Quais carros têm os câmbios automáticos mais ultrapassados do Brasil?

Transmissão de quatro velocidades ainda é oferecida em alguns modelos; também antiquado, câmbio automatizado de uma embreagem sobrevive em só um veículo

Por Alexandre Carneiro 21/07/20 às 10h33

A época em que os câmbios automáticos de quatro marchas representavam alta tecnologia pertence a um passado distante. O primeiro carro nacional com a chamada transmissão AT4 surgiu há mais de 40 anos: foi o Dodge Polara, em 1979. Apesar de ter incorporado eletrônica desde então, esse tipo de caixa de marchas caiu em desuso na última década. Porém, ainda sobrevive em alguns carros de passeio.

O número de velocidades do câmbio tem relação direta tanto com o desempenho quanto com o consumo de combustível. É que, com menos marchas, as relações entre elas ficam mais longas, fazendo com que o giro do motor caia demais durante as trocas.

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Por outro lado, uma caixa com mais marchas permite relações mais curtas, fazendo com que o motor trabalhe sempre próximo da rotação ideal. É por isso que os fabricantes têm adotado transmissões com, pelo menos, seis velocidades: modelos mais sofisticados têm oito, nove ou até 10.

Outra alternativa incorporada pela indústria é a oferta de câmbios do tipo CVT, que são continuamente variáveis e, assim, permitem inúmeras relações. O objetivo é o mesmo: fazer com que o motor trabalhe sempre de modo a proporcionar maior economia, ou melhor performance, dependendo da situação.

É por isso que, nos últimos anos, o câmbio AT4 foi abandonado pela maioria dos fabricantes. Porém, não por todas: o AutoPapo fez um levantamento e descobriu que quatro automóveis, de três marcas distintas, ainda são equipados com transmissões automáticas de quatro marchas.

Um único veículo ainda utiliza transmissão automatizada de uma só embreagem. Esse sistema tem funcionamento distinto, mas a proposta é semelhante: trocar as marchas automaticamente, de modo a aumentar o conforto do motorista.

1. Toyota: Etios (Hatch e Sedan) AT4

Toyota Etios Hatch e Sedan têm opção de câmbio automático AT4
Toyota | Divulgação
  • Etios Hatch AT4: R$ 59.290 (X 1.3) e R$ 66.690 (X Plus 1.5)
  • Etios Sedan AT4: R$ 64.890 (X 1.5) e R$ 69.990 (X Plus 1.5)

A Toyota ainda oferece carros equipados com câmbio automático de quatro marchas: esse sistema é restrito à linha Etios e pode equipar o Hatch e o Sedan.

No Hatch, a transmissão AT4 pode ser associada tanto a um motor 1.3 16V, de 98 cv com etanol e 88 cv com gasolina, tanto a um 1.5 16V de 107 cv e 102 cv, respectivamente. Já o Sedan só é disponibilizado com o propulsor de maior cilindrada. A gama também conta, nas duas opções de motorização, com uma caixa manual de seis velocidades.

Até 2014, a Toyota usava o câmbio automático de quatro marchas no Corolla. Naquele ano, entretanto, o sedã adotou uma transmissão CVT, que foi aprimorada na geração seguinte, lançada no ano passado. A linha Yaris também é equipada com um sistema CVT.

Provavelmente, a linha Etios não receberá um câmbio automático atualizado. A caixa de quatro marchas deverá permanecer na gama até que o Hatch e o Sedan sejam descontinuados, dentro de alguns anos.

Boris Feldman fala mais sobre o futuro (nebuloso) dos dois modelos: assista ao vídeo!

2. Renault: Captur e Oroch AT4

  • Renault Captur 2.0 AT4: R$ 99.690 (Intense) e R$ 101.690 (série especial Bose)
  • Renault Oroch 2.0 AT4: R$ 88.290 (Dynamique)

A Renault equipa duas versões do Captur e uma da Oroch com o câmbio AT4. Nos dois veículos, essa transmissão é associada a um motor 2.0 16V, capaz de gerar 148 cv de potência com etanol e 143 cv com gasolina.

