Comprar? Nada disso! Você vai ‘assinar’ um carro híbrido em poucos anos

O mercado de automóveis está mudando na nossa frente por imposições de leis mais rígidas e do próprio mercado consumidor

bola de cristal carro do futuro portal
A bola de cristal entrou em ação... (Ilustração: Ernani Abrahão | AutoPapo)
Por Felipe Boutros
30 de abril de 2022 07:30

O futuro do automóvel está se desenhando na nossa frente: muitos estão empolgados com o que está por vir, enquanto os entusiastas temem o futuro do carro. Resolvi incorporar o “Pai Boutros do Giclê Entupido”, desembaçar a bola de cristal e fazer algumas previsões e especulações sobre o que veremos nos próximos anos nas ruas.

Especular vai contra o que nós aprendemos na faculdade de jornalismo, mas é um exercício bom de se fazer: ainda mais aqui nesse espaço opinativo. Então, por favor, não venham com print disso aqui em 2035 falando “nooossaaaaa, você errou tudo nessa coluna”.

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Mas enfim, vamos falar de futuro do automóvel, então temos que começar pelo que todos querem saber: o carro elétrico vai dominar as ruas? Sim e não! Em países desenvolvidos, é um caminho sem volta; os motores térmicos vão acabar!

Mas a coisa muda de figura por aqui: a verdade é que o Brasil está uns 10 anos atrasado nesse sentido em relação à Europa, por exemplo. Temos diversos fatores contra por aqui e o principal, claro, é o custo elevado, aliado ao poder de compra decadente do brasileiro.

O recém-lançado Renault Kwid elétrico, hoje, é o carro a bateria mais barato do nosso mercado, com um preço de etiqueta de pouco mais de R$ 140 mil. Resumindo: carro elétrico no Brasil vai ser nicho voltado aos consumidores de alto poder aquisitivo.

Mas qual será a solução aqui? Etanol! Sim, o combustível vegetal odiado por muitos, atacado por alguns youtubers e comentaristas de portal poderá colocar o Brasil na vanguarda da matriz energética para os países em desenvolvimento.

Recentemente, uma comitiva de representantes de montadoras e do governo brasileiro fechou um acordo com a Índia para ampliar o uso do etanol naquele país. Mas qual vai ser a sacada? Motor flex já existe há quase 20 anos.

‘Zero’ emissões

A novidade vai ser os conjuntos híbridos flex. Hoje, a Toyota já oferece esse conjunto propulsor, enquanto diversas outras, como Volkswagen, Stellantis e GWM já desenvolvem seus produtos com essa proposta.

Mas qual a diferença do híbrido flex para o híbrido convencional? Simples! Se for considerado desde a cultura da cana-de-açucar até as emissões dos carros abastecidos com etanol, é possível “zerar” a emissão de carbono. É isso que todos estão buscando – e por imposição das legislações.

Termos escapatória? Provavelmente não. O processo de eletrificação é inevitável, mesmo que em graus diferentes. Lá para meados desta década de 2020, provavelmente teremos muitos carros mild hybrid (ou híbrido leve) ou os híbridos “convencionais”.

Parênteses: meu amigo Marlos Ney Vidal publicou no Autos Segredos uma dessas novidades, o Polo eTSI – o primeiro híbrido flex da VW.

E no que isso vai implicar? Carros mais caros…

Boris Feldman relembra as origens do carro elétrico:

Soluções de mobilidade

Ainda pensando no futuro, outra tendência é a transformação das montadoras (eita, me desculpem Boris Feldman e Bob Sharp) em empresas provedoras de mobilidade.

O negócio delas não vai ser mais exclusivamente vender carros. Pensa comigo: hoje, as maiores compradoras de carros são as locadoras. Para quê você vai fazer uma venda direta, com margens reduzidas, se você mesmo pode fazer essa jogada?

Por isso, a maioria das fabricantes (se não todas) já estão investindo nos carros por assinatura: em vez de comprar um carro, você, por um valor mensal pré-determinado, o usa com todos os custos de manutenção e seguro embutidos na mensalidade.

Como disse Antonio Filosa, COO da Stellantis, eles estão “aprendendo a andar para correr no futuro”, ou seja, ainda não têm o know-how das grandes locadoras como a Localiza, mas, em breve, querem estar em pé de igualdade.

Banco aquecido? Vai ter que assinar também

E tem mais. As fabricantes já estão pensando também em oferecer equipamentos por assinatura. Isso mesmo, você não leu errado. A BMW se envolveu em uma polêmica recente ao manifestar intenção cobrar uma mensalidade para liberar bancos aquecidos em seus carros.

E isso não vai ser exclusividade de carros mais caros: muitas já oferecem serviços pagos, como sistemas de monitoramento remoto que são gratuitos no primeiro ano, mas são cobrados a partir daí. Ou internet a bordo.

