Chevrolet Vectra: 10 fatos sobre o modelo que é uma boa opção de carro usado

Sedã se destacou pelo acerto dinâmico e requinte, mas teve solução caseira no Brasil que não vingou; ainda assim, até hoje arranca suspiros

chevrolet vectra cd cinza de frente
Vectra tem uma legião de fãs (foto: Chevrolet | Divulgação )
Por Fernando Miragaya
16 de dezembro de 2021 11:03
Com Alexandre Carneiro

Hoje o Brasil é um país fabricante de carros compactos – e de alguns médios. Mas já teve época em que a indústria nacional fazia modelos médio-grandes, grandes e até de luxo. A Chevrolet, por exemplo, fabricou, até os anos 1990, carros como o Omega e, “logo abaixo”, o Vectra, projetos globais que prometiam conforto e desempenho.

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O Vectra foi um caso emblemático. Projeto Opel do fim dos anos 1980, começou a ser produzido por aqui em 1993 com várias inovações. Três anos depois ganhou uma nova geração com mais pioneirismos. Muitos motores e séries especiais depois, em 2005 a GM transformou o carro em um Astrão em sua terceira geração.

Mesmo com este desfecho controverso por aqui, o sedã sempre carregou a fama de carro bem construído, com bom desempenho e acerto dinâmico refinado. Conheça 10 fatos sobre o Chevrolet Vectra.

O nascimento do Chevrolet Vectra

O Vectra surgiu como um projeto da Opel, então braço europeu da General Motors – hoje, nas mãos do Grupo Stellantis. Foi lançado no continente em 1988 para substituir o Ascona, modelo que deu origem ao nosso Monza. Além da versão sedã mais conhecida por nós, tinha uma variante hatch.

Primeira geração

chevrolet vectra a cd azul de frente
Versão CD era a mais luxuosa da gama

O modelo começou a ser produzido no Brasil em 1993 para ser posicionado entre o Monza (que continuou em linha até 1996) e o Omega (lançado um ano antes para substituir o Opala). O Vectra brasileiro trazia itens e soluções do então carro topo de linha da Chevrolet no Brasil, como ajustes de altura do cinto de segurança, porta-luvas refrigerado e destravamento das portas automático em caso de colisão.

O motor era o 2.0 de 116 cv e 17,3 kgfm de torque, aliado ao câmbio manual de cinco marchas. Entre os itens de série, trazia travas, vidros e retrovisores elétricos, freios a disco nas quatro rodas, ar-condicionado e direção hidráulica. A versão CD agregava ABS, rádio/toca-fitas e regulagem de altura dos faróis, sendo que, opcionalmente, podia receber teto solar e câmbio automático de quatro marchas.

Chevrolet Vectra GSi

chevrolet vectra gsi lateral em movimento 1
Versão esportiva tinha mecânica importada

Este primeiro Vectra teve uma versão GSi, com motor 2.0 16V, só que com 150 cv de potência e 20 kgfm de torque. Além disso, chamava a atenção pelo quadro de instrumentos eletrônico e o teto-solar. Por fora, tinha saias laterais, spoiler traseiro e rodas de liga-leve aro 15”.

Testes da época apontavam a aceleração de 0 a 100 km/h em 8,5 segundos! Hoje, é um exemplar muito desejado e colecionável.

Era um médio-grande

A segunda geração do sedã foi lançada por aqui em 1996, pouco tempo depois da apresentação global do carro no Salão de Frankfurt de 1995. É considerado até hoje o melhor Vectra de todos os tempos. Além do conforto a bordo e do design arrojado, brindava o motorista com comportamento dinâmico apurado, fruto de um ótimo coeficiente aerodinâmico de 0,28 cx.

chevrolet vectra cd 1996 azul de frente
Segunda geração do Vectra foi a que alcançou maior sucesso

A linha mais uma vez trazia novidades. Foi o primeiro carro nacional a ter suspensão traseira independente multibraço. Também foi o primeiro carro fabricado por aqui a ser equipado com airbag duplo frontal de série.

Com 4,47 metros de comprimento e 2,64 m de entre-eixos, além de porta-malas com capacidade para até 500 litros, era considerado um médio-grande à época, mas teve de segurar as pontas no segmento de médios também. A GM tinha encerrado a produção do Monza e importava o Astra belga – só a geração seguinte do hatch seria feita dois anos depois.

