Abarth: conheça 5 carros históricos da ‘divisão esportiva’

A Abarth é o braço de competições da Fiat desde 1971 e traz em seu currículo muitos carros pequenos e velozes, separamos cinco dos mais famosos

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A Abarth brilhava na hora de preparar carros compactos (Foto: Autobianchi | Divulgação)
Por Eduardo Rodrigues
19 de março de 2022 10:03

A Abarth é a preparadora oficial da Fiat e está chegando ao Brasil com status de marca já apimentando um projeto 100% nacional: o Pulse. Antes dessa nova fase, ela esteve presente por aqui no modelo esportivo do Stilo e mais tarde com o foguetinho 500 Abarth importado do México.

A história da Abarth é riquíssima: ela foi fundada pelo piloto austríaco Carlo Abarth em 1949, para preparar carros de corrida da Cisitalia. Carlo escolheu o escorpião como logo da empresa por ser o seu signo do zodíaco. Pessoas desse signo são definidas como intensas, característica que os carros da Abarth compartilha.

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Em 1971, Carlo vendeu a Abarth para a Fiat, se tornando assim o braço de competições da marca e de suas subsidiárias. O comando passou a ser do engenheiro Aurelio Lampredi, que é o criador do motor Fiasa e do segundo V12 da Ferrari. A Fiat relançou a Abarth em 2007 com o status de marca, fazendo versões esportivas de rua e de pista do Grande Punto.

Na Europa, ela possui showrooms exclusivos, estratégia que será adotada também no Brasil. Hoje sua gama se limita ao 595 e ao 695, ambos são versões apimentadas do Fiat 500. Hoje o AutoPapo vai relembrar alguns modelos históricos da Abarth:

1. Abarth 1000TCR

Já pensou em um carro tão “bravo” que o moto nem cabe dentro do cofre? Isso pode parecer a descrição de algum muscle car com preparação exagerada para o SEMA Show, mas é na verdade da versão de corrida do diminuto Fiat 600.

O 600 era o irmão maior do Nuova 500, trazendo um motor de quatro cilindros na traseira com 633 cm³ de deslocamento. A Abarth usou o 600 para dominar as categorias de 850 e 1000 cm³. O Abarth 850TC Berlina foi o primeiro a ser criado, usando um motor 850 de 52 cv.

A tampa do motor precisava ficar entreaberta devido aos carburadores maiores, além disso havia a vantagem de ajudar a circular o ar quente. Para a categoria acima existiu o 1000TC e o 1000TCR. Eles traziam um motor 1.0 que rendia entre 85 e 114 cv dependendo do ano e a tampa do motor foi convertida para funcionar como spoiler, deixando o propulsor exposto.

Como o carrinho pesava apenas 583 kg, ele era capaz de atingir 190 km/h. O desempenho do Abarth 1000TCR foi tão bom que o Sports Car Club of America (SCCA), responsável pelas competições nos EUA, baniu o carro do piloto Alfred Cosentino por ser mais rápido que os V8. O piloto havia conseguido 51 vitórias em 53 corridas com seu Abarth.

2. Fiat 131 Abarth Rally

O Fiat 131 é um antecessor dos médios Tempra e Marea, sendo um dos últimos carro de tração traseira da marca. A fábrica italiana corria nos ralis com o 124 Spider preparado pela Abarth, mas em 1976 trocou o esportivo pelo novo sedã.

O modelo de corrida se destaca pelos para-lamas alargados, capô e tampa do porta-malas feitos em plástico, e o discreto spoiler do tipo rabo de pato. As mudanças maiores não eram vistas logo de cara: o assoalho foi modificado para receber uma suspensão independente na traseira e o motor 2.0 de comando duplo ganhou um cabeçote de 16 válvulas.

Esse motor é mais uma obra de Aurelio Lampredi e foi usado no Brasil pelo Tempra, Tipo e Coupé. No 131 Abarth Rally de rua ele usava carburadores Weber 34 ADF de corpo duplo e rendia 140 cv. Na versão de competição o motor trazia cárter seco, injeção mecânica e podia chegar a 240 cv.

Esse sedã familiar conseguiu 20 vitórias entre 1976 e 1981, sendo seis delas com o alemão Walter Röhrl ao volante. A Abarth fez na terceira série do 131 uma versão esportiva de rua, a Volumetrico. O nome vem do compressor mecânico instalado no motor 2.0 8 válvulas de comando duplo, que rendia os mesmos 140 cv o Rally de rua.

3. Autobianchi A112 Abarth

A Abarth sempre foi abrangente na hora de fazer suas preparações, tendo até o Porsche 356 no currículo. Mas ela parece brilhar mais com os carros compactos. O Autobianchi A112 foi um carrinho urbano desenhado por Marcelo Gandini, o pai do Lambroghini Miura, e menor que o Fiat 147.

Por isso, a Abarth não precisou de colocar três dígitos de potência no carro para ele ficar esperto. A primeira versão Abarth do A112 trazia um motor aumentado de 900 cm³ para 1 litro, escapamento esportivo, comando de válvulas mais agressivo e carburador de corpo duplo, resultando em 58 cv. Como ele pesava apenas 690 kg, já era possível se divertir nas estradas italianas.

