Venda de carros em baixa: consumidor pode aproveitar?

Em março, o mercado automotivo teve o pior resultado dos últimos 14 anos; com estoques repletos de veículos, é a vez do consumidor dar as cartas do jogo

Por Laurie Andrade 02/04/20 às 11h00

A pandemia do novo coronavírus alterou a realidade de todo o mundo. Com a necessidade do isolamento social, a economia tem sofrido bastante. O reflexo no setor automobilístico não foi diferente: o mês de março teve o pior desempenho de venda de carros dos últimos 14 anos. Se as empresas perdem, pode ganhar o consumidor, que tem mais poder de barganha.

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De acordo com Joel Leite, diretor da Agência Auto Informe, o número de unidades comercializadas no país passou de 10 mil carros por dia – na primeira quinzena do terceiro mês de 2020 – para 700. A redução representa mais de 90%.

E o cenário não deve melhorar tão cedo. Segundo o presidente da Fiat Chrysler Automóveis (FCA) para América Latina, Antônio Filosa, ao invés de crescer 9% em 2020, o setor automobilístico deve apresentar, no Brasil, uma retração de 40%.

Foram vendidos apenas 155.771 carros e comerciais leves em março. O que representa queda de 19,1% em relação a fevereiro (192.639) e de 21,9% sobre março do ano passado (199.549).

Preço dos automóveis deve baixar?

Joel Leite explica que é precoce definir a redução de preços. Isso porque sabe-se pouco sobre as consequências da pandemia, que não tem precedentes. Acontece, no entanto, que “a tendência, pela lógica, é a redução do valor dos carros, já que as revendedoras estão cheias de veículos no estoque”.

O especialista afirma ainda que espera um retorno repleto de ações promocionais para as concessionárias.

De qualquer modo, a venda de carros passará por mudanças. Por isso, o momento é do consumidor, que deve pedir descontos e negociar a melhor forma de pagamento.

E fica a reflexão: como investir dinheiro em um bem, se não há garantia de que os empregos serão mantidos?! Os mais beneficiados pela crisa econômica serão aqueles que já têm condições de adquirir um carro.

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Em razão da queda nas vendas, concessionárias e revendedoras estão com grande estoque de veículos

Mercado de usados foi o mais afetado pela diminuição da venda de carros

Perguntado sobre o mercado de usados, Leite é categórico: o nicho é mais afetado pela crise. As razões para isso são:

  • a dimensão do setor (o número de transações envolvendo usados é muito maior – um milhão de carro por mês contra até 200 mil de novos); e
  • o público-alvo (no geral, são os consumidores menos abastados os responsáveis por movimentar o mercado de usados. A população é também a mais afetada pela crise. Para comprovar a afirmação, basta observar as políticas do governo, que são voltadas exatamente para pessoas de renda mais baixa).

Ações para reerguer a venda de carros ainda não deram resultado

Com o intuito de driblar o baixo número de vendas, algumas montadoras e concessionárias iniciaram uma operação de venda delivery, mandando os vendedores à casa do cliente.

O sistema permite que o consumidor teste o carro e discuta as condições de compra apenas com o vendedor, sem contato com outras pessoas. Mas, de acordo com Joel Leite, a estratégia não alterou o panorama no setor.

A última semana de março seguiu em ritmo lento, quase parando: foram 763 licenciamentos no dia 25, 1.389 no dia 26 e 1.335 no dia 27.

Foto | Shutterstock

9 Comentários
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    Mark 20 de maio de 2020

    O valor dos automóveis no Brasil está um absurdo. Os valores de seguro outro absurdo. A gasolina não é das mais baratas. E o valores de pedágio também são altos. O Brasileiro faz uma dívida maior que seu próprio salário para comprar carro. Este é o momento para o povo acordar, se não houver redução de preços com a instabilidade em que o país se encontra. Comprar carro é atividade de Barão.

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    Rogerio 12 de maio de 2020

    Guardar dinheiro comprando carro….pode rasgar que o prejuízo é menor…desvalorização, seguro, impostos, manutenção, põe tudo na balança …o melhor é alugar.

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      Mark 20 de maio de 2020

      Perfeita colocação. Este é o momento do povo acordar. Não vale a pena pagar a bagatela de 40 mil reais em um carro popular que em poucos anos estará valendo metade do preço. O Brasileiro sofre para ganhar seu salário suado e no momento de comprar um bem com desvalorização paga um valor astronômico. Acordo meu povo.

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    Lúciano 24 de abril de 2020

    Se os valores vão cair após a pandemia vantagem vai ser adquirir um carro zero quem tiver uma situação estabilizada.

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    Francisco Pereira Silvano 11 de abril de 2020

    Quem é o louco que vai comprar carro novo nos próximos 4 meses se vai explodir a oferta de usados com valor aviltado? O valor do carro novo no Brasil é inelástico, vão parar de produzir as porcarias até ter nova demanda que vai demorar por conta do desemprego e do povo com medo do futuro.

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    Marco Paulo Dias Canabrava 8 de abril de 2020

    Qual é mais vantajoso zero ou usaso?qto tempo a situação estará propício ao consumidor? Qual sera o pico das promoções?

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      Luciano 24 de abril de 2020

      Se existe a queda de preço acredito que será vantajosos o carro zero.

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    Marco Paulo Dias Canabrava 8 de abril de 2020

    Neste momenro vale mais a pena adquirir um zero ou usado?qto tempo vacha que vai perdurar esta situação? Qual será o pico mais propício a compra?

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    arai 8 de abril de 2020

    Numa reportagem que assisti na tv japonesa dizia que na Rússia acontece justamente o contrário quando “encolhe” a economia, melhorando venda de imóveis e de carros.
    Por mais paradoxal que pareça, diziam os russos que é uma maneira de “guardar” dinheiro.
    Enfim, cada povo tem uma cabeça…

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