EuroNCAP: Renault bota a “boca no trombone”

Luca de Meo, executivo da Renault, criticou o EuroNCAP e cravou que o excesso de dispositivo de segurança só encarece os veículos

euroncap renault portal
Renault não está contente com os critérios de avaliação do EuroNCAP (Foto: Montagem AutoPapo | Ernani Abrahão)
Por Boris Feldman
03 de junho de 2022 07:32

É óbvio que qualquer carro deve oferecer máxima proteção aos seus ocupantes no caso de um acidente. E ela é avaliada nos “crash-tests” que simulam acidentes com bonecos (“dummies”) dentro do automóvel. A entidade que avalia a segurança dos carros europeus é o EuroNCAP.

Entretanto, Luca De Meo, executivo “Número 1” da Renault no mundo, questionou – com toda razão – os critérios adotados pelo EuroNCAP. Comentou  que está faltando bom senso na pontuação relativa à segurança e que o EuroNCAP vem se curvando diante da pressão de fornecedores de dispositivos de segurança.

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Que ele toparia colocar imediatamente, por exemplo, dispositivos que impedissem o motorista de dirigir alcoolizado seus carros assim que fossem disponibilizados no mercado. Mas o executivo da Renault afirma que vários equipamentos tornados obrigatórios têm praticamente como única finalidade encarecer os automóveis.

Mutatis mutandis, a entidade uruguaia LatinNCAP, que avalia os nossos automóveis, também derrapa feio ao estabelecer critérios para algumas de suas avaliações. Mas, ao contrário de De Meo, nenhum executivo – no Brasil – se insurgiu publicamente contra ela.

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Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman
2 Comentários
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Ney Verdandi 5 de junho de 2022

Tenho analisado inúmeros casos de testes realizados por esses braços da EuroNcap, tais como ChinaNcap e LatinNcap, que fica nítido que a obtenção das “cinco estrelas”, para um veículo, seja lá de que forma foi conseguida, torna-se um verdadeiro “marketing que envolve milhões de dólares. Quando uma empresa instala apenas um escritório no Uruguai para justificar sua presença no continente, exporta veículos para a Alemanha, fazem os referidos testes sem nenhum representante da marca; arca com todas os custos sem receber nenhum centavo, é realmente preocupante. Por outro lado, determinada marca “otimiza” seus veículos, envia-os para teste, ou podem utilizar até mesmo um modelo idêntico fabricado na Europa, efetua o “pagamento de todas as despesas”, incluindo os testes, depois os seus modelos tem direito até a adesivo de “segurança máxima”. Considero que o Brasil, através de um órgão governamental, assim como nos EUA, pode perfeitamente criar o seu departamento de testes automotivos, assim como o IIHS do EUA, efetuando testes em todos os veículos nacionais e importados.
Os veículos a serem testados, seriam escolhidos de “forma aleatória” em qualquer CCS da marca e com o acompanhamento da fabricante. O valor absurdo que pagamos de IPVA, teria uma parcela destinada ao custeio do programa. Chega de ver carro capotando no vídeo do LatinNcap e obtendo 5 estrelas; outro colidindo em obstáculo com material de absorção de impacto; outro com 5 estrelas da ChinaNcap, e ao ser retestado pelo C-IASI do mesmo país, obteve zero estrelas. Seria como nos EUA batida “frontal” em um muro de concreto e impacto em “ambas” laterais. Veja o crash test do VW Taos fabricado no Mexico para o mercado americano; apenas “aceitável” e faróis com luminosidade “pobre”. Por aqui o fabricado na Argentina, verdadeiro alarde de 5 estrelas.

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jo 3 de junho de 2022

Mesmo que haja segundas intenções com LatiNCAP e EuroNCAP e as vezes falte bom senso, sou favorável a critérios de segurança tendendo ao limite. Nossa vida vale muito!

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