[VW Gol] História vitoriosa e repleta de sucessos: Gol “Bolinha”, G3 e G4

Em 1994, a Volkswagen apresentava ao Brasil o tão esperado novo Gol, carinhosamente apelidado pela população de “Bolinha”

Por Douglas Mendonça 30/03/21 às 09h06
vw volkswagen gol gli prata bolinha 1995 de frente
Gol G2, mais conhecido como "Bolinha", chegou ao mercado em setembro de 1994 (foto: Volkswagen | Divulgação)

Era setembro de 1994 e ninguém aguentava mais o Gol quadrado, depois de seus quase 15 anos de produção ininterrupta, cuja história já foi contada aqui no AutoPapo. Eis que surgiu a luz no fim do túnel: a Volkswagen apresentava ao Brasil o tão esperado novo Gol, carinhosamente apelidado pela população de “Bolinha”.

Sem dúvidas, esse foi o Gol que mais mudou ao longo desses 41 anos de vida do popular nacional. O design foi totalmente refeito, e as linhas quadradas e duras da geração anterior, repletas de vincos, deram lugar a uma carroceria harmônica, toda arredondada.

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Essas novas linhas se refletiram na aerodinâmica do novo Gol, que tinha o nome interno de AB9. Os 0,45 de cx (coeficiente aerodinâmico) do “Quadrado” despencaram pra bons 0,34 na carroceria mais moderna. Esse número é positivo até os dias atuais quando o assunto é resistência aerodinâmica automotiva.

Um outro ponto importantíssimo na então novidade da VW foi o significativo aumento da distância entre eixos do carro: essa medida espichou nada menos que 11 cm (de pouco mais de 2,35 m para 2,46 m), melhorando, e muito, o espaço interno.

Outra evolução dessa nova carroceria foi o ganho do volume interno do porta-malas, que cresceu dos 246 litros para 285 litros. Esse novo Gol era, sem dúvidas, mais bonito, funcional, espaçoso e moderno que seu antecessor. Um avanço que se mostraria, nas vendas, um acerto em cheio da VW.

Na mecânica, o Gol Bolinha utilizava a mesma plataforma da primeira geração, apenas com pequenas modificações, além da já citada distância entre-eixos aumentada. Os motores oferecidos na época (1.0 de 50 cv, 1.6 de 76 cv, 1.8 de 91 cv e 2.0, que, após reduções de potência, rendia aqui 109 cv) traziam a novidade do abandono total do antigo carburador: todos utilizavam sistema de injeção eletrônica, ainda que com a arcaica tecnologia monoponto.

Gol GTI 16V

Apenas a versão 2.0, que mantinha a sigla GTI, utilizava o sistema Multipoint Digital fornecido pela FIC (fabricante de componentes da Ford, ou seja, um dos frutos da Auto Latina). Como curiosidade, podemos citar que a velha carroceria quadrada ainda ficou em produção até meados de 1996, como um Gol de entrada, mais barato, ainda utilizando o motor AE 1.0 carburado.

Em 1995, já na linha 96, o Gol recebeu como grande novidade a adoção do sistema de injeção multiponto, abandonando o monoponto, que melhorava muito a performance e o consumo quando comparado com o velho carburador. Outra melhoria de 1996 foi a chegada do “novo” Gol GTI que, nessa fase, utilizava um motor 2.0 16V com duplo comando no cabeçote e câmbio de 5 marchas com a ré sincronizada.

vw volkswagen gol gti 16v bolinha vermelho de frente
Gol GTI 16V desenvolvia 145 cv de potência

Na verdade, todo esse trem-de-força era importado da Alemanha e derivava diretamente da Audi, parceira do grupo VW. Externamente, o modelo era caracterizado, principalmente, por uma espécie de bolha no capô, que tinha como utilidade prática fazer caber o cabeçote de maiores dimensões desse novo motor. Essa fera de 145 cv e 18,5 mkgf de torque fazia de 0 a 100 km/h em 8,8 segundos e alcançava os 206 km/h de velocidade máxima.

Enquanto isso, para ocupar o lugar da saudosa versão GTS da primeira geração, a fabricante alemã lançou a linha TSI, que utilizava o motor 2.0 8V do antigo GTI 1995, com cometidos 109 cv de potência, para atender às legislações de emissão de poluentes.

