Honda ADV 150: scooter aventureiro é urbano e terráqueo

Com um pé na roça e outro na cidade, o scooter ADV 150 tem porte avantajado e conserva as comodidades como porta-malas e câmbio automático

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ADV 150 traz, entre outras alterações, pneus e suspensões para uso na terra (Honda | Divulgação)
Por Teo Mascarenhas
22 de junho de 2021 09:16

A improvável fórmula de misturar asfalto e terra em um scooter virou realidade com o modelo X-ADV 750. O aventureiro, com motor de dois cilindros herdado da motocicleta NC 750X, além do câmbio de dupla embreagem, ganhou até fila de espera, apesar do preço salgado. Também acendeu um holofote para expansão do segmento, abrindo caminho para o lançamento do primo menor, ADV 150, capaz de rodar nas cidades e encarar o fora-de-estrada.

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Assim como o parente maior, o scooter ADV 150 herdou um conjunto mecânico, o do Honda PCX 150, que está no mercado desde 2013. Porém, com modificações no quadro, nas rodas e pneus, nas suspensões, no painel e no visual.

O preço igualmente foi ajustado. Enquanto o PCX 150 parte de R$ 13.090, o Honda ADV 150, em versão única, tem preço sugerido de R$ 17.490, ambos sem frete incluído. A diferença de 33% a mais vale a apena? Assim como primo maior, o preço continua salgado. Menos para a lógica do fora-de-estrada de que “oncovô, cê nunvai”.

Urbano

A parte urbana do ADV 150 tem o visual mais agressivo, com pintura e decoração claramente inspirados no X-ADV 750, com faróis duplos horizontais totalmente em LEDs.

As comodidades para o dia-a-dia, como a chave inteligente de presença, que permite a ignição mesmo no bolso, porta luvas no escudo frontal, com volume de 2 litros e tomada 12 volts para recarregar o celular estão presentes, assim como o útil porta-malas em baixo do banco, com volume de 27 litros e que também comporta (é a conta) um capacete do tipo fechado.

Entretanto, o para-brisa com duas regulagens é meramente decorativo. Pequeninho, fica lá embaixo e não protege nada, já que o piloto fica em posição muito superior. Andando, não faz diferença.

O painel digital em LCD, conta com tela horizontal retangular e é muito completo. Contudo, com tantas informações concentradas ao mesmo tempo, fica confuso, dificultando a consulta.

O computador de bordo informa o consumo médio e o instantâneo, com números dignos de um Faquir. Tem também indicador do nível do combustível, nível da carga da bateria, alerta para troca de óleo, velocímetro, relógio de horas, temperatura ambiente, hodômetro total e parcial.

Pilotando a Honda ADV 150

Curiosamente, a pilotagem urbana ficou melhor e mais confortável, exatamente com as suspensões de maior curso, desenvolvidas para o fora de estrada, que digerem mais facilmente o “rali” diário da pavimentação irregular.

Nos trechos urbanos o câmbio automático do tipo CVT (continuamente variável) também proporciona muito conforto. É só acelerar e prestar atenção no trânsito, com uma surpreendente constatação. O ADV 150 arranca forte da “pole position” nos semáforos, por exemplo, deixando os carros para trás. Também nos semáforos, ou em novas paradas, outra constatação.

O sistema “idling stop” entende que você parou e depois de três segundos em marcha lenta desliga o motor para economizar combustível e reduzir as emissões. Ao menor toque no acelerador o motor liga instantaneamente, pronto para a nova largada.

Terráqueo

No fora-de-estrada ou a qualquer momento, o sistema “idling stop” pode ser desativado e funciona sem a necessidade de uma super bateria e seus problemas. O truque é que o gerador se transforma em um motor de arranque, reposiciona o pistão e acorda como um raio o propulsor sem interferir na pilotagem.

O motor de um cilindro, 149,3 cm3 e arrefecimento líquido entrega 13,2 cv a 8.500 rpm: exatamente a mesma potência do PCX 150, do qual é derivado. Porém, mudanças nos dutos de canalização do ar da admissão, além da adoção de um escape de saída mais alta e menos vulnerável para encarar terra, resultaram em uma ligeira mudança na curva de torque.

Enquanto no PCX 150, os 1,38 kgfm de torque máximo aparecem a 5.000 rpm, no ADV 150, os mesmos 1,38 kgfm de torque surgem um pouco mais tarde a 6.500 rpm. O efeito prático é que a entrega ficou mais progressiva, e também vigorosamente melhor distribuída, sendo necessário apenas acelerar mais um pouquinho para chegar lá.

