Hyundai vai lançar câmbio manual sem pedal de embreagem

Sistema inclui um sensor de intenção, que aciona automaticamente a embreagem ao perceber a movimentação do condutor para manusear a alavanca de câmbio

Por AutoPapo 10/07/20 às 12h30

Muita gente aposta que a caixa de marchas automática substituirá a manual em um futuro não muito distante. Apesar disso – ou talvez por causa disso – a Hyundai anunciou o desenvolvimento de um novo câmbio sem pedal de embreagem, mas com acionamento mecânico. O motorista apenas move a alavanca, sem operar o pedal de embreagem.

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Nesse sistema, como em qualquer câmbio automatizado, há uma embreagem: a diferença é que ela não é acionada pelo condutor, e sim por um mecanismo eletro-hidráulico, operado por uma central eletrônica. A marca coreana batizou a própria criação de Transmissão Manual Inteligente (iMT).

Ainda segundo a Hyundai, o custo de produção é mais baixo que o de uma caixa de marchas automática. O câmbio iMT tem seis velocidades e, segundo a Hyundai,  será lançado em breve no mercado indiano. Ele vai equipar o Venue, um SUV compacto menor que o Creta, associado a um motor 1.0 turbo de quatro cilindros.

O Venue é vendido em vários outros países, inclusive nos Estados Unidos. Por enquanto, o fabricante não revelou se pretende expandir a oferta na nova transmissão para esses mercados.

A Hyundai explica que o diferencial do câmbio iMT é um sensor de intenção, que aciona a embreagem ao perceber a movimentação do corpo do condutor para manusear a alavanca da transmissão. Após a marcha ser engatada, o sistema faz o desacoplamento.

Claro, a caixa de marchas iMt tem salvaguardas eletrônicas para impedir danos caso o motorista faça uma operação errada, como, por exemplo, reduzir da sexta para a segunda em alta velocidade. E o fabricante afirma que o sensor é muito preciso: consegue distinguir até falsos gestos da real intenção de operar o câmbio.

Conceito de caixa de marchas com embreagem automática não é novo

Outros fabricantes já desenvolveram sistemas semelhantes no passado. No Brasil, a primeira foi a DKW, ainda na década de 1960, com o mecanismo Saxomat, que funcionava de modo totalmente mecânico: um platô com contrapesos, que atuava por força centrífuga, acionava automaticamente a embreagem.

fiat palio citymatic
Assim como outros veículos com embreagem automatizada, Palio Citymatic teve pouco sucesso no mercado brasileiro (Foto: Fiat | Divulgação)

Posteriormente, na virada do século, vieram mais modelos com acionamento automático da embreagem, já com tecnologia eletrônica. A Mercedes-Benz lançou o Classe A com sistema AKS, a Fiat ofereceu o Palio Citymatic e a Chevrolet disponibilizou o Corsa AutoClutch.

Em todos esses sistemas, o motorista mudava as marchas sem operar um pedal de embreagem. Porém, a maioria deles ficou marcada por falhas de funcionamento. Além disso, havia limitações de uso: era preciso mover a alavanca devagar, senão a central eletrônica impedia a operação.

A Hyundai aposta na tecnologia atual e, principalmente, no tal sensor de intenção para evitar os inconvenientes vistos no passado. Se realmente funcionar a contento, o iMT poderá ser o sistema mais próximo de uma autêntica caixa de marchas manual que as próxima gerações conhecerão.

6 Comentários
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    Silvio 21 de julho de 2020

    Reclamações a parte, mas eu particularmente gostei e muito do automatizado, sei que é questão de gosto mas realmente o automatizado era um ótimo meio termo. Pena que infelizmente não houve uma boa estrutura para mecânicos particulares. Quanto ao Palio já dirigi na época e lembra muito o automatizado.Acredito que possa dar certo se for repassado o operacional da manutenção para o mecânico externo (particular)

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    Francisco 12 de julho de 2020

    Ainda fico com o câmbio manual tradicional! E se for de 6 marchas, melhor ainda!

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    Nilo Neto 10 de julho de 2020

    E, certamente, haverão uns bestas para comprar e depois sair reclamando que estraga muito ou que não consegue valor justo na revenda. Tal qual câmbio automatizado, power shift e outras trapizombas.

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      Marcelo Semmler 10 de julho de 2020

      Automatizado é preciso conviver com os “trancos” das trocas. Talvez com este sistema não tão novo assim, isso possa ser evitado. Além disso, transmissões mecânicas apresentam valores de resistência interna (rendimento) bem menor se comparados a uma transmissão automática. Isso deixa veículos mais “econômicos” e o que a Hyundai pode estar visando é o benefício fiscal do programa Rota2030 através da redução do consumo e emissões e a melhora na eficiência energética de sua frota, beneficiando-se assim dos incentivos fiscais do programa por atingir metas do programa em si! 😉

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    Eu 10 de julho de 2020

    […]”Autêntica caixa de marchas manual que as próxima gerações conhecerão.[…]” Espero que não, e onde fica o prazer de dirigir e o baixo consumo, nunca igualado por um câmbio automático/automatizado em relação ao manual. Carro automático é pra preguiçoso, e facilita só pra quem usa o celular enquanto dirige.

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    enrique jorge esper 10 de julho de 2020

    muitos consumidores perferen caixa de cambio manual

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