito que a roda dianteira seja de 7 ” (polegadas)… e a traseira, qual largura (seria 6″?) ?
    Abraço. Sou seu fã.

    • AutoPapo
      Boris Feldman 31 de janeiro de 2019

      Sem dúvida as dianteiras eram 1″ mais largas que as traseiras.
      Porém não me lembro mais das medidas: tem quase 50 anos!

      Obrigado e abraço.

Avatar
Deixe um comentário