Ford Maverick: V8 é cobiçado, mas modelo foi um fracasso

Relembre a história do modelo que foi trazido pela Ford para enfrentar o Chevrolet Opala, mas nunca convenceu o consumidor brasileiro

Por Boris Feldman 01/09/20 às 17h03

A Ford está pensando em lançar uma nova picape baseada no Bronco, aquele utilitário esportivo, aquele jipão recém-lançado nos Estados Unidos – que vem para o Brasil.  E essa picape poderá se chamar Ford Maverick ou então Bronco Maverick.

Mas Maverick, no Brasil, remete ao modelo produzido entre 1973 e 1979 e que foi um verdadeiro fracasso! Como assim? O Ford Maverick foi lançado para brigar com o Chevrolet Opala. O Opala foi fabricado em milhão de unidades; o Maverick, durante seis anos, passou pouquinho de 100 mil. Um terrível fracasso da Ford.

Mas por que tem gente apaixonada pelo Ford Maverick? Não é por todos eles, é pelo Maverick GT, com um motorzão V8 5.0: esse anda, esse desperta as emoções.  O resto foi um festival de fracassos, como poucas vezes se viu na história da indústria automobilística.

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A ideia da Ford com o Maverick era preencher a lacuna entre o compacto Corcel e o enorme Galaxie com um modelo intermediário para concorrer com o Chevrolet Opala.

Começou no caminho correto, organizando clínicas com potenciais compradores exibindo vários carros sem o logotipo para perceber a preferência do mercado. Entre os Ford Cortina (inglês), Taunus (alemão) e Maverick (norte-americano), o pessoal não vacilou e indicou o Taunus como o preferido.

No entanto, carro europeu sempre foi mais sofisticado que o americano e a diretoria da Ford decidiu investir (muito menos) no Maverick. Ao contrário do alemão Taunus, não tinha suspensão traseira independente com molas helicoidais e nem motor de pequena cilindrada, mas sofisticado e oferecendo boa performance. E ainda foi necessária uma estratégica modificação no logotipo norte-americano do carro, que ostentava dois garbosos chifres…

Emblemas do Ford Maverick brasileiro e americano
Emblemas do Ford Maverick brasileiro e americano: chifre foi abandonado por aqui

O Ford Maverick era um cupezão barato nos Estados Unidos (2.000 dólares na década de 1970), de mecânica simplória e baixo custo de produção. O primeiro grande erro da fábrica foi adaptar o velho e grandalhão motor de seis cilindros do jipe Willys e do Aero Willys (comprada no Brasil pela Ford), incapaz de conferir uma performance pelo menos razoável ao Maverick (0 a 100 km/h em 20 segundos).

Outro ponto negativo era o ridículo espaço no banco traseiro, pouco mais que um 2+2 característico dos esportivos. A Ford tentou resolver o problema lançando um quatro portas com maior entre-eixos mas, à época, o mercado brasileiro andava de amores com os cupês. Foi um caso típico de um projeto ao contrário das expectativas e que poderia ser definido como “grande por fora, pequeno por dentro”.

Ford Maverick 4 portas
Versão de 4 portas do Ford Maverick foi tentativa de melhorar espaço interno

Ford Maverick GT

O motorzão Willys foi substituído depois pelo bom e moderno 2.3 produzido na nova fábrica da Ford em Taubaté. E também, como opcional, o famoso V8 302 importado dos EUA.

A diretoria da empresa apostou uma pilha de fichas no Maverick, com ações junto à imprensa, promoções mercadológicas e até uma equipe de competições comandada pelo famoso Luiz Antônio Greco para capitalizar a performance do carro com motor V8 nas pistas.

Mas nenhuma estratégia de marketing foi capaz de conferir ao Maverick mínimas chances de concorrer com o bem sucedido Chevrolet Opala. Depois de vários desacertos e polêmicas internas que – dizem – fizeram até rolar cabeças na diretoria da Ford, o Ford Maverick teve sua morte decretada em 1979, apenas seis anos depois de seu lançamento.

O Maverick GT com motor V8, esse sim deu certo! O povo gosta, curte. Sabe quanto está valendo no mercado de antigos? De R$ 150 mil a R$ 200 mil, esse foi o Maverick que deu certo! Infelizmente o resto, fracasso!

ford maverick gt
Ford Maverick GT V8: o único que virou sucesso na linha

Fotos: Ford | Divulgação

15 Comentários
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    Mauro Cardoso 19 de setembro de 2020

    Ao invés de enaltecer o verdadeiro Maverick V8, ficaram falando mal do 4 cilindros.
    O Meverick veio para concorrer com os Dodges, não com os Opalas.

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    Carlos Eduardo Ribeiro lessa 18 de setembro de 2020

    Meu Saudoso Pai, tinha um Maverick v8, eu aos finais de Semana saia da Cidade do Bonito, e ia para a Cidade do Morro do Chapéu, sendo que as duas Cidades são no Estado da Bahia, era uma tremenda Aventura.

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    Fernando Arienti Lázaro 16 de setembro de 2020

    Fracasso , nunca convenceu , desde a primeira corrida , até os dias de hoje , provou mais do que qualquer carro , mais o alto valor ,a cobiça , e é um fracasso ?Creio ser ofensivo esse título .

