Não jogue dinheiro no lixo: qual combustível usar no seu carro?

Embora o faça com frequência, motorista fica perdido ao abastecer, pela falta de informações sobre combustíveis

Por Boris Feldman 11/07/20 às 09h00

Quando você encosta no posto para abastecer, existem diversas opções nas bombas. De gasolina, tem a comum, a aditivada e a premium (BR Podium, Ipiranga Octapro e Shell V-Power Racing. Se o carro é flex, etanol comum e aditivado. Ou gás (GNV). Qual a mais adequada para seu carro? O que vale a pena pagar e o que é jogar dinheiro no lixo?

Carros nacionais

Todos os carros nacionais podem se abastecer com qualquer tipo de gasolina ou etanol disponível nos postos. No combustível derivado do petróleo, recomenda-se usar a aditivada. Ou a comum, acrescentando-se o frasco de aditivo de acordo com as instruções do fabricante.

Ao contrário da gasolina, o etanol não precisa ser aditivado, pois seu teor de carbono é muito baixo (apenas 1/3 da gasolina) e não há perigo de se formarem depósitos carboníferos no interior do motor, prejudicando a combustão e eficiência. Algumas empresas de petróleo oferecem o etanol aditivado com outros propósitos, de lubrificação, durabilidade, etc.

Gasolina aditivada é igual em todos os postos?

É impossível separar o joio do trigo no caso da gasolina aditivada pois ela não é controlada e nem fiscalizada pela ANP. Não existe um padrão, apenas que os aditivos devem ser detergentes/dispersantes para evitar a formação de depósitos carboníferos no motor.

As empresas de petróleo apenas registram a fórmula na ANP. As montadora não têm, portanto, condições de avaliar as diversas gasolinas aditivadas no mercado e preferem recomendar a comum para seus carros.  A ANP tentou, há quatro anos, tornar compulsória uma aditivação mínima em toda nossa gasolina, mas não obteve êxito.

Entre gasolina e etanol, qual é melhor para o bolso?

Depende do preço de ambos em cada cidade: se o etanol custar menos que 70%  da gasolina vale a pena usá-lo. O custo menor do litro compensa o maior consumo.

É importante observar que este percentual varia de 70% até 75%, pois depende da diferença de consumo entre etanol e gasolina que cada motorista deve apurar em seu carro.

O valor de 70% anunciado – e amplamente divulgado – quando surgiu o flex, é aproximado e nem sempre reflete a verdade pois não considera a evolução de motores e combustíveis.

Qual combustível usar?
Qual combustível usar? Dúvida atormenta muitos motoristas (Ilustração: Fabiano Azevedo | AutoPapo)

Carros Importados

Carros produzidos em outros países podem ser abastecidos com qualquer gasolina disponível no Brasil sem nenhum problema. Se for um carro normal, sem elevado desempenho, de qualquer procedência, a gasolina aditivada é suficiente.

Para esportivos com motor de compressão mais elevada, como Porsche, Ferrari, Mercedes AMG, BMW “M”, Audi RS, etc, recomenda-se a gasolina premium para máximo rendimento.

No passado, o baixo teor de octanagem da nossa gasolina obrigava fabricantes a preparar (“tropicalizar”) os motores dos carros exportados para o Brasil, pois corriam risco de tê-los danificados. Hoje, com elevada octanagem, mesmo a comum (ou aditivada) não compromete o motor: apenas reduz seu desempenho, pois a central eletrônica se ajusta para compensar a menor octanagem.

Dinheiro no lixo

Abastecer qualquer carro nacional com gasolina do tipo premium é desperdício, pois paga-se pela maior octanagem sem nenhuma vantagem em desempenho. Mais octanas só valem a pena nos motores com elevada taxa de compressão. Mas, mal não fazem (só para o bolso…).

Mesma coisa com o etanol: não é importante que seja aditivado, como no caso da gasolina.

