10 grupos automotivos: qual montadora é dona da outra?

Entenda como funcionam os conglomerados que reúnem duas ou várias marcas fabricantes de veículos - e como eles se formaram

Por Fernando Miragaya 12/02/21 às 18h00
Especial para o AutoPapo
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Maioria dos fabricantes de automóveis está agrupada em grupos (Foto: Shutterstock)

A Stellantis acaba de ser formalizada para se tornar o quarto maior grupo automotivo do mundo. O curioso é que a nova empresa reúne dois grupos, que já somavam diversas marcas adquiridas ao longo dos últimos 50 anos. E o que não falta na indústria automobilística são conglomerados como esses.

Tem gigante americana que já não é tão “geral” assim, alemã com marcas bastante distintas entre si, indiana dona de inglesas e até chinesa proprietária de uma sueca referência em segurança veicular. Conheça quem é dono de quem entre os fabricantes automotivos.

Stellantis

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A mais nova gigante dos automóveis do pedaço uniu dois grupos que já vinham de um histórico de aquisições ao longo dos anos. Vamos tentar explicar por partes e gradativamente para você não se perder.

A Chrysler começou lá nos anos 1920 com o “seu” Walter P. Chrysler, que ao longo das primeiras décadas adquiriu a Dodge e criou marcas como Plymouth e DeSoto – essas ficaram pelo caminho. Na década de 1970 a empresa comprou a American Motor Company, então dona da Jeep.

Veio os anos 1990, a dona da Mercedes-Benz adquiriu o grupo estadunidense e formou a DaimlerChrysler, que durou até 2007, quando a alemã se desfez da americana, que dava prejuízo recorrente e dor de cabeça, ao vender a montadora para o fundo de investimentos Cerberus.

Só que a crise financeira de 2008 pegou em cheio os fabricantes, entre eles a Chrysler.

À beira da falência, a Fiat começou a botar as manguinhas de fora. Comprou parte do grupo em 2009 e concluiu a aquisição em 2014, para formação da FCA.

Do outro lado, a PSA começou a ser desenhada na primeira metade dos anos 1970, quando a Peugeot passou a ter participação na Citroën. Em 1976, a marca do leão adquiriu a maior parte das ações da conterrânea e surgiu, assim, a PSA Peugeot Citroën. Depois de pegar e largar as operações europeias da Chrysler, a PSA transformou a DS – divisão tradicional da Citroën – em marca própria de luxo.

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Em 2017 a holding francesa, então, deu um importante passo estratégico. Comprou da General Motors a Opel e, de quebra, a Vauxhall (o braço britânico da marca). A partir daí, a empresa passou a se chamar Groupe PSA.

General Motors

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Como o próprio nome sugere, a General Motors é um conglomerado de marcas. Quer dizer, na verdade hoje está mais para grupo automotivo mesmo, já que a empresa se desfez e descontinuou muitas marcas.

Mas para você ter uma ideia, nos anos 2000 a GM era uma potência, com mais de 10 divisões. Além da mais “conhecida”, a Chevrolet, e das atuais remanescentes Buick, GMC e Cadillac, era dona de outras tantas. Pontiac e Saturn, por exemplo, ficaram pelo caminho após a crise de 2008 – quando a organização entrou em concordata e chegou a ser estatizada. Antes disso, a Oldsmobile já havia sido encerrada.

Fora dos Estados Unidos, a GM também deu fim às operações da sueca Saab e da australiana Holden. Em 2017, vendeu a Opel e seu braço britânico para a PSA Peugeot Citroën. Ah, nesse caminho a Hummer também deixou de ser uma marca. O SUV abrutalhado voltou como uma picape – igualmente gigantesca -, só que 100% elétrica e sob a marca da GMC.