Motor do Vectra

Essa segunda geração do Vectra começou a vida com os motores 2.0 Família II da GM. A variante oito válvulas entregava 110 cv e a 16V, 141 cv – mas depois caiu para 136 cv.

A necessidade de mais torque, contudo, fez a GM lançar, em 1998, um outro motor para o Vectra. Era o 2.2 de 123 cv (8V) e 138 cv (16V). O torque chegava a 19,4 e 20,7 kgfm, e o motor mais potente podia trabalhar com uma transmissão automática de quatro marchas. Os 2.0 foram então descontinuados, mas essa cilindrada, com cabeçote 8V, voltou em 2003: a potência foi mantida em 110 cv.

Séries especiais do Chevrolet Vectra

Depois da reestilização de 1999 a Chevrolet lançou diversas edições especiais do Vectra. Uma das primeiras foi a Millenium, baseada na versão GL.

No ano seguinte teve a primeira edição da Challenge, em homenagem a Stock Car – a principal categoria do automobilismo nacional já era patrocinada pela GM. Foram 1.600 unidades com motor 2.2 16V.

Entre os destaques da série especial, rodas de liga-leve com aros de 16 polegadas exclusivos, pneus 205/55 R16, molduras, maçanetas e saias laterais na cor da carroceria, faróis e lanternas escurecidos, faróis de neblina, ponteira dupla cromada de escapamento e emblemas alusivos à edição limitada. Na cabine, bancos, painéis das portas e volante revestidos de couro em dois tons – preto e cinza. O painel e o console tinham detalhes metalizados.

vectra challenge 2
Série especial Challenge tinha motor 2.2 16V

Em 2001 teve a série Expression, já com o para-choque dianteiro redesenhado da linha naquele mesmo ano – este modelo depois virou versão de acabamento fixa na linha. Em 2002 a GM ainda reeditou a Challenge.

Em abril de 2005 a Collection marcou a despedida da segunda geração do Vectra. Esta série foi limitada a mil unidades, sempre na cor cinza Mayon e com motor 2.0. O chaveiro e o Manual do Proprietário desta edição eram numerados.

Ao todo, a segunda geração do Vectra vendeu mais de 310 mil unidades em quase 10 anos de existência no mercado brasileiro.

Virou Astrão…

A terceira geração do Vectra não era um… Vectra. Por aqui, a GM transformou o sedã em um Astra esticado – era 20 cm mais comprido que o Astra Sedan da época.

A base era híbrida. Na dianteira, desenho e estrutura da terceira geração do Astra europeu. Na traseira, partes da minivan média Zafira. A suspensão muitibraço deu lugar a um prosaico eixo de torção na traseira.

O Vectra perdeu em comportamento dinâmico, mas o acabamento interno sempre foi elogiado nesta última geração, com muitos materiais emborrachados no revestimento. A configuração topo de linha Elite trazia rodas de 17 polegadas e sensor de chuva. Esta opção era equipada com motor 2.4 16V Flex de 150/146 cv e câmbio automático de quatro marchas.

chevrolet vectra elegance 2006 preto de frente
Versão Elegance vinha com motor 2.0

As variantes Elegance e Expression (essa última lançada posteriormente) tinham motor 2.0 8V com potências de 127/121 cv e vinham de série com transmissão manual de cinco marchas.

Em 2007 o tanque de combustível foi aumentado de 52 para 58 litros para melhorar a autonomia do Vectra, que nunca foi sinônimo de eficiência. Em 2009 a linha passou por um face-lift e o motor 2.4 foi descontinuado, enquanto o 2.0 teve potência elevada para até 140 cv.

Em 2010, a linha ganhou airbag e ar-condicionado digital se série. Em junho de 2011, o Vectra deixou de ser produzido com uma série Collection na cor verde Lótus, com 2 mil unidades. Assim como a edição de mesmo nome da geração anterior, tinha chave e manual numerados.

Vectra? GT?

Em 2007, surgiu a derivação hatch do Astrão, ou melhor, do Vectra. Era o Vectra GT, que nada mais era do que a geração europeia do Astra, uma à frente da que já era vendida no país.