Nenhum outro aditivo do tipo booster, para gasolina ou etanol, que anuncia aumentar eficiência e desempenho, reduzir consumo e emissões, cumpre o que promete, seja nos nacionais ou importados.

GNV/Diesel

O custo por km do carro que roda com gás natural é bem inferior ao dos outros combustíveis. Entretanto, o investimento para instalar o “kit gás” é elevado, de R$ 5.000 a R$ 6.000. Ou seja, o retorno só vem para quem roda cerca de 150 a 200 km por dia, ou 5.000 km mensais. A rigor, o GNV só vale a pena para táxis ou carros de aplicativos.

Mais ou menos a mesma conta se deve fazer ao comprar um picape diesel, a partir do raciocínio de que o litro custa menos que a gasolina:  o que se investe adicionalmente (o motor a diesel tem custo muito maior) só se paga depois de muitos anos de uso, caso não se rode muito.

SOBRE
5 Comentários
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    Gerson 18 de julho de 2020

    Muito interessante a matéria mata ainda gosto de abastecer com etanol pois além do cálculo básico dos 70% de diferença de preço penso também em 27%de etanol que já vem misturada a gasolina onde, pela lógica a cada 4 tanques de gasolina 1 será de etanol.

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    Rodrigo MARTINIANO 12 de julho de 2020

    Nossos carros brasileiros são FLEX, sem dúvida alguma, e nosso álcool (ou etanol) evoluiu muito desde o Dodginho do CTA.
    Contudo, por maior que tenha sido a evolução do álcool, ele sempre conterá resíduos da moagem de cana-de-açúcar, a FLEGMA, produto cheio de impurezas resultante colateral da destilação do fermentado de cana-de-açúcar e de outros vegetais, produto colateral altamente higroscópico, ou seja, capaz de absorver água.
    Notem que o álcool combustível (ou etanol) é hidratado, possui cerca de 4% de água na sua composição química.
    Quando um carro FLEX é abastecido simultaneamente com etanol e gasolina, a gasolina – mais leve que a água – fica por cima do tanque, o etanol no meio, a água por baixo, a gasolina forçando a separação devido ao seu elevado poder solvente.
    Então, ao se ligar o carro FLEX, parado uma semana, ele não pega, pois água não queima.
    E somente com etanol, o que acontece?
    Acontece que o etanol absorve a água, pois tem água, dissolve a flegma, por combinar com ela (conforme na sua fabricação), diferentemente da gasolina (que, se misturada à FLEGMA gera uma espécie de material plástico gelatinoso / lembrar que no balançar do carro alguma gasolina atinge a FLEGMA), o filtro da bomba-de-combustível se encarrega do restante desde que haja condições, i.e., apenas etanol ou apenas gasolina.
    Daí, só com etanol o carro pega.
    Claro, só com gasolina idem.
    Nossos carros são FLEX sim, mas procure não misturar os combustíveis, sobretudo se o seu carro ficar parado.
    Ah! Com etanol não afogue o carro nunca!
    Engº MSc Rodrigo MARTINIANO.

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      André 14 de julho de 2020

      Mais didático, impossível. Muito obrigado por esses esclarecimentos.

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    Fernando B 12 de julho de 2020

    Tenho uma dúvida. Recomendam sempre a aditivada para manter o motor limpo. Ok. Mas o etanol não faz o mesmo serviço? Se colocar um tanque de etanol a cada 5 de gasolina não se obtém uma limpeza eficaz?

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      Rodrigo MARTINIANO 12 de julho de 2020

      O melhor na limpeza do etanol é – ACREDITE – o vinagre, pois ambos (etanol e vinagre) têm a mesma origem. EVIDENTEMENTE só pode ser vinagre puro, sem orégano, sem nada: deve ser o de uso medicinal, encontrável eu qualquer farmacêutica. Meio-litro de vinagre farmacêutico por +/- 50 litros de etanol é o suficiente para purificar o etanol.

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