Nessa época, a VW também apresentava o novo propulsor 1.0 AT-1000 (sigla para Alto Torque) que, ainda com injeção monoponto, entregava 54 cv. Esse propulsor, basicamente, já era a primeira versão da família EA-111, em produção até hoje na variante 1.6.

Popular com 16 válvulas

Como líder absoluto de vendas do mercado nacional desde 1987, o pequeno popular precisava de novidades para se manter na ponta, e nada melhor do que mudanças tecnológicas para fazer a alegria do consumidor: Nos modelos 1998 já surgia a primeira versão do motor 1.0 16V, que conseguia unir bons níveis de potência com baixo consumo de gasolina.

Esse novo 1.0 16V era derivado do AT-1000, mas ganhava novo cabeçote, uma sofisticação construtiva destinada a motores esportivos de alto rendimento. A novidades melhorava muito a vida do Gol 1.0 dentro do fervilhante mercado de populares, que agora gerava destacáveis 69 cv e 9,3 mkgf de torque, resultados não muito distantes dos motores 1.0 flex de três cilindros atuais.

E o Gol não era feito só de mecânica. Também em 1998, o lançamento estrondoso foi o da carroceria com quatro portas, um carro esperado pela família brasileira desde a chegada da segunda geração, em 1994. O crescimento da carroceria e o aumento do espaço interno do Bolinha não só permitia, como clamava pelas duas portas traseiras: todos adoraram a novidade, e as vendas do VW de entrada dispararam ainda mais.

Gol G3

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Dianteira e traseira redesenhadas, além de interior mais caprichado: eis as novidades do Gol G3

Quem pensou que a fabricante alemã se sentou sobre os louros da vitória para apreciar om próprio sucesso, se enganou: em abril de 1999 chegava um novo Gol, batizado de G3 (ou terceira geração). Muitos dizem que essa carroceria é uma das melhores e mais bonitas de toda a vida de sucesso do modelo, tanto interna quanto externamente.

Estruturalmente esse novo Gol 2000 era idêntico ao Bolinha, mas os encantos ficavam por conta das novas frente e traseira (parachoques, faróis e lanternas ainda mais harmoniosos), além do interior, que remetia o proprietário à carros de nível superior, mais caros. O destaque ficava por conta do painel, tido até hoje como um dos mais bonitos que o modelo já teve, além da marcante instrumentação com iluminação azul.

Enquanto a mecânica era mantida, passando apenas por aperfeiçoamentos, houve uma mudança curiosa no marketing: as versões de acabamento saíam de cena, dando lugar a vários pacotes de equipamentos, disponíveis para as diferentes motorizações (1.0, 1.6, 1.8 e 2.0). A única exceção para essa regra era o GTI, que mantinha o motor 2.0 16V e o viés totalmente esportivo.

Seguindo a tradição na família Gol, a antiga carroceria Bolinha seguia em produção na versão Special 1.0 8V, como uma alternativa de baixo custo ao novo G3.

Motor turbo e tecnologia flex

Além do pioneirismo da injeção eletrônica no icônico GTi, em 1988, o popular da VW estreou outras modas no mercado nacional. A primeira, ainda em meados de 2000, foi uma espécie de downsizing, com a adoção de turbocompressor no motor 1.0 16V, que passou a render 112 cv e pouco menos de 16 kgfm de torque, números próximos aos do motor 2.0 8V aspirado.

vw gol turbo
Motor 1.0 16V turbo foi a grande novidade da linha no ano 2000

O Gol 16V Turbo cumpria a prova de 0 a 100 km/h em 9,8 segundos, atingindo os 191 km/h de máxima, tudo isso obtendo ótimas médias de consumo (receita bem próxima à dos motores 1.0 sobrealimentados atuais: bom desempenho com baixo consumo).

Outra novidade tecnológica exclusiva veio em 2003, no propulsor 1.6: o sistema de alimentação flex. Essa tecnologia permitia que o modelo usasse etanol ou gasolina, ou então a mistura de ambos em qualquer proporção, sem que o motor falhasse ou apresentasse qualquer problema de durabilidade. Esse Gol, batizado de 1.6 Total Flex, inaugurou uma tendência que foi seguida por toda a indústria automotiva nacional. Hoje em dia, quase todo carro fabricado no Brasil é flex.

Motor a gasolina pode ser transformado em flex com o uso de um chip? Boris Feldman explica em vídeo!

Nessa época, também se aposentava o Gol Bolinha e sua versão de entrada Special 1.0 16V. No lugar dele, a Volkswagen optou por manter a mesma carroceria em toda a linha: assim, nascia o Gol City, que unia o visual externo da terceira geração com o interior simplório do Gol Bolinha.