Mas os engenheiros não pararam por aí. Em 1975 aumentaram o curso dos pistões para deslocar 1.050 cm³. Com mais algumas mudanças no motor ele passou a produzir 70 cv. A cereja do bolo ficava pela caixa de 5 marchas opcional.

O Autobianchi A112 foi tão popular nos ralis pela Europa que a marca criou o Campionato A112 Abarth. Seu preço acessível e desempenho atraía jovens aspirantes a piloto, um deles foi ninguém menos que Olivier Panis.

4. Abarth 124 Spider

Agora já entramos na fase moderna da Abarth. A Mazda e a Alfa Romeo estavam com uma parceria de dividir entre si a arquitetura do roadster MX-5, porém o então CEO da FCA, Sergio Marchionne bateu o pé e disse que carros da Alfa precisam ser feitos na Itália. A parceria acabou indo parar com a Fiat.

Em 2015 os italianos apresentaram o novo 124 Spider. Ele utilizada a plataforma da quarta geração do MX-5, porém sua carroceria e o motor eram diferentes. Enquanto o roadster japonês oferecia um 1.5 ou um 2.0, ambos aspirados, o 124 usava o 1.4 turbo MultiAir de 140 cv da própria Fiat. Isso deu comportamento distinto para os carros.

A Abarth, que na época já preparava o Grande Punto e o 500, não ia ficar de fora e fez sua versão do 124 Spider. O carro era produzido na fábrica da Mazda em Hiroshima, no Japão. De lá era enviado para a Officine Abarth em Mirafiori, na Itália, para ser finalizado.

O motor 1.4 turbo era atualizado para produzir 170 cv e 25,5 kgfm, o diferencial recebia um LSD mecânico, os freios são Brembo e os amortecedores vieram da Bisltein. O escapamento Record Monza fazia esse motor 1.4 soar maior que ele realmente é.

O visual trazia uma faixa em preto fosco remetendo aos 124 Spider Abarth de rali antigos. Por dentro vinham bancos Recaro e detalhes em camurça no painel. Assim como os Abarth antigos, esse era um esportivo leve: pesava apenas 1.060 kg, menos que qualquer versão do 500 moderno!

5. Abarth 695 esseesse

O Fiat 500 atual está em produção desde 2007 e já possui uma nova geração com propulsão elétrica. O modelo a combustão está com os dias contados e, com isso, suas versões Abarth também estão.

Para marcar esse fim de ciclo a Abarth criou a edição limitada esseesse de 695, a mais potente e rápida do 500 moderno. O pequeno 1.4 turbo MultiAir foi acertado para produzir 180 cv e 25,5 kgfm. O câmbio pode ser manual ou automatizado, sempre com cinco marchas.

O 695 esseesse remete às origens da Abarth com o Fiat Nuova 500 nas pistas, por isso traz capô de alumínio, escapamento Akrapovič com ponteiras de titânio e fibra de carbono no interior para garantir a leveza.

O spoiler traseiro é regulável e pode gerar até 42 kg de downforce, mas para atingir a velocidade máxima de 225 km/h ele precisa estar na horizontal. O pacote é completado pelos amortecedores Koni ajustáveis. A produção foi limitada em 1.390 unidades, sendo metade delas cinza e metade com a pintura preta das fotos.

Bonus: Lancia 037

A Abarth era o braço de competição da Fiat. Então quando o gigante italiano comprou a Lancia, a Abarth passou a cuidar da marca nas pistas. Escolher um dos carros de competição da Lancia dos anos 80 para estar nessa lista foi difícil, por isso escolhemos o primeiro dos carros de rali.

O 037 foi criado do zero para competir no desafiador Grupo B, a categoria mais extrema do campeonato mundial de rali (WRC). A Abarth aproveitou para homenagear seus carros de corrida dos anos 50 e 60 no desenho desse carro com a bolha dupla no teto.

O motor veio do 131 Rally e o compressor mecânico Volumex também havia sido usado pela Abarth anteriormente em carros da Fiat. Graças ao regulamento menos restritivo, esse moto podia chegar a 329 cv. O peso de 960 kg e o motor central faziam do Lancia 037 arisco de pilotar.

O alemão Walter Röhrl conseguiu domar a fera e levou o Lancia com pintura Martini ao topo do pódio em seu segundo campeonato, em 1983. Essa seria a última vez que um carro de tração traseira ganharia no WRC, a chegada do Audi Sport Quattro com tração integral em 1984 mudou a história do grupo B.

A Lancia ainda conseguiu ficar em segundo e em terceiro nos anos seguintes, mas para ser vitoriosa precisaria de tração integral. Para isso veio o Delta S4 em 1985, também feito pela Abarth. Com o fim do grupo B o foco passou a ser o grupo A, onde o Delta HF Integrale corria com preparação Abarth.

Fotos: Divulgação

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1 Comentário
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alecs 19 de março de 2022

Muuuuuiiitttttto estranhei como não foi feito pela Abarth o Coupé 20v turbo de 6 marchas da Fiat…

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