Mas essa proposta ainda enfrenta muita resistência dos consumidores. A Cox Automotive recentemente pesquisou que 75% das pessoas que pretendem comprar um veículo novo nos próximos dois anos não querem pagar uma taxa de assinatura anual ou mensal para esses itens. Em vez disso, eles esperam que a maioria dos recursos e serviços sejam incluídos no preço de venda inicial.

A bola de cristal está ficando embaçada novamente, então vou parar por aqui… Mas é fato que um novo mundo automotivo está se desenhando diante dos nossos olhos. Para quem encara o carro apenas como uma ferramenta, muitas novidades serão bem-vindas. Mas para os entusiastas…

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15 Comentários
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Santiago 3 de maio de 2022

Temos uma formidável tecnologia de biocombustíveis, temos motores flex. Temos polos tecnológicos que, com os devidos incentivos, podem aprimorar ainda mais essas tecnologias. Temos TUDO para abraçar em larga escala a tecnologia Hibrido-Flex, aplicável até mesmo em veículos pesados.
Quanto aos veículos por assinatura, isso está mais pra uma mera opção do que pra uma tendência. Afinal, pra quem usa diariamente, alugar sempre será mais caro do que comprar. E a maioria de nós ainda queremos um carro “pra chamar de seu”.

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Juliana Mota e Sá 2 de maio de 2022

Quem tem condições compra, quem é metido a besta aluga, é isso mesmo ALUGUEL, mimimi de assinatura.

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Rodrigo MARTINIANO 1 de maio de 2022

O NOBRE COLEGA ENGº BORIS ESTÁ PARABENIZADO POR SUA INCRÍVEL E SAUDÁVEL LIBERALIDADE !!!

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Rodrigo MARTINIANO 30 de abril de 2022

No ano de 1998 eu ainda tinha um GOL GTI ’95 a álcool, que acelerava semelhante a uma RD-350 ‘viúva-negra’. O álcool custava R$0,30 / litro…
Hoje, 2022, o valor corrigido sem roubalheira (PETROBRAS & USINEIROS) seria de R$2,67 / litro, considerados os 89% de inflação & impostos decorrentes no período.

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Rodrigo MARTINIANO 30 de abril de 2022

O nosso BRASIL teve a chave-de-ouro para evitar grandes danos á ecologia.
CHAMOU-SE PROALCOOL e foi sucateado pela esquerda, eterna inimiga de soluções sensatas.
TIVEMOS DESDE CAMINHÕES ATÉ FORD LANDAU 100% A ÁLCOOL !!!!
O Corcel II ‘Hobby’ 100% álcool da minha querida amiga Dra. Vera Christina fazia 12 km/l de álcool na estrada e era muito ligeiro.
O caminhão Chevrolet A-60 da Coca-Cola, onde meu irmão trabalhava, empatava no consumo com caminhões diesel, e era super mais rápido.

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Cadillata 1 de maio de 2022

O Proálcool foi desativado oficialmente no início da década de 1990 no governo do então presidente Fernando Collor que era de direita.
Sempre é bom pesquisar, ler e saber antes de escrever.

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Rodrigo MARTINIANO 1 de maio de 2022

O PROALCOOL trouxe certo apelo de resposta a um problema mundial de concerne ao ambiente.
Contudo, críticas foram se acumulando, conforme de praxe. A política de subsídios para garantir o preço mais baixo que o da gasolina e a “preferência” (leia-se ganância) de usineiros em fornecer para a BR Distribuidora criaram um mau momento para o programa; no início dos anos 1990, já se questionava o futuro do programa, mas ele permaneceu ativo.
Ao longo da década de 1990 e começo dos anos 2000, o álcool ainda era distribuído, mas sem grandes atrativos para usinas ou mesmo para o consumidor: no ano 2000 eu comprei um Gol 1.6 zero km a álcool, que – aliás – me custou cerca de 10% menos que outro a gasolina, pois estava “encalhado” na concessionária. Meu amigo Alfredo o tem até agora.
Daí que, em 2003, um novo salto nos preços do petróleo renovou o fôlego à produção de motores a álcool, comercialmente rebatizado por seu nome químico-científico, i.e., etanol.
Na sua concepção de início, a de fazer com que pelo menos metade da frota de veículos fabricados no Brasil fosse movida a álcool, o programa não teve sucesso a partir de 1984, sobretudo porque a BR Distribuidora subitamente parou de “agraciar” os usineiros com propinas.
Eu fui Estagiário de Engenharia no CTA (hoje DCTA), trabalhei junto ao Cel Engº Urbano, ajudei um pouquinho na preparação do primeiro carro a álcool brasileiro (EU ESCREVI BRASILEIRO!), um Dodge 1800.
EU ESCREVI BRASILEIRO EM RAZÃO DE QUE – NA VERDADE – PRIMORDIALMENTE MOTORES A CICLO TERMODINÂMICO DE OTTO FUNCIONARAM COM ÁLCOOL, OU BENZENO, OU GÁS DE CARVÃO COMO COMBUSTÍVEL, PORQUANTO A GASOLINA DA ÉPOCA – NÃO REFINADA – ERA POR DEMAIS IMPURA, COMO O ÁLCOOL DO PRINCÍPIO DO PROALCOOL, COM A SUA FLEGMA CAPAZ DE ATACAR ATÉ MESMO A LIGA ‘ZAMAK’ DOS CARBURADORES BROSOL E WEBER.
O PROALCOOL nunca acabou, pois temos até BMW flex hoje, bem como ônibus SCANIA-ETANOL na Suécia: o PROALCOOL apenas perdeu seu objetivo, graças a insistentes ataques de quem – por idiossincrasia boçal – escolhe a politicagem ao invés do NACIONALISMO.
Atualmente meu carro VW up! faz (conseguiu fazer) 19,1 km/l de etanol aditivado (com vinagre de farmácia) – DEZENOVE VÍRGULA UM QUILÔMETROS POR LITRO.
Eu tenho foto provando para quem duvidar, foto essa remetida via e-mail ao colega editor.
Atenciosamente,
Rodrigo MARTINIANO.
. . . . .