Gol G4

Em setembro de 2005, o Gol 2006, quem diria, engatou marcha-a-ré. Foi apresentada a chamada geração 4 (G4 para o grande público) que, por questões mercadológicas, precisou ser empobrecida. Tudo aquilo que o G3 havia conquistado em termos de evolução e refino geral, a linha 2006 jogou fora.

Realmente, a questão era complicada para a Volkswagen: no meio do caminho, surgiram Fox e Polo que, por serem mais sofisticados e destinados a um público de maior poder aquisitivo, forçaram a marca a deixar o Golzinho mais simples, para posicioná-lo como carro de entrada.

Naquela época, o mais caro dos três era o Polo, seguido de perto pelo Fox e, por último, vinha o Gol, que, para ter preço competitivo, acabou tendo uma reformulação completa no visual interno e externo, ficando mais básico e adequado à nova faixa de preço.

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Gol G4 foi simplificado em relação ao G3

Itens como o motor superalimentado, painel de instrumentos completo, apliques em tecido nas laterais de portas, vidros elétricos traseiros e até mesmo os airbags dianteiros ficaram de fora da lista de equipamentos disponíveis na novidade do Gol G4 (todos oferecidos no G3, diga-se de passagem).

Na mecânica, eram mantidas as opções 1.0 8V de 68 cv para a versão básica City, 1.6 8V de 99 cv para a City e a Power, além do 1.8 8 válvulas que rendia 106 cv, exclusivo da top de linha Power. Ao menos, para compensar essa simplicidade, o Gol G4 conseguia brigar frente a frente com os populares de entrada, como Fiat Uno e Chevrolet Celta, e também com os intermediários, como Palio e Corsa.

Cenas do próximo capítulo

O Golzinho G4 permaneceu em linha por 8 anos como produto mais barato da Volkswagen do Brasil e, inclusive, conviveu com a totalmente nova geração 5 e até com sua reestilização G6. O modelo se despediu do mercado em 2013 para dar lugar ao recém-chegado up!, e também por não se adequar às novas leis que obrigaram todos os carros novos a adotarem airbag duplo e  freios ABS, que passaram a vigorar em 2014.

No próximo e último capítulo da história do Gol, vamos falar sobre a revolucionária Geração 5, de 2008, e sua evolução ao longo dos anos até 2021. A pergunta que não quer calar é: será que ele vai estar entre nós em 2022? A resposta para essa intrigante pergunta você confere na próxima quinzena!

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6 Comentários
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Rodrigo MARTINIANO 6 de abril de 2021

Concordo plenamente que o GOL G3 foi o melhor dos “GOL”, embora ‘fraco’ de MONOBLOCO, pois a ‘parede-de-fogo’ NUNCA FOI SOLUCIONADA CONVENIENTEMENTE, já que, na década de 60 – 70 eram parcos os recursos – SOBRETUDO AQUI, NO BRASIL – para resolver um problema criado por uma solução.

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Comentarista 31 de março de 2021

Hoje em dia não compensa ter carro. É melhor andar de Uber pela cidade, principalmente pra quem dirige pouco. Sai muito mais barato e ñ tem estresse.

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Maurício Brisolara 31 de março de 2021

Pelo que me lembre, a injeção MI foi usada em toda linha no modelo de 1997. O Gol Special, mesmo quando saiu de linha, era 8 válvulas.
Mas enfim, carro que tem história no Brasil.

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Renato 31 de março de 2021

Verdade mesmo, a injeção MI começou em 97, e o 1.0 tinha 60cv

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Falcão Peregrino 30 de março de 2021

O Gol GTI 16V foi meu grande sonho de consumo e que foi não realizado devido seu preço.

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Rodrigo Carvalho Viana 30 de março de 2021

Para mim, o G3 foi o melhor Gol de todos os tempos.

Interior impecável, painel ao melhor estilo e padrão de acabamento do Golf.

Em contrapartida, o G4 foi o mais feio e pior de todos. Até o painel do Gol quadrado era mais bem elaborado e ergonômico!

Já entre G5 e G6, uma verdadeira revolução, tanto que, até hoje, acho o Gol muito mais carro, bruto e “raçudo” do que o raquítico , quadrado e carrinho de brinquedo chamado Up…

Ainda bem que essa desgraça do Up saiu de linha!

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