Nova gasolina: é melhor, mas ainda pode ser adulterada

Imprensa diz que uma de suas principais vantagens é ser quase impossível sua adulteração. Infelizmente não é verdade...

frentista abastecendo carro
Novas regras vão uniformizar qualidade da gasolina no Brasil (Foto: Rafael Neddermeyer | Fotos Públicas)
Por Boris Feldman
01 de agosto de 2020 09:00

A partir da próxima segunda-feita, 3 de agosto, entra em vigor uma resolução da ANP que estabelece novos padrões para a chamada nova gasolina no tocante a ponto de evaporação, octanagem e densidade, dentro de três meses. Ela será ainda melhor, mas nem tanto quanto anunciam.

Densidade mínima: que bicho é esse?

Densidade é a relação peso/volume. Em português mais claro, a água contida numa garrafa de um litro pesa (em média) 1 kg. Muito menos, por exemplo, que o mercúrio colocado nesta mesma garrafa, que pesa mais de 13 kg.

A gasolina, quanto menor a densidade, tanto pior para o motor. E o problema é que ela varia muito, de 650 até 750 gramas por litro. Depende do petróleo que lhe deu origem, da formulação, da temperatura, etc. O etanol anidro é mais denso (pesado) que a gasolina: 791,5 g/litro.

Qual é a densidade obrigatória para nova gasolina a partir deste mês de agosto? A gasolina C (com adição de etanol) deve ter um mínimo de 715 g/litro (ou kg/m3).

Qualidade era inferior?

A Petrobrás diz que a dela, não: há tempos a densidade é até superior aos exigidos 715 g/litro. E a octanagem (RON 93) declarada maior que mínima obrigatória, RON 92. Entretanto, como não havia exigência de densidade mínima, distribuidoras e postos podiam adulterá-la à vontade com solventes ou naftas, por exemplo, que são mais “leves” (densidade inferior).

Podia-se também importar gasolina mais barata, com densidade inferior a 700 g/litro. E octanagem também inferior, cerca de RON 90. Por isso a possibilidade de tamanha diferença de desempenho e consumo ao se abastecer em dois postos.

É adulterável? Sim, só ficou mais difícil…

Como não havia exigência de densidade mínima, cada refinaria, distribuidora, importadora ou formuladora fornecia a gasolina com densidades variáveis, muitas vezes inferiores aos 715 g/litro agora exigidos pela ANP. E também com octanagem mais baixa que RON 92. Por isso, o motorista abastecia num posto fiscalizado e aprovado e não entendia porque seu carro perdia desempenho e aumentava o consumo.

O que a imprensa está anunciando é que a nova gasolina impede sua adulteração, pois o posto terá, a pedido do freguês, que provar a densidade utilizando um densímetro, (bastão graduado de 700 a 750 g/l) que se mergulha numa proveta e que deve indicar, no mínimo, 715 g/litro.

Então, com a nova exigência, seria impossível continuar vendendo gasolina “leve”, de baixa densidade. Mas ainda é possível, sim, adulterá-la:  basta aumentar o volume de etanol anidro que se adiciona a ela para elevar a densidade final da mistura, pois o etanol tem densidade bem maior.

Então, se o freguês desconfia da densidade, o posto tem obrigatoriamente que testá-la com o densímetro. Aprovado nesta etapa? A desconfiança tem que prosseguir e exigir também a proporção de etanol na gasolina, que não pode superar os 27% (25% na premium). Aí aparece a maracutaia, pois revela que, para “chegar” na densidade mínima, o posto aumentou o volume do etanol!

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Foto: Rafael Neddermeyer | Fotos Públicas

‘Nova gasolina’ não é tão nova assim!

Posto que aumentar o preço da gasolina alegando as novas exigências da ANP poderá estar mentindo, principalmente se for da Petrobras, que afirma ter sua gasolina enquadrada há meses nos novos padrões. E diz que, por isso, não muda seu preço.

Além disso, nem todos os postos a terão imediatamente pois a ANP deu prazo de 60 dias para as distribuidoras e 90 dias para os postos esgotarem os estoques da “velha” gasolina. Então, até novembro, o motorista ainda pode encontrar ambas nos postos.

Melhor para os carros novos que para os velhos

A exigência de octanagem mínima RON 92 (RON 93 a partir de janeiro de 2022) será vantajosa para quem abastece com a nova gasolina. Pois a central eletrônica terá que interferir menos no ponto de ignição para evitar a combustão irregular (detonação ou “batida de pino”). Reduz assim a perda de desempenho e aumento de consumo.

E os carros mais antigos? Os carburados também serão beneficiados com a maior densidade da nova gasolina brasileira, mas pouco com a octanagem, pois têm baixa taxa de compressão.

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8 Comentários
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paulo ernesto frederico diehl 7 de agosto de 2020

IN CAUSA NOMINO, CARO BORIS , ESSA ANP E PETROBRAS , SÃO QUE NEM ” AMANTE ARGENTINA” , SÓ QUEREM SUGAR ATÉ O ÚLTIMO CENTAVO DOS OTÁRIOS CONSUMIDORES , ENTÃO QUE VENHAM LOGO OS VEÍCULOS HÍBRIDOS E ELÉTRICOS , COM PREÇOS REALISTAS. PARA ACABARMOS COM ESSA SECULAR PICARETAGEM DESSA PETROLEIRA, EXPERIÊNCIA DE QUE TRABALHOU DEZ ANOS NUMA DELAS . ABRÇS

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Gilberto Oliveira 5 de agosto de 2020

E quem acredita na imprensa? Mentem até na previsão do tempo…

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Fábio Cavalheiro Torres 3 de agosto de 2020

Faço o controle de abastecimento do meu carro, a autonomia com gasolina de Bandeira, não inferior a 650 Km/tanque. Se noto divergência troco de posto. As vezes não tem como escapar, em uma viagem a média do tanque baixou para 320 Km, Tive de abastecer em um posto tipo “Um Drinque no Inferno” (sem controle) Posto Dom Pedro em Paraíso do Tocantins-TO. Quero ver este controle nos posto, após a entrada desta “nova” gasolina.

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João vilto 2 de agosto de 2020

Seria nova gasolina se colocar a densidade mínima igual estão falando a partir de agosto e baixarem o teor de anidro de 27% para 10% aí sim seria uma nova gasolina com condições de kilometragem maior.

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boris feldman 2 de agosto de 2020

Boa idéia a sua, João. Leve-a aos usineiros para ver se aprovam….
Aliás, porque você acha que a presidenta subiu a proporção de etanol para 27,5% ?

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Marcos Leles 2 de agosto de 2020

Legal, gasolina com nova tecnologia nos mesmos moldes da gasolina europeia, muito interessante. Mas a ANP também deveria auxiliar o governo a fiscalizar as rodovias cheias de buracos e mal sinalizadas, pois não há gasolina que resolve este velho problema para mecânica dos autos.

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Luis Santos 10 de agosto de 2020

ANP fiscalizando rodovias? Podia fiscalizar os hospítais também…

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João Maurici Rangel 1 de agosto de 2020

Só para aumentar o preço,tevem acrescentar 45% de álcool.

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