O motor era o mesmo 2.0 Família II da GM, com potência elevada para 140/133 cv após a estreia. Conviveu com o Astra hatch veterano, teve uma variante esportivada GT-X e deixou de ser fabricado juntamente com o sedã, em junho de 2011, para dar lugar à linha Cruze.

Os colegas do Opinião Sincera também andaram no Vectra GT. Veja a opinião deles:

Qual é o melhor Vectra para comprar?

O Chevrolet Vectra CD 2.2 16V manual ano 1999 é  uma pedida da segunda geração do sedã médio-grande. Tem valores médios entre R$ 15 mil e R$ 25 mil nos principais portais e negociação de carros usados.

O motor 2.2 16V entrega potência e torque bastante divertidos para o sedã. Em termos de equipamentos, a CD era a mais completa, com ar, direção hidráulica,  trio, banco do motorista e volante com ajustes de altura, computador de bordo, entre outros.

Boa compra II

chevrolet vectra elite 2010 vermelho de frente
Nos últimos anos de fabricação, linha oferecia unicamente o motor 2.0 de até 140 cv

O Vectra Elite 2.0 2009/2010 é uma dica para quem quer uma versão bem completa e potente da última geração do sedã. Esta versão topo de linha era equipada com quatro airbags, freios com ABS, bancos de couro, sensores de chuva e crepuscular, retrovisor eletrocrômico, espelhos externos rebatíveis eletricamente, direção hidráulica com diferentes ajustes, banco traseiro bipartido e controle de cruzeiro.

Teto solar elétrico e banco do motorista com regulagens elétricas eram opcionais. Em sites de compra e venda, o modelo deste ano tem preços entre R$ 30 mil e R$ 35 mil.

Defeitos comuns

Na segunda geração do Vectra, fique atento a ruídos na caixa de direção. Portas desalinhadas com dificuldades de fechar e vidros soltos são queixas comuns também. Os motores 2.0 e 2.2 ainda têm fama de superaquecerem.

Na terceira geração, o Vectra teve problemas com os cabeçotes do motor – com casos até de troca do propulsor em um suposto recall extra-oficial, com troca de documentação que fez muito usado ficar mais desvalorizado.

Infiltração nos faróis e problemas nas buchas da suspensão também são recorrentes. Defeitos no ar-condicionado não são raros nesta última fase do Vectra.

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16 Comentários
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Eliton Gilson Damásio camargo 29 de maio de 2022

Estou procurando um Vectra

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Rogério 15 de junho de 2022

Pode comprar sem medo, carro excelente. Procure o ano 2009 em diante, mais potente e econômico que o anterior.

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Sérgio Amaral 25 de janeiro de 2022

Um carro muito bonito, mas faltou falar dos vários casos de vectra da segunda geração, cujo tanque de combustível explodiu e vitimou até crianças e que a GM se negou a assumir responsabilidade.

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Eva Angelica Brosler 21 de janeiro de 2022

Tenho o vectra elite 2009/2010, abertura no teto, adoro 🥰 creio que terei que vende-lo. Mas concordo não mais carros 🚗 com esse conforto e elegância.e caríssimos. Única Dona.

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Pedro Francisco Nunes Machado 12 de janeiro de 2022

Tenho um Elegance 2011 com 350.000km no GNV,só troco bateria, pneus,amortecefores,pastilhas uma vez,radiador e mangueiras com 280,000km,faço de 3000 3,500 por mês,só tenho elogios!!

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Deumir Fernandes de Oliveira 9 de janeiro de 2022

Tenho um 2007elite2.4 corro sem detalhes muito bom de economia e muito completo um carro com baixo custo que tem opcionais de carro do ano atual muito grato pelo carro.