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Volkswagen

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Segundo dados da Focus2Move, a Volkswagen é dona do maior grupo automotivo em vendas do mundo. Também, pudera. A alemã tem um leque de marcas diversificadas, desde populares e de baixo custo, até de luxo e superesportivas. O que nasceu como uma montadora fundada pelo governo de Adolph Hitler em 1937 para produzir um carro popular (o Fusca), hoje detém empresas de vários segmentos automotivos.

Entre os automóveis, o Grupo VW reúne, além da marca alemã de mesmo nome, a espanhola Seat e a tcheca Skoda. É dona, ainda, dos esportivos da Porsche e da italiana Lamborghini, e do fabricante francês de superesportivos Bugatti. Na parte de luxo, tem 100% da Audi e controla a Bentley, rival da Rolls-Royce – que é, e não é, da VW (leia na parte sobre o Grupo BMW).

A famosa marca de motos Ducati também faz parte da organização alemã. E tem mais: na parte comercial, a Volks reúne os fabricantes de caminhões MAN e Scania, e a marca de ônibus Neoplan. Será que esquecemos de alguma pelo caminho?

Hyundai

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Em 1998, o fabricante comprou a Kia e a Asia Motors e formou um importante grupo automotivo sul-coreano. Importante lembrar que a Hyundai, por si só, é um conglomerado com várias frentes de negócios. A companhia atua em áreas de siderurgia, construção civil, máquinas profissionais, turismo, entre outros – constrói até elevador.

Na parte de automóveis, a empresa criou submarcas, como a divisão de luxo Genesis e mais recentemente a Ioniq, voltada apenas para elétricos. Em 2020 a Hyundai-Kia foi o quarto maior grupo automotivo em vendas, com 6,52 milhões de unidades. Porém, se considerarmos a Stellantis, a sul-coreana perde a posição e cai para o quinto lugar.

Ford

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A empresa que inventou a linha de produção e tornou o carro acessível hoje tem poucas marcas. Mas em um passado recente, na década de 2000, era tipo a Volkswagen. A Ford detinha o controle de marcas clássicas britânicas e de nicho, como Aston Martin, Jaguar e Land Rover. Também era dona da sueca Volvo Cars.

Às vésperas do tsunami financeiro de 2008, contudo, a Ford só não foi para a draga como suas compatriotas General Motors e Chrysler porque fez caixa com a venda de todas essas marcas. Também diminuiu a participação acionária que tinha na Mazda para algo em torno de 2%.

Hoje, o Grupo Ford reúne o símbolo da oval e a Lincoln, marca tipicamente estadunidense. Ao redor do mundo, tem parcerias com diversas montadoras: quatro na China, além de outras na Tailândia e na Rússia.

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Toyota

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A Toyota é dona da Lexus – seu braço de luxo – e Daihatsu – que já esteve no Brasil e tem presença forte na Ásia. Mesmo assim, o forte de suas vendas está na empresa-chefe. A marca japonesa foi a mais vendida em todo o planeta em 2020, com 7,8 milhões de unidades, e ainda emplacou o carro mais vendido do mundo, o Corolla.

A empresa chegou a ter a Scion, uma marca com proposta “descolada” para os EUA, que vendia por lá os key car – aqueles subcompactos que são isentos de vários impostos no mercado japonês. Mas durou apenas de 2003 a 2016.

BMW

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O grupo bávaro é dono da marca que leva seu nome, tanto de carros como de motocicletas. Mas também tem em seu portfólio duas emblemáticas britânicas: a Mini e a Rolls-Royce. A marca de alto luxo, inclusive, envolveu uma polêmica com a Volkswagen.

É que a BMW era parceira da Rolls-Royce – essa por sua vez era dona da Bentley – e tinha preferência de compra da empresa. Só que a Volks atravessou o negócio, e ofereceu mais pela aristocrática marca nos anos 80.

Acontece que o direito de uso do RR era da divisão aeronáutica da empresa britânica e esta entrou em grave crise e acabou comprada pela… BMW, que fez valer os direitos: ou seja, a VW podia fabricar Rolls-Royce, mas não com o emblema Rolls-Royce. Um acordo de cavalheiros posterior fez a divisão. A RR ficou com a BMW e a Bentley, com a Volks.

