Ford Escort: conheça a história deste clássico nacional

Não só por ter sido o primeiro carro mundial da Ford a ser comercializado no Brasil, o Escort foi um sucesso e teve versões memoráveis

Por Andre Willis 24/02/20 às 14h37

O ano era 1983: o mercado automotivo brasileiro era dominado por modelos como Volkswagen Fusca, Brasília e Passat, Ford Corcel e Belina, Chevrolet Chevette e Opala e o Fiat 147. Mas os fabricantes apostavam em novos produtos para aquela década, como Fiat Uno, Chevrolet Monza e o Ford Escort, assunto desta matéria.

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Lançamento do Ford Escort no Brasil

Lançado em 1983, o Escort foi o primeiro carro mundial da Ford a ser comercializado no Brasil. Quando ele chegou no nosso mercado, já estava em sua terceira geração na Europa.

O Escort tinha suspensão independente nas quatro rodas, calibrada pela Ford para a qualidade do asfalto brasileiro. Ele começou a ser vendido com motores transversais 1.3 e 1.6 da linha CHT (sigla para Compound High Turbulence, que significa Câmara de alta turbulência) nas versões mais simples L e GL e na mais requintada Ghia.

Escort L 1983

Escort L 1983

Ford Escort XR3

A versão mais conhecida do Ford Escort, a esportiva XR3 (de Experimental Research 3), chegou no mesmo ano de lançamento do restante da linha. Tinha visual incrementado com quatro faróis auxiliares, aerofólio traseiro, bancos esportivos, lavadores de faróis, teto solar e as charmosas rodas de liga leve estilo ‘trevo de quatro folhas’.

Nesta versão, a Ford recalibrou o motor 1.6 CHT, que acabou por ganhar mais 10 cv de potência. No ano de 1985, a Ford lançava no Brasil o ‘irmão’ do XR3, com carroceria conversível. Um destaque a mais para o esportivo, que nessa configuração, é raro de se ver nos dias atuais.

Reestilização

Em 1986, o visual do Ford Escort passou por mudanças. Capô, grades, faróis, piscas e os para-choques receberam alterações. Além disso, o modelo passou a ser equipado apenas com motor 1.6 e carroceria de duas portas.

A versão XR3 também recebeu alterações nos para-choques, com objetivo de proporcionar maior aerodinâmica ao esportivo. Ele ainda ganhou novas rodas de alumínio, painel com iluminação indireta e volante com revestimento de couro. Já em 1989, com a criação da Autolatina, as versões Ghia e XR3 receberam o motor Volkswagen AP 1.8.

Versões especiais

Em 1991, duas versões especiais compuseram a linha Escort: Guarujá, de quatro portas fabricada na Argentina, e XR3 Fórmula, que contava com amortecedores eletrônicos e bancos Recaro.

Nova geração

Em 1993, o compacto ganhou uma nova geração no Brasil. Ele recebeu carroceria totalmente nova, maior que a anterior, e o interior recebeu ares mais modernos. O XR3 seguiu em produção, recebendo um motor 2.0 com injeção eletrônica.

A carroceria antiga do Escort seguiu em produção, mas recebeu a denominação ‘Hobby’ para o segmento de carros populares, que ganhou ascensão na década de 1990. Inicialmente, o Hobby recebeu o motor 1.6, posteriormente trocado pelo 1.0.

Início do fim

Já em 1996, com a criação do bloco Mercosul, o Escort passou a ser fabricado na Argentina com uma nova frente. Essa mudança acarretou o fim das versões Hobby, Ghia e XR3. Para a linha 1997, o Escort passou por novo facelift e passou a utilizar o motor 1.8 Zetec. O modelo voltou a ter carroceria quatro portas, ganhou configurações Station Wagon e Sedan (que substituiu o Verona) e a versão RS, de duas portas e com apelo esportivo.

escort station wagon
Escort Wagon

Em 2000, o motor Zetec Rocam 1.6 nacional passou a equipar o Escort e ficou até o encerramento de sua produção, que se deu em 2003. Uma curiosidade é que o nome Escort retornou em um modelo do mercado chinês, mas que não tem ligação alguma com o conhecido clássico nacional.

Fotos Ford | Divulgação

2 Comentários
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    Rodrigo MARTINIANO 9 de agosto de 2020

    É bem interessante comparar produtos similares.
    Em 1985 eu comprei um Escort XR3 daquele mesmo ano, com menos de cinco mil km rodados, seminovo e super completo.
    Por conta da beleza eu o comprei, das mãos de um amigo já falecido (André Tarantelli), que de cara me preveniu: – “… cuidado com ele! Ele é traiçoeiro…”.
    André me vendeu o XR3, trocado por um Gol GT segunda série, em dezembro de 1985 já motorizado com o fabuloso motor AP-1800S.
    Por que o Escort seria (era / é) traiçoeiro logo eu descobri; devia-se (deve-se) a simplificações num projeto muito evoluído, só completo nos Escort Cosworth: por exemplo, o que garante manter o caster da suspensão dianteira nos Escort até 1992 é somente a barra estabilizadora, ou seja, se exigido o carro “perde” caster. Até 1992 os Escort nunca tiveram uma bandeja triangular – devidamente ancorada – em sua suspensão dianteira.
    Por outro lado, os Gol sempre as tiveram, e sempre, tanto mantêm a trajetória, como curvam bem, em vista da suspensão dianteira geometricamente indeformável (estável), razão – aliás – de trincas na parede-de-fogo dos Gol ‘quadrados’, pois algo tem de ceder.
    Um buraco nas então ‘lisinhas’ estradas brasileiras quase me matou dirigindo o XR3 1985: o caster foi “engolido” e a curva terminou numa vala da estrada.
    Mas, pior de tudo, o motor CHT Fórmula do XR3 nunca foi páreo para o AP da VW. Certa feita, uma Parati AP-1600 me “ralou” feio!
    Daí, como engenheiro eu concluo, as simplificações são bem vindas, porém se referidas simplesmente ao simples. Simplificar o complexo não vale!!!
    O Gol é simplesmente SIMPLES.

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    Luís Fernando Ferreira Da Silva 9 de junho de 2020

    Tenho um escort 1985 chia se vocês tiverem mais matéria sobre escort chia manda para o meu. Email
    Parabéns pela matéria.

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