Carro flex: etanol ou gasolina?

Mesmo após os veículos bicombustíveis celebrarem 15 anos de lançamento no Brasil, o motorista ainda vacila ao abastecer

VW Gol o primeiro carro flex vendido no Brasil
Por Boris Feldman
14 de outubro de 2018 09:53

A expressão “perde-ganha” é perfeitamente aplicável às vantagens e desvantagens de se abastecer o carro flex com o derivado do petróleo ou da cana. Mesmo celebrando 15 anos de lançamento no Brasil, o motorista ainda vacila ao abastecer, principalmente quando há variação de preços nos postos. Esta é uma das questões campeãs no ranking dos e-mails que recebemos diariamente.

Gasolina

Sua indiscutível vantagem é seu consumo inferior ao do etanol. Não representa necessariamente um custo menor por quilômetro rodado, pois ele é – geralmente – compensado pelo preço proporcionalmente inferior do derivado da cana. Mas a consequência direta é proporcionar maior autonomia, ou seja, reduzir as paradas para abastecer. Vantagem que se percebe principalmente na estrada, onde o motorista é forçado a parar em postos desconhecidos.

Etanol

Graças à sua elevada octanagem, permite que o motor tenha taxa de compressão superior, aumentando sua eficiência térmica. Em outras palavras, mais potência nas rodas. Outra vantagem é seu reduzido teor de carbono, cerca de 1/3 da gasolina, que o torna mais “limpo”. Usado no motor de um carro flex, dificilmente ocorre a formação de depósitos carboníferos no interior da câmara de combustão (cabeça do pistão), como na gasolina. O que explica também a necessidade de aditivos no derivado do petróleo, desnecessários no da cana.

Carro flex: uso de etanol ou gasolina está relacionado a vários fatores, mas principalmente ao custo


Outra vantagem do etanol é ser mais “ecológico”: apesar de sua combustão também emitir CO2 (dióxido de carbono, que contribui para o efeito estufa), este é absorvido do ar pela cana de açúcar no campo. Então, é uma equação que quase se anula no final das contas. Ao contrário do carbono do petróleo, buscado no fundo da terra ou dos mares e lançado no ar que respiramos como resultado da combustão de seus derivados.

Em compensação, o consumo do etanol é cerca de 25% a 30% superior ao da gasolina, obrigando o motorista a parar mais vezes para abastecer. O flex ainda é uma adaptação do projeto para o motor a gasolina, pois não compensa investir centenas de milhões de dólares num motor (a etanol) apenas para o Brasil. Quando for viável desenvolver um projeto específico, é quase certo que os números de consumo dos dois combustíveis serão mais próximos.

$$$$$

O motorista pode não se importar com potência, autonomia nem meio ambiente, mas somente pelo custo do km rodado. Em outras palavras: “qual dos dois representa menor despesa no final do mês?”.

Neste caso, só fazendo as contas. Em termos financeiros, o etanol é mais vantajoso se custar até 70 a 75% do preço da gasolina. Para se ter ideia do percentual exato, só avaliando o consumo de cada carro com os dois combustíveis. Durante muitos anos se convencionou estabelecer o percentual de 70%. Entretanto, com o desenvolvimento dos motores e do etanol, ele pode chegar a 75%.

Mezzo a mezzo”

Existe também uma teoria de que a melhor fórmula para se abastecer um carro flex é dividir o tanque entre gasolina e etanol: 50% de cada. Nesta solução “em cima do muro”, o motorista usufrui das duas vantagens. Ganha um pouco de desempenho com o etanol sem perder muita autonomia ao manter 50% de gasolina no tanque.

Partida no carro flex

Vários carros flex ainda utilizam o sistema de partida a frio, um tanquinho de gasolina utilizado nos dias mais frios se o tanque principal foi abastecido com etanol. Pode apresentar problemas com o envelhecimento da gasolina ou a central não reconhecer a presença de etanol no tanque. Ou a bombinha elétrica que injeta gasolina estar pifada.

Projetos mais modernos resolveram o problema da partida do carro flex em dias frios aquecendo o etanol. Ou os automóveis contam com a injeção direta de combustível, que dispensa qualquer sistema de ajuda. Outra dica: motoristas que só abastecem com etanol costumam, no inverno, adicionar cerca de 10% de gasolina no tanque.

Foto Volkswagen | Divulgação

SOBRE
7 Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Comentários com palavrões e ofensas não serão publicados. Se identificar algo que viole os termos de uso, denuncie.
Avatar
Bill 18 de outubro de 2018

Isso não é balela, a grande verdade é Que temos um carro flex usa álcool ou gasolina, ele não vai funcionar com meio a meio de combustível, porque a sonda lambda não faz leituras com dois combustível juntos, agora se eles fossem mix aí sim funcionária normal, o módulo não reconhece assim, poucas pessoas sabem dessa informação, que nos temos até o momento e um veículo flex e não e mix.

Avatar
Renan 14 de dezembro de 2019

Sua afirmação está equivocada. Pode abastecer com a quantidade que quiser dos 2 combustíveis. Eu tenho carro flex e no manual do mesmo diz isso.

Avatar
Leandro 16 de dezembro de 2019

Se informe antes de postar coisa errada na internet… Se é flex serve pra ambos os combustíveis e em qualquer proporção. Se não servisse teriam muito carros com problema ao abastecer com gasolina, já que tem centenas de postos pilantras que colocam a proporção que bem entendem de etanol…

Avatar
Laudecir de Paula 17 de outubro de 2018

Boa noite estou pretendendo comprar um CRV 2010 vc disse no programa que no CRV 1.5 está passando vapor para o motor são todos os Crvs ou só os 1.5 e os 2.0?

Avatar
Edison 16 de outubro de 2018

Boris. Ainda ontem, estava com 1/2 tanque de álcool e completei com gasolina. Não deu mais partida. Levei na concessionária e o consultor disse que NÃO pode misturar os combustíveis, que o motor pode não reconhecer e pode não ligar. Acompanho vc e seu ex programa (no SBT) e tenho visto vc comentar que isso é “BALELA”. Como fica essa situação? Obrigado.

Avatar
Rodrigo 17 de outubro de 2018

Andou alguns km’s antes de desligar o carro após abastecer? Alguns sistemas (senão todos) necessitam um período para adaptação da nova mistura de combustível. Embora, mesmo que não tenha feito isso (que é o correto) ainda existe a alternativa de insistir na ignição, acelerando por algum tempo (mesmo depois de pegar) para que o carro volte a funcionar. Esse “macete” serve inclusive para eventuais desajustes involuntários na injeção.

AutoPapo
AutoPapo 22 de outubro de 2018

Resposta do Boris Feldman: A sonda lambda não sabe, realmente, qual combustível tem no tanque, pois ela mede a quantidade de oxigênio presente na combustão do motor. Como este teor é diferente entre os dois combustíveis, o resultado é um volume que muda significativamente entre gasolina e álcool. E esse valor é informado para a central eletrônica, para que ela ajuste os parâmetros da injeção e ignição. Tanto faz, portanto, se tem só álcool, ou só gasolina, ou uma mistura dos dois: o resultado, medido pela sonda Lambda em oxigênio, é que interessa para a central eletrônica, encarregada de ajustar o funcionamento do motor para qualquer mistura dos dois combustíveis.

Avatar
Deixe um comentário