Montadoras pressionam e governo adia exigência por carros mais seguros

Obrigatoriedade do controle de estabilidade para 100% dos carros vendidos no Brasil só será implementada dois anos depois do previsto

Por AutoPapo 30/10/20 às 16h33
Botão do controle eletrônico de estabilidade do carro, mais conhecido como ESC
Controle de estabilidade (Foto: Shutterstock)

A Anfavea, associação que representa as montadoras no Brasil, pediu e o Contran (Conselho Nacional de Trânsito), adiou para 2024 a obrigatoriedade do controle de estabilidade – e de outros itens de segurança – para todos os carros vendidos no país. Antes, a medida entraria em vigor em 2022.

O calendário para a implantação obrigatória do importante item de segurança havia sido estabelecido em 2015, pela Resolução 567 do Contran. No último dia 22 ela foi alterada pela Resolução 799.

Segundo o site Autos Segredos, as montadoras haviam pedido um adiamento de três anos das novas regras de segurança. O motivo alegado foi a impossibilidade fazer testes dos novos sistemas devido a pandemia, já que eles são executados no exterior.

Para novos projetos de veículos produzidos no Brasil ou importador, o controle de estabilidade se tornou obrigatório a partir deste ano. Mas com o adiamento, a partir de 1º de janeiro de 2023, 50% da produção deverá contar com o equipamento de segurança.

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Em 2024, todos os carros 0 km vendidos no Brasil deverão ter o controle de estabilidade. Os fabricantes terão que disponibilizar esse recurso inclusive em produtos que, até então, não o ofereciam. Modelos muito antigos, que não teriam condições de recebê-lo, devem sair de linha.

O controle de estabilidade evita que o condutor perca o controle da direção em manobras bruscas ou em curvas em alta velocidade. Ao perceber que ocorreu perda de aderência, uma central eletrônica pode frear cada uma das rodas individualmente, além de controlar a aceleração do motor.

controle de estabilidade (ESP ou ESC)
Controle de estabilidade em ação: equipamento essencial para a segurança (Foto Shutterstock)

Outros itens de segurança afetados

Não foi só a obrigatoriedade do controle de estabilidade que foi adiada. As luzes de condução diurna (DRL) também só serão exigidas em 2024, três anos depois do que estava previsto inicialmente.

A indicação de cintos de segurança desafivelados para todos os carros, que valeria em 2023, foi adiado para 2024.

O Contran também adiou em um ano a exigência de testes de impacto lateral para a homologação de todos os modelos vendidos no mercado brasileiro, e ela só entrará em vigor em 1° de janeiro de 2024.

Anfavea já cogitava adiamento

Em entrevista coletiva em junho deste ano, Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea, admitiu que a crise financeira do setor provocada pela pandemia pode fazer com que novas regras de emissões de poluentes e de adoção de mais equipamentos de segurança nos carros nacionais sejam adiadas.

Segundo Moraes, estava previsto um uma soma de investimento de cerca de R$ 40 bilhões pelas diversas montadoras que têm unidades no Brasil. Desse valor, por volta de 1/3 é destinado ao que ele chamou de “marcos regulatórios”, ou seja, para o desenvolvimento de novas tecnologias para atender às regras estabelecidas pelo governo.

“Nós não somos contra o regulatório. Participamos da construção de prazos e limites. Nós somos a favor de veículos mais seguros e com menos emissões. Mas somos capazes de fazer isso agora? Essa é a dúvida que temos que discutir nesse tema”, explicou o presidente da Anfavea, na ocasião.

Moraes ainda questionou se, no cenário econômico pós-pandemia, o cliente poderá pagar por esses novos itens que serão acrescentados aos carros.

Quando desligar o controle de estabilidade? Boris Feldman explica!

11 Comentários
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VITOR 3 de novembro de 2020

É nisso que dá ter governo fraco.
Cede fácil a pressões.
Enquanto isso, nós consumidores otários continuamos pagando preços absurdos por carros absurdamente ruins e criminosamente inseguros.
Que Deus tenha piedade de nós!

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Marcelo 31 de outubro de 2020

Todas essa parafernália só encarece os automóveis, daqui a pouco um carro “popular” vai estar custando uns 100 mil. Não adianta equipar os carros com itens de segurança se as estradas são péssimas e as leis no Brasil são arcaicas.

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Mário 31 de outubro de 2020

Mais uma vez ficamos na contramão da tecnologia embarcada nos veículos. Quase nada em nosso país é feito com a devida seriedade, não se importando com a vida humana. É lamentável.

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rafael chaves 30 de outubro de 2020

Compramos carros caros e inseguros por conta políticos interesseiros e só pensar em si e seu lucros. Segurança deveria ver obrigatório para qualquer carro produzido no pais, isto reduz acidentes custos de saúde e salva vida comprovado. Mais o pais da banana (brasil) com certeza vai afrouxar as regras pra favorecer as ricas montadoras a lucrar mais.

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Calca 30 de outubro de 2020

O Culpado somos nós , que compramos carros caros e inseguros, veja o que esta acontecendo com a Territory, cara e motor de batedeira 248 unidades comercializadas, Peugeot 208 não esta vendendo, caro e motor de escort cht 165 unidades Mas o Brasileiro quer status.

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Anônimo 30 de outubro de 2020

Pra variar, botaram a pandemia como culpada para atrasar a instalação de equipamentos importantíssimos de segurança. Já pagamos fortunas por TODOS os carros vendidos aqui, o mínimo que eu esperaria era ter 6 airbags, controles de tração e estabilidade, DRL, etc. no modelo mais pé-de-boi disponível no mercado. Brasil, o país das carroças de ouro!

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Gerônimo Figueiredo 30 de outubro de 2020

Concordo com o comentário do Jorge Nicolau. A pickup Hilux é um caixão 4×4 com caçamba. Carro inseguro e mal feito, mas conta com o controle de estabilidade. Já tive uma SRX e quase morri no final de 2019 ao desviar de um cachorro na pista a 80 km/h. Meu filho até hoje não se recuperou do trauma. Não ando em carro da Toyota nem se for no carona.

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Bruno Vasconcelos 31 de outubro de 2020

Absurdo esse problema da Hilux mesmo amigo.. olha, já pilotei uma Toro, é FANTASTICA, com muiltilink atras, faz muita curva, como um carro de passeio… abs

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Jorge Nicolau 30 de outubro de 2020

Além de equiparem com o ESP deveriam comprovar sua eficiência, senão vai acontecer igual às hilux tombilux, tem mas não funciona. O pior é que fizeram recall no resto do mundo e esqueceram de nós.

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jose marinheiro 30 de outubro de 2020

por isso a hilux não entra no mercado americano mesmo com essas questionáveis mudanças,

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Bruno Vasconcelos 31 de outubro de 2020

A Fiat Toro faz MUITA CURVA, com muiltilink atras, é como um carro de passeio… indico a todos os pikupeiros fazerem um test drive numa Toro e pegar estrada, é alto nível de carro. abs

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