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      Franvisco lamas 19 de setembro de 2020

      Esse coitado aí deve ser Opaleiro ,..tomou muito pau de Maverick tá magoado até hoje 😂😂😂😂😂😂😁

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    alexandro 3 de setembro de 2020

    Segundo a própria Ford disse na época,a culpa pelo fracasso dos Maverick foi das mulheres(…)!!!Vê se pode… naquela época mulheres,não apitavam nada,quanto mais na compra de um coupé esportivo…A culpa foi da porcaria que era a versão 6 cilindros ,péssimo desempenho e alto consumo,numa época de gasolina cara!!!Vale também lembrar que ,nos EUA,o Maverick foi um sucesso maior que o próprio Mustang e isso sem ter motor V-8,vendendo nos primeiros anos uma média de 600 mil unidades POR ANO!!!Tavam pouco se lixando com o mercado brasileiro da época…

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    William 3 de setembro de 2020

    Olá a todos, sou um proprietário apaixonado por Maverick, possuo um Mod. GT V8 1976, o mais raro por ter sido fabricados somente 499 unidades, do Maverick GT.O Maverick só foi produzido durante 7 anos, e foram produzidos as seguintes quantidades por modelos:

    Total Produzido em sete anos: 108.106 unidades

    ANO 1973 = 18.970..
    CUPÊ 16.287
    SEDÃ 602
    GT 2.081

    ANO 1974 = 34.770
    CUPÊ 23.859
    SEDÃ 6.734
    GT 4.177

    ANO 1975 = 21.159
    CUPÊ 17.864
    SEDÃ 2.297
    GT 998

    ANO 1976 = 19.982
    CUPÊ 18.040
    SEDÃ 1.443
    GT 499

    ANO 1977 = 7.434
    CUPÊ 5.278
    SEDÃ 513
    GT 1.643

    ANO 1978 = 4.757
    CUPÊ 3.526
    SEDÃ 233
    GT 998

    ANO 1979 = 1.034
    CUPÊ 800
    SEDÃ 57
    GT 177

    Observem que ao ponto que a crise do energética do petróleo iria se agravando as vendas iam caindo, principalmente dos modelos GT V8.
    Mas de acordo da matéria pois já possui 17 Opalas 6cc e 4 Maverick.
    E o Maverick é muito mais clássico que os opalas.

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      Alan 20 de setembro de 2020

      79 são os GT menos fabricados , os mais raros . Independente disso qualquer maverick modelo ou ano foi o melhor carro já produzido no Brasil.

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    Diego Vetter 2 de setembro de 2020

    Bom, podemos fazer algumas considerações. O número total de vendas do modelo não quer dizer se ele foi um sucesso de fato ou não. Isso é para os apaixonados de carro (nós). Para as empresas, é a margem de lucro que esses carros dão (os dados não são oficiais). Então, relativo. Depois devemos considerar o período de venda desses modelos: Marverick 7 anos, Opala 25 anos. Então, Marverick com 14.285 veículos vendidos por ano, e Opala 40.000 veículos por ano. Aí a diferença não é de 10x, não é? Vender pouco mais de 1.000 unidades por mês naquela época não era um fracasso. O Opala tinha um posicionamento sem concorrente dentro da própria montadora (e muito mais versões e tipos), enquanto o Maverick tinha: quem entrava numa concessionária da Ford, estava disposto a comprar um Galaxie, não um Maverick 4p (apesar de bom). O último também não tinha a versão station wagon, que vendia bem na época. E a própria política da Ford: retirou o carro da produção apostando que a crise do petróleo iria durar por muitos anos, já a Chevrolet não. Por fim, quando o Maverick deixou de ser produzido, ele era relativamente atual, em fim de ciclo. Já o Opala, já estava bem defasado no início dos anos 80 (mas como não tinha concorrente e nem sucessor…). Todos os dois deixaram saudade para os brasileiros, o que mais interessa. Se deixou saudade, sucesso! (um Celta causará saudade algum dia?)

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    Jander ferreira 2 de setembro de 2020

    Ha então a quela história que o Maverick parou de ser fabricado pela crise do petróleo foi mentira???

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      Beberão 2 de setembro de 2020

      Pelo jeito foi o Maverick que causou a crise do petróleo pelo tanto que bebia kkk

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    Antonio D'Angelo Junior 1 de setembro de 2020

    Eu tive o prazer de ter tido um Maverick GT 74, V8 na cor vermelho Cadmium.
    Apenas quero fazer duas correções na matéria. A primeira é que foram fabricados Maverick GT com motor OHC 2.3, 4cc, ou seja, nem todos os modelos GT eram V8.
    Segunda correção é que foram fabricados outros modelos de Maverick com motorização V8, como o Super Luxo por exemplo.

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      reinaldo 2 de setembro de 2020

      exatamente isso , eu tive um superluxo 78 azul ultramarino , interior monocromatico azul logicamente , vidros verdes e parabrisa rayban degrade . vendi quando casei ( puts que cagada , devia ter casado com ele , garanto que teria sido muuuuuuuuito mais feliz , e acho que não teria me divorciado daquele 302 até hoje.

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    JOE 1 de setembro de 2020

    Meu falecido pai tinha um azul – eu lembro q ele instalou um lance que dizia q andaria no alcool, andava, mas engasgava…

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      Jander ferreira 2 de setembro de 2020

      Sou fã do Maverick! Meu sonho e que a ford voltasse a fabricado de novo!🙏

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        Anderson de Oliveira Guimarães 2 de setembro de 2020

        Sou fã da Ford porque eles são bons no que fazem, e sem dúvidas o Maverick é uma lenda carro de homem. Meu sonho ter um V8 desses com toda sua originalidade.

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