Curiosamente, no caso do SUV, o câmbio automático de quatro marchas é oferecido justamente na configuração top de linha Intense e na série especial Bose. Ambas as versões são disponibilizadas também com transmissão CVT. Porém, nesse caso, o motor é o 1.6 16V que desenvolve 120 cv com o combustível vegetal e 118 cv com o derivado do petróleo.

Já a Oroch não tem outra opção automática além do AT4. Essa transmissão pode equipar a versão top de linha Dynamique, pelo preço de R$ 88.290. As demais opções da gama são disponibilizadas com caixas de marchas manuais.

Produtos fora de linha da Renault, como o monovolume Scénic, o sedã Mégane e a perua Grand Tour usaram um câmbio AT4 semelhante. Essa transmissão equipou ainda algumas versões de Logan e Sandero: ambos os modelos, porém, já a substituíram por um mecanismo CVT.

Em 2021, será a vez do Captur trocar o motor 2.0 e a caixa de quatro marchas por um novo conjunto, formado por propulsor 1.3 turbo e câmbio CVT. Já a Oroch deverá manter a mecânica antiga por mais alguns anos.

3. Caoa Chery Tiggo 2 AT4

caoa chery tiggo 2 é equipado com câmbio automático AT4
Caoa Chery | Divulgação
  • Caoa Chery Tiggo 2 AT4: R$ 69.990 (Look) e R$ 73.990 (Act)

A Caoa Chery também oferece um câmbio automático de quatro marchas em sua linha de veículos. Curiosamente, o sistema equipa um produto relativamente novo: inicialmente comercializado apenas com transmissão manual, o Tiggo 2 ganhou opção de caixa AT4 em meados de 2018.

Isso explica-se pelo fato de o Tiggo 2 ser baseado no Celer, que chegou ao Brasil em 2013 e foi nacionalizado em 2015, quando a Chery ainda não era controlada pela Caoa.

O Chery Tiggo 2 é movido sempre por um motor 1.5 16V capaz de gerar 115 cv com etanol e 110 cv com gasolina. A versão de entrada Look pode ser equipada com um câmbio manual de cinco marchas ou com o automático de quatro. Na top de linha Act, a transmissão AT4 é a única disponível.

Ainda não há informações se a Caoa Chery prepara um sistema de transmissão mais atual para o Tiggo 2. Porém, se isso ocorrer, não será em um futuro próximo: os planos mais imediatos da empresa estão voltados para a ampliação da gama com novos produtos, entre os quais o SUV Tiggo 8.

Também obsoleto, câmbio automatizado de uma embreagem equipa, hoje, só um veículo

Outro sistema de transmissão que foi abandonado pelos fabricantes nos últimos anos é o automatizado de uma só embreagem. Renault, Chevrolet, Volkswagen chegaram a utilizá-lo, mas todas o substituíram por transmissões automáticas convencionais.

A Fiat é a única que ainda o emprega, mas em apenas um modelo: o Cronos. Outros modelos da marca italiana, como Mobi, Uno, Argo, Grand Siena e Strada, chegaram a oferecer o câmbio automatizado de uma embreagem, mas atualmente não têm mais tal opção. Inicialmente, a Fiat chamava o sistema de Dualogic, mas o rebatizou de GSR em 2018.

4. Fiat Cronos GSR

fiat cronos drive gsr 1
Fiat | Divulgação
  • Fiat Cronos Drive 1.3 GSR: R$ 66.690

O último carro vendido no Brasil com câmbio automatizado de uma só embreagem é o Fiat Cronos. Esse sistema, batizado de GSR, pode equipar a versão intermediária Drive.

O câmbio GSR é sempre associado ao motor 1.3 8V da família FireFly, que rende 109 cv com etanol e 101 cv com gasolina. Esse propulsor também pode ser conjugado a uma caixa manual: ambas têm cinco marchas.

Embora a Fiat não confirme, a transmissão GSR está com os dias contados. Em 2021, ela será substituída por um novo câmbio automático do tipo CVT.

