Preço dos carros cai com o dólar?

Que quando a moeda norte-americana sobe, o valor dos veículos aumenta, a gente sabe... Mas e o contrário, acontece?

Por Laurie Andrade 12/03/21 às 16h00
calculadora e chave de carro em cima de contrato
Dólar interfere no preço dos carros porque muitos dos equipamentos e tecnologias são importados (Foto: Shutterstock)

É comum encontrarmos reportagens com títulos como “Alta do dólar faz preço dos carros dispararem”. Isso porque a moeda norte-americana tem influência direta no valor dos veículos vendidos no Brasil. Acontece que o contrário é, no mínimo, difícil de se observar. Por quê?

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Em primeiro lugar, é importante lembrar que até mesmo os automóveis nacionais precisam importar componentes e tecnologias.

Joel Leite, Diretor da Agência Auto Informe, afirma que não se lembra de nenhuma vez em que anunciou queda nos preços dos carros em razão da diminuição da disparidade entre o real e a moeda norte-americana.

A indústria reclama do dólar alto porque os carros utilizam muitos equipamentos e tecnologias importados. Mas é óbvio que quando a moeda cai não reduz o preço dos produtos. É que, em especial os importadores, afirmam que estão em defasagem.

Ainda de acordo com o especialista, os comerciantes de automóveis realmente acabam considerando o lucro resultante da queda do dólar como uma reposição da margem que fica defasada na maior parte do tempo.

O valor do dólar comercial, cotado hoje a R$ 5,57, interferiu bastante no preço dos carros brasileiros no início da pandemia. Em meados de maio, a moeda norte-americana chegou a bater os R$ 5,90. Na época, o Jeep Wrangler, que desembarcou em 2019 a R$ 259.990, era oferecido por R$ 347.990. Uma alta de aproximadamente R$ 88 mil ou 33,8%.

Especialista em indústria automobilística da Bright Consulting, Cassio Pagliarini disse, em entrevista ao Jornal do Carro, que “No mínimo 30% do custo de um veículo está ligado a itens importados. Se o motor e o câmbio vierem de fora, o impacto direto da cotação da moeda pode chegar a 70% do custo do veículo”.

De acordo com dados do Ministério da Economia, o Brasil importou US$ 13,2 bilhões em componentes automotivos em 2019. O valor, R$ 52,8 bilhões em conversão direta, inclui de aço à lubrificantes.

No mesmo ano (2019), a China forneceu 13% dos componentes usados pelas fabricantes e montadoras do Brasil, seguida pela Alemanha (12%), Estados Unidos (9%), Japão (8%), Argentina e Coreia do Sul (7% cada), México (6%), Tailândia e Itália (3%). Apesar dos países terem moedas distintas, a base para as negociações é o dolar.

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