Daimler

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É o nome do grupo que tem na Mercedes-Benz sua marca mais famosa. Esta, inclusive, tem suas divisões de automóveis, caminhões e ônibus. A empresa alemã foi dona da Chrysler e suas subsidiárias (Jeep, RAM, Dodge etc) em um negócio que durou até 2007 – sob o nome DaimlerChrysler.

Atualmente, além das divisões esportivas, como a AMG, o grupo também é dono da Smart, marca francesa de minicarros, e da Mitsubishi Fuso, ex-divisão de caminhões e ônibus da montadora japonesa. A Daimler chegou a ter uma marca de superluxo para brigar com Rolls-Royce e Bentley, a Maybach, porém esta foi descontinuada em 2012.

Tata

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Quem diria que uma empresa da Índia seria dona de duas tradicionais marcas do país que a colonizou. Em 2007, a Tata Motors adquiriu, junto à Ford, a Jaguar e a Land Rover. O grupo indiano também é um dos principais fabricantes de ônibus do mundo – tem até parceria com a brasileira Marcopolo -, além de reunir subsidiárias de caminhões e de máquinas de construção em outros países, como Coreia do Sul e Japão.

Geely

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Em 2010, as marcas chinesas eram vistas com muita desconfiança. Foi quando a Geely – aquela do GC2, o carrinho que parece um urso panda – comprou a Volvo Cars, a montadora sueca referência em segurança – e que estava sob domínio da Ford. O que se mostrou um ótimo negócio para a divisão de automóveis da companhia escandinava.

Em 2010, a Volvo tinha 21,5 mil funcionários e registrou cerca de 450 mil veículos vendidos no mundo. Quase 10 anos depois, o número de colaboradores praticamente dobrou e a marca anotou mais de 700 mil veículos vendidos em todo o globo.

Com essa moral, em 2018 a Geely fez outra aquisição ousada: adquiriu a britânica Lotus. Além disso, o presidente da Geely se tornou o maior acionista individual do Grupo Daimler em 2018.

Bônus: Aliança Renault – Nissan – Mitsubishi

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Alliance Renault Nissan Mitsubishi Motors - Logo

Em 1999, a Renault e Nissan se uniram na busca por mais competitividade com o compartilhamento de plataformas. Curiosamente, a fusão almejada nunca saiu do papel. As marcas continuam tendo vida própria e a economia se dá na sinergia de arquiteturas e aproveitamento de motores e conjuntos mecânicos.

No Brasil, as marcas chegaram a dividir a fábrica paranaense de São José dos Pinhais (originalmente Renault), que fazia a velha Frontier e a linha Livina. Em 2017, a aliança aumentou: a Nissan comprou a maior parte das ações da Mitsubishi – aqui, esta é representada pelo Grupo Souza Ramos, empresa independente e com licença para fabricar modelos da marca em Catalão (GO).

Neste imbróglio, a Nissan também é dona da Datsun e da Infiniti. E a Renault controla a romena Dacia (marca criadora do Logan e do Duster) e tem participação na russa AvtoVaz, que fabrica os modelos da Lada. Detalhe é que a empresa francesa quase fechou uma parceria com a Fiat, antes do anúncio da Stellantis.

5 Comentários
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Rafael 13 de fevereiro de 2021

A Aston Martin não é da fca? (Fiat crysler altomoveis)

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Ricardo 13 de fevereiro de 2021

“estadunidense” kkkkk

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Norberto 1 de maio de 2021

“estadunidense” é da mesma patota de “presidenta” e congêneres…

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Luiz Nunes 7 de maio de 2021

É o termo correto gramaticalmente…….americano só significa que é da América. Nós, brasileiros, também somos americanos, certo?

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Audemar C 13 de fevereiro de 2021

Faltou citar a Fargo, também criada por Walter P. Chrysler.

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