24 Comentários
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    Mario Lago BR 25 de julho de 2020

    Tivemos um fiat Linea com cambio dualogic, logo no seu lançamento. Na época, nem sabia que existia esse lixo. Me senti um verdadeiro otário em ter comprado esse carro. Ficamos menos de um ano e passamos pra frente. Nunca mais comprei Fiat por causa disso.

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    Faués 23 de julho de 2020

    A reportagem esqueceu do Suzuki Jimny Sierra 2020 ainda importado, que também tem câmbio automático de 4 marchas em versões especiais.
    Na Ásia e Europa o antigo modelo da geração anterior – denominado apenas Jimny após 2010 – já possuía este câmbio.

    • AutoPapo
      Alexandre Carneiro 24 de julho de 2020

      Olá, Faués!
      Caro, o Suzuki Jimny Sierra não foi citado porque ele é um veículo utilitário, com foco no uso fora de estrada, e a lista traz apenas carros de passeio, como foi citado no primeiro parágrafo. É que entendemos que, em veículos de uso mais urbano, questões como eficiência energética e desempenho têm maior peso que em um off-roader. De qualquer modo, você está correto em relação ao Jimny Sierra, que é sim equipado com um câmbio automático de quatro marchas.
      Abraço e obrigado por comentar!

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    Rodolfo 22 de julho de 2020

    Faz sentido intervalo pouco maior, beber pouco mais e requerer pouco mais de kickdown em um Câmbio de 4 Marchas. Mas já tive 3 Civic EX Automático E posso afirmar por já ter rodado no Combinado 200Mil/km. E fora 300Mil/km. Em um Lx Aut. da minha Mãe. Estamos falando de meio milhão de Km. Mesmo no sistema utilizado de 96 não ser dos mais Modernos e Até 2014 no Corolla. Possuí um escalonamento bem Correto, pouquíssimo Lag., Nada q. Afete o Conforto, tem até Overdrive da 4° Marcha p/ Rodovia e a Retomada bem Satisfatória. Em se tratando do Consumo cheguei a fazer 9 na Cid. Mas comum é 7,5 até 8,5 No Ex e 11,5 na Rod. Já no Lx. Média de 9,5 na Cid. Podendo fazer 14/L. Na Rod. Têm Carro Aspirado até Turbo Atual q. Faz marcas semelhantes na Gasolina.

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      Luis Santos 27 de julho de 2020

      É bom porque é Honda, não porque tem AT4. É claro que é um sistema clássico e confiável, mais datado. Não temos mais também motores boxer refrigerados a ar, que também eram longevos sem dar problemas.

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    Ricardo 21 de julho de 2020

    Equipou o Corola até 2014, esse câmbio aisin at4 é da própria Toyota e o melhor! Se não prestasse, a Toyota NÃO teria usado em seu produto. Para o Etios, esse câmbio foi ajustado para trabalhar com o propulsor, oferecendo trocas suaves!

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    Liomar Da silva 21 de julho de 2020

    Tem um corolla com esse câmbio ultrapassado aí mas estou sastifeito com ele pois é o carro mas econômico que eu já possui e confiavel não vou trocar tão cedo estou esperando as respostas dos carro híbridos aí quem sabe pego um desse

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    Victor 21 de julho de 2020

    Realmente o câmbio da Toyota é dos piores, já tive um Etios automático e me arrependi, gastao e com trocas de marchas bruscas.

    Peguei um Honda City nem percebo a troca de marchas e muito mais econômico!

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      Ricardo 21 de julho de 2020

      Equipou o Corola até 2014, esse câmbio aisin at4 é da própria Toyota e o melhor! Se não prestasse, a Toyota NÃO teria usado em seu produto. Para o Etios, esse câmbio foi ajustado para trabalhar com o propulsor, oferecendo trocas suaves!

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      Eduardo 21 de julho de 2020

      Tenho um Etios com esse cambio e ao contrário do que você fala, cambio com trocas suaves e carro econômico.

