Carretinhas e reboques: tudo que você precisa saber sobre

Uma carretinha pode ser uma mão na roda para quem precisa transportar volumes, porém é preciso ficar atendo a legislação e às leis da física

Por Eduardo Rodrigues 05/08/21 às 17h18
Com Laurie Andrade
mitsubishi l200 triton savana amarela puxando jet ski em carretinha
As carretinhas parecem simples, mas demandam vários cuidados e atenção. (Foto: Mitsubishi | Divulgação)

A carretinha – ou reboque, como é tratado pelo Código Brasileiro de Trânsito (CTB) – é o veículo usado com o objetivo de transportar volumes além da capacidade do seu porta-malas ou caçamba. Para o seu uso, devem ser obedecidas diversas leis de trânsito.

E justamente por serem reconhecidos como veículos, as carretinhas precisam atender a regulamentações similares as dos carros: precisam ser registrados no Detran local, emplacados e estar com a documentação em dia. Conforme diz o Código de Trânsito Brasileiro (CTB):

Art. 120. Todo veículo automotor, elétrico, articulado, reboque ou semi-reboque, deve ser registrado perante o órgão executivo de trânsito do Estado ou do Distrito Federal, no Município de domicílio ou residência de seu proprietário, na forma da lei.
Art. 121. Registrado o veículo, expedir-se-á o Certificado de Registro de Veículo – CRV de acordo com os modelos e especificações estabelecidos pelo CONTRAN, contendo as características e condições de invulnerabilidade à falsificação e à adulteração.

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Registro da carretinha

Para fazer o registro da carretinha, o proprietário do veículo deve apresentar, ao departamento de trânsito:

  • Nota fiscal fornecida pelo fabricante ou revendedor, ou documento equivalente expedido por autoridade competente – original e cópia simples.
  • Documento de identificação pessoal – original e cópia simples
  • Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) – original e cópia simples
  • Comprovante de endereço – original e cópia simples, com data de até 3 meses anteriores
  • Decalque do número do chassi – original
  • Comprovante de pagamento de débitos (tributos, multas ou encargos pendentes) – original e cópia simples
  • Formulário Renavam – duas vias originais preenchidas

Podem solicitar o registro do reboque: o proprietário do veículo, o procurador do proprietário, um parente próximo (cônjuge, pais, filhos e irmãos) ou o representante legal da pessoa jurídica.

lateral carretinha reboque
Carretinhas de um eixo são os modelos mais acessíveis (Foto: Shutterstock)

Documentos apresentados, é hora do responsável definir o número da placa do veículo, emitir e quitar a guia de pagamento do licenciamento, agendar o emplacamento e buscar o CRV e o CRLV do reboque.

Atenção! A partir da emissão da nota fiscal da carretinha, o proprietário tem até 30 dias para fazer seu registro.

É obrigatória a expedição de novo Certificado de Registro de Veículo para a carretinha quando:

  • for transferida a propriedade;
  • o proprietário mudar o município de domicílio ou residência;
  • for alterada qualquer característica do veículo.

Apesar de muitos acreditarem no contrário, os proprietários de carretinhas para barcos, carretinhas baú ou reboques de qualquer outra categoria não precisam pagar o seguro obrigatório (Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre -DPVAT) ou o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA).

Equipamentos obrigatórios para reboques

De acordo com o artigo primeiro da Resolução nº 14 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), para circular em vias públicas, os reboques e semi-reboques deverão estar dotados dos equipamentos obrigatórios relacionados abaixo, a serem constatados pela fiscalização e em condições de funcionamento.

  1. Para-choque traseiro;
  2. Protetores das rodas traseiras;
  3. Lanternas de posição traseiras, de cor vermelha;
  4. Freios de estacionamento e de serviço, com comandos independentes, para veículos com capacidade superior a 750 kg e produzidos a partir de 1997;
  5. Luzes de freio de cor vermelha;
  6. Iluminação de placa traseira;
  7. Lanternas indicadoras de direção traseiras, de cor âmbar ou vermelha;
  8. Pneus que ofereçam condições mínimas de segurança;
  9. Lanternas delimitadoras e lanternas laterais, quando suas dimensões assim o exigirem.
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É preciso certificar que tudo esteja bem preso na carretinha e o peso seja distribuído para manter a estabilidade (Foto: Shutterstock)

Tenho a carretinha dentro da lei, já posso dirigir?

Para usar a carretinha é preciso antes ter um engate de reboque instalado em seu veículo. Primeiro certifique no manual do veículo se o fabricante recomenda a instalação de um engate, quais são os pontos de fixação e também a capacidade máxima de tração do veículo.

Segundo o CTB, motoristas com CNH categoria B podem dirigir veículos com carretinhas, contanto que a composição não exceda o peso bruto total de 3.500 kg. Caso exceda esse peso será necessário ter a habilitação categoria C (até 6.000 kg).

Limite de velocidade com reboque

Muitos motoristas não sabem, mas um carro com reboque deixa de ser um “veículo leve” e passa a ser considerado um “veículo pesado”. Por isso, o limite de velocidade que o carro com carretinha deve seguir é menor do que o acostumado.

