VW Tarok: o adeus definitivo da picape que nunca foi lançada?

Fabricante vai repetindo com ela a saga do Taigun, outro conceito brasileiro que gerou muita expectativa e nunca saiu do papel

vw t roc salao sp2
Conceito foi apresentado no Salão de SP em 2018 (Foto: Felipe Boutros | AutoPapo)
Por Leonardo Felix
09 de maio de 2022 10:20

Houve um tempo, não muito atrás, em que a Volkswagen parecia perdida com as mudanças de rumo do mercado brasileiro. Modelos caros e deslocados de suas propostas, como o Up!, além da aposta na produção local de produtos como o Golf 1.6 MSI e o Jetta 1.4 TSI (você se lembrava que a VW chegou a montá-lo localmente?). Dias estranhos.

Foi mais ou menos nesse período que a companhia apresentou, no Salão do Automóvel de São Paulo de 2012, o Taigun, conceito de um pequeno SUV com menos de 4 metros de comprimento derivado do Up!. Muitos anos e muita expectativa depois, o modelo jamais saiu do papel, corroborando que a empresa parecia um tanto perdida estrategicamente.

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Veio a acertadíssima decisão de trazer para cá a plataforma MQB e tudo mudou. A marca alemã foi extremamente assertiva nas estratégias de lançamento de Polo, Virtus, T-Cross e até o Nivus, inclusive no posicionamento de preços desses modelos. Tudo parecia muito bem encaminhado.

Depois deles, viriam o Taos (projeto VW316), em 2021, o projeto VW246 – SUV pequeno como substituto do Gol, em 2022 –, a Tarok (projeto VW317) em 2023 e o VW247 (picape compacta sucessora da Saveiro) em 2024. Todos nascidos a partir das matrizes MQB A0 (produção no Brasil) ou MQB A (Argentina). Fora a segunda geração da Amarok, derivada da nova Ford Ranger. Tudo lindo e promissor.

volkswage vw taigun azul de frente

Pandemia muda planos

Mas aí veio a pandemia e revirou o planejamento da empresa de cabeça para baixo. Acordos com sindicatos vieram, ajustes foram feitos – surgiu, por exemplo, o Polo Track, um projeto improvisado para ter um novo carro de entrada para o lugar do Gol sem tantos investimentos – e tudo parecia novamente nos trilhos.

Surgiu então outra crise, a dos semicondutores e de fornecimento de matérias-primas, agravada recentemente pela guerra entre Rússia e Ucrânia. E se a GM foi a maior afetada por isso em 2021, neste ano é a VW que mais sofre.

Tirando T-Cross e Nivus, seus demais modelos sumiram do ranking de emplacamentos em abril de 2022, fazendo a marca amargar um sexto lugar de participação, atrás de Hyundai, Toyota e até da Jeep, que atua no país, na prática, com meros três modelos.

Os preços de seus carros voltaram a ficar estranhamente acima de qualquer lógica (como pode um Gol chegar a R$ 85 mil quando um Mobi e um Kwid não passam de R$ 70 mil, ou uma Saveiro manual custar os mesmos R$ 120 mil de uma Strada automática?), e a capacidade de planejamento e investimento se encontra novamente afetada.

E aí, em vez de anunciar a produção da novíssima Tarok na Argentina, o que todos esperavam, ou mesmo um retorno do projeto de segunda geração da Amarok em parceria com a Ford, a fabricante mudou tudo e resolveu aplicar US$ 250 milhões, entre outros projetos, para esticar a vida da Amarok de primeira geração. Por mais dez anos! Uma picape surgida em 2012, o que significa que terá um ciclo de 22 anos de vida na América do Sul.

volkswagen amarok com pintura da bandeira argentina na fabrica

O que é a VW Tarok?

A Tarok, lembremos, foi um conceito de picape compacta-média, aos moldes da Fiat Toro e menor que a Amarok, apresentado no Salão de SP de 2018. Já faz quase quatro anos. O momento era de já tê-la praticamente pronta para o lançamento.

Se tempo para tirá-la do papel não faltou, a indecisão a respeito de sua produção fez com que ela passasse de potencial primeira rival da Toro a um produto que, se vier, chegará já atrasada em relação a outras concorrentes.

Rememoremos, ainda, que a Tarok usaria como base estrutural a carroceria do Taos, que é produzido também na Argentina. Ou seja, faria total sentido fabricá-la em General Pacheco junto com o SUV compacto-médio, de quem herdaria diversos componentes.

Com o anúncio da VW, que já avisou que este ciclo de US$ 250 milhões em solo Hermano se estende até 2026 – só a renovação da Amarok levará dois anos para ser apresentada de fato –, podemos afirmar com certa tranquilidade que as portas para a Tarok se fecharam. Pelo menos no país vizinho.

A esperança é que a fabricante tenha reservado um espaço para ela em São José dos Pinhais (PR), e que ela ainda seja um dos quatro novos modelos construídos sobre a base MQB que a marca prometeu lançar no Brasil até 2026. Se não for o caso, desta vez o adeus é definitivo.

Assim como o Taigun morreu como o famoso SUV de entrada que nunca nasceu, a Tarok terá sido a famosa rival da Toro que nunca existiu. E a VW terá voltado aos estranhos tempos de decisões e caminhos que parecem não fazer muito sentido.

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4 Comentários
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Carlos Almo 9 de maio de 2022

Enquanto isso o pessoal de Betim torce prá que mais idéias geniais assim partam dos alemães.
E eu fico aqui rindo.

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Luiz 11 de maio de 2022

Rindo do que? Vc tem ações da Fiat?

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Carlos Almo 11 de maio de 2022

E vc é acionista da Volks? Acertei você foi?

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Eduardo Teixeira Kull 9 de maio de 2022

A maior, e mais recente, KGada da VW! Tarok está atrasadíssima! Já deveria estar no mercado. Como se não bastasse modelos com preços fora do mercado, um modelo certamente fadado ao sucesso vai sendo descartado… A desculpa da vez é falta de capacidade na Argentina! FAÇAM-NA AQUI! A planta paranaense montou Golf, Audi A3 e agora, monta o Q3, todos com a mesma plataforma da Tarok.
Amarok plastificada, de novo, enquanto Ranger e S10 se renovam, tendo a jogar a VW nas ultimíssimas posições de venda do segmento. Outra burrada sem tamanho.
OBS.: VW poderia ter aqui o e-Up!, MONTADO AQUI, saindo na frente na eletrificação. Sinceramente, a VW parece estar perdidinha, perdidinha.

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