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        Gilson Canto 22 de julho de 2020

        Concordo plenamente. Tenho um Etios 1.5 com esse tipo de câmbio e ele é econômico (10 na cidade, 17 na Rod.) e de ótima dirigibilidade e nem se nota a troca de marchas(suave, suave).

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      Hass 22 de julho de 2020

      Você só pode estar de brincadeira! Etios AUT4 com trocas bruscas? Ou você está mentindo ou pegou um carro destruído.
      Eu tenho um e faço Uber, o que mais me perguntam é se o câmbio é CVT tamanha suavidade, quando falo que é aut4 do antigo Corolla ninguém acredita…
      Conta outra…

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        Luciano Freire 22 de julho de 2020

        Ainda bem q Corolla vende pouco.

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      Alexandre 22 de julho de 2020

      Eu tenho um Etios X 1.3 AT modelo 2018 e faço 11 a 13 km/L na cidade e 14 a 17 km/L na estrada. Consumo não é só o carro, é o motorista também. Não faço freadas bruscas, presto atenção no indicador Eco do painel do carro, não levo pesos desnecessários dentro do carro, e mantenho os pneus calibrados semanalmente.

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      Rafael 22 de julho de 2020

      Victor mentirosoooo. Falar que era gastão e tinha trocas bruscas? Hahaha…
      Vale dizer que é ultrapassado. Mas mentir é feio.

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    Geraldo Sardinha 21 de julho de 2020

    Gostaria de perguntar o por que as montadoras de carros elétricos não aproveitam o teto dos veículos para colocar placas foto – voltaicas para ajudar a carregar as baterias e aumentar o tempo de utilização do veículo em movimento?
    No Brasil os veículos passam vc a maior parte do dia estacionados sob este nosso sol maravilhoso .

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      Leandro 21 de julho de 2020

      Já tem alguns carros assim em teste.. da Toyota, Hyundai, etc.

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      EVERTON OLIVEIRA FRANCISCO 23 de julho de 2020

      painéis caros e não geram energia suficiente. logo não foi viável

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      Jose 23 de julho de 2020

      Porque vai ficar o dia inteiro torrando no sol e vai andar poucos metros com a carga.

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    Geraldo Sardinha 21 de julho de 2020

    Gostaria saber o por que as montadoras de carros elétricos não aproveitam o teto dos veículos para colocar placas foto – voltaicas para ajudar a carregar as baterias e aumentar o tempo de utilização do veículo em movimento?
    No Brasil os veículos passam vc a maior parte do dia estacionados sob este nosso sol maravilhoso .

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      JF 21 de julho de 2020

      simplesmente pq não interessas às montadoras que os consumidores/otários sejam beneficiados tanto visando economia combustível ou emitindo menos poluição, pois há um interesse maior de uma cadeia consumista que “paga de carro novo”, mas sequer tem onde morar, é tudo interesse e cíclico para aumentar lucros de diversos setores, energia (Petroroubas), taxas de financiamento (vide bancos e suas benesses independentemente do período, eles sempre lucram), seguro, etc…e mais importante frisar é saber que há gente imbecil que tem coragem de pagar quase 100 mil reais por qualquer porcaria que as montadoras lançam (com um sorriso na cara ainda) sem questionar , lembrando que houve reajuste das(des)montadoras pra cima somente em paises mediocres como o Brasil, com boas vendas, enquanto que em paises sérios, as vendas de veículos baixaram, não somente pq não houve reajuste, mas principalmente pq as pessoas dos demais países são sim consumistas, mas exigentes com o que vão pagar e não aceitam serem violentadas pelos bancos/políticos , já que quem dita os preços são eles mesmos…

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        Pietro 21 de julho de 2020

        Lindo… É exatamente esse o ponto!!!

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        Albert Baroto 21 de julho de 2020

        Ainda existe pessoas lúcidas nesse país bravo.

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        Thiago Garcia 23 de julho de 2020

        Cara você tem que ler mais, seu texto está horrível.

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