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Rodrigo MARTINIANO 1 de maio de 2022

Sempre é bom pesquisar, ler e saber antes de escrever.

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Rodrigo MARTINIANO 30 de abril de 2022

ORA BOUTROS, ou melhor, ORA BOLAS!

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bruno vasconcelos 30 de abril de 2022

Não acredito na eletrificação total dos Estados Unidos e de muitos paises desenvolvidos devido a Economia que pede veiculos baratos e consumidores que procuram Luxo e Status acima de tudo. A questão na Europa que é diferente devido a geo politica q evita conflito com mundo arabe.. nos EUA carro eletrico é muito pouco vendido ainda e fato q são carissimos… alias, até na Europa com combustiveis sinteticos é capaz de espaço para hibridos tb, esta sim, a tecnologia q deve dominar na maior parte do mundo, ou pelo menos enquanto baterias forem caras e de pouca durabilidade e baixa carga e lenta como as atuais, o hibrido sim q deve dominar.

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bruno vasconcelos 30 de abril de 2022

Nâo acredito na Assinatura pela simples questão de “divisão de lucros” entre Montadora e Consumidor, onde a Montadora ficará com a maior parte dos beneficios e lucros de alugar o carro, mas isto financeiramente não compensa pro consumidor… NInguem aluga TV, até bicicleta ou tenho uma, se fosse alugar sairia mais caro.

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Cadillata 30 de abril de 2022

Teste Cadillata.

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Cadillata 30 de abril de 2022

Escrevi algo parecido em outro site como comentário, e teve pessoas que caíram a pau naquilo que eu disse.
É interessante como certas pessoas são contra o óbvio, só porque não gostam do óbvio.
Nem citei sobre a assinatura dos carros, apenas sobre o futuro híbrido e elétrico que é iminente.
Também gostaria que continuasse do mesmo jeito, mas quem pode trancar o futuro?

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Rodrigo MARTINIANO 30 de abril de 2022

VEÍCULO ELÉTRICO… DE ONDE VIRÁ TANTA ELETRICIDADE?
Convém lembrar: 75% da eletricidade do planeta advém da queima de CARVÃO !!!
QUEIMAR CARVÃO POLUÍ MUITÍSSIMO !!!

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luis 2 de maio de 2022

Não sei a fonte destes 75%, me parece muito alta. A FGV, que é a princípio um ente com credibilidade, aponta o carvão como 27% da matriz energética mundial e somente 5% da brasileira. O Brasil tem como uma de suas principais fontes as hidroelétricas, que em tese, é energia pouco poluidora.

A China, a maior consumidora de carvão do mundo, está fazendo esforços para migrar suas fontes para origns menos poluentes, já sendo a maior produtora de energia solar e eólica do mundo, não por ser boazinha, mas para dependenr menos de importações.

O carvão realmente é um grande poluidor, mas entendo que para criticar algo devemos evitar números sem fonte credível. A própria europa, que era uma grande consumidora de carvão, migrou para outras fontes nos últimos anos.

Claro que comentários não convencem ninguém, mas ainda que não houvesse grandes mudanças na poluição produzida, haveria um deslocamento da poluição de áreas densamento povoadas (grandes cidades com seus carros a combustão) para regiões de baixa densidade populacional (usinas termoelétricas que em geral se situam em regiões baixamente povoadas), melhorando a respiração das pessoas.

O debate é válido, mas prefiro respirar um ar com menos monóxido de carbono e outros poluentes ainda que a pegada de CO2 não mude muito (acredita que muda muito, mas opinião cada um tem a sua).

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