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José Roberto dos Santos Magalhães 20 de dezembro de 2021

Tenho um 97 top infelizmente tô vendendo mas assim que puder estarei comprando outro do terceiro modelo

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Ronnie 19 de dezembro de 2021

Excelente matéria! Uma ressalva quanto à especificação do motor do Vectra de primeira geração: as versões GLS e CD possuíam motor 2.0 de 8V e não 16V como descrito na matéria. O 2.0 16V era aplicado apenas na versão GSI (o famoso e cobiçado motor C20XE de 150cv).
O Vectra é um carro que deixa saudades. Na minha adolescência, meu avô e uma tia, em 1994, compraram, cada um, o Vectra GLS Azul Strauss. Em 1998, outro tio teve um GLS 2.0 Azul Almirante. Em 2006, meu primo comprou um CD 2.2 16V manual, 2002. Em 2011, eu comprei um dos últimos GTX fabricados. Ou seja, pude experimentar as 3 gerações do Vectra.
Mas, sem dúvida, o mais marcante foram os G2, principalmente pelo icônico design dos retrovisores integrados ao capô.
Há 1 mês, tive a oportunidade de adquirir um Vectra Challenge 2001 em execelente estado de conservação e originalidade. Além de homenagear a entrada do Vectra na Stock Car, também é lembrado por ser o primeiro carro fabricado no Brasil com rodas aro 16″ e com a interessante combinação do motor 2.2 16V e câmbio manual.
É inegável que o substituto, Cruze, trouxe mais modernidade à marca nessa categoria. Mas chegou em meio à uma concorrência que não o deixou se destacar. O Cruze atual tem uma excelente combinação de conteúdo e mecânica frente aos concorrentes em sua faixa de preço…

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Sir.Alves 22 de dezembro de 2021

É amigo, Bons carros como o Cruze sedan/hatch ate voltaram a bons números de venda recentemente… são pessoas que observaram o RACIONAL e(ou)os arremediados que compraram tracker e etc, e viram que foi um péssimo negocio frente a um médio… e resolveram voltar para o Cruze… não vai demorar para os compradores de corola cross se decepcionarem e voltarem ao sedã médio… pois NUNCA esses altinhos vão corresponder a quem está bem acostumado a estabilidade, espaço porta malas e conforto de um bom sedã médio.. só compra altinho e fica com ele quem nunca provou algo MELHOR… ou seja…quem sempre viveu nos compactos populares.

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Cristian Mollerke 29 de dezembro de 2021

Concordo plenamente! Tenho um cruze de última geração. Ótimo carro! Não troco por outro! Melhor custo benefício entre os sedãs médios.

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João 17 de dezembro de 2021

Boa tarde galera de bom gosto — eu concordo perfeitamente, recentemente vendi o meu Vectra Elegance 2011 TOP completíssimo e em estado de 0 Km. Tão novo que chamava a atenção nas Ruas — mas infelizmente não tive outra opção tive que vendê-lo — mas por uma boa causa. Eu não troco esses modelos geração B/C por nenhum desses carros fracos e pelados que hoje são vendidos aqui no 5º mundo chamado Brasil, mesmo porque são caros demais e não tem nada a oferecer. Já os Vecão como chamamos alem de lindos [ quando bem cuidados] tem um conforto maravilhoso. Que saudades do meu. Abraços pessoal.

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Alexandre Brandt 3 de janeiro de 2022

Tenho um 2011 elegance verde, muito bom e nem bebe tanto assim! Muito confiável, manutenção barata, e muito confortável. Ótimo carro, não penso em vender tão cedo!

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Santiago 17 de dezembro de 2021

As montadoras descobriram que podem oferecer veículos superfaturados “da moda”, por bem mais do que valem, que não faltarão compradores orgulhosos em pagar por eles.
Aí os seminovos, que seriam a segunda opção, também inflacionaram – exatamente por serem a opção mais próxima.
E agora os veículos dos anos 90, com mais de vinte anos de uso, começam a despontarem como “opções de mercado”.
Triste e vergonhoso cenário…

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Sir.Alves 16 de dezembro de 2021

Podem falar do consumo e tals… porém o Vectra G2 sempre vai passar aquela impressão de muito bom gosto e conforto de rodagem… os designers dessa época tinham talento que não se vê mais hoje… os designer de automóveis de hoje parecem estagiários desesperados para empurrar algo para a linha de produção…

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João 17 de dezembro de 2021

Concordo 100%. O Vectra G2 está na minha mira de clássico pra ter na garagem.

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Ivan 20 de dezembro de 2021

Boa tarde, e voce não vai se arrepender!! Ótimo carro! Comprei 1 98/98 com 125mil originais!! Carro top !

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