A explicação para a afirmação está publicada na Resolução nº 396 do Contran, que diz, no artigo 8:

§ 2º ‘VEÍCULO LEVE’ tracionando outro veículo equipara-se a ‘VEÍCULO PESADO’ para fins de fiscalização.

Capacidade de carga

Além de prestar atenção no peso bruto total do carro mais carretinha, os motoristas que utilizam o reboque precisam respeitar a capacidade máxima de reboque do automóvel e da própria carretinha.

Alessandro Rúbio, supervisor de pesquisa e conteúdo do Centro de Experimentação e Segurança viária (Cesvi Brasil), alerta:

O peso extra, fora das especificações do fabricante (tanto do carro como do reboque), pode causar deformações na carroceria e até mesmo esforço excessivo do veículo para tracionar a carga. A suspensão do automóvel e o sistema de freio também podem ser comprometidos.

Carregar capacidade maior do que carretinha e ou o automóvel aguentam também compromete a segurança. Isso porque o peso extra pode descontrolar os dois veículos.

Também é pela questão da segurança que Alessandro Rúbio alerta sobre a distribuição de peso na carretinha: “A distribuição correta de peso é importante para que a carga transportada tenha o melhor centro de gravidade (mais baixo e com peso distribuído) possível, o que evita que perda de controle do veículo”.

Quando for carregar o reboque, é preciso distribuir a carga igualmente (ou o mais próximo disso possível). Quanto mais objetos em contato com o fundo da carretinha, evitando partes muito altas, melhor.

Para consultar a capacidade máxima de reboque de um automóvel, basta consultar o manual. O limite das carretinhas, por sua vez, é registrado no momento da compra.

Ainda com relação à carga, de acordo com o Detran-SP, o reboque pode ser carregado até 4,40 metros de altura, partindo do solo. No entanto, as dimensões dos objetos não podem exceder o limite na parte traseira e nem nas laterais.

Por fim, a carga deve estar firme na carretinha, presa com cinta poliéster ou corrente. Cordas são proibidas, a não ser que sejam usadas exclusivamente para prender a lona.

Tamanhos de carretinhas

O CTB regulamenta o tamanho das carretinhas em largura, altura, balanço traseiro e o tamanho da composição completa. Confira na tabela:

Medidas máximas para carretinhas
Largura máxima 2,6 m
Altura máxima 4,4 m
Comprimento máximo entre o veículo trator e o reboque 19,8 m
Balanço traseiro máximo 3,5 m

Quanto custam as carretinhas?

As carretinhas podem ser encontradas em diversos formatos, tamanhos e especificações. As chamadas “carretinha fazendinha” são consideradas a porta de acesso a esse mundo, são modelos com apenas um eixo e laterais feitas em madeira. No mercado elas podem ser encontradas com preços iniciais de cerca de R$ 3.000.

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A carretinha fazendinha é o tipo mais acessível. (Foto: Reboques Vale do Aço | Divulgação)

Modelos para motos são um pouco mais caros e iniciam na faixa de R$3.500, podendo variar dependendo da especificação e do tipo de moto que será transportada. Já as carretinhas trucadas, com dois eixos, tem preço inicial na faixa de R$ 5.500.

Para motoristas que não tem espaço em casa para guardar uma carretinha ou não usa frequentemente a solução pode ser a locação. O aluguel de um modelo mais simples pode partir de valores na faixa de R$ 50 por dia. Variando conforme o tipo de carretinha.

5 Comentários
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jessica 17 de agosto de 2021

Eu tenho uma firma e vou registar o documento da carretinha na firma que documentos eu preciso?

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Alcimar Lemos Pereira 12 de agosto de 2021

Boa noite , a carretinha é muito bem vinda quando é tratada com responsabilidade ! Tenho e sou muito bem antesioso nas questões de segurança de todos ! Mais vejo cada umas por aí ! Vamos ter respeito com o próximo….

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Katia Castilho 12 de agosto de 2021

Útil o artigo, porém deveria ter começado pelo que vem praticamente ao final: “Primeiro certifique-se, pelo manual do veículo. do fabricante autorizar a instalação de um engate (…). Atente, além disso sobre a categoria da CNH”. Outro ponto importantíssimo, como muito bem lembrou o “ZÉÉÉ” aí acima: manobrar um carro com carreta é totalmente diferente do que se está acostumado a fazer. É muuuuuito conveniente praticar muito a marcha a ré, antes de passar por maus bocados (no mínimo, pagando mico).

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Zééé 12 de agosto de 2021

Já dirigi puxando carretinha com duas motos tres vezes. Dar ré é bem complicado para manobras, qualquer mexidinha no volante, já afeta muito lá atrás a direção da carreta. Era mais fácil descer, desacoplar, e empurrar com as maos mesmo. sendo ajudado claro, por outra pessoa. Ouro detalhe é com relação as ultrapassagens, se for fazer, lembrar sempre que além do carro tem que considerar também o tamanho da carreta para a ulrapassagem, portanto mais atenção
e espaço. Mas no final deu tudo certo.

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Alessandro Rubio Marreiro de Oliveira 10 de agosto de 2021

Gostaria que meu nome não fosse vinculado mais ao CESVI BRASIL, pois não faço mais parte da empresa. Obrigado!

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