IPI menor para veículos pode abrir espaço para reforma tributária

"A redução do IPI tem um aspecto positivo e importante. Trata-se de um raríssimo movimento de diminuição permanente, porém pequeno, da carga fiscal"

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Produção e vendas do setor de veículos vão aumentar com a redução do IPI? (Foto: Volkswagen | Divulgação)
Por Fernando Calmon
11 de março de 2022 10:03

As vendas de veículos nas concessionárias em fevereiro cresceram apenas 2,2% em relação a janeiro, mas o primeiro bimestre deste ano foi fraco, com queda de 24,4% sobre o mesmo período de 2021. O ritmo de vendas diárias no mês passado permaneceu baixo, apenas 6.500 unidades. A tendência era de recuperação, mas as notícias de redução das alíquotas do IPI na última semana de fevereiro levaram ao adiamento das decisões de compra.

Este mês o mercado começou a reagir. De 1º a 7 de março foram comercializadas em média 8.700 unidades por dia. Se subir para o nível de 10 mil por dia neste e nos próximos meses, 2022 será um ano bastante razoável.

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Anfavea indica que há dois movimentos: um positivo (IPI menor) e outro negativo (invasão da Ucrânia pela Rússia). Há possibilidade de cerca de 80.000 veículos nos estoques das concessionárias serem refaturados para incluir o desconto do IPI. A associação dos fabricantes de veículos afirma que os preços são livres e, portanto, cada empresa decidirá o grau de repasse do imposto menor. Em outros termos, pode ser integral, parcial ou nenhum.

Mesmo que os carros não caiam de preço nominalmente, os aumentos talvez sigam em ritmo menor. Essa torna-se uma discussão sem grande sentido. Em primeiro lugar porque, feitos os cálculos, a redução limita-se a percentuais bem baixos.

Dependendo de como cada modelo se enquadra a partir de cilindrada, motor a gasolina, flex ou diesel, picape leve ou média, furgões e híbridos ou elétricos o impacto potencial no preço final varia de menos 1,4% a menos 4,1%. O percentual maior só é aplicável em modelos mais caros que representam cerca de 2% do mercado.

Assim, fica difícil de saber o que realmente foi ou não repassado, mesmo parcialmente, em um cenário de persistentes aumentos de custos. A Kia, por exemplo, divulgou uma nova tabela de preços com reduções de até 3,7%. Trata-se, porém, de uma importadora com outros custos envolvidos, como a variação do dólar.

A redução do IPI tem um aspecto positivo e importante. Trata-se de um raríssimo movimento de diminuição permanente, porém pequeno, da carga fiscal. No passado, houve corte não definitivo das alíquotas. Os preços caiam, compradores antecipavam compras. Depois o imposto voltava a subir e o mercado de veículos afundava. Um movimento de vai-e-vem que se provou contraproducente para o planejamento e a geração firme de empregos.

O que se espera agora é o início de uma reforma tributária verdadeira e criação do IVA (Imposto sobre Valor Agregado), existente em outros países. O sistema atual gera créditos tributários nas exportações que se acumulam sem serem restituídos.

Alta Roda

RENAULT deu um passo importante para atualizar sua linha de produtos no Brasil. Vai estrear a arquitetura CMF-B, a mesma do Clio hatch europeu. Trata-se de um SUV compacto em estágio avançado de desenvolvimento (projeto HJF para início de 2024) e não tem até agora um modelo correspondente na Europa.

Estreará também o motor 1-litro turbo flex, triclindro, que na Europa desenvolve 100 cv/16,3 kgf.m e inclui opção de câmbio automático CVT. Aqui potência e torque deverão ser até 20% maiores, em especial com etanol.

STELLANTIS acredita que o mercado brasileiro de veículos deverá crescer este ano, apesar do começo de ano difícil. Antonio Filosa, presidente do grupo na América do Sul, planeja 16 novos modelos e 28 reestilizações na região até 2025, inclusive mais uma marca importada do grupo.

Haverá ainda sete elétricos e híbridos plugáveis, começando pelo Compass 4xe S importado da Itália (240 cv). Um híbrido leve será fabricado em Betim (MG) com motor flex. Picape média Ram (monobloco, como a Toro, porém maior) está nos planos para produção local na faixa de Hilux, S10, Ranger, Frontier, L200 Triton e Amarok.

PICAPE média de cabine dupla pode atender uma ampla gama de usuários. A Ford enxergou públicos específicos ao oferecer a sexta opção entre os modelos com tração 4×4. Ranger FX4 custa (já com o repasse do novo IPI) R$ 288.990, o mesmo preço da versão XLT.

Foi identificado um perfil de comprador focado no fora de estrada, porém mais exigente em requinte e recursos. Como acessório há um snorkel na coluna dianteira direita (mais segurança em superação de alagados até 80 cm). “Santantônio” novo, mais parrudo, tem pontos para amarração de equipamentos. Na caçamba é possível incluir caixas organizadoras com chave e volume de 42 litros cada.

NOVA estratégia mundial da Volkswagen, batizada de Accelerate, enfatiza a digitalização de processos produtivos e dos veículos, além de ampliação da meta para vender 70% de modelos 100% elétricos na Europa (antes previa 35%), 50% na China e nos EUA até 2030.

Também pretende impulsionar a condução autônoma a partir de 2026, começando no nível 2,5 até chegar ao nível 4 (avançado). Para isso construirá uma fábrica inteiramente nova em Wolfsburg (projeto Trinity). Exigirá investimento de 2 bilhões de euros (R$ 11 bilhões), simplificando sua gama de modelos e versões.

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