Porsche Taycan prova: propulsão elétrica combina, sim, com desempenho

Experimentamos os 761 cv de potência do primeiro Porsche com propulsão totalmente elétrica no autódromo Velo Città

Por Alexandre Carneiro 12/11/20 às 09h00
porsche taycan turbo s branco em movimento
Porsche Taycan Turbo S (Porsche | Divulgação)

Carros posicionados, tempo bom… Tudo certo para experimentar o Porsche Taycan nos 3.493 m do autódromo Velo Città, em Mogi Guaçu (SP). Logo antes da “largada”, o instrutor faz uma última recomendação ao grupo de jornalistas: “sejam gentis ao pisar no acelerador”. Pode parecer um contrassenso: afinal, não há lugar melhor para dirigir um bólido que numa pista de corridas, certo? Sim, mas os números do modelo impressionam até mesmo diante de outros esportivos da marca.

A potência da versão top de linha Turbo S, avaliada, é de 625 cv, mas chega a até 761 cv por alguns segundos, graças a um overboost. Patamar digno de supercarro, portanto. Porém, o que mais impressiona no Porsche Taycan é o torque, que chega a surreais 107,1 kgfm. E, como em todo carro elétrico, essa força é imediata: pisou, correu, sem a necessidade de atingir faixa de rotação ideal.

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Toda essa força é gerada por dois motores elétricos síncronos: um movimenta o eixo dianteiro, e o outro, o traseiro. Apesar do sobrenome Turbo S, o modelo não tem nenhum tipo de sobrealimentação, afinal, não há combustão interna. O sistema trabalha com uma tensão de 800 Volts, bem acima da grande maioria dos modelos desse gênero, o que permite menor geração de calor e carregamento mais rápido. Todas as três versões compartilham essas soluções: mudam apenas os números de potência e torque. Confira os preços:

Versões Preços
Porsche Taycan 4S (530 cv) R$ 589 mil
Porsche Taycan Turbo (680 cv) R$ 809 mil
Porsche Taycan Turbo S (761 cv) R$ 979 mil

Foguete que não faz barulho

Graças ao torque imediato, o modelo dispensa uma transmissão convencional. Ele é equipado com um câmbio automatizado de dupla embreagem e apenas duas marchas, mas poderia ter uma só, como na maioria dos carros elétricos. Um dos programas de direção, aliás, utiliza apenas a segunda marcha, o tempo inteiro: isso, no modo Range, que privilegia a autonomia. Os demais – Normal, Sport, Sport Plus – arrancam em primeira para melhor aceleração.

E que aceleração! De zero a 100 km/h, o Porsche Taycan gasta apenas 2,8 segundos! Da imobilidade aos 200 km/h, são 9,8 segundos! Foi possível comprovar essa razão de aceleração no autódromo, com o controle de largada acionado. A sensação é comparável à de levar um soco no estômago: o veículo dá um verdadeiro coice, jogando a cabeça e o corpo do condutor para trás enquanto ganha velocidade como um foguete!

Tão surpreendente quanto a performance é o silêncio com o qual o esportivo se desloca. Performances em autódromos remetem a motores rugindo, mas isso não acontece a bordo do Porsche Taycan, e nem poderia. Os ruídos que se fazem mais presentes são os provenientes dos pneus em atrito com o asfalto. O coeficiente de penetração aerodinâmica (cx) de 0,22 é muito baixo, de modo que há pouco ruído de vento mesmo em alta velocidade.

Porsche Taycan é elétrico “na mão”

Nas curvas, o Porsche elétrico também demonstra esportividade. Isso é igualmente surpreendente, uma vez que o Taycan é pesado, com nada menos que 2.295 kg de massa. A culpa é das baterias, distribuídas em 33 módulos sob o assoalho dos ocupantes dianteiros. Essa posição ajuda a reduzir o centro de gravidade, que, segundo o fabricante, é mais baixo que o do esportivo 911.

Mesmo nos cotovelos mais fechados do autódromo, o Taycan permanece firme na trajetória, sem transferir peso exageradamente de um lado para o outro, principalmente no modo Sport Plus, que rebaixa e enrijece as suspensões ao máximo. Os freios, que utilizam discos de carbono-cerâmica, mais resistentes ao calor, também não hesitam na hora de imobilizar toda a massa corporal do modelo.

Se alguém ainda tem dúvidas que propulsão elétrica não combina com prazer ao volante, passou de hora de rever os conceitos. Rápido e empolgante, o Porsche Taycan é uma antecipação dos esportivos do futuro. Do motor a combustão, só dá para sentir saudade do barulho.

Habitabilidade

O contato com o Taycan se resumiu à pista de corrida, mas a Porsche afirma que ele pode ser utilizado perfeitamente no dia a dia. A autonomia das baterias é suficiente, segundo o fabricante, para mais de 400 km. Energizá-las por completo exige pelo menos 6 horas, mas é possível atingir 80% do nível máximo em cerca de 22 minutos em uma estação de recarga rápida: o fabricante já espalhou 64 delas pelo país (a maioria está no Estado de São Paulo).

Além disso, o modelo tem um interior confortável e muitíssimo bem acabado. Há bom espaço para quatro adultos a bordo, que contam com quatro portas de acesso. Sim, transmite menos esportividade que as linhas 911 e 718, com carrocerias cupê e conversível, mas a Porsche há muito vem apostando em modelos com propostas mais familiar, como o Cayenne, o Macan e o Panamera.

O maior destaque do interior, contudo, são os recursos multimídia. No painel, há quatro telas que servem para acionar praticamente todos os equipamentos. Os poucos botões físicos estão no volante (bastante esportivo, por sinal), inclusive o que serve para acionar os diferentes modos de condução. Honrando a tradição da Porsche, o botão de partida fica localizado à esquerda: apesar de toda a tecnologia de propulsão, o Taycan não desonra as raízes da marca nas pistas de corridas.

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