Para justificar o batismo ADV, sigla de Adventure, os pneus também mudaram. Agora são mais “rechonchudos”, com desenho misto, para transitar entre os dois mundos, asfalto e terra. Na dianteira a medida é 110/80 com aro de 14 polegadas e, na traseira, 130/70, com aro de 13 polegadas de diâmetro, contra 14 do PCX 150.

Aí, a engenharia queimou fosfato para equalizar o volume do porta-malas, com aumento do curso da suspensão traseira, que invadiria seu espaço. A solução foi reduzir o diâmetro do aro traseiro (pior na terra) e deslocar o tanque de combustível que, porém, continua com 8 litros de capacidade.

Efeitos colaterais da Honda ADV 150

A suspensão dianteira tem garfo Showa não invertido com tubos de 31 mm de diâmetro e 130 mm de curso, contra 100 mm de curso no PCX 150. Na traseira duplo amortecedor Showa com 120 mm de curso (100 mm no PCX 150), com reservatório externo separado e molas progressivas de três estágios. Mais macias no asfalto e mais duras próximas ao batente e aos buracos do fora-de-estrada.

Os efeitos colaterais do pacote foram ajustes no quadro, tipo berço duplo, acréscimo de um quilo no peso, passando de 126, para 127 kg, aumento da distância para o solo, de 137 para 165 mm e altura do banco de 764 para 795 mm em relação ao PCX 150, deixando o ADV 150 com aspecto bem mais encorpado.

Na terra, as alterações fazem enorme diferença. O ADV 150 roda com muita desenvoltura e surpreendente agilidade, apesar das rodas de pequeno diâmetro. A tentação de abusar é o resultado de uma ergonomia de pilotagem muito cômoda, ajudada pelo guidão cônico.

Entretanto, como se pilota sentado e não montado (como nas motos), falta melhor posição na hora de ficar em pé na buraqueira. Não dá para encarar uma trilha mais radical, mas nem essa é a principal proposta, mas, a diversão fica garantida.

Olha o breque!

Na hora de brecar, outra característica de conforto dos scooters. Os freios são acionados por manetes, deixando o pé direito livre na plataforma de apoio. Aliás, a plataforma se estende ao longo da carroceria, permitindo uma pilotagem com os pés esticados se a jornada no asfalto for mais longa.

Os freios são precisos, com discos, estilo wave nas duas rodas em liga leve. Na dianteira, 240 mm de diâmetro, com pinça de dois pistões. Na traseira, 220 mm de diâmetro, com pinça de um pistão. Porém, o sistema ABS ficou dividido: só tem atuação na roda dianteira. Na roda traseira, o sistema fica por conta do cérebro do piloto.

Na terra, a opção funciona e é até desejável em certas ocasiões, com derrapagens propositais. Mas as mesmas derrapagens são indesejadas no asfalto molhado, por exemplo.

Fotos: Fabiano Godoy | Honda | Divulgação

Teo Mascarenhas

Especialista na cobertura do mercado de motocicletas e competições com mais de 30 anos de experiência.

Teo Mascarenhas
9 Comentários
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Jo 18 de julho de 2021

Uma boa opção urbana. Não enxergo como aventureiro, nem em sonhos, kkkk. Preço salgado.

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Joelma 29 de setembro de 2021

Qual valor dessa moto ADV

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Alexandre 29 de junho de 2021

Porta malas??????!!!!!! Afffff

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Adalberto 24 de junho de 2021

Até quando vamos permanecer nessa corrupção. Absurdo de ter que realizar novos exame. Só para extorquir dinheiro do povo sacrificado.

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Téo Mascarenhas 24 de junho de 2021

A CNH de automóveis, não vale para motocicletas. É necessário outro exame específico. Se aprovado, a habilitação para a categoria motocicletas, incluindo os scooters, também passa a constar da CNH, junto com a de automóveis.

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Adalberto martins 23 de junho de 2021

Tenho carteira de motorista a 40 anos, nunca cometi infração de trânsito. Totalmente limpo.
Posso pilotar uma ou preciso tirar outra carteira.

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Téo Mascarenhas 24 de junho de 2021

A CNH de automóveis, não vale para motocicletas. É necessário outro exame específico. Se aprovado, a habilitação para a categoria motocicletas, incluindo os scooters, também passa a constar da CNH, junto com a de automóveis.

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Nilson Henrique Domingos 23 de junho de 2021

Tô pensando em pegaruma

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Acacio dos anjos Mendes Rodrigues 22 de junho de 2021

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